No Rio de Janeiro, o governador Ricardo Couto assinou um decreto que mantém Ciência e Tecnologia sob o guarda-chuva do Desenvolvimento Econômico — agora ampliado para incluir Energia e Economia do Mar —, mas reafirmou, diante de reitores de universidades estaduais, que a incorporação é passageira. A promessa de recriar uma secretaria própria para a área revela a tensão permanente entre as urgências da gestão e o peso simbólico que uma sociedade atribui ao conhecimento como valor em si mesmo. O episódio convida à reflexão sobre o lugar que o Estado reserva à ciência quando a organiza ao lado de
Couto reafirma recriação de pasta própria para Ciência e Tecnologia
Não é uma questão gerencial, mas uma escolha sobre qual o peso que o estado dá à ciência
Por que o governador mantém a Ciência e Tecnologia no Desenvolvimento Econômico se prometeu criar uma secretaria própria?
Porque a decisão é tratada como temporária. O governo está discutindo com reitores e pesquisadores o formato da futura pasta. A publicação no Diário Oficial formaliza a estrutura atual, mas não encerra o processo.
Mas qual é a diferença entre "temporário" e "indefinido"? Não há prazo anunciado, não há data para a recriação. Isso pode virar permanente.
E por que isso importa tanto? Não é só uma questão de organograma?
Não. Quando Ciência e Tecnologia fica dentro de uma secretaria de desenvolvimento econômico, a lógica muda. Passa a ser vista como ferramenta de economia, não como produção de conhecimento em si.
A deputada Dani Balbi disse exatamente isso. Mas vale notar que ela é do PCdoB, então há uma dimensão política na crítica também.
E quem pode assumir essa futura secretaria?
O reitor da UFF, Antonio Claudio Lucas da Nóbrega, é o nome mais cotado nos bastidores. Mas nada está formalizado ainda.
Isso também é especulação. Pode mudar. O que sabemos é que o governo está conversando com a comunidade acadêmica, mas a deputada reclamou que não houve diálogo prévio antes da publicação do decreto.
Então há uma desconexão entre o que o governo diz estar fazendo e o que a comunidade científica sente que está acontecendo.
Exatamente. O governo fala em compromisso e diálogo, mas a decisão foi publicada sem consulta prévia. Isso alimenta desconfiança.
O Pulso
- Um decreto publicado no Diário Oficial consolidou Ciência, Tecnologia e Inovação dentro da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, ao lado de Energia e Economia do Mar, gerando apreensão na comunidade acadêmica fluminense.
- Reitores de universidades estaduais foram recebidos pelo governador Couto na véspera da publicação, e saíram com a promessa de que a fusão é temporária e que uma secretaria própria será recriada em breve.
- Nos bastidores, o nome do reitor da UFF, Antonio Claudio Lucas da Nóbrega, circula como favorito para comandar a futura pasta, embora nenhuma escolha tenha sido formalizada.
- A deputada estadual Dani Balbi, do PCdoB e vice-presidente da Comissão de C&T da Alerj, criticou a decisão e cobrou diálogo prévio com universidades, institutos de pesquisa e a Faperj antes de mudanças que afetam o setor.
- O governo insiste que a medida não representa abandono do compromisso com a ciência, mas a ausência de consulta prévia deixou um rastro de desconfiança que precisará ser administrado nas próximas semanas.
No Rio de Janeiro, o governador Ricardo Couto assinou um decreto que mantém Ciência e Tecnologia sob o guarda-chuva do Desenvolvimento Econômico — agora ampliado para incluir Energia e Economia do Mar —, mas reafirmou, diante de reitores de universidades estaduais, que a incorporação é passageira. A promessa de recriar uma secretaria própria para a área revela a tensão permanente entre as urgências da gestão e o peso simbólico que uma sociedade atribui ao conhecimento como valor em si mesmo. O episódio convida à reflexão sobre o lugar que o Estado reserva à ciência quando a organiza ao lado de interesses econômicos imediatos.
O governador Ricardo Couto publicou nesta quinta-feira um decreto que mantém Ciência e Tecnologia integrada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico — agora expandida para abarcar também Energia e Economia do Mar. A decisão, porém, vem acompanhada de uma promessa reafirmada na véspera, em reunião com reitores de universidades estaduais: a área ganhará uma secretaria própria em breve, e a situação atual é tratada pelo governo como provisória.
Nos bastidores da política estadual, o reitor da Universidade Federal Fluminense, Antonio Claudio Lucas da Nóbrega, é apontado como nome forte para liderar a futura pasta. A definição, no entanto, ainda depende da reestruturação que o governo promete conduzir em diálogo com a comunidade científica e acadêmica.
A publicação no Diário Oficial, contudo, não passou sem críticas. A deputada estadual Dani Balbi, vice-presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia da Alerj e filiada ao PCdoB, lamentou que a área continue subordinada a uma secretaria de perfil econômico e questionou o que essa escolha diz sobre a prioridade que o estado atribui à produção de conhecimento. Mais do que a estrutura em si, Balbi criticou a ausência de consulta prévia a universidades, institutos de pesquisa e à Faperj — instituições que deveriam, segundo ela, ter sido ouvidas antes de decisões que afetam o planejamento e a autonomia do setor científico.
O episódio expõe uma tensão que vai além do organograma: de um lado, um governo que garante manter o compromisso com a ciência enquanto reorganiza sua máquina administrativa; de outro, uma comunidade acadêmica e parlamentar que cobra não apenas promessas, mas participação real nas decisões que moldam o futuro da pesquisa no Rio de Janeiro.
O governador Ricardo Couto publicou nesta quinta-feira um decreto que mantém a Ciência e Tecnologia integrada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, mas a decisão vem acompanhada de uma promessa que ele reafirmou em reunião com reitores de universidades estaduais na quarta-feira: a área receberá uma secretaria própria em breve. O novo desenho administrativo, divulgado no Diário Oficial, ampliou a Secretaria de Desenvolvimento Econômico para incorporar também Energia e Economia do Mar, mantendo Ciência, Tecnologia e Inovação sob a mesma estrutura.
O governo trata a permanência atual como provisória. Segundo o entendimento que circula nos bastidores, a manutenção da pasta científica no Desenvolvimento Econômico não significa abandono do compromisso de separá-la novamente. Couto já havia prometido essa recriação, e agora reafirmou o compromisso diante dos reitores. O governo está em diálogo com a comunidade científica e acadêmica para definir o formato da futura secretaria.
Nos corredores do poder estadual, o nome do reitor da Universidade Federal Fluminense, Antonio Claudio Lucas da Nóbrega, é mencionado como possível ocupante da nova secretaria. A escolha ainda não foi formalizada e deve ser definida junto com a reestruturação da pasta.
A decisão publicada no Diário Oficial gerou críticas na Assembleia Legislativa. A deputada estadual Dani Balbi, vice-presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia da Alerj e filiada ao PCdoB, lamentou a manutenção da área dentro de uma secretaria de perfil econômico. Para ela, não se trata apenas de uma questão gerencial, mas de uma escolha sobre o peso que o estado do Rio de Janeiro atribui à produção de conhecimento. Balbi também criticou o que chamou de falta de diálogo prévio com a comunidade científica. Segundo a deputada, universidades, institutos de pesquisa e a Faperj deveriam ter sido consultados antes de decisões que afetam o planejamento e a autonomia do setor.
A reforma administrativa que gerou essa reconfiguração já estava em discussão há algum tempo, e a incorporação de novas áreas à Secretaria de Desenvolvimento Econômico reflete uma visão do governo sobre como organizar essas políticas. Mas a reação da comunidade acadêmica e de setores da legislatura estadual deixa claro que há preocupação com o que essa estrutura pode significar para a prioridade dada à ciência e tecnologia no estado.
Citações Notáveis
Recebo com preocupação a manutenção da Ciência e Tecnologia dentro de uma secretaria de perfil econômico. Não é uma questão gerencial, mas uma escolha sobre qual o peso que o estado do RJ dá à produção de conhecimento— Deputada estadual Dani Balbi (PCdoB)