Cronologia revela disparos, fuga e corpo carbonizado em morte de PM na RMF

Raphael Sampaio de Silva, 27 anos, policial militar, foi assassinado com três disparos na cabeça e teve o corpo carbonizado dentro de seu veículo.
Três clarões rápidos nas câmeras, três disparos na cabeça
A perícia forense confirmou que Raphael foi baleado três vezes, coincidindo com os flashes captados pelas câmeras de segurança.
Mark

O que levou você a olhar para câmeras de segurança neste caso?

Mimi

As câmeras contam uma história que as palavras não conseguem esconder. Quando alguém diz que foi sequestrado em um horário, mas a câmera a mostra em outro lugar, vestindo outra roupa, deixando a filha na escola — isso não é coincidência.

Mark

Mas por que Júlia insistiria em trabalhar naquele turno específico se estava planejando um crime?

Mimi

Talvez não fosse planejamento no sentido tradicional. Talvez fosse oportunidade. Ela precisava estar lá, precisava que Raphael saísse do batalhão com ela. Ofereceu dinheiro para trocar de lugar na escala. Isso não é acaso.

Mark

E quanto a Antoneudo? As imagens o mostram atirando?

Mimi

Não diretamente. Mas mostram seu carro, suas impressões digitais dentro dele, ele dirigindo para uma oficina horas depois. Mostram uma queimadura no punho dele. A perícia diz que foram três disparos na cabeça de Raphael. Três clarões nas câmeras. A dinâmica aponta para ele.

Mark

Como alguém vive com ciúme tão intenso que chega a isso?

Mimi

Testemunhas dizem que ele sabia. Que Júlia até mostrou uma foto de Raphael para o próprio marido. E na noite anterior, Raphael disse que ia assumir o relacionamento publicamente. Talvez Antoneudo tenha sentido que estava perdendo o controle.

Mark

E agora? Eles continuam presos?

Mimi

Prisão preventiva sem prazo. Aguardam o Ministério Público decidir se oferece denúncia. Se oferecer, viram réus. Aí vai a julgamento. Mas por enquanto, estão detidos desde aquela madrugada.

  • Raphael Sampaio de Silva, 27 anos, policial militar, baleado três vezes na cabeça e carbonizado em seu Hyundai I30
  • Júlia Natália Girão e Antoneudo Ribeiro Lima indiciados por homicídio qualificado com motivação passional
  • Câmeras rastrearam movimentos dos suspeitos entre 2h19 e 3h32 da madrugada de 11 de agosto em Itaitinga
  • Júlia apresentou versão de sequestro refutada por vídeos que a mostram em liberdade e em oficina horas depois do crime

Raphael foi baleado três vezes na cabeça e teve o corpo queimado; câmeras de segurança rastrearam movimentos dos suspeitos na madrugada do crime. Júlia insistiu para trabalhar no plantão de Raphael e apresentou versão de sequestro refutada por vídeos que a mostram em liberdade durante horário alegado.

Policial militar Júlia Natália Girão e seu marido Antoneudo Ribeiro Lima foram indiciados pelo assassinato do PM Raphael Sampaio, encontrado baleado e carbonizado em Itaitinga. Investigação aponta motivação passional relacionada a relacionamento extraconjugal.

Na madrugada de 11 de agosto, câmeras de segurança espalhadas pela Região Metropolitana de Fortaleza registraram uma sequência de movimentos que terminaria com um policial militar de 27 anos encontrado carbonizado dentro de seu próprio carro. Raphael Sampaio de Silva havia saído do 16º Batalhão da Polícia Militar pouco depois das 2 da manhã, acompanhado por sua colega de turno, a policial militar Júlia Natália Girão. Os dois trabalhavam juntos desde as 16 horas do dia anterior. Naquela madrugada, ambos casados com outras pessoas, mantinham um relacionamento extraconjugal que, segundo a investigação, motivaria o que viria a seguir.

Raphael dirigia um Hyundai I30 branco. Às 2h40, ele chegou à Rua Florêncio Fontenele, no bairro onde Júlia morava com seu marido, Antoneudo Ribeiro Lima. O carro estacionou embaixo de uma árvore e permaneceu parado por 21 minutos. Às 3h02, um Chevrolet Prisma branco se posicionou atrás do veículo de Raphael — o Prisma havia sido comprado por Antoneudo em setembro de 2025. Quatro minutos depois, o Prisma realizou uma manobra de marcha à ré, encostando sua traseira contra a traseira do carro de Raphael. Às 3h06, câmeras captaram três clarões rápidos atrás do veículo branco. Segundo a perícia, Raphael foi atingido por três disparos na cabeça. Tudo ocorreu a cerca de 30 metros da casa de Júlia e Antoneudo.

Os dois carros deixaram o local juntos em direção à BR-116. Às 3h22, o Prisma foi filmado trafegando sozinho a apenas 226 metros do ponto onde o Hyundai I30 de Raphael seria encontrado carbonizado, já no município de Itaitinga. Minutos depois, câmeras registraram o Prisma novamente em movimento, agora com pelo menos dois ocupantes. Às 3h32, o veículo entrou na residência de Júlia e Antoneudo. O corpo de Raphael, queimado, permaneceria no interior do carro abandonado.

A investigação da Polícia Civil apontou Antoneudo como o provável atirador, embora as imagens não permitam vê-lo diretamente descendo do Prisma. A tese se sustenta na dinâmica dos eventos: o veículo comprado por ele, suas impressões papilares encontradas no interior do carro, uma queimadura de segundo grau identificada em seu punho direito três dias após o crime, e a sequência de movimentos rastreados pelas câmeras. Para os investigadores, o conhecimento de Antoneudo sobre o caso entre sua esposa e Raphael — testemunhas relataram que ele tinha "intenso ciúme" dela — fornecia a motivação. Na véspera do homicídio, Raphael havia dito a uma pessoa próxima que planejava assumir publicamente o relacionamento com Júlia, divorciando-se de seu cônjuge.

Júlia Natália foi presa no mesmo dia, ainda em seu depoimento, por contradições em sua versão dos fatos. Ela afirmava ter sido sequestrada por criminosos desconhecidos após Raphael ser baleado, dizendo que havia sido amarrada em um matagal. Mas câmeras de segurança a mostraram circulando livremente durante o horário em que alegava estar amarrada. Às 7h17, ela foi registrada em uma oficina vestindo um vestido rosa — o mesmo que usaria quando foi encontrada horas depois. Não soube explicar quando havia trocado a farda de policial que usava ao sair do batalhão. Às 7h38, ela e Antoneudo foram vistos deixando a filha na escola. Uma testemunha relatou ainda que Júlia havia insistido para trabalhar no plantão de Raphael naqueles dias, oferecendo até R$ 50 para outra agente trocar de lugar com ela na escala — ela não estava originalmente escalada para aquele serviço.

A Polícia Civil descreveu Júlia como um "agente ativo" no crime. Segundo o inquérito, ela buscou trabalhar exatamente no plantão de Raphael, deixou o batalhão em sua companhia, o acompanhou até as proximidades de sua própria residência, e após os acontecimentos do homicídio, apareceu novamente vinculada a Antoneudo. Sua conduta anterior e, sobretudo, sua atuação posterior coordenada com o marido e a apresentação de uma versão incompatível com os registros de câmeras constituem, para os investigadores, elementos relevantes de participação na ação criminosa.

Antoneudo foi preso mais tarde naquele mesmo dia, encontrado com documentos falsos e munições. No dia 13 de agosto, ambos passaram por audiência de custódia e a Justiça decretou prisão preventiva sem prazo determinado para os dois. O casal foi indiciado por homicídio qualificado, por recurso que dificultou a defesa da vítima, e por motivo torpe — relacionado ao contexto do relacionamento extraconjugal e ciúme. O caso agora segue para análise do Ministério Público do Ceará, que decidirá se oferecerá denúncia formal. Se aceita pela Justiça, Júlia Natália e Antoneudo Ribeiro Lima se tornarão réus e irão a julgamento.

Sua conduta antecedente e, sobretudo, a atuação posterior coordenada com Antoneudo e a apresentação de versão incompatível com os registros objetivos constituem elementos relevantes de adesão à empreitada investigada
— Inquérito policial da Polícia Civil
A análise integrada dos elementos informativos produzidos no curso da investigação permite formular a hipótese de que Antoneudo Ribeiro Lima Júnior possa ter sido o agente que efetuou os disparos de arma de fogo contra Raphael Sampaio da Silva
— Investigadores da Polícia Civil
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