Denúncia sobre goleiro do Congo amplia pressão política sobre Infantino na Fifa

Derrota do Congo contribuiu para renúncia de toda diretoria da federação nigeriana de futebol.
Eles simplesmente ficaram em silêncio e não podem contar a ninguém
Presidente da federação nigeriana sobre como a Fifa ocultou sua conclusão de que o goleiro era inelegível.
Mark

Por que a Fifa manteve isso em segredo? Se havia uma conclusão clara sobre a inelegibilidade, por que não agiu?

Mimi

Os documentos mostram que consideraram várias opções — desde conceder a vitória à Nigéria até não fazer nada. Escolheram o silêncio. A questão é por quê.

Luke

Mas precisamos ser precisos: a Fifa rejeitou o caso alegando que a denúncia chegou fora do prazo. Isso é uma razão técnica legítima, mesmo que controversa.

Mark

Então a Fifa estava tecnicamente dentro das regras?

Mimi

Tecnicamente, talvez. Mas em 2016 e 2018, quando enfrentou situações similares, agiu de forma decisiva e puniu os países. Dessa vez, não.

Luke

Certo, mas não sabemos o que Infantino sabia ou quando sabia. A Fifa disse que seus comitês são autônomos e que ele não participou dessas decisões.

Mark

Você acredita nisso?

Mimi

O que importa é que Mosengo-Omba, aliado de Infantino, se tornou presidente da federação congolesa logo depois. E Infantino precisa desesperadamente do apoio africano para sua reeleição.

Luke

Verdade, mas Mosengo-Omba disse que não tinha conhecimento das conclusões. Não temos prova de que ele sabia.

Mark

E a Jamaica? Eles perderam uma vaga na Copa do Mundo.

Mimi

A Jamaica não respondeu a um pedido de comentário. A Concacaf, que governa o futebol no Caribe e na América do Norte, manifestou preocupação com o processo.

Luke

O que é importante notar: a Nigéria sofreu as piores consequências. Toda a diretoria da federação renunciou.

Mark

Isso é o que mais importa, não é? As pessoas reais que perderam seus empregos.

  • Departamento jurídico da Fifa concluiu que goleiro Lionel Mpasi era inelegível
  • Congo venceu Jamaica e garantiu vaga na Copa do Mundo de 2026
  • Em 2016 e 2018, Fifa puniu infrações similares com derrotas
  • Toda diretoria da federação nigeriana renunciou após a derrota
  • Véron Mosengo-Omba, aliado de Infantino, eleito presidente da federação congolesa dois meses depois

Departamento jurídico da Fifa concluiu que Congo violou regras ao escalar goleiro sem documentação completa de mudança de filiação. Entidade manteve decisão em sigilo e permitiu Congo vencer Jamaica, garantindo vaga na Copa; em casos anteriores, Fifa puniu infrações similares com derrotas.

Fifa silenciosamente permitiu que Congo escalasse goleiro inelegível em partida eliminatória da Copa de 2026, ampliando escrutínio sobre presidente Infantino em meio a outras controvérsias de integridade.

A Fifa sabia. Documentos internos e correspondências analisados pelo The New York Times, junto com depoimentos de um alto dirigente da entidade que falou sob anonimato, revelam que o departamento jurídico da organização havia chegado a uma conclusão clara e sigilosa: o Congo estava escalando um jogador inelegível nas eliminatórias da Copa do Mundo de 2026. Mas a entidade não agiu. Manteve silêncio enquanto o Congo enfrentava a Jamaica em uma partida eliminatória que determinaria se o país chegaria ao torneio pela primeira vez em 52 anos. O Congo venceu. Garantiu sua vaga. E a Fifa nunca disse nada.

O jogador em questão era Lionel Mpasi, goleiro que havia atuado pelas seleções de base da França. Segundo os documentos, o Congo nunca completou a documentação necessária para permitir que Mpasi mudasse sua filiação internacional. A Nigéria, derrotada pelo Congo antes daquele confronto contra a Jamaica, havia apresentado uma denúncia sobre a elegibilidade do goleiro. Quando a Fifa investigou, confirmou o que a Nigéria alegava. Mas em vez de aplicar uma punição, a organização rejeitou o caso alegando uma questão técnica — que a denúncia havia chegado fora do prazo.

Essa decisão contrasta dramaticamente com como a Fifa tratou infrações similares no passado. Em 2016, quando a Grécia escalou um jogador inelegível que havia representado a Austrália nas categorias de base, a entidade impôs uma derrota por 3 a 0 em uma partida contra a Turquia. Dois anos depois, a Fifa alterou os resultados de dois jogos da Bolívia nas eliminatórias de 2018 após descobrir que o país havia escalado um jogador que anteriormente representara o Paraguai. Os documentos mostram que dirigentes da Fifa consideraram várias alternativas no caso do Congo: conceder a vitória à Nigéria, aplicar multas, substituir o Congo pela Nigéria no playoff contra a Jamaica, ou não tomar nenhuma medida. Escolheram a última opção.

A consequência foi devastadora para o futebol nigeriano. A derrota para o Congo contribuiu para a renúncia de toda a diretoria da federação nacional. Ibrahim Musa Gusau, presidente da federação, disse ter sido informado apenas que a denúncia havia sido rejeitada por razões técnicas — nunca soube que a Fifa havia concluído que o goleiro era inelegível. "Eles simplesmente ficaram em silêncio e não podem contar a ninguém porque sabem que isso vai provocar uma grave crise para eles", disse Gusau sobre a Fifa, pedindo uma investigação.

O caso chega em um momento de intenso escrutínio sobre Gianni Infantino e a Fifa. A Copa do Mundo de 2026 já foi marcada por questionamentos sobre jogo limpo e interferência política. A entidade revogou a suspensão de um jogador dos Estados Unidos após uma ligação telefônica entre Infantino e o presidente Donald Trump. Depois veio à tona que Infantino havia mantido negociações secretas para vender uma participação em futuros torneios a um fundo privado administrado pelo irmão de Jared Kushner, genro de Trump. A entidade que rege o futebol europeu ameaçou apresentar uma denúncia à Justiça criminal. Agora, o silêncio sobre o Congo amplia as dúvidas sobre o futuro de Infantino.

Há também uma dimensão política africana que não pode ser ignorada. Enquanto investigava a elegibilidade de Mpasi, Véron Mosengo-Omba, aliado de Infantino, preparava sua candidatura à presidência da federação congolesa de futebol. Dois meses depois, em meio à euforia pela participação do Congo na Copa do Mundo, Mosengo-Omba foi o único candidato e foi eleito presidente da federação. Oito outros concorrentes haviam desistido ou sido excluídos após mudanças nas regras de elegibilidade. Prince Zelkifli Rahman Ngoufonja, ex-dirigente camaronês da Fifa conhecido como Prince Zul, afirmou que a relação entre Infantino e Mosengo-Omba suscitava dúvidas. "Se a organização tivesse tirado o Congo da Copa do Mundo", disse Prince Zul, as perspectivas do aliado de Infantino "poderiam ter sido prejudicadas". Mosengo-Omba negou ter conhecimento das conclusões da Fifa.

Infantino precisa da África para sobreviver politicamente. Durante seu mandato, investiu capital político e milhões de dólares de verbas de desenvolvimento nos 54 países africanos. A expectativa é que a maioria deles o apoie na eleição presidencial do próximo ano. A Fifa tem 211 membros em todo o mundo, cada um com um voto; conquistar o eleitorado africano pode ser crucial. Esta semana, Infantino se reunirá com dirigentes do futebol africano em Cabo Verde, onde tentará consolidar apoio para sua reeleição. O silêncio sobre o Congo, agora exposto, complica essa tarefa.

Eles simplesmente ficaram em silêncio e não podem contar a ninguém porque sabem que isso vai provocar uma grave crise para eles
— Ibrahim Musa Gusau, presidente da federação nigeriana de futebol
Infantino precisa da África para sobreviver. Ele não pode se dar ao luxo de perder membros na África.
— Prince Zelkifli Rahman Ngoufonja, ex-dirigente camaronês da Fifa
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