No limiar do segundo turno presidencial brasileiro, uma pesquisa Datafolha revela que Flávio Bolsonaro e Lula disputam o poder dentro da margem de erro — 49% a 45% —, configurando um empate técnico que espelha um país profundamente dividido por região, fé e classe. Com 94% dos eleitores já decididos e o pleito marcado para 25 de outubro, o Brasil caminha para uma escolha que será menos sobre persuasão e mais sobre mobilização de convicções já formadas.
Datafolha: Flávio Bolsonaro tem 49% e Lula, 45% no 2º turno presidencial
Empate técnico com maior probabilidade de Flávio estar à frente
Como é possível chamar de empate técnico uma diferença de quatro pontos se a margem de erro é de dois?
Porque a margem de erro funciona nos dois sentidos. Se Flávio está em 49% com margem de dois pontos, ele pode estar entre 47% e 51%. Lula pode estar entre 43% e 47%. Há uma sobreposição. Estatisticamente, não dá para afirmar com segurança que um está à frente do outro.
Mas o Datafolha mesmo diz que há "maior probabilidade de Flávio estar à frente". Isso não é empate técnico, é uma vantagem pequena mas real.
Verdade. É empate técnico no sentido de que a diferença é pequena demais para ser conclusiva, mas os números apontam para Flávio.
E quanto aos votos que saem do primeiro turno? Quarenta e seis por cento dos eleitores de Cury, Renan, Caiado e Zema vão para Flávio. Isso é decisivo?
Ajuda bastante. Mas 32% vão para Lula e 15% votam em branco ou nulo. Não é uma migração unidirecional. Ainda há espaço para disputa.
Precisamos lembrar que esses números são de intenção de voto, não de compromisso. Muita coisa pode mudar em duas semanas e meia.
Qual é o eleitor que ainda pode mudar de ideia?
Apenas 6% dizem que podem mudar. A maioria — 94% — afirma estar totalmente decidida.
Mas isso é o que as pessoas dizem quando entrevistadas. Na prática, eleitores podem mudar de ideia sem admitir isso antes.
E a rejeição? Como isso funciona na prática?
Quarenta e seis por cento rejeitam só Lula, 43% rejeitam só Flávio. Esses são os votos mais disputados. Quem rejeita só Lula vai votar em Flávio. Quem rejeita só Flávio vai votar em Lula.
E os 3% que rejeitam ambos? Eles podem não votar, votar em branco ou fazer uma escolha de último minuto.
El Pulso
- Flávio Bolsonaro lidera com 49% contra 45% de Lula, mas a margem de erro de dois pontos mantém a disputa em aberto e impede qualquer declaração de favoritismo seguro.
- A polarização é geográfica e cultural: evangélicos e o Sul do país inclinam-se a Bolsonaro, enquanto o Nordeste, católicos e eleitores de menor renda sustentam Lula com vantagens expressivas.
- Dos eleitores que votaram em candidatos eliminados no primeiro turno, 46% migram para Bolsonaro e 32% para Lula — uma redistribuição que, por ora, favorece o candidato do PL.
- Com 94% dos eleitores afirmando estar totalmente decididos, a volatilidade é baixa e o resultado dependerá da capacidade de cada campo de consolidar e mobilizar seu próprio eleitorado até 25 de outubro.
No limiar do segundo turno presidencial brasileiro, uma pesquisa Datafolha revela que Flávio Bolsonaro e Lula disputam o poder dentro da margem de erro — 49% a 45% —, configurando um empate técnico que espelha um país profundamente dividido por região, fé e classe. Com 94% dos eleitores já decididos e o pleito marcado para 25 de outubro, o Brasil caminha para uma escolha que será menos sobre persuasão e mais sobre mobilização de convicções já formadas.
A primeira pesquisa Datafolha do segundo turno, encomendada pela Globo e pela Folha de S.Paulo e realizada com 2.520 pessoas nos dias 6 e 7 de outubro, coloca Flávio Bolsonaro com 49% das intenções de voto contra 45% de Lula. A diferença de quatro pontos está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, caracterizando empate técnico — ainda que, em votos válidos, Bolsonaro chegue a 52% e Lula a 48%.
O retrato que emerge é o de um Brasil partido ao meio por linhas bem definidas. Bolsonaro domina entre evangélicos (69% a 25%) e na região Sul (58% a 35%). Lula lidera no Nordeste (61% a 35%), entre católicos (53% a 41%) e entre eleitores de menor renda e escolaridade. A redistribuição dos votos do primeiro turno também pende levemente para o PL: 46% dos eleitores de candidatos eliminados declaram intenção de votar em Bolsonaro, contra 32% que migram para Lula.
A motivação dos eleitores revela nuances importantes: 76% dizem votar no seu candidato por considerá-lo a melhor opção, enquanto 19% votam para derrotar o adversário. Entre os eleitores de Lula, essa proporção de voto propositivo é ainda maior — 83%. A rejeição está quase empatada: 46% rejeitam exclusivamente Lula e 43% rejeitam exclusivamente Bolsonaro.
Com 94% dos eleitores afirmando estar totalmente decididos, a pesquisa sugere baixíssima volatilidade até o segundo turno de 25 de outubro. Os índices de aprovação do governo Lula permanecem estáveis — 48% aprovam e 49% desaprovam —, indicando que o eleitorado já formou seu juízo. O resultado final dependerá, portanto, da capacidade de cada campo de mobilizar suas bases e de como os poucos indecisos e os eleitores que rejeitam ambos os candidatos decidirão seu voto.
O segundo turno presidencial brasileiro está em aberto. A primeira pesquisa Datafolha do confronto direto entre Flávio Bolsonaro e Lula, divulgada nesta quinta-feira, mostra o candidato do PL com 49% das intenções de voto contra 45% do petista — uma diferença de quatro pontos que a própria pesquisa classifica como empate técnico, situado dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Quando se contabilizam apenas os votos válidos, excluindo brancos, nulos e indecisos, Bolsonaro chega a 52% e Lula a 48%. O levantamento foi encomendado pela Globo e pela Folha de S.Paulo e ouviu 2.520 pessoas entre 16 anos de idade nos dias 6 e 7 de outubro, com nível de confiança de 95%.
O cenário que emerge da pesquisa revela uma disputa polarizada por geografia e perfil de eleitor. Flávio Bolsonaro constrói suas maiores vantagens entre evangélicos, onde alcança 69% contra 25% de Lula, e na região Sul, onde tem 58% ante 35% do adversário. Lula, por sua vez, domina no Nordeste com 61% contra 35%, entre católicos com 53% a 41%, entre eleitores com escolaridade fundamental (55% a 41%) e naqueles com renda até dois salários mínimos (52% a 41%). A distribuição geográfica e demográfica dos votos sugere que o resultado final dependerá de como os eleitores que ainda não se definiram completamente — e de como os votos dos candidatos eliminados no primeiro turno se redistribuem.
Um dado relevante diz respeito à migração dos votos da primeira volta. Entre os eleitores que votaram em Tarcísio Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema no primeiro turno, 46% declaram intenção de votar em Flávio Bolsonaro agora, enquanto 32% migram para Lula e 15% dizem que votarão em branco ou nulo. Essa redistribuição, ainda que parcial, favorece o candidato do PL, que terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos contra 45,16% de Lula — uma diferença de aproximadamente 2,2 milhões de votos.
A pesquisa também revela aspectos da motivação dos eleitores. Enquanto 76% dos entrevistados afirmam que votarão no seu candidato porque o consideram a melhor opção, 19% declaram que votarão para derrotar o adversário. Essa proporção varia entre os dois campos: entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, 69% votam porque o consideram o melhor candidato e 25% votam para derrotar Lula. Entre os eleitores de Lula, 83% votam porque o consideram o melhor candidato e apenas 13% votam para derrotar o adversário. A rejeição aos candidatos também está distribuída: 46% dos eleitores rejeitam exclusivamente Lula, 43% rejeitam exclusivamente Flávio Bolsonaro, 3% rejeitam ambos e 8% não rejeitam nenhum dos dois.
Um aspecto que pode influenciar o resultado é o grau de definição do voto. Segundo a pesquisa, 94% dos eleitores afirmam estar totalmente decididos sobre em quem votarão, enquanto apenas 6% dizem que ainda podem mudar de ideia. Esse número elevado de eleitores já definidos sugere uma volatilidade baixa até o segundo turno, marcado para 25 de outubro. Na pesquisa espontânea, em que os entrevistados respondem sem ver os nomes dos candidatos, Flávio Bolsonaro foi citado por 46% e Lula por 44%, com 5% declarando voto em branco ou nulo e 4% indecisos.
Os números de aprovação do governo Lula permanecem estáveis em relação à pesquisa anterior: 49% desaprovam e 48% aprovam, com 2% que não sabem. Na avaliação do governo, 40% o consideram ruim ou péssimo, 35% o avaliam como ótimo ou bom, 24% o veem como regular e 1% não sabe. Esses índices sugerem que a avaliação do governo não se alterou significativamente entre uma pesquisa e outra, mantendo o eleitorado dividido de forma praticamente simétrica. O segundo turno, portanto, será decidido pela capacidade de cada candidato de consolidar seu eleitorado e conquistar os poucos indecisos que ainda restam, bem como pela forma como os eleitores que rejeitam ambos os candidatos — ainda que minoritários — acabarão votando.
Citas Notables
A distância de quatro pontos entre eles configura um empate técnico no limite da margem de erro, com maior probabilidade de Flávio Bolsonaro estar à frente— Datafolha