Datafolha: Lula lidera em MG e Flávio no RJ; empate técnico em SP na reta final

Pernambuco apresenta o cenário mais desequilibrado
Lula registra 65% dos votos válidos no estado contra 26% de Flávio, uma diferença de 39 pontos percentuais.
Mark

Como ler este mapa de pesquisas? Parece que o Brasil está dividido em duas metades.

Mimi

Exatamente. Lula lidera em Minas Gerais e Pernambuco, Flávio no Rio e Distrito Federal, e São Paulo está empatado. Não é um país unificado em torno de um candidato.

Luke

Mas precisamos ser precisos sobre o que "empatado" significa. Em São Paulo, a diferença é de um ponto percentual dentro de uma margem de erro de dois pontos. Tecnicamente empatado, sim, mas Flávio está numericamente à frente.

Mimi

Verdade. E em Minas Gerais, Lula abriu uma vantagem de sete pontos em relação à pesquisa anterior, quando estavam empatados. Isso é movimento real.

Mark

E Pernambuco? Sessenta e cinco por cento para Lula parece esmagador.

Mimi

É. Lula tem 39 pontos de vantagem sobre Flávio lá. É o estado onde a disputa está mais definida.

Luke

Mas lembre-se: estes são votos válidos no primeiro turno, excluindo brancos, nulos e indecisos. No segundo turno, os números incluem todos. Flávio sobe para 48% em São Paulo quando você inclui essas categorias.

Mark

Então o segundo turno seria diferente do primeiro?

Mimi

Potencialmente. Em São Paulo, por exemplo, Flávio teria 48% contra 45% de Lula no segundo turno — ainda empatado tecnicamente, mas com Flávio numericamente à frente.

Luke

E a metodologia: 1.610 pessoas em São Paulo, 1.204 em Minas, Rio e Pernambuco, 910 no Distrito Federal. Amostras sólidas, mas o Distrito Federal é o menor, com margem de erro de três pontos.

Mark

O que mudou desde a pesquisa anterior?

Mimi

Em Minas Gerais, Lula avançou. Uma semana antes, Flávio tinha 46% e Lula 44% em um segundo turno. Agora Lula tem 48% e Flávio 44%. Em São Paulo, a distância diminuiu — Flávio caiu de 49% para 48% no segundo turno.

Luke

Mas no Rio e no Distrito Federal, os números de Flávio se mantiveram estáveis. Ele não perdeu terreno lá.

  • Com apenas 48 horas para o primeiro turno, nenhum dos dois candidatos conseguiu romper o equilíbrio em São Paulo — o estado que pode definir o resultado nacional.
  • A diferença de 39 pontos em Pernambuco revela que Lula governa com autoridade absoluta em seu território histórico, enquanto Flávio sequer consegue competir.
  • No Rio de Janeiro e no Distrito Federal, Flávio Bolsonaro consolida margens de oito e dez pontos, herdando a base fiel construída pelo pai ao longo de anos.
  • Em Minas Gerais, Lula reverteu um empate técnico da semana anterior para abrir sete pontos de vantagem — sinal de que a campanha final moveu eleitores indecisos.
  • Os números de segundo turno reproduzem a mesma polarização regional, sugerindo que o mapa eleitoral está cristalizado e que poucos votos ainda flutuam livremente.

A dois dias do primeiro turno, o Brasil revela sua geografia política com clareza quase cirúrgica: uma pesquisa Datafolha mostra Lula e Flávio Bolsonaro não disputando um país único, mas vários países sobrepostos, cada um com sua lealdade e sua memória. O maior prêmio — São Paulo — permanece suspenso entre os dois, enquanto Minas e Pernambuco inclinam-se ao presidente e Rio e Distrito Federal ao senador. É o retrato de uma nação que ainda não decidiu se quer continuar ou recomeçar.

A dois dias do primeiro turno, o Datafolha divulgou pesquisas nos principais colégios eleitorais do país e o resultado é um mapa de lealdades regionais profundamente distintas. Em São Paulo, Flávio Bolsonaro tem 41% e Lula 40% — um empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos, tornando o maior estado da federação o cenário mais indefinido de todos. A semana anterior mostrava Flávio com vantagem ligeiramente maior; o espaço entre eles se fechou na reta final.

Em Minas Gerais, o quadro mudou de forma significativa. Lula abre sete pontos — 45% contra 38% — depois de estar tecnicamente empatado com Flávio na rodada anterior. Já em Pernambuco, o presidente domina com 65% contra apenas 26% do senador, reforçando uma vantagem que já era expressiva na pesquisa anterior.

O Rio de Janeiro e o Distrito Federal contam outra história. No Rio, Flávio alcança 48% contra 40% de Lula. No DF, a margem é ainda maior: 46% a 36%. Os dois territórios funcionam como redutos consolidados do candidato do PL, que herda ali a força política construída por seu pai.

Quando o Datafolha simulou um eventual segundo turno, os padrões se repetiram com pequenas variações: São Paulo tecnicamente empatado, Minas favorável a Lula, Rio e DF favoráveis a Flávio, e Pernambuco como o maior bastião presidencial. As pesquisas foram realizadas presencialmente entre 28 de setembro e 1º de outubro, com amostras entre 910 e 1.610 entrevistados por estado, todas registradas no TSE.

O que os números revelam, no conjunto, é uma polarização que não é apenas política — é geográfica, histórica e identitária. São Paulo permanece o grande ponto de interrogação: o estado onde nenhum dos dois conseguiu se impor de forma decisiva, e onde a eleição pode, afinal, ser decidida.

A dois dias do primeiro turno da eleição presidencial, o Brasil se apresenta fragmentado regionalmente. Uma pesquisa do Datafolha divulgada na sexta-feira mostra Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro com trajetórias distintas nos principais colégios eleitorais do país — o presidente avançando em alguns estados enquanto o senador consolida força em outros, com o maior estado da federação pendurado em um fio.

Em São Paulo, o maior colégio eleitoral brasileiro, os números são praticamente idênticos. Flávio Bolsonaro registra 41% dos votos válidos contra 40% de Lula, uma diferença de apenas um ponto percentual. Dentro da margem de erro de dois pontos para mais ou para menos, os dois candidatos estão tecnicamente empatados — o cenário mais apertado entre todos os estados pesquisados. A pesquisa anterior, realizada uma semana antes, mostrava Flávio com ligeira vantagem, o que significa que o espaço entre eles se estreitou conforme a campanha chegava ao seu final.

Em Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral, o quadro muda significativamente. Lula aparece com 45% dos votos válidos contra 38% de Flávio, uma vantagem de sete pontos percentuais. Este resultado marca uma mudança em relação ao levantamento anterior, quando os dois estavam tecnicamente empatados em uma simulação de segundo turno. Agora, tanto no primeiro turno quanto em um eventual confronto direto, Lula se posiciona numericamente à frente.

No Rio de Janeiro, a situação se inverte completamente. Flávio Bolsonaro alcança 48% dos votos válidos no primeiro turno, deixando Lula com 40% — uma diferença de oito pontos percentuais. No Distrito Federal, a vantagem do candidato do PL é ainda mais pronunciada: ele registra 46% contra 36% de Lula, uma margem de dez pontos. Estes dois territórios representam redutos de força para o senador.

Pernambuco apresenta o cenário mais desequilibrado de todos. Lula registra 65% dos votos válidos no estado, enquanto Flávio aparece com apenas 26% — uma diferença de 39 pontos percentuais. Este resultado reforça a vantagem já observada pelo instituto na rodada anterior, quando Lula tinha 60% contra 24% de Flávio. O estado permanece como o maior bastião do presidente.

Quando o Datafolha testou um eventual segundo turno — incluindo neste caso eleitores que declaram voto branco, nulo ou indeciso — os padrões regionais se reproduziram com variações. Em São Paulo, Flávio aparece com 48% das intenções de voto contra 45% de Lula, mantendo a disputa tecnicamente empatada. Em Minas Gerais, Lula alcança 48% contra 44% de Flávio, invertendo a posição que havia na pesquisa anterior. No Rio, Flávio mantém 51% contra 42% de Lula. Em Pernambuco, Lula chega a 65% contra 29% de Flávio. No Distrito Federal, Flávio registra 51% contra 39% de Lula.

Os levantamentos foram contratados pela Folha de São Paulo e pela TV Globo, realizados presencialmente entre 28 de setembro e 1º de outubro. Em São Paulo, o Datafolha ouviu 1.610 pessoas em 65 municípios. Em Minas Gerais, foram 1.204 entrevistados em 55 municípios. No Rio de Janeiro, 1.204 eleitores em 35 municípios. Em Pernambuco, 1.204 pessoas em 48 municípios. No Distrito Federal, 910 entrevistas. Todos os levantamentos foram registrados no Tribunal Superior Eleitoral.

O mapa que emerge é de uma polarização profundamente regional. Lula domina em estados historicamente ligados ao PT, enquanto Flávio Bolsonaro consolida força em territórios que apoiaram seu pai. São Paulo, o prêmio maior, permanece em aberto — um estado onde nenhum dos dois conseguiu se destacar de forma decisiva na reta final.

Em São Paulo, os dois aparecem tecnicamente empatados
— Datafolha
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