Em meio a uma economia ainda marcada pela incerteza pandêmica, o varejo alimentar brasileiro encontrou alento nos primeiros cinco meses de 2021: o consumo nos lares cresceu 5,32%, sustentado por transferências de renda do governo e pelo 13º salário dos aposentados. Mais do que um número, esse resultado revela como políticas de suporte à renda podem reacender o ciclo entre emprego, consumo e confiança — ao menos enquanto os estímulos persistem.
Consumo em supermercados cresce 5,32% nos primeiros meses de 2021
O investimento que gera emprego volta para o próprio setor
Por que o crescimento de 5,32% importa? Parece um número técnico.
Porque representa pessoas reais comprando comida. Em 2020, o país estava em crise. Esse crescimento diz que as famílias tinham dinheiro na mão — auxílio, 13º — e estavam gastando.
Mas isso não é apenas redistribuição de renda que já existia?
Parcialmente. Mas o timing importa. Auxílio e 13º chegaram juntos em maio. Criou um pico de demanda que as redes viram e responderam abrindo lojas e contratando.
E essas 30 mil contratações — são empregos de verdade ou temporários?
A fonte não especifica. Mas o fato de abrirem 24 lojas novas sugere que esperavam que a demanda durasse. Não abrem loja para três meses.
O decreto de prorrogação muda a história?
Muda o final. Sem ele, o consumo teria caído em junho. Com a prorrogação, mantém o estímulo. É a diferença entre recuperação e queda.
Então o setor estava apostando que o governo continuaria?
Tinha que apostar. Abrir loja é aposta de longo prazo. Contratou 30 mil pessoas. Não faz isso sem acreditar que o dinheiro continua chegando.
The Pulse
- O consumo em supermercados acelerou 5,32% entre janeiro e maio de 2021, superando em quase três pontos percentuais o mesmo período do ano anterior, sinalizando uma recuperação mais robusta do que o esperado.
- Dois impulsos simultâneos — o auxílio emergencial para trabalhadores informais e a primeira parcela do 13º salário dos aposentados — chegaram ao mercado no mesmo intervalo, amplificando o efeito sobre as compras de alimentos e produtos básicos.
- O setor respondeu com expansão: mais de 30 mil novos postos de trabalho foram criados e 24 novas lojas inauguradas, evidenciando que as redes apostaram na continuidade da demanda.
- O vice-presidente da Abras destacou o ciclo de retroalimentação em curso — cada novo empregado contratado torna-se também consumidor, reforçando a demanda que justificou sua própria contratação.
- Com o auxílio emergencial prestes a expirar, o presidente Bolsonaro assinou sua prorrogação por três meses, mantendo os repasses entre R$ 150 e R$ 375 e preservando o principal motor do crescimento observado.
Em meio a uma economia ainda marcada pela incerteza pandêmica, o varejo alimentar brasileiro encontrou alento nos primeiros cinco meses de 2021: o consumo nos lares cresceu 5,32%, sustentado por transferências de renda do governo e pelo 13º salário dos aposentados. Mais do que um número, esse resultado revela como políticas de suporte à renda podem reacender o ciclo entre emprego, consumo e confiança — ao menos enquanto os estímulos persistem.
Entre janeiro e maio de 2021, o varejo alimentar brasileiro registrou crescimento de 5,32% no consumo dos lares, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras). O resultado superou o mesmo período de 2020 em quase três pontos percentuais — um sinal claro de recuperação no setor.
Dois fatores explicam o desempenho. O auxílio emergencial, voltado a trabalhadores informais e desempregados, injetou renda em famílias vulneráveis. Ao mesmo tempo, aposentados e pensionistas do INSS receberam a primeira parcela do 13º salário em meados de maio. A coincidência das duas medidas criou um efeito combinado sobre as compras de alimentos e itens essenciais.
O aquecimento da demanda se traduziu em expansão concreta: as redes abriram 30.883 novos postos de trabalho no período e inauguraram 24 lojas entre abril e maio. Para Marcio Milan, vice-presidente institucional da Abras, o mecanismo é virtuoso — cada novo empregado passa a consumir no próprio setor que o contratou, realimentando o ciclo de crescimento.
No início de julho, o presidente Jair Bolsonaro assinou decreto prorrogando o auxílio emergencial por mais três meses, com valores mantidos entre R$ 150 e R$ 375. A decisão sinalizou que o governo pretendia sustentar o estímulo ao consumo além do prazo original, preservando o principal combustível do crescimento registrado no primeiro semestre.
Entre janeiro e maio de 2021, os brasileiros aumentaram seus gastos em supermercados de forma consistente. A Associação Brasileira de Supermercados registrou crescimento de 5,32% no consumo durante esse período, medido pelo Índice Nacional de Consumo dos Lares Brasileiros. O resultado superou o desempenho do mesmo intervalo no ano anterior em 2,88 pontos percentuais — uma diferença significativa que sinalizava recuperação no varejo alimentar.
Dois fatores principais explicavam esse movimento. O governo federal havia liberado o auxílio emergencial, transferência de renda destinada a trabalhadores informais e desempregados. Além disso, em meados de maio, aposentados e pensionistas do INSS receberam a primeira parcela do 13º salário, injetando poder de compra adicional nas mãos dos consumidores. Ambas as medidas chegaram ao mercado no mesmo período, criando um efeito combinado sobre o consumo de alimentos e produtos básicos.
O setor não apenas registrou maior movimento nas gôndolas. Entre janeiro e maio de 2021, as redes de supermercados abriram 30.883 novos postos de trabalho, contratando funcionários para atender à demanda crescente. Entre abril e maio especificamente, foram inauguradas 24 novas lojas, expandindo a presença do varejo alimentar no país. Esses números refletiam confiança das empresas na continuidade do consumo.
Marcio Milan, vice-presidente institucional da Abras, explicou o ciclo virtuoso em operação. Quando empresas investem em novos empregos, esse investimento retorna ao próprio setor — os novos funcionários contratados passam a gastar parte de seus salários com alimentação para suas famílias, alimentando a demanda que justificou as contratações em primeiro lugar. Era um mecanismo de realimentação que beneficiava tanto empregadores quanto trabalhadores.
No final daquela semana de julho, o presidente Jair Bolsonaro assinou decreto prorrogando o auxílio emergencial por três meses adicionais. O benefício, que estava previsto para encerrar naquele mês, teria continuidade. Os valores permaneceriam entre R$ 150 e R$ 375 por beneficiário, mantendo o poder de compra que havia impulsionado o crescimento observado nos primeiros meses do ano. A decisão sinalizava que o governo pretendia sustentar o estímulo ao consumo por mais tempo.
Notable Quotes
O investimento que gera emprego acaba voltando para o próprio setor. Os novos funcionários também passam a aplicar parte de sua renda na alimentação da família— Marcio Milan, vice-presidente institucional da Abras