Na véspera de um primeiro turno que promete ser um dos mais disputados da história recente do Brasil, o Datafolha coloca Lula e Flávio Bolsonaro separados por apenas três pontos percentuais — uma margem que cabe dentro do próprio erro da pesquisa. A democracia brasileira acorda no domingo diante de uma escolha que, qualquer que seja o desfecho imediato, provavelmente se prolongará até um segundo turno de resultado imprevisível. É o retrato de um país dividido, onde cada voto carrega peso real.
Datafolha: Lula tem 45% e Flávio Bolsonaro 42% dos votos válidos na véspera do 1º turno
Voto em Bolsonaro depende mais da lembrança do nome
Por que a diferença entre votos válidos e votos totais importa tanto nessa pesquisa?
Porque votos válidos é como a Justiça Eleitoral oficialmente divulga o resultado. Lula tem 45% em votos válidos, mas 42% em votos totais — a diferença são os brancos, nulos e indecisos. Para ganhar no primeiro turno, precisa de 50% dos válidos mais um.
Mas isso significa que a pesquisa está projetando que haverá votos em branco e nulo? Ou é só o jeito de apresentar os dados?
É o jeito de apresentar. A pesquisa mostra 4% de branco/nulo/nenhum entre os totais, e 3% de indecisos. Quando você tira esses, os percentuais dos candidatos sobem proporcionalmente.
E a pesquisa espontânea mostra Flávio com 33% contra 42% na estimulada. Isso é preocupante para ele?
Sugere que o voto nele é menos consolidado. Quando você mostra o nome, sobe para 42%. Quando deixa o eleitor responder sozinho, cai para 33%. Lula sai de 40% para 45% — uma variação menor.
Mas 11% de indecisos na espontânea ainda é bastante. Você não pode dizer que o voto está consolidado.
Verdade. Caiu de 13% para 11%, mas continua significativo. E 13% dos que já escolheram dizem que podem mudar.
No segundo turno, a margem fica de um ponto. Como isso se compara ao primeiro turno?
No primeiro turno, Lula tem três pontos de vantagem em votos válidos. No segundo turno simulado, em votos totais, a vantagem cai para um ponto. É bem mais apertado.
Mas é uma simulação. A gente não sabe se quem votaria em Caiado ou Cury no primeiro turno iria para Lula ou Flávio no segundo.
Exato. A pesquisa está projetando, não medindo um segundo turno real. Os números podem mudar bastante dependendo de como esses votos migram.
Qual é o cenário mais provável para domingo?
Tudo aponta para segundo turno. Nenhum candidato chega perto dos 50% em votos válidos. A questão é se Lula consegue manter essa vantagem de três pontos ou se Flávio consegue virar.
E a margem de erro de dois pontos significa que tecnicamente estão empatados?
Tecnicamente, sim. Lula está entre 43% e 47%, Flávio entre 40% e 44%. Há sobreposição. Mas a tendência da série histórica mostra Lula mantendo vantagem.
O Pulso
- Com 45% contra 42% nos votos válidos, Lula lidera, mas a margem de erro de dois pontos mantém a disputa tecnicamente empatada às vésperas da votação.
- A pesquisa espontânea revela uma assimetria importante: o voto em Lula é mais consolidado (40%) do que o em Flávio Bolsonaro (33%), sugerindo que o candidato do PL depende mais do estímulo do nome para ser lembrado.
- Com 11% de indecisos na pesquisa espontânea e 13% dos eleitores declarados ainda admitindo possibilidade de mudança, o resultado permanece em aberto e vulnerável a movimentos de última hora.
- A simulação de segundo turno aponta para um duelo de 47% a 46% — um único ponto separando os dois candidatos —, sinalizando que a eleição pode ser decidida na margem mais estreita possível.
Na véspera de um primeiro turno que promete ser um dos mais disputados da história recente do Brasil, o Datafolha coloca Lula e Flávio Bolsonaro separados por apenas três pontos percentuais — uma margem que cabe dentro do próprio erro da pesquisa. A democracia brasileira acorda no domingo diante de uma escolha que, qualquer que seja o desfecho imediato, provavelmente se prolongará até um segundo turno de resultado imprevisível. É o retrato de um país dividido, onde cada voto carrega peso real.
Na véspera do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, o Datafolha — encomendado pela Globo e pela Folha de S.Paulo e registrado sob o número BR-01708-2026 — ouviu 4.006 eleitores e encontrou Lula à frente de Flávio Bolsonaro por uma diferença que mal ultrapassa a margem de erro. Em votos válidos, o presidente petista soma 45% contra 42% do candidato do PL. Quando brancos, nulos e indecisos entram no cálculo, os números se aproximam ainda mais: 42% a 40%.
A pesquisa espontânea, considerada por analistas um termômetro mais fiel da solidez do voto, aponta uma vantagem mais confortável para Lula: 40% contra 33% de Flávio Bolsonaro. O hiato de sete pontos nesse formato sugere que o apoio ao candidato do PL é mais dependente do reconhecimento do nome quando apresentado em lista. Curiosamente, Jair Bolsonaro — fora da disputa — ainda recebe 4% de menções espontâneas, possível reflexo de confusão ou protesto.
Entre os eleitores já decididos, 87% afirmam não ter intenção de mudar de voto, mas os 13% restantes preservam a possibilidade de surpresas. Nenhum dos dois líderes chegou perto dos 50% mais um voto necessários para vencer no primeiro turno, tornando o segundo turno o cenário mais provável.
Nessa projeção, o Datafolha simulou um duelo direto: Lula com 47%, Flávio Bolsonaro com 46%. Em relação à pesquisa anterior, Lula perdeu um ponto e Bolsonaro ganhou um — uma trajetória que, mantida, tornaria o resultado final praticamente impossível de prever com antecedência.
Na véspera do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, a pesquisa Datafolha divulgada no sábado coloca Lula à frente de Flávio Bolsonaro por uma margem estreita. Entre os votos válidos — a métrica que a Justiça Eleitoral usa para divulgar os resultados oficiais — o presidente petista soma 45%, enquanto o candidato do PL fica em 42%. A diferença de três pontos percentuais situa-se dentro da margem de erro de dois pontos, o que significa que a disputa permanece aberta e qualquer movimento nos próximos dias poderia alterar o cenário.
O levantamento ouviu 4.006 eleitores de 16 anos ou mais no sábado, 3 de outubro, e foi encomendado pela Globo e pela Folha de S.Paulo. O nível de confiança é de 95%, e a pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-01708-2026. Quando se incluem votos em branco, nulos e eleitores indecisos no cálculo total, Lula mantém 42% e Flávio Bolsonaro sobe para 40%, uma aproximação que reflete a volatilidade do eleitorado. Ronaldo Caiado, do PSD, aparece com 4%, enquanto Renan Santos, da Missão, e o escritor Augusto Cury, do Avante, dividem 3% cada um. Os demais candidatos não ultrapassam 1%.
A pesquisa espontânea — aquela em que os eleitores respondem sem ter acesso a uma lista de nomes — oferece um retrato diferente e potencialmente mais revelador sobre a consolidação do voto. Nesse formato, Lula alcança 40%, enquanto Flávio Bolsonaro fica em 33%, uma diferença de sete pontos. Esse hiato entre a pesquisa estimulada e a espontânea sugere que o voto em Bolsonaro depende mais da lembrança do nome quando apresentado, enquanto o apoio a Lula demonstra maior espontaneidade. Jair Bolsonaro, ainda que não seja candidato, recebe 4% de menções espontâneas, um dado que pode indicar confusão ou voto de protesto. O número de indecisos na pesquisa espontânea é de 11%, uma redução em relação aos 13% da pesquisa anterior, sinalizando que o eleitorado está se posicionando conforme o primeiro turno se aproxima.
Entre os eleitores que já declararam voto em um candidato, 87% afirmam estar totalmente decididos, enquanto 13% dizem que ainda podem mudar de voto. Esse percentual de indecisão residual, embora reduzido, mantém a possibilidade de surpresas nas urnas. Para vencer no primeiro turno, um candidato precisa de 50% dos votos válidos mais um voto — um patamar que nenhum dos dois líderes atingiu na pesquisa, apontando para um segundo turno como cenário provável.
O Datafolha simulou também um cenário de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, utilizando votos totais. Nessa projeção, Lula aparece com 47% e Flávio Bolsonaro com 46%, uma margem de apenas um ponto percentual. Comparado à pesquisa anterior, Lula perdeu um ponto, enquanto Flávio Bolsonaro ganhou um, reduzindo ainda mais a distância. Seis por cento dos eleitores indicam que votariam em branco ou nulo, e 2% permanecem indecisos mesmo diante de um cenário de segundo turno. Esses números sugerem que, independentemente do resultado do primeiro turno, a disputa presidencial seguirá extremamente competitiva, com qualquer movimento de poucos pontos percentuais tendo potencial para definir o resultado final.
Citações Notáveis
Para vencer no primeiro turno, um candidato precisa de 50% dos votos válidos mais um voto— Datafolha/Justiça Eleitoral