Há cumes que existem não apenas como acidentes geográficos, mas como espelhos onde o ser humano mede a distância entre o que é e o que pode ser. Gustavo Cordoni, curitibano de 23 anos, decidiu encarar esse espelho catorze vezes seguidas: são os 14 picos acima de 8.000 metros que ele pretende conquistar em dois anos, começando em 2026 pelo Everest e pelo Lhotse. Nenhum brasileiro completou esse percurso antes, e é exatamente esse vazio no mapa que Cordoni quer preencher — não apenas por ambição pessoal, mas como um ato de pertencimento do Brasil à história do alpinismo mundial.
Curitibano de 23 anos planeja ser primeiro brasileiro a conquistar os 14 cumes de 8 mil metros
A força mental é tão importante quanto a força física
Por que começar justamente com o Everest e o Lhotse juntos? Não seria mais seguro fazer um de cada vez?
A janela de escalada no Himalaia é curta — alguns meses por ano. Se você quer fazer 14 cumes em dois anos, não pode desperdiçar uma única oportunidade. Fazer os dois na mesma expedição economiza tempo, dinheiro e permite que você se acostume com a altitude de uma vez.
Você mencionou um momento no Pequeño Alpamayo onde entendeu que a força mental era tão importante quanto a física. Como isso muda a forma como você se treina agora?
Muda tudo. Não adianta ter pulmões de ferro se sua mente desiste quando você está a 7 mil metros, exausto, com frio extremo e sabendo que um passo errado é morte. Agora eu treino visualização, meditação, gestão de medo. A escalada em gelo foi a aula que nenhuma academia oferece.
Sua formação em Direito parece estranha para um montanhista. Como isso se conecta?
Montanhismo é gerenciamento de risco. Você precisa entender cenários, consequências, alternativas, quando recuar. Direito me ensinou a pensar assim — a analisar cada movimento como se fosse um argumento em tribunal. Em altitude, essa disciplina salva vidas.
Qual é o maior medo que você tem em relação a esse projeto?
Não é morrer na montanha. É deixar o Brasil na mão. Se eu fracassar, não é só meu fracasso — é o fracasso de um país inteiro tentando algo que nunca tentou. Isso pesa mais que qualquer cume.
E se você não conseguir completar em dois anos?
Então continuo. O prazo é ambicioso, mas o projeto não morre se levar três ou quatro anos. O importante é chegar lá. Mas vou chegar.
El Pulso
- A janela de dois anos que Cordoni se impôs é estreita para um projeto que levou décadas a alpinistas experientes de todo o mundo.
- O 'Double Head' de 2026 — subir o Everest e o Lhotse na mesma expedição — representa o batismo de fogo de um plano que não admite meias medidas.
- Uma equipe multidisciplinar de personal trainer, médico, nutricionista e guia de alta montanha trabalha para transformar um jovem estudante de Direito em um atleta capaz de sobreviver à zona da morte.
- A busca por patrocínios é a corrida paralela e invisível: sem financiamento suficiente, o projeto pode morrer antes de chegar ao campo base.
- Cada treino de ultramaratona, cada parede de rocha escalada em Curitiba, é um tijolo lançado contra a distância entre o sonho e os 8.848 metros do Everest.
Há cumes que existem não apenas como acidentes geográficos, mas como espelhos onde o ser humano mede a distância entre o que é e o que pode ser. Gustavo Cordoni, curitibano de 23 anos, decidiu encarar esse espelho catorze vezes seguidas: são os 14 picos acima de 8.000 metros que ele pretende conquistar em dois anos, começando em 2026 pelo Everest e pelo Lhotse. Nenhum brasileiro completou esse percurso antes, e é exatamente esse vazio no mapa que Cordoni quer preencher — não apenas por ambição pessoal, mas como um ato de pertencimento do Brasil à história do alpinismo mundial.
Gustavo Cordoni tem 23 anos, estuda Direito em Curitiba e carrega um plano que nenhum brasileiro ousou concluir: escalar os 14 picos acima de 8.000 metros em dois anos. A jornada começa em abril de 2026, com o que ele chama de 'Double Head' — subir o Everest e o Lhotse na mesma janela de expedição.
O caminho até aqui não foi linear. Vice-campeão brasileiro de escalada indoor ainda adolescente, Cordoni encontrou nas grandes montanhas algo que as paredes artificiais não podiam oferecer. Em 2025, conquistou o Huayna Potosí, na Bolívia, e durante um curso de escalada em gelo enfrentou o Pequeño Alpamayo — uma ascensão tão exposta que qualquer erro poderia ser fatal. Foi naquele momento de exaustão e risco que ele compreendeu que a força mental pesa tanto quanto a física.
O projeto 'Rumo aos 14 Cumes' é também uma declaração de intenções para o Brasil. Os 14 Oito-Mil — entre eles o Everest, o K2 e o Kanchenjunga — carregam o peso de centenas de tentativas e fracassos ao longo da história do alpinismo. Nenhum brasileiro chegou ao fim dessa lista.
Para chegar lá, Cordoni trabalha com uma equipe multidisciplinar: personal trainer, médico, nutricionista e guia de alta montanha. Sua rotina combina trilhas semanais, escalada em rocha, ultramaratonas e Ironman. O curso de Direito, ainda em andamento, não é visto como obstáculo — ele enxerga na formação jurídica uma habilidade estratégica de gestão de riscos aplicável às decisões críticas em altitude extrema.
O financiamento é o desafio paralelo. Com parcerias já firmadas com a Acampar e a Probiótica, Cordoni busca ampliar o suporte em equipamentos, mídia e logística. Ele oferece às marcas a chance de se associarem à imagem de um jovem tentando fazer algo inédito para o país. Os próximos dois anos dirão se o plano se converte em história.
Gustavo Cordoni tem 23 anos, estuda Direito em Curitiba e está prestes a embarcar em uma jornada que nenhum brasileiro completou antes. Em abril de 2026, ele começará a escalar os 14 picos mais altos do planeta — todas as montanhas acima de 8 mil metros. Se conseguir, terá dois anos para terminar o que poucos atletas no mundo inteiro já fizeram.
Não é um sonho recente. Cordoni foi vice-campeão brasileiro de escalada indoor ainda adolescente, mas encontrou nas grandes montanhas algo que as paredes internas não ofereciam: um jeito de testar seus próprios limites de verdade. Em 2025, conquistou seu primeiro grande cume, o Huayna Potosí na Bolívia, com 6.088 metros. Depois disso, durante um curso de escalada em gelo, enfrentou a ascensão técnica do Pequeño Alpamayo — um trecho tão exposto que qualquer erro poderia ser fatal. Foi ali, exausto e em risco, que ele entendeu algo fundamental: a força mental importa tanto quanto a força física.
O projeto que ele chama de "Rumo aos 14 Cumes" não é apenas ambição pessoal. Cordoni quer colocar o Brasil no mapa das nações que completaram esse feito histórico. Os 14 Oito-Mil incluem o Everest, o K2, o Kanchenjunga, o Lhotse e outros gigantes do Himalaia — nomes que carregam o peso de centenas de tentativas e fracassos. Nenhum brasileiro chegou lá antes.
A primeira etapa é o que ele chama de "Double Head": escalar o Everest (8.848 metros) e o Lhotse (8.516 metros) na mesma janela de 2026. É um desafio que exige preparo físico, mental e técnico de outro nível. Para isso, Cordoni não está sozinho. Ele trabalha com uma equipe multidisciplinar: o personal trainer Fabiano Tchê, o médico Marcelo Leitão, a nutricionista Launa Bellon e o guia de alta montanha Carlos Santalena. Sua rotina inclui trilhas semanais, treinos de escalada em rocha e indoor, provas de endurance como ultramaratonas e Ironman, além de periodização técnica específica para altitude extrema.
O curso de Direito que ele ainda está completando não é apenas um diploma pendente. Cordoni vê nele uma vantagem estratégica: a visão de gestão de riscos e planejamento que a formação jurídica oferece são habilidades fundamentais em expedições de alta montanha, onde cada decisão pode ser a diferença entre voltar vivo ou não.
Para viabilizar tudo isso, Cordoni busca patrocínios em equipamentos, financiamento, mídia e logística de viagens. Já tem parcerias com a Acampar e a Probiótica, mas sabe que um projeto desse tamanho precisa de mais. Ele oferece às marcas a chance de se associarem a valores como esporte, superação, aventura e propósito — a imagem de um jovem brasileiro tentando fazer algo que ninguém do país fez antes.
Os próximos dois anos dirão se Cordoni consegue transformar esse plano em realidade. Se conseguir, será um marco não apenas para ele, mas para o montanhismo brasileiro.
Citas Notables
O curso me trouxe visão estratégica e gestão de riscos — habilidades fundamentais em expedições— Gustavo Cordoni, sobre sua formação em Direito