Corte elétrico atinge 64% de Cuba durante horário de pico, marcando a quinta desconexão total do sistema desde janeiro. Bloqueio petrolífero dos EUA desde janeiro agrava crise energética estrutural causada por centrais termoelétricas obsoletas com avarias contínuas.
Cuba enfrenta novo apagão de 64% da ilha durante tarde e noite
Grave, crítica e extremamente tensa — o retrato oficial da crise
Por que é que Cuba não consegue simplesmente importar mais petróleo de outros países?
Porque o bloqueio dos EUA torna isso extremamente difícil. Bancos internacionais têm medo de fazer negócios com Cuba, e navios que transportam petróleo para lá enfrentam sanções. O último navio que chegou foi russo, em março, e trouxe apenas uma doação — não uma compra regular.
Mas Cuba produz petróleo, certo? Porque é que não usa apenas o seu próprio?
Produz, mas apenas 40 mil barris por dia. Precisa de mais do dobro disso. E mesmo essa produção interna depende de centrais termoelétricas que têm décadas e estão a falhar constantemente. Sem manutenção adequada, nem o petróleo que têm conseguem ser processado eficientemente.
Então é um círculo vicioso — falta combustível, as máquinas falham, falta ainda mais energia.
Exatamente. E enquanto isso, a economia inteira fica parada. Quando não há eletricidade, as fábricas não funcionam, os negócios fecham, as pessoas não conseguem trabalhar. Uma contração de 6,5% este ano significa desemprego, escassez de bens, menos receita fiscal.
A energia solar chinesa que mencionaste — não poderia ser a solução?
É um começo, mas representa apenas 20% do total. E instalar painéis solares em larga escala leva tempo e dinheiro que Cuba não tem neste momento. Enquanto isso, as pessoas continuam sem luz durante 24 horas seguidas.
Isto parece insustentável.
É. O Governo admite que a situação é "grave, crítica e extremamente tensa". Sem uma mudança significativa — seja no bloqueio, seja no acesso a combustível, seja em investimento em infraestrutura — isto vai piorar.
The Pulse
- 64% da ilha sem eletricidade durante tarde e noite de segunda-feira
- Quinta desconexão total do sistema desde janeiro de 2026
- 8 de 16 unidades termoelétricas inoperacionais por avarias ou manutenção
- Cuba precisa de 100 mil barris de petróleo por dia; produz 40 mil
- Economia estimada a contrair 6,5% em 2026
Corte elétrico atinge 64% de Cuba durante horário de pico, marcando a quinta desconexão total do sistema desde janeiro. Bloqueio petrolífero dos EUA desde janeiro agrava crise energética estrutural causada por centrais termoelétricas obsoletas com avarias contínuas.
Cuba sofre novo corte elétrico afetando 64% da ilha durante tarde e noite, agravado por bloqueio petrolífero dos EUA e infraestrutura energética obsoleta com décadas de exploração.
Cuba enfrentou mais um dia de apagões generalizados nesta segunda-feira, com cortes de energia a atingir 64% da ilha durante as horas de maior consumo — à tarde e à noite. Os dados vieram da União Elétrica, a empresa estatal responsável pela distribuição de energia no país.
Este episódio não é isolado. Desde meados de 2024, a ilha caribenha atravessa uma crise energética profunda que se intensificou dramaticamente desde janeiro, quando os Estados Unidos intensificaram o bloqueio petrolífero — uma medida que as Nações Unidas consideram contrária ao direito internacional. Na terça-feira anterior, registou-se a terceira desconexão total do Sistema Elétrico Nacional numa única semana, a quinta desde o início do ano. Quando o sistema foi reconectado, os efeitos dos cortes atingiram até 72% do território cubano nas horas de pico, com Havana a sofrer interrupções superiores a 24 horas consecutivas, enquanto nas províncias os cortes duraram até dois dias seguidos.
O problema não é apenas externo. Das 16 unidades de geração termoelétrica do país, oito encontravam-se inoperacionais nesta segunda-feira, seja por avarias ou por trabalhos de manutenção. Estas centrais, que deveriam fornecer 40% da energia nacional, funcionam com petróleo bruto extraído localmente — portanto, teoricamente não afetadas pelo bloqueio. Mas a infraestrutura tem décadas de exploração e nunca recebeu os investimentos necessários para se manter operacional. Os outros 40% da energia dependem de motores geradores que precisam de gasóleo e fuelóleo importados, combustíveis cada vez mais escassos. Os restantes 20% vêm do gás e de fontes renováveis, incluindo um impulso recente à energia solar com financiamento chinês.
Cuba necessita de pouco mais de 100 mil barris de petróleo por dia para satisfazer as suas necessidades energéticas. Consegue extrair cerca de 40 mil barris da sua própria produção. O último navio a chegar com petróleo do exterior foi o russo Anatoli Kolodkin, que entrou na baía de Matanzas a 31 de março com uma doação de aproximadamente 730 mil barris — o suficiente para cobrir a procura durante apenas duas semanas em abril.
O Governo cubano reconhece publicamente que a situação é "grave, crítica e extremamente tensa", resultado tanto do bloqueio norte-americano como de um sistema energético profundamente obsoleto. A consequência é visível na economia: a economia estatal foi quase totalmente paralisada, e as estimativas apontam para uma contração de pelo menos 6,5% este ano, após uma queda acumulada de mais de 15% nos cinco anos anteriores. Cada apagão que se segue não é apenas uma interrupção de energia — é um sintoma de um colapso económico em curso, onde a falta de combustível e a infraestrutura deteriorada se reforçam mutuamente, deixando a população e as empresas numa situação cada vez mais insustentável.
Notable Quotes
A situação do Sistema Elétrico Nacional da ilha é grave, crítica e extremamente tensa— Governo cubano
O bloqueio petrolífero dos EUA é considerado pelas Nações Unidas contrário ao direito internacional— Nações Unidas