Daly do Fed apoia elevação dos juros em março e taxa de 1,25% até fim do ano

Apoiando a economia, não tirando completamente o estímulo
Daly explica como um aumento moderado dos juros pode combater inflação sem prejudicar o crescimento.
Mark

Por que março especificamente? Por que não esperar mais ou começar antes?

Mimi

Daly não detalha a razão exata, mas março dá tempo para o Fed avaliar os dados de inflação dos primeiros meses do ano e tomar uma decisão informada. Não é precipitado, mas também não é uma espera indefinida.

Luke

Certo, mas ela está falando como uma presidente regional. O que o resto do Fed pensa? Uma coisa é Mary Daly apoiar isso; outra é saber se há consenso no comitê de política monetária.

Mark

E quanto a 1,25%? Como ela chegou a esse número específico?

Mimi

Ela o apresenta como um ponto que oferece aperto sem ruptura. Fica bem abaixo da taxa terminal de 2,5%, deixando espaço para a economia continuar funcionando enquanto a inflação é reduzida.

Luke

Mas isso assume que 2,5% é realmente a taxa terminal. Essas estimativas mudam. E 1,25% é uma projeção para dezembro — muita coisa pode acontecer entre janeiro e dezembro.

Mark

Ela está dizendo que isso é "equilíbrio". Mas equilíbrio para quem?

Mimi

Para a economia como um todo. Para quem precisa de emprego, para quem está vendo seus salários perderem valor para a inflação, para quem poupa e vê seus rendimentos desaparecerem.

Luke

Verdade, mas o equilíbrio nunca é neutro. Aumentar juros prejudica quem tem dívida — pessoas com hipotecas, empresas pequenas com empréstimos. Ela não menciona isso.

  • A inflação pressiona a economia americana com força suficiente para forçar o Fed a abandonar a política de juros próximos de zero mantida desde a pandemia.
  • Mary Daly rompe com a ambiguidade e defende publicamente o início dos aumentos em março, sinalizando consenso crescente dentro do banco central.
  • A proposta de elevar os juros a apenas 1,25% até dezembro é deliberadamente moderada — metade do caminho até a taxa neutra de 2,5% — para evitar choques na economia.
  • O risco real é duplo: apertar rápido demais pode frear o emprego e o crescimento; apertar devagar demais pode deixar a inflação enraizada.

Em um momento em que a economia americana ainda carrega as marcas da pandemia, Mary Daly, presidente do Federal Reserve de San Francisco, defendeu uma retirada gradual dos estímulos extraordinários adotados nos últimos anos. Sua proposta — elevar os juros a partir de março, chegando a 1,25% até o fim de 2022 — reflete a tensão clássica entre conter a inflação e preservar o crescimento, um equilíbrio que os bancos centrais perseguem há décadas. O momento exige prudência: agir cedo demais pode sufocar a recuperação; agir tarde demais pode deixar a inflação escapar ao controle.

Mary Daly, presidente do Federal Reserve de San Francisco, defendeu nesta segunda-feira que o banco central americano comece a elevar os juros em março, com possibilidade de alcançar 1,25% até o final de 2022. Os juros permanecem próximos de zero desde o início da pandemia, quando o Fed adotou medidas extraordinárias de estímulo para sustentar a economia.

A proposta de Daly não é de um aperto abrupto. Chegar a 1,25% ainda deixaria os juros bem abaixo da taxa terminal de 2,5% — o ponto considerado neutro pelo Fed —, o que significa que a política monetária continuaria sendo acomodatícia, apenas menos do que hoje. Em entrevista à Reuters Breakingviews, ela descreveu a lógica: retirar parte do suporte extraordinário sem provocar disrupções, mantendo condições que ainda favorecem o crescimento.

O desafio que Daly articula é o dilema central do momento: a inflação subiu de forma significativa e precisa ser controlada, mas a economia ainda se recupera dos efeitos da crise sanitária. Um aperto muito agressivo poderia comprometer empregos e crescimento; um aperto tímido demais poderia deixar a inflação sem controle. Sua estratégia gradual busca navegar entre esses dois riscos ao longo do ano.

Mary Daly, presidente do Federal Reserve de San Francisco, defendeu nesta segunda-feira um aumento dos juros americanos começando em março, com possibilidade de elevá-los a 1,25% até o final do ano. A declaração marca uma posição clara sobre como o banco central dos Estados Unidos deve responder à inflação que pressiona a economia.

Os juros estão atualmente próximos de zero, onde permaneceram durante a pandemia como medida de estímulo econômico. Daly argumenta que começar a subi-los em março seria o momento apropriado para começar a retirar parte desse suporte extraordinário que o Fed forneceu. Sua proposta, porém, não é um aperto brutal. Elevar a taxa para 1,25% até dezembro deixaria ainda espaço considerável no sistema, já que a taxa terminal de juros — o ponto onde o Fed considera que a política monetária é neutra — situa-se em 2,5%.

Em entrevista à Reuters Breakingviews, Daly explicou a lógica por trás dessa abordagem gradual. Se os juros chegassem a 1,25%, isso representaria um aperto adequado para ajudar a conter a inflação, mas manteria acomodação suficiente para continuar apoiando a economia. "Você está apoiando a economia, não tirando completamente o estímulo e causando disrupções, mas tirando algumas das acomodações extraordinárias que fornecemos", disse ela.

A presidente do Fed de San Francisco reconhece que o momento é delicado. A incerteza que enfrenta a economia justifica, em sua visão, uma abordagem equilibrada. Não se trata de escolher entre combater a inflação ou proteger o crescimento econômico, mas de fazer ambas as coisas simultaneamente, ainda que de forma moderada. Esse equilíbrio, segundo Daly, é a coisa apropriada a se fazer diante das circunstâncias atuais.

Sua posição reflete o desafio central que o Federal Reserve enfrenta: a inflação subiu significativamente e precisa ser controlada, mas a economia ainda se recupera dos efeitos da pandemia. Um aumento muito agressivo dos juros poderia prejudicar o crescimento e o emprego. Um aumento muito lento poderia deixar a inflação fora de controle. A proposta de Daly tenta encontrar um caminho do meio, começando modestamente em março e avançando de forma gradual ao longo do ano.

Você está apoiando a economia, não tirando completamente o estímulo e causando disrupções, mas tirando algumas das acomodações extraordinárias que fornecemos
— Mary Daly, presidente do Fed de San Francisco
Acho que equilíbrio é a coisa apropriada a se fazer com a incerteza que enfrentamos
— Mary Daly
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