Dia Nacional de Combate ao Fumo alerta para retrocesso inédito no Brasil

Crescimento do tabagismo afeta principalmente jovens menores de 19 anos que desenvolvem dependência de nicotina, impactando saúde coletiva.
O vício não é um hábito de adulto que alguém escolhe racionalmente
A OMS classifica fumar como doença pediátrica porque 90% dos fumantes desenvolvem dependência antes dos 19 anos.
Mark

Por que exatamente a OMS chama fumar de "doença pediátrica"? Parece uma linguagem estranha.

Mimi

Porque o vício não começa quando você é adulto e faz uma escolha consciente. Começa quando você é adolescente, quando o cérebro ainda está se desenvolvendo. Noventa por cento dos fumantes ficam dependentes antes dos 19 anos. É uma janela de vulnerabilidade biológica.

Mark

Então o problema não é realmente sobre o cigarro em si, mas sobre quando as pessoas começam?

Mimi

Exatamente. Se conseguíssemos impedir que alguém fumasse até os 25 anos, provavelmente nunca fumaria. Mas a indústria sabe disso. Sempre soube.

Mark

O Dr. Corrêa disse que parar de fumar é mais complicado que superar a química. O que ele quis dizer?

Mimi

Que você pode resolver a dependência de nicotina — existem remédios para isso — mas se a pessoa ainda está triste, ou ansiosa, ou cercada de amigos que fumam, ou usando o cigarro como pausa no trabalho, ela volta a fumar. O hábito é emocional, comportamental, social. Não é só bioquímico.

Mark

E por que o Brasil está vendo crescimento agora, depois de 20 anos de queda?

Mimi

Porque políticas públicas fracas deixam espaço para a indústria trabalhar. Se você não fiscaliza, se não oferece apoio real para quem quer parar, se deixa a publicidade passar, os números sobem. É simples assim.

Mark

Isso significa que o Brasil está perdendo a guerra contra o tabaco?

Mimi

Não está perdendo. Está deixando de vencer. Há diferença. Ainda há tempo de mudar de curso, mas precisa ser agora.

  • Após quase duas décadas de queda consistente, o tabagismo voltou a crescer nas capitais brasileiras, sinalizando uma inversão de tendência que especialistas consideram grave e não acidental.
  • A OMS alerta que o vício em nicotina é essencialmente formado na adolescência, o que significa que cada jovem que começa a fumar hoje carrega décadas de dependência à frente.
  • Especialistas rejeitam a ideia de que parar de fumar é apenas uma questão de força de vontade — o abandono do cigarro exige enfrentar simultaneamente a química da nicotina, as emoções, os comportamentos cristalizados e o ambiente social.
  • Sem políticas públicas eficazes, fiscalização real das leis vigentes e apoio estruturado aos dependentes, a tendência de crescimento do tabagismo entre os jovens tende a se aprofundar nos próximos anos.

No momento em que o Brasil marca mais um Dia Nacional de Combate ao Fumo, o país se vê diante de uma inversão simbólica e preocupante: pela primeira vez em quase vinte anos, o tabagismo voltou a crescer nas capitais brasileiras. A Organização Mundial da Saúde há muito classifica o fumo como uma 'doença pediátrica', pois nove em cada dez dependentes de nicotina desenvolvem o vício antes dos 19 anos — quando o cérebro ainda está em formação e mais vulnerável às armadilhas do hábito. O retrocesso não é acidental; é o reflexo de escolhas políticas, fiscalização insuficiente e de uma indústria que nunca cessou sua operação silenciosa sobre as gerações mais jovens.

O Brasil chega ao Dia Nacional de Combate ao Fumo — instituído em 1986 — com uma notícia que contradiz décadas de progresso: o tabagismo voltou a crescer nas capitais brasileiras pela primeira vez em quase vinte anos. O Ministério da Saúde confirmou o retrocesso, e o dado é tão significativo quanto perturbador. Não se trata de uma flutuação menor, mas de uma inversão real de tendência.

A Organização Mundial da Saúde oferece uma chave para entender a gravidade do momento: o fumo é classificado como uma 'doença pediátrica' porque 90% das pessoas que desenvolvem dependência de nicotina o fazem antes dos 19 anos. O vício não nasce de uma escolha adulta e racional — é uma armadilha neurológica que se fecha durante a adolescência, quando o cérebro ainda está em formação.

O pneumologista Paulo Corrêa, professor da Escola de Medicina da UFOP e doutorando em Saúde Pública pela UFMG, reforça que abandonar o cigarro vai muito além de superar a dependência química. Envolve camadas: as emoções que o fumo mascara, os comportamentos cristalizados ao redor do hábito, as questões psicológicas que levaram alguém a começar e o ambiente social que reforça o vício diariamente. Resolver apenas um desses problemas não basta.

Por isso, Corrêa insiste que o tabagismo é um desafio de saúde coletiva — e exige resposta coletiva. Políticas públicas eficazes, fiscalização real das leis existentes e apoio estruturado a quem quer sair do vício são condições indispensáveis. Sem essa mudança de curso, o crescimento que o Brasil registra agora tende a se aprofundar, e a próxima geração de fumantes já está sendo formada.

Amanhã marca mais um Dia Nacional de Combate ao Fumo no Brasil, data instituída em 1986 para lembrar o país dos custos que o tabaco cobra — não apenas na saúde individual, mas na economia, no meio ambiente, na política pública. Quarenta anos depois, a mensagem deveria estar consolidada. Deveria, mas não está.

Pela primeira vez em quase duas décadas, o tabagismo voltou a crescer nas capitais brasileiras. O Ministério da Saúde confirmou esse retrocesso, e o dado é tão significativo quanto perturbador: depois de anos de queda consistente, o Brasil está andando para trás. Não é uma flutuação menor. É uma inversão de tendência.

A Organização Mundial da Saúde oferece uma perspectiva que ajuda a entender por que isso importa tanto. A OMS classifica o fumo como uma "doença pediátrica" — não porque crianças nasçam fumando, mas porque 90% das pessoas que desenvolvem dependência de nicotina o fazem antes dos 19 anos. O vício não é um hábito de adulto que alguém escolhe racionalmente. É uma armadilha neurológica que se fecha durante a adolescência, quando o cérebro ainda está em formação. Isso significa que cada jovem que começa a fumar hoje carrega décadas de dependência à frente.

O pneumologista Paulo Corrêa, professor da Escola de Medicina da Universidade Federal de Ouro Preto e doutorando em Saúde Pública pela UFMG, participou de uma discussão sobre o tema na quinta-feira, véspera do dia de combate. Ele trouxe uma perspectiva que vai além do senso comum: parar de fumar não é questão de vontade pura. Não é simplesmente superar a dependência química e pronto. O problema é muito mais denso que isso.

Segundo Corrêa, abandonar o cigarro envolve camadas — a química da nicotina, sim, mas também as emoções que o fumo mascara, os comportamentos que se cristalizaram ao redor do hábito, as questões psicológicas que levaram alguém a começar, o ambiente social que reforça o vício todos os dias. Uma pessoa não para de fumar resolvendo um desses problemas. Precisa resolver todos eles ao mesmo tempo, ou quase.

Por isso o especialista insiste que o tabagismo não é um fracasso individual — é um desafio de saúde coletiva que exige resposta coletiva. Políticas públicas eficazes. Fiscalização real das leis que já existem. Apoio estruturado para quem quer sair do vício. Sem isso, a tendência que o Brasil está vendo agora — mais fumantes nas capitais, mais jovens presos à nicotina — tende a se aprofundar.

O crescimento do tabagismo em 2025 não é um acaso. É o resultado de escolhas políticas, de enforcement fraco, de uma indústria que nunca parou de trabalhar. E é também um aviso: se o Brasil não mudar de curso agora, os números vão piorar. A próxima geração de fumantes já está sendo formada.

Parar de fumar não depende apenas da superação da dependência química, mas também envolve questões emocionais, comportamentais, psicológicas e ambientais
— Dr. Paulo Corrêa, pneumologista e professor da Escola de Medicina da UFOP
Quieres la nota completa? Lee el original en O Tempo ↗
Contáctanos FAQ