Datafolha: 8 em cada 10 brasileiros tiveram Covid-19 ou conhecem infectado

Brasil contabilizava 186.365 mortes por Covid-19 e 7.212.670 casos confirmados até dezembro de 2020, com 678 óbitos registrados nas últimas 24 horas.
A esperança que alguns alimentavam em agosto havia se dissipado
Reflexão sobre a mudança dramática na percepção dos brasileiros sobre a pandemia entre agosto e dezembro de 2020.
Mark

Por que essa pesquisa importa agora, em dezembro de 2020? Não é apenas mais um número sobre a pandemia?

Mimi

Porque ela mostra quando a população brasileira finalmente compreendeu a escala real da crise. Não era mais abstrato. Era pessoal.

Mark

Mas 79% é um número muito alto. Significa que quase ninguém escapou?

Mimi

Exatamente. Significa que a Covid-19 deixou de ser a doença de alguém lá longe. Estava no vizinho, no colega, no amigo próximo. A maioria dos brasileiros tinha uma história pessoal com o vírus.

Mark

E a mudança de percepção entre agosto e dezembro — de 43% para 73% — isso é esperado?

Mimi

Não. Sugere que a situação piorou muito mais do que as pessoas imaginavam que poderia piorar. Em agosto ainda havia esperança. Em dezembro, a esperança tinha evaporado.

Mark

O que explica essa queda tão rápida na esperança?

Mimi

Os números. A média móvel de casos estava em seu pico. Havia 678 mortes em um único dia. As pessoas estavam vendo o sistema de saúde sobrecarregado, hospitais lotados. Não era mais possível negar a gravidade.

Mark

E aqueles 21% que não conhecem ninguém infectado — eles existem mesmo ou é um erro de pesquisa?

Mimi

Provavelmente existem, mas são uma minoria cada vez menor. Podem estar em bolhas geográficas ou sociais específicas, ou simplesmente tiveram sorte. Mas em um país de 210 milhões de pessoas, 21% ainda representa dezenas de milhões de pessoas.

  • A doença cruzou quase todas as portas: apenas um em cada cinco brasileiros afirmava não conhecer ninguém infectado pela Covid-19.
  • O pessimismo coletivo explodiu — a proporção de brasileiros que acreditavam que a situação estava piorando saltou de 43% para 73% entre agosto e dezembro.
  • Os números por trás do medo eram concretos: 678 mortes em um único dia, quase 49 mil novos casos e a maior média móvel de infecções desde o início da pandemia.
  • A esperança que ainda sustentava parte da população no meio do ano evaporou: os que viam melhora caíram de 46% para apenas 21%.
  • O país chegava ao fim de 2020 sem sinais de alívio, com 186.365 mortes acumuladas e mais de 7,2 milhões de casos confirmados.

Ao fim de 2020, a pandemia de Covid-19 havia deixado de ser uma abstração para o povo brasileiro: uma pesquisa do Datafolha revelou que 79% dos brasileiros já haviam sido tocados pela doença — em si mesmos ou em alguém próximo. Esse dado não é apenas estatístico; é o retrato de uma nação que aprendeu, pela dor e pela perda, que nenhuma fronteira doméstica é impermeável a uma crise coletiva. Com 186 mil mortes acumuladas e a maior média móvel de casos desde o início da pandemia, dezembro de 2020 marcou um momento em que o pessimismo deixou de ser pessimismo e passou a ser lucidez.

Em meados de dezembro de 2020, uma pesquisa do Datafolha com 2.016 brasileiros adultos revelou o alcance quase universal da Covid-19 na vida do país. Sete em cada dez pessoas disseram ter contraído o vírus ou conhecer alguém que o fez — metade mencionou um conhecido, 47% apontaram um amigo próximo, e dois em cada cinco tinham um familiar fora de casa que havia sido infectado. Apenas um quinto da população ainda se dizia intocado pela doença.

Mas o dado que mais pesava era a mudança na percepção coletiva. Em agosto, 43% dos brasileiros acreditavam que a pandemia estava piorando. Em dezembro, esse número havia saltado para 73%. Os que viam melhora caíram de 46% para 21%. A esperança do meio do ano havia se dissipado.

Os números justificavam o pessimismo: 186.365 mortes acumuladas, mais de 7,2 milhões de casos confirmados, 678 óbitos em um único dia e a maior média móvel de infecções desde o início da pandemia. A pesquisa capturou um momento em que a doença havia deixado de ser algo distante — ela estava nos lares, nas ruas e nos círculos de quase toda a população brasileira, e a população sabia disso.

No meio de dezembro de 2020, quando a pandemia de Covid-19 já completava quase um ano no Brasil, uma pesquisa do Datafolha revelou o alcance quase universal da doença na vida dos brasileiros. Quase oito em cada dez pessoas — 79% delas — disseram ter contraído o vírus ou conhecer alguém que o fez. Apenas um quinto da população conseguia dizer que não tinha sido tocado pela doença, nem de perto nem de longe.

O levantamento ouviu 2.016 brasileiros adultos entre 8 e 10 de dezembro por telefone celular, cobrindo todas as regiões e estados do país. A margem de erro era de dois pontos percentuais. Quando perguntados sobre quem havia sido infectado, os respondentes traçaram um mapa da proximidade do vírus em suas vidas. Metade deles mencionou um conhecido. Quase a mesma proporção — 47% — apontou um amigo próximo. Dois em cada cinco tinham um familiar que não morava com eles e havia contraído a doença. Vizinhos, colegas de trabalho ou de escola apareceram em 27% das respostas. Apenas 14% disseram que alguém que vivia na mesma casa havia sido infectado.

Mas talvez o dado mais significativo fosse a mudança na percepção coletiva sobre o rumo da crise. Em agosto, quando o Datafolha havia feito uma pesquisa anterior, 43% dos brasileiros acreditavam que a situação da pandemia estava piorando. Quatro meses depois, esse número havia saltado para 73%. Ao mesmo tempo, aqueles que viam melhora caíram de 46% para 21%. A esperança que alguns ainda alimentavam no meio do ano havia se dissipado. Apenas 4% acreditavam que a pandemia não estava nem piorando nem melhorando, e 2% não souberam responder.

Os números que justificavam esse pessimismo eram brutais. Na noite de 19 de dezembro, o Brasil havia registrado 186.365 mortes por Covid-19 e mais de 7,2 milhões de casos confirmados. Nas 24 horas anteriores à pesquisa, foram contabilizados 678 óbitos e quase 49 mil novos casos. O país estava vivendo a maior média móvel de infecções desde o início da pandemia, um sinal claro de que o pior ainda não havia passado.

A pesquisa capturou um momento de inflexão na experiência coletiva brasileira. A doença havia deixado de ser algo distante, algo que acontecia com outras pessoas em outros lugares. Ela estava nas casas, nas ruas, nos círculos de amigos e família de quase toda a população. E a população sabia disso. A percepção de que tudo estava piorando refletia uma realidade que os números confirmavam a cada dia.

Quase metade dos entrevistados apontou um amigo próximo como pessoa infectada
— Pesquisa Datafolha
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