Deputados baianos debatem fim da escala 6x1 com votação prevista para março

Potencial impacto em 31,5 milhões de trabalhadores formais brasileiros que teriam jornadas diretamente afetadas pela mudança.
A produtividade aumentou, não diminuiu
Deputada Alice Portugal cita experiências internacionais para rebater críticas sobre custo da redução de jornada.
Mark

O que exatamente muda se essa PEC passar? É só reduzir de seis para cinco dias de trabalho?

Mimi

Não é tão simples assim. A proposta é passar de uma escala 6x1 — seis dias trabalhados, um de descanso — para 5x2, cinco dias trabalhados e dois de descanso. Mas há questões de como isso se organiza, especialmente em setores como comércio e varejo.

Luke

E quanto aos números que a CNC apresenta? R$ 122,4 bilhões de custo adicional — isso é verificado ou é uma projeção?

Mimi

É uma projeção da própria confederação, baseada em dados de 2024. Eles estimam que 31,5 milhões de trabalhadores seriam afetados e que a folha salarial do comércio subiria 21%.

Luke

Mas quem verificou esses números independentemente? Porque é o lado que tem mais a perder que está fazendo a conta.

Mark

E os deputados baianos, eles concordam com esses custos?

Mimi

Não. Alice Portugal cita exemplos de países que reduziram jornada sem reduzir salário e viram produtividade aumentar, não diminuir. É o argumento oposto.

Luke

Quais países ela cita especificamente?

Mimi

A reportagem não detalha. Ela fala em "outros países" de forma genérica.

Mark

Então há duas visões completamente diferentes dos mesmos dados?

Mimi

Exatamente. Os empresários veem custo. Os deputados veem ganho de produtividade e qualidade de vida. Daniel Almeida ainda argumenta que a resistência empresarial é histórica, que sempre aconteceu.

Luke

Mas isso não responde a pergunta: vai custar caro ou não vai? Porque "sempre houve resistência" não é evidência de que a resistência está errada desta vez.

Mark

Quando é a votação?

Mimi

Estimam 11 de março na Comissão do Trabalho, com votação no plenário até final de abril.

Luke

E Paulo Azi, o relator, ele já sinalizou como vai votar?

Mimi

Não. A reportagem diz que os deputados acreditam que ele não criará obstáculos, mas não há declaração dele próprio.

Mark

Então ainda há muita incerteza.

Mimi

Muita. É um processo em movimento.

  • A proposta de extinguir a escala 6x1 ganhou força na Câmara após sinalização do presidente Hugo Motta, colocando o tema no centro da agenda legislativa de 2026.
  • O setor empresarial reage com números contundentes: a CNC projeta custo adicional de R$ 122,4 bilhões anuais, com 93% dos trabalhadores do varejo já cumprindo mais de 40 horas semanais.
  • Defensores da PEC citam experiências internacionais para rebater o alarmismo, argumentando que jornadas reduzidas sem corte de salários elevaram — e não diminuíram — a produtividade.
  • A votação na Comissão do Trabalho está prevista para 11 de março, com expectativa de aprovação até o final de abril, sob pressão crescente de parlamentares e da sociedade.
  • O relator Paulo Azi, da oposição, é visto pelos colegas baianos como improvável obstáculo, mas as negociações sobre proteções para micro e pequenos empreendedores ainda estão em aberto.

No coração do debate trabalhista brasileiro, a Câmara dos Deputados avança sobre uma proposta que tocaria a vida de 31,5 milhões de trabalhadores formais: o fim da escala 6x1. Parlamentares baianos, divididos entre a promessa de ganho social e o peso de estimativas bilionárias, refletem uma tensão que atravessa séculos de relação entre capital e trabalho. O momento político parece favorável à mudança, mas a votação de março revelará se o consenso é possível onde os interesses são tão distantes.

A Câmara dos Deputados se debruça sobre uma das disputas mais polarizadas do mercado de trabalho brasileiro: o fim da escala 6x1. Nesta sexta-feira, 27 de fevereiro, parlamentares baianos falaram sobre o projeto que ganha impulso com o apoio do presidente Hugo Motta, expondo uma fissura entre quem enxerga na redução de jornada um avanço social e quem a traduz em cifras bilionárias de custo.

A Confederação Nacional do Comércio apresentou um parecer técnico que se tornou o principal argumento da resistência empresarial. O documento estima que a mudança elevaria a folha salarial do setor em 21%, gerando R$ 122,4 bilhões de custo adicional por ano. Dos 57,8 milhões de empregos formais no Brasil, cerca de 31,5 milhões seriam diretamente afetados. No varejo, 93% dos funcionários já trabalham mais de 40 horas semanais.

A deputada Alice Portugal, coautora da proposta ao lado de Erika Hilton, responde com exemplos internacionais: países que reduziram a jornada sem cortar salários viram a produtividade crescer, não cair. Para ela, a transição para o modelo 5x2, com articulação de turnos e medidas de apoio, é viável e benéfica. O deputado Daniel Almeida, por sua vez, oferece uma leitura histórica da resistência patronal, lembrando que o empresariado sempre se opôs a avanços trabalhistas — e que a evolução tecnológica e o contexto político atual tornam difícil um bloqueio indefinido.

Outro parlamentar governista reconhece que pequenos e microempreendedores precisarão de proteções durante a transição, mas vê o ambiente político como favorável à aprovação. Há ainda quem aponte que o consumo em lojas físicas pode se beneficiar se os trabalhadores tiverem mais tempo livre.

O relator da proposta é Paulo Azi, do União-BA, historicamente ligado à oposição. Ainda assim, os parlamentares baianos acreditam que ele não bloqueará o avanço do texto. Alice Portugal confia que, mesmo com perfil conservador, Azi buscará um denominador comum. A votação de março será o primeiro teste dessa aposta.

A Câmara dos Deputados avança sobre uma das questões mais polarizadas do mercado de trabalho brasileiro: o fim da escala 6x1. Nesta sexta-feira, 27 de fevereiro, parlamentares baianos conversaram com a reportagem sobre o projeto que ganha força na Casa, impulsionado pela sinalização do presidente Hugo Motta. O debate expõe uma fissura clara entre quem vê na redução de jornada um ganho social e produtivo, e quem calcula seus custos em bilhões.

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo divulgou um parecer técnico que funciona como o lado mais visível da resistência empresarial. Segundo o documento, a mudança elevaria a folha salarial do setor comercial em 21%, gerando um custo adicional de R$ 122,4 bilhões ao ano. Os números se baseiam em dados de 2024 da Relação Anual de Informações Sociais, que identificam 57,8 milhões de empregos formais no Brasil. Desse total, aproximadamente 31,5 milhões de trabalhadores teriam suas jornadas diretamente afetadas. No varejo, 93% dos funcionários já cumprem jornadas acima de 40 horas semanais; no atacado, esse percentual chega a 92%.

A deputada Alice Portugal, coautora da proposta ao lado de Erika Hilton, responde aos números com experiências internacionais. Ela afirma que países que reduziram a jornada sem cortar salários não viram queda de produtividade — pelo contrário. "Nós temos argumentos sólidos que comprovam que, em outros países nos quais a jornada sofreu uma redução sem redução de salário, a produtividade, ao invés de diminuir, aumentou", disse ao Portal A TARDE. Portugal acredita que uma transição para o formato 5x2, com articulação de turnos e medidas atenuantes, é viável e benéfica para o país.

O deputado Daniel Almeida estima que a votação na Comissão do Trabalho ocorra em 11 de março, com expectativa de aprovação ainda neste semestre. Ele reconhece a pressão de parlamentares e da sociedade para que o tema seja votado entre março e abril. Almeida também oferece uma leitura histórica da resistência empresarial: "Os empresários sempre vão se posicionar contrários. Porque foi assim em todos os momentos históricos desde que o capitalismo surgiu no mundo há mais de 200 anos." Para ele, a evolução tecnológica e o contexto político atual não permitirão que o empresariado bloqueie indefinidamente a votação.

Outro parlamentar da base governista ouvido pela reportagem vê o avanço como tendência, mas reconhece que pequenos e microempreendedores precisarão de alguma forma de alento durante a transição. Ele aponta que o ambiente político favorece a aprovação, mas haverá nuances a serem negociadas. Menciona também que o consumo — especialmente em lojas físicas que enfrentam competição com marketplaces e e-commerce — pode se beneficiar se as pessoas tiverem mais tempo para suas famílias.

O relator da proposta é Paulo Azi, deputado do União-BA, historicamente ligado à oposição ao presidente Lula. Ainda assim, os parlamentares baianos ouvidos acreditam que Azi não criará obstáculos ao avanço do texto. Alice Portugal expressa esperança de que, mesmo sendo conservador, Azi chegue a um denominador comum. Com o aval do presidente da Câmara, ela conclui que a matéria pode sair com um escopo que mude o modelo de jornada sem prejudicar a economia. A votação de março será o primeiro teste dessa confiança.

Em outros países nos quais a jornada sofreu uma redução sem redução de salário, a produtividade, ao invés de diminuir, aumentou
— Deputada Alice Portugal (PCdoB-BA)
Os empresários sempre vão se posicionar contrários. Porque foi assim em todos os momentos históricos desde que o capitalismo surgiu no mundo há mais de 200 anos
— Deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA)
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