Diageo lança selo com IA para autenticar bebidas e combater falsificação

Em 2025, 73 pessoas foram intoxicadas por metanol em bebidas adulteradas, resultando em 25 mortes; de janeiro a agosto de 2026, 17 casos confirmados e 23 em investigação.
A tecnologia sozinha não irá coibir a falsificação
Paula Lindenberg, CEO da Diageo no Brasil, reconhece as limitações da solução sem apoio legislativo.
Mark

Por que a Diageo decidiu investir nessa tecnologia agora, especificamente?

Mimi

A crise de 2025 foi o catalisador. Vinte e cinco pessoas morreram por intoxicação com metanol em bebidas falsificadas. Isso não é um problema abstrato de fraude — é um problema de saúde pública que chocou a sociedade inteira.

Luke

Mas a falsificação já existia antes de 2025. Por que a indústria não tinha agido?

Mimi

Boa pergunta. Provavelmente porque o custo de implementar uma solução em escala era alto e a pressão política era baixa. A crise mudou isso.

Mark

Como funciona tecnicamente? O consumidor consegue usar?

Mimi

É simples. Você aponta a câmera do smartphone para o selo na garrafa, a IA analisa a impressão digital e diz se é genuíno ou não.

Luke

E se o consumidor não tiver smartphone? Ou se estiver em um bar sem conexão?

Mimi

Ótima observação. A reportagem não detalha isso. Há uma lacuna real aí sobre a acessibilidade da solução.

Mark

A Diageo disse que isso vai resolver o problema?

Mimi

Não. Paula Lindenberg foi bem clara: a tecnologia sozinha não funciona. Precisa de leis mais fortes, criminalização real, ação do governo.

Luke

Então é mais um gesto simbólico?

Mimi

Não diria isso. É um gesto real, mas incompleto. É uma peça de um quebra-cabeça muito maior.

Mark

Outras empresas vão adotar?

Mimi

A Diageo não quer impor uma solução única. Cada uma escolhe a sua. Mas isso fragmenta a proteção do consumidor.

Luke

Então um consumidor pode verificar uma garrafa de Johnnie Walker, mas não consegue verificar uma Pernod Ricard?

Mimi

Exatamente. E isso é um problema real que a reportagem deixa em aberto.

  • Selo Drink Seguro usa impressão digital analisada por IA em 49 produtos da Diageo
  • Em 2025, 73 pessoas foram intoxicadas por metanol em bebidas adulteradas; 25 morreram
  • Falsificação representa 4,7% do mercado de destilados no Brasil
  • Tecnologia desenvolvida pela Securetrace permite mais de 27 trilhões de combinações

O Selo Drink Seguro usa fingerprint digital analisado por IA via smartphone para validar autenticidade de 49 produtos da Diageo em categorias como uísque, gim e vodca. A tecnologia foi desenvolvida pela Securetrace, mesma empresa responsável pelos hologramas da nota de R$ 100, permitindo mais de 27 trilhões de combinações de segurança.

A Diageo implementa tecnologia de impressão digital com inteligência artificial para autenticar garrafas de bebidas destiladas, respondendo à crise de intoxicação por metanol em 2025 que causou 25 mortes no Brasil.

A Diageo, gigante britânica dona de marcas como Johnnie Walker e Smirnoff, lançou esta semana um sistema de autenticação baseado em inteligência artificial para combater a falsificação de bebidas destiladas no Brasil. O chamado Selo Drink Seguro funciona por meio de uma impressão digital única em cada garrafa — tecnologia conhecida como fingerprint — que os consumidores podem verificar apontando a câmera do smartphone para o rótulo. A inteligência artificial analisa o código e retorna a mensagem "verificado" se o produto for genuíno. Se o selo não for reconhecido, o consumidor é convidado a preencher um formulário com informações sobre a garrafa.

A iniciativa responde diretamente à crise sanitária que marcou 2025 no Brasil. Naquele ano, 73 pessoas foram intoxicadas por metanol presente em bebidas adulteradas; 25 delas morreram. De janeiro a agosto de 2026, o país registrou 17 casos confirmados de intoxicação por metanol e outros 23 ainda sob investigação. A onda de envenenamentos chocou a sociedade e colocou em evidência os riscos reais da falsificação de destilados — não se trata apenas de fraude comercial, mas de um crime que pode levar à morte.

A tecnologia foi desenvolvida pela Securetrace, a mesma empresa responsável pelos elementos holográficos da nota de R$ 100 e pelas películas de segurança do passaporte brasileiro. O sistema permite mais de 27 trilhões de combinações diferentes, tornando praticamente impossível a replicação do selo. A Diageo não divulgou os valores investidos no projeto. O Selo Drink Seguro será aplicado a 49 produtos do portfólio da empresa nas categorias de uísque, gim, vodca, tequila, licor e rum. Alguns rótulos já circulam pelo país, mas a campanha de divulgação começou oficialmente nesta terça-feira, com a meta de que todas as garrafas identificadas estejam no mercado até o fim do ano. Produtos da marca Ypióca e itens para consumo imediato, como a Smirnoff Ice, não receberão a tecnologia num primeiro momento.

Segundo pesquisa da Euromonitor International encomendada pela Associação Brasileira de Bebidas Destiladas, a falsificação representa 4,7% do mercado total de bebidas destiladas no Brasil — um segmento que movimenta bilhões de reais anualmente. Paula Lindenberg, CEO da Diageo no Brasil, reconhece que o problema é estrutural e que a tecnologia sozinha não será suficiente para resolvê-lo. "Essa é uma ferramenta importante, mas deve vir acompanhada de leis mais fortes que tragam consequências reais para um crime tão grave", afirmou. Ela enfatiza que o combate à falsificação requer ação conjunta entre o setor privado e o poder público.

Questionada sobre a possibilidade de disponibilizar a tecnologia para concorrentes, Lindenberg respondeu que cada empresa deve ter liberdade para escolher as soluções mais adequadas ao seu portfólio. A Diageo integra a Associação Brasileira de Bebidas Destiladas junto com outras gigantes como Pernod Ricard, Bacardi Martini, Beam Suntory e Brown Forman. A executiva deixou claro que a indústria não defende a imposição de uma tecnologia única, mas sim que qualquer iniciativa capaz de proteger o setor, a categoria e o consumidor é bem-vinda — desde que acompanhada de legislação mais rigorosa e criminalização adequada da falsificação. O desafio agora é saber se o Selo Drink Seguro conseguirá ganhar adoção entre consumidores e varejistas, e se será efetivo em reduzir a circulação de bebidas adulteradas nas ruas do país.

Essa é uma ferramenta importante, mas deve vir acompanhada de leis mais fortes que tragam consequências reais para um crime tão grave
— Paula Lindenberg, CEO da Diageo no Brasil
É um problema complexo que requer atenção e atuação conjunta com o poder público
— Paula Lindenberg
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