Dia Mundial da Hepatite: prevenir, diagnosticar e tratar para eliminar ameaça

As hepatites B e C afetam milhões de pessoas globalmente, com risco de progressão para cirrose, insuficiência hepática e cancro do fígado se não forem diagnosticadas e tratadas.
Uma simples análise ao sangue pode fazer a diferença
O diagnóstico precoce é essencial, pois muitos infetados desconhecem a sua condição.
Mark

Porque é que a hepatite B e C são consideradas tão perigosas se existem tratamentos?

Mimi

Porque muitas pessoas não sabem que têm a doença. Evoluem silenciosamente durante anos, e quando finalmente são diagnosticadas, o fígado já pode estar muito danificado. A cirrose e o cancro do fígado são consequências de uma infeção que não foi tratada a tempo.

Mark

E a transmissão — as pessoas têm medo de apanhar hepatite ao estar perto de alguém infetado?

Mimi

É um medo compreensível, mas infundado. Não se apanha hepatite B ou C por abraçar alguém, partilhar uma refeição ou apertar a mão. A transmissão é muito específica — sangue para a hepatite C, sangue ou contacto sexual para a hepatite B.

Mark

Então a vacina da hepatite B é suficiente para estar protegido?

Mimi

Sim, é segura e eficaz. Portugal incluiu-a no plano de vacinação há mais de 30 anos. Mas para a hepatite C ainda não existe vacina, por isso a prevenção passa por conhecer os riscos — evitar partilhar seringas, garantir que instrumentos médicos e de tatuagem estão bem esterilizados.

Mark

E se alguém descobrir que tem hepatite C?

Mimi

Hoje é praticamente uma cura. Oito a doze semanas de comprimidos eliminam o vírus em mais de 95% dos casos. Mudou completamente a forma como vemos esta doença.

Mark

Qual é o maior obstáculo para eliminar estas doenças até 2030?

Mimi

O diagnóstico. Milhões de pessoas têm hepatite e não sabem. Um teste de sangue simples resolve isto, mas é preciso que as pessoas procurem fazer esse teste. É por isso que a mensagem de hoje é tão importante.

  • Milhões de pessoas vivem infetadas com hepatite B ou C sem o saber, enquanto o vírus destrói silenciosamente o tecido do fígado durante anos.
  • A OMS fixou 2030 como prazo para eliminar estas doenças como problema de saúde pública, exigindo uma redução de 80% nas novas infeções e de 65% na mortalidade.
  • A hepatite C é hoje curável em mais de 95% dos casos com comprimidos tomados durante apenas 8 a 12 semanas — um avanço médico que ainda não chegou a todos os que precisam.
  • Portugal lançou o seu Programa Nacional para as Hepatites Virais em 2016 e é hoje citado internacionalmente como modelo de resposta coordenada a esta epidemia silenciosa.
  • A mensagem dos especialistas é direta: um teste de sangue pode mudar o destino de uma pessoa — e falar com o médico é o primeiro passo.

A cada 28 de julho, o mundo é convidado a olhar para uma ameaça que avança em silêncio: as hepatites B e C, capazes de destruir o fígado ao longo de anos sem que a pessoa saiba que está infetada. Neste Dia Mundial da Hepatite, especialistas recordam que a ciência já oferece respostas — vacina, diagnóstico simples e tratamento eficaz — e que Portugal, com o seu programa nacional desde 2016, é reconhecido como exemplo de boas práticas. A questão que permanece não é de ordem médica, mas humana: quantos ainda desconhecem a sua condição por nunca terem feito um simples teste de sangue?

Todos os anos, a 28 de julho, o mundo assinala o Dia Mundial da Hepatite — data escolhida em honra de Baruch Blumberg, Nobel pela descoberta do vírus da hepatite B. É um dia para falar de uma doença que muitos desconhecem, apesar de afetar milhões em silêncio.

A hepatite é, na sua essência, uma inflamação do fígado. Álcool, doenças autoimunes e gordura podem causá-la, mas são os vírus que mais preocupam os especialistas. A hepatite B e a C destacam-se pela capacidade de se tornarem crónicas, evoluindo sem sintomas até atingirem formas graves: fibrose, cirrose, insuficiência hepática, cancro do fígado. A OMS quer eliminar estas doenças como problema de saúde pública até 2030, reduzindo novas infeções em 80% e a mortalidade em 65. Para isso, três pilares são essenciais: prevenir, diagnosticar e tratar.

A hepatite B transmite-se por contacto sexual desprotegido, partilha de objetos com vestígios de sangue ou instrumentos mal esterilizados, e pode passar de mãe para filho no parto. A hepatite C propaga-se quase exclusivamente pelo sangue — uma quantidade mínima é suficiente. Nenhum dos vírus se transmite por contacto social do dia a dia. Existe vacina segura para a hepatite B, integrada no Plano Nacional de Vacinação desde 1994; para a hepatite C, ainda não há vacina disponível.

O diagnóstico precoce é decisivo, porque a maioria dos infetados nunca apresenta sintomas. Uma simples análise ao sangue basta para detetar a infeção. O tratamento evoluiu de forma notável: a hepatite C é hoje curável em mais de 95% dos casos com comprimidos tomados durante 8 a 12 semanas; a hepatite B, embora sem cura total, pode ser controlada eficazmente, prevenindo lesões graves no fígado.

Portugal criou o seu Programa Nacional para as Hepatites Virais em 2016 e é hoje reconhecido internacionalmente como exemplo de boas práticas. A mensagem deste 28 de julho é simples: conhecer a doença é o primeiro passo para a prevenir. Um teste pode fazer a diferença. Fale com o seu médico.

Todos os anos, a 28 de julho, o mundo marca o Dia Mundial da Hepatite — uma data escolhida para honrar Baruch Blumberg, o cientista que ganhou o Prémio Nobel pela descoberta do vírus da hepatite B. É um dia para falar de uma doença que muitos desconhecem, ou que conhecem apenas de nome, apesar de afetar milhões de pessoas em silêncio.

A hepatite é, no seu sentido mais simples, uma inflamação do fígado. Mas essa simplicidade esconde uma realidade muito mais complexa. Pode ter origem em várias causas — o álcool, doenças autoimunes, acumulação de gordura, certos medicamentos — mas são os vírus que mais preocupam os especialistas em saúde pública. Entre eles, a hepatite B e a hepatite C destacam-se pela sua capacidade de se tornarem doenças crónicas, evoluindo de forma silenciosa até atingir formas graves: fibrose avançada, cirrose, insuficiência hepática, cancro do fígado. Segundo Suzana Calretas, médica e coordenadora do Núcleo de Estudo de Doenças do Fígado da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, esta é uma ameaça que exige ação urgente.

A Organização Mundial de Saúde fixou objetivos ambiciosos: eliminar as hepatites B e C como problema de saúde pública até 2030. Para isso, estabeleceu duas metas concretas: reduzir as novas infeções em 80% e diminuir a mortalidade em 65%. Alcançar estes números depende de três pilares que funcionam em conjunto: prevenir, diagnosticar e tratar.

A prevenção começa com conhecimento. A hepatite B transmite-se principalmente por contacto sexual desprotegido, mas também através da partilha de objetos pessoais com vestígios de sangue — escovas de dentes, lâminas de barbear — ou pelo uso de agulhas e instrumentos mal esterilizados em contextos médicos, dentários, de tatuagens ou piercings. Pode também passar de mãe para filho durante o parto. A hepatite C, por sua vez, transmite-se essencialmente pelo sangue: basta uma quantidade mínima de sangue contaminado para que o vírus passe de uma pessoa para outra, seja através de seringas partilhadas, instrumentos cortantes não esterilizados, ou feridas em contacto com sangue infetado. A transmissão sexual é rara neste caso. Um ponto importante: nenhum destes vírus se transmite através de contactos sociais do dia a dia. Partilhar uma refeição, abraçar alguém ou apertar a mão não representa qualquer risco. Quanto à prevenção, existe uma vacina segura e eficaz para a hepatite B — incluída no Plano Nacional de Vacinação português desde 1994. Para a hepatite C, ainda não existe vacina.

O diagnóstico precoce pode fazer toda a diferença. Uma parte significativa das pessoas infetadas desconhece a sua condição, porque nunca foi rastreada ou porque a doença não apresenta sintomas. Uma simples análise ao sangue é suficiente para descobrir a infeção. O programa nacional para as hepatites virais recomenda que a análise ALT — alanina aminotransferase — seja incluída na avaliação global de saúde e que todos façam o teste da hepatite B e C pelo menos uma vez na vida.

O tratamento evoluiu dramaticamente nas últimas décadas. A hepatite C é hoje uma doença curável: comprimidos tomados durante 8 a 12 semanas conseguem eliminar o vírus em mais de 95% dos casos. A hepatite B, embora não tenha ainda um tratamento que elimine completamente o vírus, pode ser controlada de forma muito eficaz com medicamentos que reduzem significativamente o risco de lesão hepática. Quando a inflamação persiste durante anos, o tecido saudável do fígado é progressivamente substituído por tecido cicatricial — a fibrose. À medida que esta cicatrização avança, o fígado perde a capacidade de funcionar normalmente. Nos casos mais avançados, desenvolve-se cirrose, que pode levar a complicações graves: acumulação de líquido abdominal, cancro do fígado. A prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento conseguem alterar drasticamente este trajeto.

Portugal criou o seu Programa Nacional para as Hepatites Virais em 2016 e é hoje reconhecido internacionalmente como exemplo de boas práticas nesta área. A mensagem para este 28 de julho é clara: conhecer as hepatites é o primeiro passo para as prevenir; uma vacina pode evitar uma doença grave; um teste simples pode fazer a diferença. Fale com o seu médico.

A prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento alteram drasticamente este processo
— Dra. Suzana Calretas, médica e coordenadora do NEDF da SPMI
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