Portugal atravessa um momento de tensão epidemiológica familiar: os números de infecções por covid-19 voltaram a escalar, atingindo em novembro um patamar que não se via desde setembro, enquanto os hospitais, paradoxalmente, registam menos internamentos do que antes. Este contraste entre a subida de casos e a relativa estabilidade hospitalar revela tanto os efeitos da vacinação como a complexidade de uma pandemia que ainda não encontrou o seu fim. A Europa, alerta a OMS, volta a ser o epicentro — e Portugal, com o seu R(t) acima de 1, não é exceção.
Covid-19: Portugal regista 1382 casos, valor mais alto em quase dois meses
Cada pessoa infectada transmite o vírus a mais de uma outra pessoa
Como é que Portugal consegue ter mais casos mas menos pessoas internadas? Isso não parece lógico.
Faz sentido quando se pensa na vacinação. Muitas das pessoas infectadas agora têm protecção prévia — ou pela vacina, ou por infecção anterior — portanto a doença é menos grave. Mas o número absoluto de casos ainda sobe porque o vírus circula mais.
E esses 14 mil idosos que se auto-agendaram para a vacina da gripe junto com a terceira dose? Isso é muito pouco, não é?
É extraordinariamente pouco. Estamos a falar de 2% de 700 mil pessoas. Significa que a maioria dos idosos — o grupo que mais precisa — não está a responder aos convites por SMS nem consegue navegar o portal de auto-agendamento.
A OMS diz que 95% de uso de máscaras salvaria 188 mil vidas. Isso parece um número muito específico.
É. Mas revela o cálculo frio: em muitos países europeus, as máscaras desapareceram da vida quotidiana. Reintroduzi-las em massa seria politicamente difícil, mas epidemiologicamente seria poderoso.
Lisboa concentra 40% dos casos. Há algo específico a acontecer lá?
Não está claro no boletim, mas Lisboa é o maior centro urbano, com mais densidade populacional e movimento. Naturalmente, o vírus circula mais onde há mais pessoas.
Il Polso
- Portugal registou 1382 novos casos de covid-19 num único dia, o valor mais alto em quase dois meses, sinalizando uma aceleração que já não pode ser ignorada.
- Lisboa e Vale do Tejo concentra quase 40% das novas infecções, revelando uma distribuição geográfica desigual do surto pelo território nacional.
- Apesar do aumento de casos, os internamentos desceram para 357 — um sinal contraditório que sugere que a vacinação está a proteger os mais vulneráveis de formas graves da doença.
- A campanha de vacinação simultânea contra covid-19 e gripe avança a passo lento: apenas 14 mil dos 700 mil idosos com mais de 80 anos se auto-agendaram, uma adesão de apenas 2%.
- A OMS avisa que a Europa está num novo ponto crítico e que o uso generalizado de máscaras poderia salvar até 188 mil vidas até fevereiro de 2022.
Portugal atravessa um momento de tensão epidemiológica familiar: os números de infecções por covid-19 voltaram a escalar, atingindo em novembro um patamar que não se via desde setembro, enquanto os hospitais, paradoxalmente, registam menos internamentos do que antes. Este contraste entre a subida de casos e a relativa estabilidade hospitalar revela tanto os efeitos da vacinação como a complexidade de uma pandemia que ainda não encontrou o seu fim. A Europa, alerta a OMS, volta a ser o epicentro — e Portugal, com o seu R(t) acima de 1, não é exceção.
Na quarta-feira, Portugal ultrapassou um limiar que não atingia há quase dois meses: 1382 novos casos de covid-19 num único dia. A última vez que o país registara números desta magnitude foi a 9 de setembro, com 1408 infecções. Entretanto, o cenário mudou de forma significativa — enquanto os casos sobem, os internamentos descem, um sinal contraditório que revela a complexidade do momento.
Os dados da Direção-Geral da Saúde referem-se ao dia 3 de novembro, quando Portugal contava 32.480 casos ativos — bem abaixo dos mais de 39 mil registados no mesmo período de setembro. Quatro pessoas morreram: duas mulheres com mais de 80 anos e dois idosos entre os 70 e 79 anos, todas as mortes concentradas em Lisboa e Vale do Tejo. Os internamentos totalizavam 357 pessoas, menos 27 do que no dia anterior, enquanto 73 estavam em cuidados intensivos.
A distribuição geográfica é desigual: Lisboa e Vale do Tejo concentrou 544 das novas infecções, quase 40% do total nacional. A incidência subiu para 104,3 casos por 100 mil habitantes e o R(t) atingiu 1,03, significando que cada pessoa infetada transmite o vírus a mais de uma outra.
A campanha de vacinação simultânea contra covid-19 e gripe avança a ritmo preocupante. De 700 mil pessoas com mais de 80 anos em Portugal, apenas 14 mil se auto-agendaram — uma adesão de 2% no grupo mais vulnerável e prioritário.
A OMS alertou que a Europa está num novo ponto crítico, voltando a ser o epicentro da pandemia tal como um ano antes. Hans Kluge apontou o abandono do uso de máscara e a recusa à vacinação como fatores explicativos para a subida de casos, sublinhando que uma taxa de uso de máscaras de 95% poderia salvar até 188 mil vidas até fevereiro de 2022.
Portugal ultrapassou na quarta-feira um marco que não atingia há quase dois meses: 1382 novos casos de covid-19 registados num único dia. A última vez que o país havia visto números desta magnitude foi a 9 de Setembro, quando foram notificados 1408 casos. Nesse intervalo, o cenário epidemiológico mudou de forma significativa. Enquanto o número de infecções diárias agora sobe, o peso nos hospitais desceu — um sinal contraditório que revela a complexidade do momento atual.
Os dados divulgados pela Direcção-Geral da Saúde na quinta-feira dizem respeito ao dia 3 de Novembro. Nessa altura, Portugal tinha 32.480 casos activos de infecção no território nacional. Para comparação, no mesmo período de Setembro, esse número ultrapassava os 39 mil. Quatro pessoas morreram — duas mulheres com mais de 80 anos e dois idosos entre os 70 e 79 anos. Todas as mortes foram registadas na região de Lisboa e Vale do Tejo.
O padrão de crescimento começou em Outubro, mas durante semanas manteve-se abaixo do limiar psicológico das mil infecções diárias. Na quarta-feira anterior, 3 de Novembro, esse limite foi finalmente ultrapassado: 1074 casos e nove mortes. Os internamentos, porém, contam uma história diferente. Havia 357 pessoas hospitalizadas com covid-19 — menos 27 do que no dia anterior — enquanto 73 estavam em unidades de cuidados intensivos, um aumento de seis.
A distribuição geográfica do surto é desigual. Lisboa e Vale do Tejo concentrou 544 das 1382 infecções, quase 40% do total nacional. A região Norte registou 338 casos; o Centro, 337; o Algarve, 76; a Madeira, 35; o Alentejo, 32; e os Açores, 20. Os indicadores epidemiológicos refletem a aceleração: a incidência subiu para 104,3 casos por cada 100 mil habitantes, enquanto o índice de transmissibilidade — o R(t) — atingiu 1,03 a nível nacional, significando que cada pessoa infectada transmite o vírus a mais de uma outra pessoa.
A campanha de vacinação simultânea contra covid-19 e gripe, que começou há quase quatro semanas, está a decorrer a ritmo lento entre a população idosa. De um universo de 700 mil pessoas com mais de 80 anos em Portugal, apenas 14 mil auto-agendaram-se para receber ambas as vacinas. Essa adesão de 2% revela uma dificuldade em mobilizar o grupo etário mais vulnerável, apesar de ser o prioritário nesta fase da campanha.
A Organização Mundial da Saúde alertou na quinta-feira que a situação na Europa é "muito preocupante". Hans Kluge, director regional da OMS para a Europa, descreveu o momento como um novo ponto crítico, lembrando que o continente está novamente no epicentro da pandemia, tal como um ano antes. A diferença, segundo Kluge, é que agora existem mais ferramentas e conhecimento disponíveis. O responsável apontou o alívio das medidas de restrição — incluindo o abandono do uso de máscara em muitos contextos — e a percentagem de pessoas que recusam vacinação como factores explicativos para o aumento recente de casos. Segundo a OMS, uma taxa de uso de máscaras de 95% na Europa e Ásia Central poderia salvar até 188 mil vidas até Fevereiro de 2022.
Citazioni salienti
Estamos noutro ponto crítico para a eclosão da pandemia. A Europa está mais uma vez no epicentro da pandemia, onde estávamos há um ano.— Hans Kluge, director regional da OMS para a Europa
Uma taxa de uso de máscaras de 95% na Europa e na Ásia Central permitirá salvar até 188 mil vidas até Fevereiro de 2022.— Organização Mundial da Saúde