Corpo de cozinheira desaparecida é encontrado; patroa permanece presa

Cozinheira de 60 anos foi morta e seu corpo abandonado em mata de difícil acesso, deixando família enlutada.
Sangue é prova. Sangue é corpo. Sangue é morte.
O luminol revelou vestígios biológicos na caminhonete, transformando contradições em evidência forense.
Mark

Por que a história da patroa mudou tantas vezes?

Mimi

Porque ela sabia que havia câmeras e radares. Quando percebeu que seria rastreada, tentou contar uma versão que parecesse inocente. Mas a tecnologia não mente.

Mark

E o sangue no carro — isso foi decisivo?

Mimi

Foi o ponto de virada. Até então havia contradições, havia mentiras. Mas sangue é prova. Sangue é corpo. Sangue é morte.

Mark

Como o filho conseguiu identificar a mãe?

Mimi

Por uma tatuagem de borboleta. Depois de três semanas em uma mata, preso a uma árvore, o corpo estava irreconhecível. Mas uma tatuagem permanece. Aquele pequeno desenho era a última coisa que restava dela.

Mark

A patroa tentou se livrar de provas?

Mimi

Sim. Arremessou um celular na mata durante a abordagem. Removeu as placas do carro. Fez reparos no veículo. Cada ação dela era um gesto de alguém tentando apagar o que havia feito.

Mark

O que a família de Berenice sabe agora que não sabia antes?

Mimi

Que sua mãe não saiu daquele carro viva. Que aquela rescisão amigável nunca foi sobre dinheiro. Que a patroa que ela servia tinha armas e tinha raiva o suficiente para usá-las.

  • Uma cozinheira de 60 anos desaparece após pedir rescisão do contrato, e a versão da patroa sobre tê-la deixado em um ponto de ônibus começa a desmoronar diante de câmeras e radares que contam outra história.
  • A caminhonete preta de Eliane percorreu quilômetros em direção ao Rio de Janeiro enquanto ela afirmava o contrário — e chegou de volta com marcas de reparos compatíveis com disparos de arma de fogo.
  • No momento da prisão, Eliane tentou arremessar um celular na mata; o luminol confirmou sangue no banco do carona, e cães farejadores já haviam apontado o veículo como cena de crime.
  • Equipes de elite percorreram 93 quilômetros de mata entre Ubatuba e Angra dos Reis até encontrar o corpo em área íngreme, retirado com técnicas de rapel pelos bombeiros.
  • O filho de Berenice reconheceu a mãe pela fotografia de uma tatuagem de borboleta — e a investigação que mobilizou dois estados chega a um ponto de virada com a patroa presa e novo depoimento previsto para a próxima semana.

No litoral entre São Paulo e Rio de Janeiro, o desaparecimento de uma cozinheira de 60 anos revelou, em três semanas, os contornos de um crime que começou como um conflito trabalhista e terminou em uma mata de difícil acesso em Angra dos Reis. Berenice Ramos de Aguiar queria apenas encerrar seu contrato e voltar para casa. O corpo encontrado preso a uma árvore, identificado pela tatuagem de uma borboleta, encerrou a busca — mas não as perguntas sobre o que aconteceu naquele dia.

Berenice Ramos de Aguiar tinha 60 anos, trabalhava há cerca de quatro meses em um restaurante em Ubatuba e queria voltar para Igaratá, onde tinha família. Ela pediu uma rescisão amigável à patroa, Eliane Alves dos Santos, de 46 anos. No final de junho, desapareceu.

Eliane gravou um áudio para o filho de Berenice dizendo que havia pago o acerto trabalhista e deixado a cozinheira em um ponto de ônibus na Praia das Toninhas. Mas funcionários do restaurante relataram desentendimentos anteriores entre as duas, e a história não se sustentou. A Polícia Civil de São Sebastião encontrou contradições: Eliane mudou a versão sobre onde havia deixado Berenice, e câmeras de segurança mostraram sua caminhonete preta seguindo em direção a Paraty, retornando horas depois.

A operação 'Último Rastro' culminou na prisão da empresária. No momento da abordagem, ela tentou se desfazer de um celular, arremessando-o na mata. O veículo foi encontrado sem placas, com marcas de reparos compatíveis com disparos. Cães farejadores e o reagente luminol confirmaram a presença de sangue no banco do carona.

Com base no trajeto da caminhonete, as equipes delimitaram uma área de busca de 93 quilômetros entre Ubatuba e Angra dos Reis. O corpo foi localizado em terreno íngreme, preso a uma árvore, e precisou ser retirado com rapel. O filho de Berenice a reconheceu pela fotografia de uma tatuagem de borboleta. A Polícia Civil confirmou a identidade na manhã de 18 de julho.

Eliane permanece presa e deve prestar novo depoimento em Caraguatatuba na próxima semana. Sua defesa aguarda acesso integral ao processo antes de se manifestar. O que exatamente aconteceu naquele dia ainda não foi respondido.

Uma cozinheira de 60 anos desapareceu no final de junho em Ubatuba, no litoral norte de São Paulo. Seu nome era Berenice Ramos de Aguiar. Ela trabalhava há cerca de quatro meses em um restaurante e morava numa casa próxima ao estabelecimento. Seu patrão era uma empresária chamada Eliane Alves dos Santos, de 46 anos. Berenice havia decidido sair do emprego e voltar para Igaratá, onde tinha família. Ela buscava uma rescisão amigável do contrato.

No início das buscas, Eliane gravou um áudio para o filho de Berenice, José Carlos de Faria. Disse que havia pagado R$ 2,6 mil como acerto trabalhista e deixado a cozinheira em um ponto de ônibus, na Praia das Toninhas, de onde ela seguiria sozinha. Mas funcionários do restaurante contaram à polícia que havia desentendimentos anteriores entre as duas, episódios de agressão. A história não fechava.

A Polícia Civil de São Sebastião começou a investigar e rapidamente encontrou contradições. Eliane primeiro disse que havia deixado Berenice nas Toninhas, depois mudou a versão e afirmou ter deixado a idosa no trevo de Ubatumirim. Câmeras de segurança e registros de radares mostraram algo diferente: a caminhonete preta de Eliane seguiu em direção a Paraty, no Rio de Janeiro, pela Rodovia Rio-Santos, retornando apenas horas depois. Ela havia mentido sobre seu trajeto.

A polícia deflagrou a operação "Último Rastro". No momento da abordagem, Eliane tentou se desfazer de um celular, arremessando-o na mata. Na casa dela foram apreendidas três armas de fogo registradas e dois celulares. A caminhonete foi encontrada sem placas e com marcas de reparos recentes que eram compatíveis com danos de disparos de arma de fogo. O veículo contava uma história que Eliane não queria contar.

Cães farejadores da Polícia Militar apontaram a presença de sangue no interior da caminhonete na sexta-feira, 17 de julho. Peritos utilizaram luminol, um reagente químico que revela vestígios de material biológico. A substância confirmou o que os cães haviam detectado, com maior concentração encontrada no banco do carona. Com base no trajeto do veículo, a polícia delimitou uma área de busca de aproximadamente 93 quilômetros entre Ubatuba e Angra dos Reis. Equipes do Batalhão de Ações Especiais de Polícia e da Polícia Ambiental concentraram os trabalhos em regiões de difícil acesso.

O corpo foi encontrado em uma área íngreme, preso a uma árvore. O Corpo de Bombeiros precisou usar técnicas de rapel para retirar o cadáver. O filho de Berenice realizou um reconhecimento inicial por meio de uma fotografia de uma tatuagem de borboleta que sua mãe possuía. A Polícia Civil confirmou na manhã de sábado, 18 de julho, que o corpo era de fato da cozinheira. Berenice havia desaparecido no final de junho. Seu corpo foi encontrado três semanas depois, em uma mata do Rio de Janeiro.

Eliane Alves dos Santos permanece presa. Ela deve ser ouvida novamente pelos investigadores no início da semana seguinte, em Caraguatatuba. A defesa da empresária afirmou que só se manifestará após ter acesso integral ao processo. A investigação que mobilizou as polícias de São Paulo e do Rio de Janeiro chegou a um ponto de virada, mas as perguntas sobre o que exatamente aconteceu naquele dia permanecem em aberto.

Eliane afirmou ao filho de Berenice que havia pago R$ 2,6 mil como acerto trabalhista e deixado a funcionária em um ponto de ônibus
— Eliane Alves dos Santos, em áudio gravado nos primeiros dias das buscas
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