Diocese de Chiclayo inicia processo de beatificação de padre americano que inspirou Papa

Monsenhor Juan Tomis Stack dedicou sua vida ao atendimento de comunidades pobres no Peru, enfrentando desnutrição infantil, falta de eletricidade e água potável, e resistência social, mas transformou a realidade de milhares de moradores.
Semeou amor porque amava o amor, a marca do cristianismo
Reflexão do pesquisador Larcery Díaz sobre o legado espiritual de Stack em Chiclayo.
Mark

Por que a beatificação de um missionário americano que morreu há quarenta anos é notícia agora?

Mimi

Porque o Papa Leão XIV o citou como inspiração para sua própria vocação. Quando o Papa fala de alguém dessa forma, a Igreja presta atenção. E Chiclayo nunca esqueceu dele — vinte mil pessoas foram ao seu funeral.

Luke

Mas precisamos ser claros: o anúncio é que o processo *começará* em breve, não que ele será beatificado. Esses processos levam anos, às vezes décadas. Nada está decidido ainda.

Mark

O que torna alguém candidato à beatificação? Só o fato de ter feito bom trabalho social?

Mimi

Não. A Igreja procura por santidade, por uma vida vivida em conformidade com a fé. Stack deixou tudo para servir os pobres, enfrentou desafios enormes e nunca desistiu. Mas também há um componente de milagres — a Igreja precisa de evidência de intervenção divina.

Luke

E aí está o ponto que o artigo não aborda: não há menção a milagres atribuídos a Stack. O processo pode começar baseado em sua vida exemplar, mas a beatificação dependerá de coisas que ainda não sabemos.

Mark

Então por que o bispo está tão confiante?

Mimi

Porque a comunidade o ama. Porque o Papa o reconheceu. Porque há quarenta anos as pessoas ainda choram lembrando dele. Isso conta.

Luke

Conta, sim. Mas a devoção popular não é o mesmo que canonização. A Igreja tem critérios rigorosos. O que sabemos é que o processo vai começar. O resto é esperança.

  • A Diocese de Chiclayo anunciou o processo de beatificação de Monsenhor Juan Tomis Stack durante a festa de São João Maria Vianney, criando uma urgência institucional e espiritual em torno de um legado que aguardava reconhecimento oficial há décadas.
  • O anúncio reacende a memória de um funeral em 1986 que reuniu cerca de vinte mil pessoas nas ruas de Chiclayo — uma comoção popular que nunca havia se traduzido em processo canônico até agora.
  • O vínculo direto com o Papa Leão XIV, que citou Stack como inspiração para sua própria vocação missionária, confere ao processo uma visibilidade e um peso simbólico que ultrapassam as fronteiras do Peru.
  • O lançamento da edição em espanhol do livro 'Bridgeport to Peru', organizado pelo grupo Amigos do Padre Juan Tomis no centenário de seu nascimento, funcionou como catalisador cultural e afetivo para o anúncio formal.
  • Nos próximos meses, a Igreja Católica deverá formalizar as etapas canônicas que podem levar Stack à beatificação e, eventualmente, à canonização, transformando uma memória comunitária em reconhecimento universal.

Entre a fé e o serviço concreto, a vida de um padre americano nascido em Connecticut e enterrado sob vinte mil lenços brancos em Chiclayo começa agora a percorrer o caminho oficial da santidade. A Diocese de Chiclayo anunciou o início do processo de beatificação de Monsenhor Juan Tomis Stack, missionário que entre 1963 e 1986 transformou comunidades pobres no norte do Peru com estradas, clínicas, paróquias e uma presença humana que o próprio Papa Leão XIV reconhece como decisiva para sua vocação. É o momento em que a Igreja formaliza o que milhares de peruanos já sabiam no coração: que aquele homem havia chegado de longe para ficar para sempre.

No início de agosto, o bispo de Chiclayo, Dom Edinson Farfán Córdova, anunciou durante uma homilia que sua diocese iniciará em breve o processo de beatificação de Monsenhor Juan Tomis Stack — padre americano de ascendência eslovaca, nascido em Bridgeport, Connecticut, que dedicou mais de duas décadas ao norte do Peru. O anúncio ganhou peso adicional pelo fato de o Papa Leão XIV já ter citado Stack em diversas ocasiões como inspiração decisiva para sua própria vocação missionária.

Em 1963, seguindo o espírito do Concílio Vaticano II, Stack foi um dos primeiros voluntários enviados pelo bispo de Bridgeport à América Latina. O que encontrou na província de Santa Cruz, em Cajamarca, foi uma realidade dura: comunidades sem eletricidade nem água potável, estradas quase intransitáveis e desnutrição infantil generalizada. Ainda assim, perseverou. Liderou a construção de estradas, ergueu uma clínica para os mais pobres, fomentou vocações sacerdotais e recuperou propriedades da Igreja ocupadas ilegalmente.

Em 1967, a missão se transferiu para Chiclayo, onde Stack fundou a Paróquia São João Maria Vianney — concebida por ele como uma 'família paroquial'. Ali nasceram iniciativas que a cidade ainda recorda com carinho: o programa Férias Úteis para crianças, tropas de escoteiros, bibliotecas, clínicas médicas, festivais de canções religiosas e missas televisionadas. O Papa João Paulo II reconheceu essa dedicação em 1979, concedendo-lhe o título de monsenhor.

Stack faleceu em 29 de junho de 1986. Seu funeral reuniu cerca de vinte mil pessoas pelas ruas de Chiclayo, com lenços brancos tremulando ao vento — uma das maiores manifestações de afeto que a cidade já presenciou. O anúncio do processo de beatificação veio poucos dias após o lançamento da edição em espanhol do livro 'Bridgeport to Peru', organizado pelo grupo Amigos do Padre Juan Tomis como tributo no centenário de seu nascimento. Como observou o jornalista Larcery Díaz durante o evento, tudo começou com um corajoso 'sim' — e esse sim ainda ressoa em cada iniciativa viva que Stack deixou para trás.

No início de agosto, o bispo de Chiclayo anunciou que sua diocese iniciará em breve o processo de beatificação de Monsenhor Juan Tomis Stack, um padre americano que passou mais de duas décadas transformando comunidades no norte do Peru. O anúncio veio durante a homilia de Dom Edinson Farfán Córdova na festa de São João Maria Vianney, padroeiro dos párocos, e marca o reconhecimento oficial da Igreja Católica a um homem que o Papa Leão XIV já havia citado em várias ocasiões como inspiração decisiva para sua própria vocação missionária.

Stack nasceu e cresceu em Bridgeport, Connecticut. Em 1963, quando o bispo de Bridgeport decidiu enviar padres missionários para a América Latina seguindo o espírito do Concílio Vaticano II, o jovem padre de ascendência eslovaca estava entre os primeiros voluntários. O que o esperava na província de Santa Cruz, em Cajamarca, foi uma realidade brutal: populações sem eletricidade nem água potável, estradas quase intransitáveis, desnutrição infantil generalizada e comunidades profundamente resistentes a qualquer mudança. Durante aquele primeiro inverno frio, Stack e seus companheiros missionários enfrentaram um cenário muito mais desafiador do que haviam imaginado.

Mas foi justamente essa perseverança que permitiu que o trabalho florescesse. Stack liderou a construção de estradas, fomentou vocações sacerdotais, ajudou a erguer uma clínica para os mais pobres e recuperou propriedades da Igreja que haviam sido ocupadas ilegalmente. Em 1967, a missão se transferiu para Chiclayo, onde ele fundou a Paróquia São João Maria Vianney — não como uma instituição fria, mas como aquilo que ele chamava de "família paroquial". Suas ferramentas eram a caridade ativa e a bondade humana. A partir daí, iniciativas que permanecem vivas na memória de milhares de moradores tomaram forma: o programa Férias Úteis para crianças, tropas de escoteiros, clínicas médicas, bibliotecas, festivais de canções religiosas e missas televisionadas que a cidade ainda recorda com carinho.

O Papa João Paulo II reconheceu essa dedicação em 1979, concedendo-lhe o título de monsenhor. Stack faleceu em 29 de junho de 1986. Seu funeral atraiu cerca de vinte mil pessoas que acompanharam a procissão pelas ruas de Chiclayo — uma das maiores manifestações de afeto que a cidade já havia presenciado. Lenços brancos tremulavam ao vento enquanto a comunidade inteira se despedia de um homem que havia chegado de um país distante para cumprir seu dever com um toque delicado de ternura e uma devoção inabalável aos necessitados e aos oprimidos.

O anúncio do processo de beatificação veio poucos dias após a apresentação da edição em espanhol do livro "Bridgeport to Peru", originalmente publicado em inglês em 1989 como "Bridgeport's Peru". A tradução foi organizada pelo grupo Amigos do Padre Juan Tomis como um tributo de gratidão marcando o centenário do nascimento de Stack. Durante o evento, o jornalista e pesquisador Larcery Díaz recordou que tudo começou com um corajoso "sim" — a decisão de um jovem padre de deixar sua terra natal para servir comunidades nas montanhas e depois em Chiclayo, que o tem em tanta estima.

O trabalho de Stack transformou Chiclayo de forma inegável. Seu legado permanece vivo através das iniciativas pastorais, sociais e educacionais que ele liderou. Como Díaz observou ao concluir a apresentação do livro, ao abrir aquelas páginas não se lê apenas uma crônica histórica — reconecta-se com o amigo, o mestre e o guia. O livro é um testemunho de como o amor de Deus, quando traduzido em serviço, pode mudar a história de uma comunidade inteira. Nos próximos meses, a Igreja Católica formalizará esse reconhecimento através do processo que levará Stack potencialmente à beatificação e canonização.

Todos em nossa Igreja diocesana de Chiclayo conheciam o Padre Juan Tomis. Se tudo correr bem e o Senhor nos acompanhar e abençoar, o processo para sua beatificação e canonização começará em breve
— Dom Edinson Farfán Córdova, bispo de Chiclayo
O trabalho do Padre Juan transformou Chiclayo. Isso é inegável
— Larcery Díaz, jornalista e pesquisador
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