Ministro André Mendonça afastou preventivamente Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, por 90 dias, alegando monitoramento ilegal da corporação. Pesquisa Quaest mostra desaprovação do governo em 50%, enquanto Lula e Flávio estão numericamente empatados no segundo turno com 41% cada.
Crise na PF e tensões no STF pressionam campanha de Lula em meio à desaprovação crescente
Lula e Flávio estão numericamente empatados no segundo turno
Por que a decisão de Mendonça sobre Andrei Rodrigues importa tanto agora, neste momento específico?
Porque Andrei é um homem de confiança de Lula, está na PF desde 2023, e seu afastamento cria uma descontinuidade na gestão em plena campanha. Mas o timing é o que realmente incomoda — Mendonça foi indicado por Bolsonaro e está tomando decisões que parecem favorecer Flávio eleitoralmente.
Mas isso é interpretação dos aliados de Lula, certo? A decisão de Mendonça tem uma justificativa formal — monitoramento ilegal. Não sabemos se essa justificativa é sólida ou não.
E quanto aos números? Como Lula e Flávio podem estar empatados se Lula é o presidente?
A desaprovação do governo subiu para 50%, e isso reflete em tudo. Lula tem 41%, Flávio tem 41%. Há uma semana Lula tinha 42%. É uma queda pequena em números absolutos, mas em um empate técnico, qualquer movimento importa.
Importante notar que são pesquisas diferentes em momentos diferentes. A Quaest mostrou essa piora, mas a campanha interna de Lula indicava números melhores. Não sabemos qual é mais confiável.
Os aliados de Lula acham que Mendonça está tentando blindar Bolsonaro. Há evidência disso?
O caso Dark Horse, que envolveria Flávio, está parado sob a relatoria de Mendonça. E agora Mendonça está atacando Moraes, que foi quem condenou Bolsonaro. O padrão é sugestivo.
Sugestivo, sim, mas não é prova. Mendonça pode estar agindo por razões institucionais legítimas. O que sabemos é que ele alegou monitoramento ilegal — se isso for verdade, a decisão dele tem fundamento independente de política eleitoral.
Então o que Lula pode fazer agora?
A AGU pediu ao Fachin que suspenda a decisão. Se conseguir, Andrei volta. Se não conseguir, a campanha terá que lidar com essa crise enquanto tenta melhorar a aprovação do governo.
E há 25 dias para o primeiro turno. Tempo curto para reverter uma tendência de desaprovação crescente.
Il Polso
- Ministro André Mendonça afastou Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, por 90 dias
- Desaprovação do governo Lula subiu para 50% em pesquisa Quaest
- Lula e Flávio Bolsonaro estão empatados com 41% cada no segundo turno
- Primeiro turno ocorre em 25 dias
Ministro André Mendonça afastou preventivamente Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, por 90 dias, alegando monitoramento ilegal da corporação. Pesquisa Quaest mostra desaprovação do governo em 50%, enquanto Lula e Flávio estão numericamente empatados no segundo turno com 41% cada.
Afastamento do diretor da PF por ordem do STF ocorre em meio à desaprovação crescente do governo Lula e empate eleitoral com Flávio Bolsonaro, 25 dias antes do primeiro turno.
A uma semana do primeiro turno das eleições presidenciais, o governo Lula enfrenta uma convergência de crises que ameaça sua campanha à reeleição. Na terça-feira, o ministro André Mendonça do Supremo Tribunal Federal determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, por 90 dias. Mendonça alegou ter sido alvo de monitoramento sistemático e ilegal pela corporação durante mais de 30 dias. Com a decisão, William Marcel Murad, diretor-executivo da PF, assumiu temporariamente o comando da instituição.
O timing da decisão intensificou as tensões já presentes no Supremo. Mendonça havia proferido, na semana anterior, decisões no caso Master envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, elevando ainda mais o clima de confronto na Corte. O governo federal respondeu com urgência: por meio da Advocacia-Geral da União, solicitou ao presidente do STF, Edson Fachin, que suspendesse a decisão de Mendonça. O argumento central era que o afastamento viola a prerrogativa constitucional privativa do presidente da República para prover e desprover cargos de direção da PF. A AGU também alertou que a descontinuidade abrupta na gestão compromete o funcionamento das atividades de polícia judiciária e gera risco de desorganização institucional.
Andrei Rodrigues, que comanda a PF desde 2023, é considerado um homem de confiança de Lula. Chegou a integrar diversas comitivas presidenciais em viagens internacionais. Sua saída, mesmo que temporária, representa um golpe simbólico e prático para a administração em um momento crítico. Interlocutores do presidente interpretam as decisões recentes de Mendonça — indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro — como movidas por cálculos eleitorais. A avaliação é que o ministro tenta blindar a família Bolsonaro e favorecer Flávio Bolsonaro na corrida presidencial, especialmente porque o caso Dark Horse, que mostrou proximidade entre Vorcaro e Flávio, não tem evoluído sob a relatoria de Mendonça.
Moraes, por sua vez, foi o relator dos processos relacionados à trama golpista e aos ataques de 8 de janeiro, que condenaram e levaram à prisão de Jair Bolsonaro e aliados. É visto como o grande inimigo da direita bolsonarista e associado por eleitores como uma figura próxima ao presidente Lula. As tensões no STF, portanto, carregam peso eleitoral direto.
Essas crises institucionais ocorrem em contexto de deterioração dos números do governo. A pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira mostrou que 50% dos eleitores desaprovam o governo Lula, enquanto 43% aprovam. Sete por cento não souberam ou não responderam. Uma semana antes, a desaprovação era de 48% contra 45% de aprovação — uma piora de quatro pontos percentuais em apenas cinco dias. A diferença entre desaprovação e aprovação saltou de três para sete pontos.
Mais preocupante ainda para a campanha: Lula e Flávio Bolsonaro estão numericamente empatados no segundo turno, ambos com 41% das intenções de voto. Na pesquisa anterior, Lula tinha 42% enquanto Flávio somava 41%. O empate técnico em um momento em que o presidente deveria estar consolidando sua vantagem acendeu alertas no núcleo político. Lula reuniu-se com integrantes da campanha na terça-feira, no Palácio da Alvorada, para avaliar estratégias de reação. Há insatisfação com os números e preocupação de que as revelações envolvendo o caso Master contaminem ainda mais a disputa presidencial.
A equipe de campanha havia indicado, em pesquisas internas de acompanhamento, uma percepção mais favorável sobre o desempenho de Lula do que a apontada pelo levantamento da Quaest. Agora, a campanha enfrenta o desafio de reagir positivamente junto aos eleitores enquanto tenta impedir que as crises institucionais no STF prejudiquem seus planos de levar Lula a chefiar o Planalto pela quarta vez. Com 25 dias para o primeiro turno, o tempo é curto e a margem de manobra, cada vez menor.
Citazioni salienti
O afastamento cautelar viola frontalmente a prerrogativa constitucional privativa do presidente da República para prover e desprover cargos de direção da PF— Advocacia-Geral da União, em petição ao STF