Índice do dólar sobe 0,37% para 102,58, o maior nível desde abril de 2025, enquanto investidores buscam segurança. Ataques dos houthis à Arábia Saudita e petroleiros elevam petróleo Brent 2,3% para US$107,17, intensificando volatilidade nos mercados.
Dólar atinge maior cotação em 18 meses com tensões no Golfo e inflação nos EUA
Qual é a razão para comprar o euro neste momento? É difícil encontrar uma.
Por que exatamente o dólar fica mais forte quando há tensão geopolítica? Parece contra-intuitivo.
Porque o dólar é visto como o porto seguro global. Quando há medo, investidores vendem ativos mais arriscados e compram dólares. É simples assim.
Mas vale notar que essa "demanda por segurança" é um padrão que pode mudar. Se a situação no Oriente Médio se estabilizar rapidamente, essa dinâmica desaparece.
E quanto à inflação? Por que isso também fortalece o dólar?
Porque se a inflação americana está alta, o Fed pode manter juros mais altos por mais tempo. Juros mais altos tornam o dólar mais atrativo para quem quer retorno.
Embora — e isso é importante — os operadores já estão precificando uma probabilidade de 78% de que o Fed mantenha as taxas inalteradas este mês. Então grande parte dessa expectativa já está no preço.
O que significa quando você diz que "grande parte dos aumentos esperados nas taxas do Fed já estão precificados"?
Significa que o mercado já incorporou essas expectativas nos preços. Se o Fed fizer exatamente o que o mercado espera, não há surpresa, e o dólar pode não subir mais.
Exatamente. É por isso que Joel Kruger diz que há "espaço limitado" para alta adicional. O movimento já aconteceu.
E o euro? Por que está caindo tanto?
Principalmente por preocupações com a saúde fiscal da França antes das eleições de 2027. Os investidores estão fugindo de ativos europeus.
O spread entre títulos franceses e alemães chegou a 160 pontos-base — o maior desde 2012. Isso é um sinal de que o mercado vê risco real na França, não apenas especulação.
Então o dólar forte é temporário ou pode durar?
Depende do que acontecer com a inflação americana esta semana e com a situação no Oriente Médio.
Exatamente. Há dois gatilhos principais: o relatório de inflação na quarta-feira e a escalação — ou desescalação — dos ataques no Golfo. Se ambos se acalmarem, o dólar pode cair rapidamente.
Le Pouls
- Índice do dólar sobe 0,37% para 102,58, maior nível desde abril de 2025
- Petróleo Brent sobe 2,3% para US$107,17 após ataques dos houthis
- Posições otimistas em dólar crescem de US$8,4 bilhões para US$36 bilhões em três semanas
- Fed tem 78% de probabilidade de manter taxas inalteradas este mês
- Relatório de inflação americana será divulgado na quarta-feira
Índice do dólar sobe 0,37% para 102,58, o maior nível desde abril de 2025, enquanto investidores buscam segurança. Ataques dos houthis à Arábia Saudita e petroleiros elevam petróleo Brent 2,3% para US$107,17, intensificando volatilidade nos mercados.
O dólar mantém sua maior cotação em 18 meses, impulsionado pela demanda por ativos de refúgio devido a ataques no Oriente Médio e preocupações com inflação nos EUA antes de dados cruciais esta semana.
O dólar alcançou sua cotação mais forte em dezoito meses nesta segunda-feira, impulsionado por uma combinação de fatores que mantém os investidores globais em estado de cautela. O índice do dólar, que mede a moeda americana contra seis outras divisas principais, avançou 0,37% para 102,58 pontos — o patamar mais elevado desde abril de 2025. Por trás dessa valorização está uma dinâmica familiar aos mercados em turbulência: quando o mundo fica nervoso, o dólar fica forte.
A tensão no Oriente Médio alimentou boa parte dessa demanda por segurança. Ao longo do fim de semana, os houthis do Iêmen, com apoio do Irã, intensificaram seus ataques contra a Arábia Saudita, e dois petroleiros foram alvo de agressões. Essa escalada transformou os mercados de energia em um caldeirão de volatilidade. O petróleo Brent subiu 2,3%, chegando a US$107,17 o barril — aproximando-se do seu patamar mais alto em duas semanas. Para colocar em perspectiva: o Brent está negociado quase 45% acima do nível anterior ao início da guerra envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã. O anúncio feito no domingo pelo presidente Donald Trump sobre um cessar-fogo no setor energético entre Ucrânia e Rússia mal teve tempo de acalmar os mercados antes que Kiev acusasse Moscou de violar o acordo já na madrugada de segunda-feira.
Mas a história do dólar forte não é apenas sobre geopolítica. Há também a questão da inflação americana, que continua pairando sobre as decisões dos investidores. Beth Hammack, presidente do Federal Reserve de Cleveland, afirmou nesta segunda que o banco central deveria adotar uma política restritiva "relativamente rápido" para conter a inflação, que ela vê como mais generalizada do que alguns analistas reconhecem. Essa postura hawkish — favorável a juros mais altos — reforça a atratividade do dólar para quem busca retornos maiores em ativos denominados em moeda americana.
O apetite dos investidores pelo dólar cresceu de forma notável. Na semana encerrada em 7 de outubro, as posições otimistas em relação à moeda americana totalizavam cerca de US$36 bilhões, comparado com apenas US$8,4 bilhões três semanas antes. Essa mudança de sentimento ocorreu em grande parte às custas do euro, que perdeu espaço nos portfólios globais. Mas nem todos os analistas acreditam que essa valorização do dólar será duradoura. Joel Kruger, estrategista de mercado do LMAX Group em Londres, argumenta que dados econômicos em desaceleração, pressões inflacionárias em moderação e o fato de que grande parte dos aumentos esperados nas taxas do Fed já estão precificados no mercado deixam pouco espaço para uma alta adicional sustentada da moeda.
O ponto de inflexão pode chegar esta semana. O relatório de inflação ao consumidor dos EUA será divulgado na quarta-feira, e trata-se de uma das últimas publicações econômicas importantes antes da reunião de política monetária do Fed neste mês. Esse dado pode ser determinante para a direção do dólar no curto prazo. A confiança do consumidor americano já se deteriorou no início de outubro, prejudicada pelo aumento do custo de vida decorrente do conflito no Oriente Médio. Os operadores do mercado financeiro estão precificando uma probabilidade de 78% de que o Fed mantenha as taxas inalteradas neste mês, ante 51% no mês anterior, segundo a ferramenta CME FedWatch. Marc Chandler, estrategista-chefe de mercado da Bannockburn Global Forex, observa que um aumento nos juros antes de uma eleição é tão incomum que "a barreira é um tanto alta" para que o Fed tome medidas.
O cenário global amplifica as pressões. Os investidores estão cada vez mais preocupados com liquidações nos mercados de títulos, que elevaram os custos de financiamento em todo o mundo a máximas não vistas em décadas. O euro caiu 0,4%, para US$1,1156, perto de sua menor cotação em 17 meses, após registrar a quinta semana consecutiva de perdas. A preocupação com a saúde fiscal da França antes das eleições presidenciais de 2027 pesa sobre a moeda europeia. O spread entre os rendimentos franceses de 10 anos e os rendimentos alemães — considerados mais seguros — foi negociado a 140 pontos-base, embora tenha chegado a 160 pontos-base na semana anterior, o maior nível desde 2012. Dan Tobon, chefe de estratégia cambial do G10 do Citi em Nova York, resume o dilema: não há melhora visível nem orientação clara sobre o que pode melhorar a situação no curto prazo. "Qual é a razão para comprar títulos europeus, para comprar o euro neste momento? É difícil encontrar uma."
O dólar também se fortaleceu contra outras moedas. Subiu 0,2% para 158,66 ienes, enquanto a libra esterlina recuou 0,2% para US$1,3203. Os próximos dias trarão clareza — ou mais incerteza — dependendo do que os números de inflação americana revelarem.
Citations marquantes
Não estamos convencidos de que essa última onda de aversão ao risco se traduzirá em uma valorização sustentada do dólar— Joel Kruger, estrategista de mercado do LMAX Group
O foco real está nos dados do IPC desta semana, é provável que estejam em alta— Marc Chandler, estrategista-chefe de mercado da Bannockburn Global Forex