Cruz Vermelha de São Miguel apresenta ambição de expansão com centro de dia aprovado

A Cruz Vermelha é o ativo mais valioso quando há gente disposta a dar o seu tempo
O presidente da delegação de São Miguel enfatiza o papel central do voluntariado para expandir os serviços humanitários.

Em São Miguel, a Cruz Vermelha Portuguesa inaugura uma nova liderança com a determinação de transformar uma presença histórica em ação concreta. Com mais de um século de existência nos Açores, a delegação avança agora para um ciclo de expansão — gabinetes médicos, um centro de dia aprovado e um futuro polo de emergência — reconhecendo que a maior rede humanitária do mundo só ganha sentido quando se torna visível para quem dela precisa.

  • A nova Comissão Administrativa tomou posse há apenas uma semana, mas já apresenta um plano de expansão que abrange saúde, apoio social e emergência numa ilha com necessidades crescentes.
  • O centro de dia — candidatura aprovada, instalações vistoriadas — aguarda apenas financiamento, tornando o dinheiro o único obstáculo entre o projeto e a realidade.
  • A resposta de emergência da Cruz Vermelha nos Açores continua centralizada na Ilha Terceira, deixando São Miguel, a mais populosa do arquipélago, sem estrutura própria de socorro.
  • A liderança aposta no voluntariado como motor de tudo, procurando recrutar junto da Universidade dos Açores e de escolas profissionais para dar escala às iniciativas.
  • Parcerias com o Governo Regional, a Câmara de Ponta Delgada e a Direção Nacional são apresentadas como condição indispensável para que a nova dinâmica se concretize.

Há uma semana, a Cruz Vermelha Portuguesa em São Miguel estreou uma nova liderança com um recado direto: a organização quer crescer. O presidente da Comissão Administrativa, que dirige agora uma equipa de cinco pessoas, apresenta um plano que parte de projetos já em curso — estimulação cognitiva em centros de dia apoiados pela Câmara de Ponta Delgada e um serviço de teleassistência para idosos e pessoas isoladas — e avança para iniciativas de maior fôlego.

O primeiro passo concreto é a abertura de gabinetes médicos, já autorizados pela Direção Regional de Saúde, que atenderão não só associados da Cruz Vermelha mas também utentes com acordos com a ADSE e outras entidades. A seguir, e com maior peso simbólico, está o centro de dia: candidatura aprovada pelo Governo Regional, instalações já vistoriadas e consideradas adequadas. Falta apenas o financiamento para arrancar.

A formação profissional em socorros é outro vetor de crescimento, respondendo a uma procura real de farmácias, instituições sociais e entidades que trabalham com populações vulneráveis. O voluntariado surge como o recurso mais estratégico: a liderança já contactou a reitora da Universidade dos Açores e escolas profissionais para alargar a base de colaboradores.

No horizonte mais ambicioso está a criação de um polo de emergência em São Miguel — atualmente toda a resposta de emergência açoriana está centralizada na Terceira. Trazer essa capacidade para a ilha mais populosa do arquipélago seria, nas palavras do presidente, devolver à organização uma das suas funções mais essenciais, numa delegação que existe desde 1918 e conta já com mais de 107 anos de história. Para que tudo isto aconteça, o caminho passa por parcerias sólidas com o Governo Regional, o município e a Direção Nacional — a convicção é que, trabalhando em conjunto, é possível tornar visível em São Miguel aquilo que a Cruz Vermelha representa no mundo.

Há uma semana tomou posse a nova liderança da Cruz Vermelha Portuguesa em São Miguel, e o recado é claro: a organização quer crescer. O presidente da Comissão Administrativa, que agora dirige um grupo de cinco pessoas, apresenta um plano ambicioso para expandir os serviços humanitários na ilha, começando por projetos que já estão em movimento e terminando em iniciativas que ainda dependem de financiamento e parcerias.

A delegação não parte do zero. Há projetos em curso que merecem continuidade — um programa de estimulação cognitiva que funciona em vários centros de dia com apoio da Câmara Municipal de Ponta Delgada, e um serviço de teleassistência que conecta pessoas isoladas e idosos diretamente aos mecanismos de ajuda da organização. Estes trabalhos já têm raízes, e a intenção é mantê-los vivos enquanto se abre espaço para o novo.

O primeiro passo concreto é a inauguração de gabinetes médicos. Já têm autorização da Direção Regional de Saúde, e devem começar a funcionar em breve. Não servirão apenas os associados da Cruz Vermelha — também atenderão pessoas com acordos com a ADSE e outras entidades parceiras. É um movimento que alarga o acesso e, simultaneamente, estabelece a organização como prestadora de cuidados de saúde na região.

Mas o projeto que marca verdadeiramente a ambição desta nova liderança é o centro de dia. A candidatura foi aprovada pelo Governo Regional, as instalações já foram vistoriadas e consideradas adequadas, e agora aguarda-se apenas o financiamento para começar a funcionar. Segundo o presidente, há muita necessidade de centros de dia em São Miguel, e este será uma mudança significativa na visibilidade e no alcance da organização. Não é um projeto teórico — está aprovado, tem espaço, tem condições. Falta apenas o dinheiro chegar.

Paralelo a isto, a Cruz Vermelha quer desenvolver formação profissional em prestação de socorros, em consonância com a coordenadora regional de emergência e a direção nacional. Há mercado para isto — farmácias, instituições de solidariedade social, entidades que trabalham com idosos e crianças precisam de pessoal formado nesta área, e é muitas vezes obrigatório.

O voluntariado é apresentado como o ativo mais valioso da organização. A liderança já conversou com a reitora da Universidade dos Açores e com escolas de formação profissional para recrutar voluntários que permitam alargar as atividades. Sem pessoas dispostas a dar o seu tempo, nenhum destes projetos ganha escala.

E depois há o polo de emergência. Atualmente, toda a resposta de emergência da Cruz Vermelha nos Açores está centralizada na Ilha Terceira. A intenção é expandir para São Miguel, que é a ilha mais populosa do arquipélago e enfrenta riscos específicos. É uma área que marca a história da organização — a Cruz Vermelha Internacional foi fundada em 1865 por Henri Dunant precisamente para apoiar feridos em teatros de guerra. A delegação açoriana existe desde 1918, criada em plena pandemia da gripe pneumónica, e tem agora mais de 107 anos de atividade. Trazer a emergência para São Miguel é, de certa forma, devolver à organização uma das suas funções mais essenciais.

Tudo isto depende de parcerias. O Governo Regional, a Câmara Municipal de Ponta Delgada, a Direção Nacional da Cruz Vermelha, a Câmara do Comércio e Indústria — todos estes atores são necessários. O presidente reconhece que houve uma escassez de recursos no passado, mas está convencido de que, trabalhando em conjunto, conseguirão imprimir uma nova dinâmica. A Cruz Vermelha, lembra, é a maior rede humanitária do mundo, ao lado do Crescente Vermelho. O que falta agora é tornar isto visível em São Miguel.

O voluntariado é um pilar fundamental da Cruz Vermelha em todo o mundo — é, provavelmente, o ativo mais valioso da organização
— Presidente da Comissão Administrativa da Cruz Vermelha de São Miguel
Há muita necessidade de centros de dia em São Miguel, e esta valência vai dar uma visibilidade muito diferente à Cruz Vermelha Portuguesa na região
— Presidente da Comissão Administrativa da Cruz Vermelha de São Miguel
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Porque é que um centro de dia é tão importante para a Cruz Vermelha neste momento?

Model

Porque há muita gente isolada, muitos idosos sem ocupação estruturada durante o dia. Um centro de dia não é só um lugar — é um espaço onde as pessoas se sentem parte de uma comunidade, onde há atividades, estimulação, contacto humano. E para a Cruz Vermelha, é também uma forma de se tornar visível, de mostrar que existe e que faz diferença.

Inventor

Mas a candidatura já está aprovada. O que falta então?

Model

O financiamento. Está tudo pronto — as instalações foram vistoriadas, o projeto foi aprovado pelo Governo Regional — mas sem o dinheiro não se abre a porta. É um passo que depende de decisões que não estão totalmente nas nossas mãos.

Inventor

E o polo de emergência em São Miguel? Porque é que isso é tão urgente?

Model

São Miguel é a ilha mais populosa, tem riscos sísmicos e vulcânicos, e toda a resposta de emergência está na Terceira. Se há um acidente grave, um incêndio, uma catástrofe, a resposta demora. Além disso, a Cruz Vermelha nasceu para isto — para estar presente nas emergências. Não faz sentido não termos capacidade aqui.

Inventor

O voluntariado parece ser a chave para tudo isto funcionar.

Model

É. Sem voluntários, nenhum destes projetos ganha pernas. Por isso estamos a falar com a universidade, com as escolas de formação profissional. Precisamos de pessoas que acreditem na missão e que estejam dispostas a dar o seu tempo.

Inventor

Como é que a Cruz Vermelha se tornou tão invisível em São Miguel?

Model

Houve um período em que havia poucos recursos, pouca estrutura. A organização funcionava, mas de forma muito limitada. Agora queremos mudar isto — com novos projetos, com mais presença, com atividades que as pessoas vejam e sintam.

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