Entre a fé e o serviço concreto, a vida de um padre americano nascido em Connecticut e enterrado sob vinte mil lenços brancos em Chiclayo começa agora a percorrer o caminho oficial da santidade. A Diocese de Chiclayo anunciou o início do processo de beatificação de Monsenhor Juan Tomis Stack, missionário que entre 1963 e 1986 transformou comunidades pobres no norte do Peru com estradas, clínicas, paróquias e uma presença humana que o próprio Papa Leão XIV reconhece como decisiva para sua vocação. É o momento em que a Igreja formaliza o que milhares de peruanos já sabiam no coração: que aquele
Diocese de Chiclayo inicia processo de beatificação de padre americano que inspirou Papa
Semeou amor porque amava o amor, a marca do cristianismo
Por que a beatificação de um missionário americano que morreu há quarenta anos é notícia agora?
Porque o Papa Leão XIV o citou como inspiração para sua própria vocação. Quando o Papa fala de alguém dessa forma, a Igreja presta atenção. E Chiclayo nunca esqueceu dele — vinte mil pessoas foram ao seu funeral.
Mas precisamos ser claros: o anúncio é que o processo *começará* em breve, não que ele será beatificado. Esses processos levam anos, às vezes décadas. Nada está decidido ainda.
O que torna alguém candidato à beatificação? Só o fato de ter feito bom trabalho social?
Não. A Igreja procura por santidade, por uma vida vivida em conformidade com a fé. Stack deixou tudo para servir os pobres, enfrentou desafios enormes e nunca desistiu. Mas também há um componente de milagres — a Igreja precisa de evidência de intervenção divina.
E aí está o ponto que o artigo não aborda: não há menção a milagres atribuídos a Stack. O processo pode começar baseado em sua vida exemplar, mas a beatificação dependerá de coisas que ainda não sabemos.
Então por que o bispo está tão confiante?
Porque a comunidade o ama. Porque o Papa o reconheceu. Porque há quarenta anos as pessoas ainda choram lembrando dele. Isso conta.
Conta, sim. Mas a devoção popular não é o mesmo que canonização. A Igreja tem critérios rigorosos. O que sabemos é que o processo vai começar. O resto é esperança.
O Pulso
- A Diocese de Chiclayo anunciou o processo de beatificação de Monsenhor Juan Tomis Stack durante a festa de São João Maria Vianney, criando uma urgência institucional e espiritual em torno de um legado que aguardava reconhecimento oficial há décadas.
- O anúncio reacende a memória de um funeral em 1986 que reuniu cerca de vinte mil pessoas nas ruas de Chiclayo — uma comoção popular que nunca havia se traduzido em processo canônico até agora.
- O vínculo direto com o Papa Leão XIV, que citou Stack como inspiração para sua própria vocação missionária, confere ao processo uma visibilidade e um peso simbólico que ultrapassam as fronteiras do Peru.
- O lançamento da edição em espanhol do livro 'Bridgeport to Peru', organizado pelo grupo Amigos do Padre Juan Tomis no centenário de seu nascimento, funcionou como catalisador cultural e afetivo para o anúncio formal.
- Nos próximos meses, a Igreja Católica deverá formalizar as etapas canônicas que podem levar Stack à beatificação e, eventualmente, à canonização, transformando uma memória comunitária em reconhecimento universal.
Entre a fé e o serviço concreto, a vida de um padre americano nascido em Connecticut e enterrado sob vinte mil lenços brancos em Chiclayo começa agora a percorrer o caminho oficial da santidade. A Diocese de Chiclayo anunciou o início do processo de beatificação de Monsenhor Juan Tomis Stack, missionário que entre 1963 e 1986 transformou comunidades pobres no norte do Peru com estradas, clínicas, paróquias e uma presença humana que o próprio Papa Leão XIV reconhece como decisiva para sua vocação. É o momento em que a Igreja formaliza o que milhares de peruanos já sabiam no coração: que aquele homem havia chegado de longe para ficar para sempre.
No início de agosto, o bispo de Chiclayo, Dom Edinson Farfán Córdova, anunciou durante uma homilia que sua diocese iniciará em breve o processo de beatificação de Monsenhor Juan Tomis Stack — padre americano de ascendência eslovaca, nascido em Bridgeport, Connecticut, que dedicou mais de duas décadas ao norte do Peru. O anúncio ganhou peso adicional pelo fato de o Papa Leão XIV já ter citado Stack em diversas ocasiões como inspiração decisiva para sua própria vocação missionária.
Em 1963, seguindo o espírito do Concílio Vaticano II, Stack foi um dos primeiros voluntários enviados pelo bispo de Bridgeport à América Latina. O que encontrou na província de Santa Cruz, em Cajamarca, foi uma realidade dura: comunidades sem eletricidade nem água potável, estradas quase intransitáveis e desnutrição infantil generalizada. Ainda assim, perseverou. Liderou a construção de estradas, ergueu uma clínica para os mais pobres, fomentou vocações sacerdotais e recuperou propriedades da Igreja ocupadas ilegalmente.
Em 1967, a missão se transferiu para Chiclayo, onde Stack fundou a Paróquia São João Maria Vianney — concebida por ele como uma 'família paroquial'. Ali nasceram iniciativas que a cidade ainda recorda com carinho: o programa Férias Úteis para crianças, tropas de escoteiros, bibliotecas, clínicas médicas, festivais de canções religiosas e missas televisionadas. O Papa João Paulo II reconheceu essa dedicação em 1979, concedendo-lhe o título de monsenhor.
Stack faleceu em 29 de junho de 1986. Seu funeral reuniu cerca de vinte mil pessoas pelas ruas de Chiclayo, com lenços brancos tremulando ao vento — uma das maiores manifestações de afeto que a cidade já presenciou. O anúncio do processo de beatificação veio poucos dias após o lançamento da edição em espanhol do livro 'Bridgeport to Peru', organizado pelo grupo Amigos do Padre Juan Tomis como tributo no centenário de seu nascimento. Como observou o jornalista Larcery Díaz durante o evento, tudo começou com um corajoso 'sim' — e esse sim ainda ressoa em cada iniciativa viva que Stack deixou para trás.
No início de agosto, o bispo de Chiclayo anunciou que sua diocese iniciará em breve o processo de beatificação de Monsenhor Juan Tomis Stack, um padre americano que passou mais de duas décadas transformando comunidades no norte do Peru. O anúncio veio durante a homilia de Dom Edinson Farfán Córdova na festa de São João Maria Vianney, padroeiro dos párocos, e marca o reconhecimento oficial da Igreja Católica a um homem que o Papa Leão XIV já havia citado em várias ocasiões como inspiração decisiva para sua própria vocação missionária.
Stack nasceu e cresceu em Bridgeport, Connecticut. Em 1963, quando o bispo de Bridgeport decidiu enviar padres missionários para a América Latina seguindo o espírito do Concílio Vaticano II, o jovem padre de ascendência eslovaca estava entre os primeiros voluntários. O que o esperava na província de Santa Cruz, em Cajamarca, foi uma realidade brutal: populações sem eletricidade nem água potável, estradas quase intransitáveis, desnutrição infantil generalizada e comunidades profundamente resistentes a qualquer mudança. Durante aquele primeiro inverno frio, Stack e seus companheiros missionários enfrentaram um cenário muito mais desafiador do que haviam imaginado.
Mas foi justamente essa perseverança que permitiu que o trabalho florescesse. Stack liderou a construção de estradas, fomentou vocações sacerdotais, ajudou a erguer uma clínica para os mais pobres e recuperou propriedades da Igreja que haviam sido ocupadas ilegalmente. Em 1967, a missão se transferiu para Chiclayo, onde ele fundou a Paróquia São João Maria Vianney — não como uma instituição fria, mas como aquilo que ele chamava de "família paroquial". Suas ferramentas eram a caridade ativa e a bondade humana. A partir daí, iniciativas que permanecem vivas na memória de milhares de moradores tomaram forma: o programa Férias Úteis para crianças, tropas de escoteiros, clínicas médicas, bibliotecas, festivais de canções religiosas e missas televisionadas que a cidade ainda recorda com carinho.
O Papa João Paulo II reconheceu essa dedicação em 1979, concedendo-lhe o título de monsenhor. Stack faleceu em 29 de junho de 1986. Seu funeral atraiu cerca de vinte mil pessoas que acompanharam a procissão pelas ruas de Chiclayo — uma das maiores manifestações de afeto que a cidade já havia presenciado. Lenços brancos tremulavam ao vento enquanto a comunidade inteira se despedia de um homem que havia chegado de um país distante para cumprir seu dever com um toque delicado de ternura e uma devoção inabalável aos necessitados e aos oprimidos.
O anúncio do processo de beatificação veio poucos dias após a apresentação da edição em espanhol do livro "Bridgeport to Peru", originalmente publicado em inglês em 1989 como "Bridgeport's Peru". A tradução foi organizada pelo grupo Amigos do Padre Juan Tomis como um tributo de gratidão marcando o centenário do nascimento de Stack. Durante o evento, o jornalista e pesquisador Larcery Díaz recordou que tudo começou com um corajoso "sim" — a decisão de um jovem padre de deixar sua terra natal para servir comunidades nas montanhas e depois em Chiclayo, que o tem em tanta estima.
O trabalho de Stack transformou Chiclayo de forma inegável. Seu legado permanece vivo através das iniciativas pastorais, sociais e educacionais que ele liderou. Como Díaz observou ao concluir a apresentação do livro, ao abrir aquelas páginas não se lê apenas uma crônica histórica — reconecta-se com o amigo, o mestre e o guia. O livro é um testemunho de como o amor de Deus, quando traduzido em serviço, pode mudar a história de uma comunidade inteira. Nos próximos meses, a Igreja Católica formalizará esse reconhecimento através do processo que levará Stack potencialmente à beatificação e canonização.
Citações Notáveis
Todos em nossa Igreja diocesana de Chiclayo conheciam o Padre Juan Tomis. Se tudo correr bem e o Senhor nos acompanhar e abençoar, o processo para sua beatificação e canonização começará em breve— Dom Edinson Farfán Córdova, bispo de Chiclayo
O trabalho do Padre Juan transformou Chiclayo. Isso é inegável— Larcery Díaz, jornalista e pesquisador