No Rio de Janeiro de 2026, as pesquisas começam a desenhar os contornos de uma disputa que vai além dos números: Eduardo Paes, com 41% das intenções de voto, carrega a experiência de quem já governou a capital e agora mira o estado, enquanto seus adversários enfrentam tanto a desvantagem nas urnas quanto turbulências políticas e jurídicas. A democracia, como sempre, revela-se um processo vivo — sujeito a alianças que mudam de lado, candidaturas contestadas e eleitorados ainda em formação.
Datafolha: Paes lidera corrida ao governo do Rio com 41% contra 19% de Douglas Ruas
Paes sai na frente com vantagem considerável: 41% contra 19% de Ruas
Por que Paes conseguiu abrir uma vantagem tão grande em relação aos concorrentes?
Ele tem dois trunfos principais: apoio do presidente Lula e uma estratégia clara de conquistar os prefeitos do interior. Em 2022, vimos que o voto do interior é decisivo — Castro venceu em 39 cidades com 70% ou mais. Paes está repetindo essa receita.
E Douglas Ruas? Ele é presidente da Assembleia, tem uma posição de poder.
Tem, mas perdeu força nas últimas semanas. A federação Progressistas e União saiu de sua coligação, e o ex-prefeito que seria seu vice mudou para o lado de Paes. Ruas está tentando se apoiar na família Bolsonaro, mas isso não parece estar funcionando no mesmo ritmo.
Garotinho está em terceiro com 9%, mas enfrenta um pedido de indeferimento. Como isso muda o jogo?
Se a candidatura dele for barrada, esses 9% se redistribuem. Pode beneficiar Ruas ou até Paes, dependendo de para onde vai esse eleitorado. É uma incerteza que paira sobre a campanha.
A pesquisa mostra muitos indecisos e nulos. Isso é comum nessa fase?
Sim. Estamos ainda no início do processo. 4% indecisos e 16% de nulos e brancos é um espaço considerável que pode se movimentar conforme a campanha avança. Mas a liderança de Paes parece sólida.
E no Senado, por que está tão pulverizado?
Porque não há um candidato dominante como Paes no governo. Benedita da Silva lidera com 15%, mas está longe de ter a mesma margem. O eleitorado ainda está explorando opções, e há muita gente indeciosa ou pensando em anular o voto.
El Pulso
- Com 41% das intenções de voto, Eduardo Paes abre uma vantagem que seus rivais terão dificuldade de superar em menos de um ano de campanha.
- A federação Progressistas e União abandonou a coligação de Douglas Ruas, e seu vice anunciado trocou de campo, sinalizando rachaduras sérias na candidatura do presidente da Alerj.
- Anthony Garotinho enfrenta pedido de indeferimento pelo Ministério Público Eleitoral por improbidade administrativa, colocando sua própria participação na corrida em xeque jurídico.
- Flávio Bolsonaro gravou vídeo pressionando prefeitos fluminenses que migraram para o campo de Paes, revelando a disputa silenciosa pelo controle das bases municipais.
- Na corrida ao Senado, 23% dos eleitores já declaram intenção de anular o voto, indicando que essa frente permanece amplamente em aberto e sem um favorito consolidado.
No Rio de Janeiro de 2026, as pesquisas começam a desenhar os contornos de uma disputa que vai além dos números: Eduardo Paes, com 41% das intenções de voto, carrega a experiência de quem já governou a capital e agora mira o estado, enquanto seus adversários enfrentam tanto a desvantagem nas urnas quanto turbulências políticas e jurídicas. A democracia, como sempre, revela-se um processo vivo — sujeito a alianças que mudam de lado, candidaturas contestadas e eleitorados ainda em formação.
Uma pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira, encomendada pela TV Globo e pela Folha de S. Paulo, coloca Eduardo Paes em posição de ampla liderança na disputa pelo governo do Rio em 2026. Com 41% das intenções de voto no primeiro turno, o ex-prefeito da capital — que tenta chegar ao Palácio Guanabara pela terceira vez — distancia-se com folga dos concorrentes. Aliado do presidente Lula, Paes tem percorrido o interior do estado em busca de apoio dos prefeitos locais, repetindo a estratégia que se mostrou decisiva nas eleições de 2022.
Douglas Ruas, presidente da Assembleia Legislativa pelo PL, aparece em segundo lugar com 19%, mas enfrenta um momento delicado: a federação Progressistas e União declarou neutralidade, e o ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa, que seria seu vice, anunciou apoio a Paes. Para compensar, Ruas tem buscado aproximação com a família Bolsonaro. O senador Flávio Bolsonaro gravou um vídeo pressionando prefeitos fluminenses que migraram para o campo adversário, lembrando que foram eleitos com o apoio do partido.
Anthony Garotinho, pelo Republicanos, marca 9%, mas sua candidatura enfrenta obstáculo jurídico relevante: o Ministério Público Eleitoral pediu o indeferimento de seu registro por condenação em improbidade administrativa, relacionada ao período em que atuou como secretário durante o governo de sua esposa, Rosinha Garotinho. O caso será analisado pelo TRE-RJ. Garotinho negou as acusações e afirmou ter sido vítima de perseguição. Os demais candidatos ao governo estão empatados com 2% cada, com 4% de indecisos e 16% de nulos e brancos. O levantamento ouviu 1.204 eleitores entre 18 e 21 de agosto, com margem de erro de três pontos percentuais.
Na disputa pelo Senado — onde o Rio elegerá dois representantes —, Benedita da Silva, do PT, lidera com 15%, seguida por Carlos Jordy e Carlos Portinho, ambos do PL, com 8% cada. Marcelo Crivella, Pedro Paulo e Mônica Benínico aparecem com 6%. Com 23% dos entrevistados declarando intenção de anular o voto e 12% ainda indecisos, essa frente permanece a mais imprevisível da eleição fluminense.
A pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira desenha um cenário claro para a disputa pelo governo do Rio em 2026: Eduardo Paes sai na frente com uma vantagem considerável. O ex-prefeito da capital, que tenta chegar ao Palácio Guanabara pela terceira vez, marca 41% das intenções de voto no primeiro turno, segundo levantamento encomendado pela TV Globo e pela Folha de S. Paulo. Paes é aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e tem percorrido o interior do estado buscando apoio dos prefeitos locais — uma estratégia que se mostrou decisiva em 2022, quando Cláudio Castro venceu ainda no primeiro turno em 39 cidades com 70% ou mais dos votos.
Os concorrentes mais próximos ficam bem atrás. Douglas Ruas, presidente da Assembleia Legislativa fluminense pelo PL, aparece com 19%. O ex-governador Anthony Garotinho, pelo Republicanos, marca 9%. Todos os demais candidatos — João Jacques Busnello, Willian Siri, André Marinho, Cyro Garcia e Juliete Pantoja — estão empatados com 2% cada um. Há ainda 4% de indecisos e 16% de nulos e brancos. O Datafolha entrevistou 1.204 eleitores entre 18 e 21 de agosto, com margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos.
A campanha de Ruas sofreu um revés nas últimas semanas. A federação Progressistas e União, que integrava sua coligação, anunciou neutralidade na disputa. O ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa, que seria o vice de Ruas, mudou de lado e declarou apoio a Paes. Enquanto isso, Ruas tem buscado se colar à imagem da família Bolsonaro. Na semana passada, o senador Flávio Bolsonaro, candidato à presidência, gravou um vídeo durante café da manhã com apoiadores pressionando prefeitos fluminenses que decidiram apoiar Paes, lembrando que se elegeram com ajuda do partido em 2024.
A candidatura de Garotinho enfrenta um obstáculo legal significativo. Na segunda-feira, o Ministério Público Eleitoral pediu o indeferimento de seu registro, argumentando que ele está inelegível por condenação por improbidade administrativa. A condenação remonta à época em que atuou como secretário de governo do Rio durante a administração de sua esposa, Rosinha Garotinho. O processo será analisado pelo Tribunal Regional Eleitoral. Garotinho se defendeu nas redes sociais, negando as acusações e afirmando que foi vítima de perseguição por denunciar irregularidades.
A pesquisa também mapeou a disputa pelo Senado, onde o Rio elegerá dois representantes. Benedita da Silva, do PT, lidera com 15% das intenções de voto. Os demais candidatos estão pulverizados: Carlos Jordy e Carlos Portinho, ambos do PL, marcam 8%; Marcelo Crivella, Pedro Paulo e Mônica Benínico têm 6% cada um. Waguinho, ex-prefeito de Belford Roxo, aparece com 3%. André Monteiro, anunciado como vice de Garotinho, marca 2%, assim como Marcos Dias e Michelly Xavier. Vários outros candidatos ficaram com 1% ou menos. Na disputa pelo Senado, 23% dos entrevistados declarou que vai anular o voto, e 12% afirmaram estar indecisos, sinalizando uma corrida ainda aberta nessa frente.
Citas Notables
É um absurdo me condenar num processo onde eu não era secretário de Saúde, ordenador de despesa, que eu não cometi nenhuma ilegalidade— Anthony Garotinho, ex-governador e candidato
Se elegeram com nosso apoio e agora está tudo interessado no lado de lá— Flávio Bolsonaro, senador e candidato à presidência, em pressão aos prefeitos que apoiam Paes