O que antes era visto como enfermidade da maturidade avança silenciosamente sobre gerações mais jovens, impulsionado por dietas industrializadas e corpos cada vez mais sedentários. As hemorroidas — estruturas vasculares naturais do corpo humano — tornam-se doença quando o intestino é maltratado por hábitos modernos. A proctologista Suzana Bernardo, do Hospital Jayme da Fonte, lança um alerta que vai além do desconforto físico: é um convite à revisão de como vivemos e do que colocamos no prato.
Consumo de ultraprocessados aumenta risco de hemorroidas, alerta proctologista
Sangramento nunca é normal e requer avaliação médica imediata
Por que a doença está aparecendo em pessoas mais jovens agora?
O padrão de consumo mudou drasticamente. Alimentos ultraprocessados, que são pobres em fibras e ricos em sódio, combinados com vidas cada vez mais sedentárias, criam o cenário perfeito para constipação. Quando o intestino não funciona bem, o esforço ao evacuar aumenta, e isso danifica os vasos sanguíneos da região anal.
Então o mito das superfícies quentes é completamente infundado?
Totalmente. É um desses mitos que persiste porque soa plausível, mas não tem base fisiológica. A hemorroida é um problema mecânico e vascular, não algo que você "pega" do ambiente. O que importa é o que você come, quanto você se move e como seu intestino responde.
Se alguém começa a sentir os sintomas, o que deve fazer primeiro?
Procurar um médico imediatamente. Sangramento nunca é normal, e coceira ou inchaço persistente também não. Um proctologista consegue diagnosticar rapidamente e orientar o tratamento adequado. Mas em paralelo, a pessoa precisa começar a mudar seus hábitos — mais água, mais fibra, mais movimento.
A prevenção é realmente tão simples quanto parece?
É simples em teoria, mas exige disciplina. Exercício regular, alimentação balanceada com fibras, hidratação adequada — nada disso é complicado. O desafio é manter a consistência, especialmente quando a vida moderna nos puxa para o sedentarismo e a comida ultraprocessada.
El Pulso
- O perfil dos pacientes com hemorroidas está envelhecendo ao contrário — cada vez mais jovens chegam aos consultórios com sintomas que antes eram raridade antes dos 45 anos.
- O consumo de ultraprocessados alimenta a constipação crônica, que por sua vez pressiona as veias da região anal até o ponto de ruptura e sangramento.
- Mitos populares — como o de que sentar em superfícies frias ou quentes causa a doença — desviam as pessoas do verdadeiro culpado: o sedentarismo e a má alimentação.
- Sangramento anal nunca deve ser normalizado; ignorá-lo pode atrasar diagnósticos e agravar um quadro que, tratado cedo, tem solução simples.
- A saída está em mudanças acessíveis: mais fibras, mais água, mais movimento — e menos tempo imóvel no banheiro com o celular na mão.
O que antes era visto como enfermidade da maturidade avança silenciosamente sobre gerações mais jovens, impulsionado por dietas industrializadas e corpos cada vez mais sedentários. As hemorroidas — estruturas vasculares naturais do corpo humano — tornam-se doença quando o intestino é maltratado por hábitos modernos. A proctologista Suzana Bernardo, do Hospital Jayme da Fonte, lança um alerta que vai além do desconforto físico: é um convite à revisão de como vivemos e do que colocamos no prato.
As hemorroidas são estruturas vasculares naturais da região anal que, em condições normais, se dilatam e contraem sem causar problemas. O trouble começa quando a constipação crônica ou fezes endurecidas forçam esforços repetidos para evacuar, comprometendo a circulação local. A doença pode se manifestar internamente, acima do esfíncter, ou externamente, semelhante a varizes na borda do ânus.
A proctologista Suzana Bernardo, do Hospital Jayme da Fonte, alerta que, embora a doença hemorroidária afete principalmente pessoas entre 45 e 65 anos, esse quadro está mudando. O aumento do consumo de ultraprocessados e o crescimento da constipação entre jovens estão tornando a condição cada vez mais comum em idades menores. Os sintomas — inchaço, dor, coceira e sangramento — exigem avaliação médica imediata, especialmente o sangramento, que jamais deve ser tratado como algo banal.
Um mito resistente precisa ser desfeito: sentar em superfícies quentes ou frias não causa hemorroidas. O que realmente provoca a doença é a combinação de sedentarismo, longos períodos imóvel no banheiro — muitas vezes usando o celular —, baixa ingestão de água e alimentação pobre em fibras. A especialista reforça ainda que hemorroida é uma doença benigna e não contagiosa.
A prevenção é simples, mas exige consistência: exercício físico regular, dieta rica em fibras e hidratação adequada são os pilares para um intestino saudável. Para quem já apresenta sintomas, a orientação é buscar ajuda médica sem demora e, ao mesmo tempo, rever os hábitos diários que podem estar na raiz do problema.
As hemorroidas são estruturas vasculares que se localizam na região anal e retal, dilatando-se e contraindo-se naturalmente conforme o intestino funciona. Na maioria das vezes, retornam ao seu tamanho normal sem maiores consequências. Mas quando uma pessoa enfrenta constipação crônica ou fezes endurecidas, o esforço repetido para evacuar compromete a drenagem do sangue nessa região, e a doença se instala. Ela pode ser interna, acima do esfíncter anal e potencialmente mais problemática, ou externa, semelhante a varizes que aparecem na borda do ânus.
Suzana Bernardo, proctologista do Hospital Jayme da Fonte, observa que a doença hemorroidária afeta predominantemente pessoas entre 45 e 65 anos, embora o cenário esteja mudando. Os sintomas clássicos incluem inchaço recorrente, dor, sangramento e coceira intensa na região anal. Qualquer um desses sinais merece atenção médica imediata — sangramento, em particular, nunca deve ser ignorado como algo normal.
O que chama atenção na prática clínica atual é a mudança no perfil dos pacientes. Bernardo aponta que o consumo crescente de alimentos ultraprocessados, combinado com o aumento da constipação em pessoas mais jovens, está tornando a doença hemorroidária cada vez mais frequente. Não é mais um problema exclusivo de idosos. A especialista é clara: a doença é caracterizada pelo inchaço recorrente acompanhado de dor e sangramento, e esse padrão está se repetindo em idades cada vez menores.
Um equívoco persistente na população é a crença de que sentar em superfícies quentes ou frias causa hemorroidas. Bernardo desmente categoricamente essa noção. O que realmente provoca a doença é a constipação, os longos períodos imóvel no vaso sanitário — frequentemente enquanto se usa o celular —, a ingestão inadequada de água e, acima de tudo, o sedentarismo. A especialista reforça que hemorroida é uma doença benigna e não contagiosa, portanto não há risco de contaminação ao compartilhar superfícies com alguém que tenha a condição.
A prevenção passa por mudanças simples mas consistentes no estilo de vida. Exercício físico regular, alimentação equilibrada e rica em fibras, e aumento significativo da ingestão de água são os pilares. Essas práticas favorecem o funcionamento equilibrado do intestino, reduzem o esforço necessário para evacuar, diminuem a pressão na região anal e, consequentemente, afastam o risco de hemorroidas. Para quem já enfrenta os sintomas, a orientação é a mesma: procurar ajuda médica rapidamente e, em paralelo, revisar os hábitos diários em busca de uma rotina mais saudável.
Citas Notables
Atualmente, com o aumento do consumo de alimentos ultraprocessados e da constipação em pacientes jovens, isso tem se tornado cada vez mais frequente— Suzana Bernardo, proctologista do Hospital Jayme da Fonte
O que causa hemorroida é constipação, são longos períodos sentado no vaso sanitário utilizando o celular, baixa ingestão hídrica e principalmente o sedentarismo— Suzana Bernardo