Consumo de energia elétrica sobe 3,8% em abril; residencial cresce 8,7%

Todas as regiões puxavam para cima, mas o residencial liderava
Enquanto o consumo nacional cresceu 3,8% em abril, o setor residencial disparou com 8,7%, revertendo meses de queda.
Mark

Por que o consumo residencial cresceu tanto — 8,7% — quando a indústria cresceu apenas 1,4%?

Mimi

Principalmente pelo calor. Ondas de calor em abril fizeram as pessoas ligarem ar-condicionado muito mais. Mas tem também um fator técnico: o ciclo de faturamento de algumas distribuidoras pode ter concentrado consumo naquele mês.

Luke

Espera — o ciclo de faturamento é uma explicação que a EPE oferece, mas ela não quantifica quanto disso é realmente ciclo e quanto é clima. Esses números são misturados.

Mark

E o mercado livre? Por que cresceu mais rápido em número de consumidores do que em consumo total?

Mimi

Porque são consumidores grandes migrando. Quando uma fábrica muda para o mercado livre, ela já consumia bastante — então o número de consumidores sobe 22,5%, mas o consumo total sobe apenas 4,5%. São os mesmos gigawatts-hora, só que em outro mercado.

Luke

Certo, mas a EPE não diz quanto desse crescimento de 4,5% no mercado livre é migração de clientes antigos versus crescimento real de demanda. São números agregados.

Mark

E os setores que caíram — metalurgia e papel e celulose — por que recuaram?

Mimi

A EPE não explica. Pode ser desempenho econômico fraco nesses setores, pode ser redução de produção, pode ser eficiência. Não sabemos.

Luke

Exatamente. A EPE diz que o resultado comercial reflete desempenho da economia, mas não oferece dados de atividade econômica para sustentar isso. É uma interpretação, não uma conclusão.

Mark

Então o que realmente sabemos?

Mimi

Sabemos os números de consumo por região, por setor, por tipo de mercado. Sabemos que todas as regiões cresceram. Sabemos que o residencial cresceu muito e o industrial pouco.

Luke

E sabemos que há previsão de mais migrações, mas não sabemos se o mercado livre vai continuar crescendo nesse ritmo ou se vai estabilizar.

  • Após dois meses de retração, o consumo de energia elétrica voltou a crescer em todas as cinco regiões do Brasil, com o Norte liderando a expansão com 7,6%.
  • O setor residencial registrou o maior salto — 8,7% — desde junho de 2024, impulsionado por ondas de calor que intensificaram o uso de ar-condicionado em todo o país.
  • O comércio bateu recorde histórico mensal com crescimento de 5,6%, o maior valor desde o início da série histórica em 2004, refletindo aquecimento da atividade econômica.
  • A indústria avançou de forma mais discreta, com alta de 1,4%, mas 22 dos 37 setores monitorados aumentaram consumo, sinalizando recuperação ampla, ainda que desigual.
  • O mercado livre de energia acelera sua transformação: já responde por 44,9% do consumo nacional, com 22,5% mais consumidores do que um ano atrás e previsão de 10 mil novas migrações em 2026.

Em abril de 2026, o Brasil registrou um aumento de 3,8% no consumo de energia elétrica em relação ao mesmo mês do ano anterior, totalizando 49.591 gigawatts-hora — uma reversão após dois meses consecutivos de queda. O calor intenso que varreu o território nacional empurrou residências e comércios a consumir mais, enquanto a economia em movimento alimentava fábricas e escritórios. O dado não é apenas estatístico: revela um país que cresce em apetite energético e, ao mesmo tempo, se reorganiza na forma como compra e distribui sua eletricidade.

Em abril, o Brasil consumiu 49.591 gigawatts-hora de energia elétrica — 3,8% a mais do que no mesmo mês de 2025, revertendo duas quedas consecutivas. Todas as regiões puxaram para cima: o Norte liderou com expansão de 7,6%, seguido pelo Nordeste (4,9%), Sudeste (3,3%), Sul (2,9%) e Centro-Oeste (1,6%). A Empresa de Pesquisa Energética divulgou os números, que desenham um país com demanda crescente por eletricidade.

O setor residencial foi o grande protagonista. Com 16.153 gigawatts-hora consumidos, o crescimento de 8,7% foi o maior desde junho de 2024. O calor intenso e as ondas de temperatura elevada que atingiram grande parte do território nacional explicam boa parte do salto, com o uso de ar-condicionado e equipamentos de climatização em alta. O comércio também surpreendeu: com 9.584 gigawatts-hora e expansão de 5,6%, atingiu o maior valor mensal desde que a EPE começou a registrar a série, em 2004 — resultado interpretado como reflexo direto do aquecimento da economia e favorecido pela bandeira tarifária verde, que não cobra adicional nas contas de luz.

A indústria cresceu de forma mais contida, com alta de 1,4%, mas o movimento interno foi expressivo: 22 dos 37 setores monitorados aumentaram consumo. A extração de minerais metálicos liderou com 7,4%, e fabricação de alimentos, borracha, plástico e automóveis também avançaram. Apenas metalurgia e papel e celulose recuaram.

No plano estrutural, o mercado livre de energia seguiu sua expansão silenciosa. Responsável por 44,9% do consumo nacional, cresceu 4,5% em volume e 22,5% em número de consumidores. Desde janeiro de 2024, mais de 47 mil consumidores migraram para esse modelo, e a Agência Nacional de Energia Elétrica prevê outros 10 mil em 2026. O Brasil não apenas consome mais energia — está mudando a forma como a negocia.

Em abril, o Brasil consumiu 49.591 gigawatts-hora de energia elétrica, um aumento de 3,8% em relação ao mesmo mês do ano anterior. O dado marca uma reversão: nos dois meses que precederam abril, o consumo havia caído. Agora, todas as cinco regiões do país puxavam para cima. O Norte liderava com expansão de 7,6%, seguido pelo Nordeste com 4,9%, o Sudeste com 3,3%, o Sul com 2,9% e o Centro-Oeste com 1,6%. A Empresa de Pesquisa Energética divulgou os números, que revelam um país com fome crescente de eletricidade.

O setor residencial foi o grande destaque. As casas e apartamentos consumiram 16.153 gigawatts-hora em abril, um salto de 8,7% ante o mesmo período de 2025. Era a maior taxa de crescimento que a EPE havia registrado desde junho de 2024. A explicação mais óbvia apontava para o clima: temperaturas elevadas e ondas de calor em grande parte do território nacional intensificaram o uso de ar-condicionado e outros equipamentos de climatização. Havia também um fator técnico — o ciclo de faturamento de algumas distribuidoras pode ter concentrado consumo no período.

O comércio também acelerou. Lojas, escritórios e estabelecimentos de serviços consumiram 9.584 gigawatts-hora, crescimento de 5,6% na comparação anual. Era o maior valor mensal desde que a EPE começou a registrar a série em 2004. A instituição interpretava o resultado como reflexo do desempenho da economia: mais atividade econômica, mais consumo de energia. As temperaturas altas e a bandeira tarifária verde — que não cobra adicional nas contas de luz — também contribuíram para o resultado.

A indústria cresceu de forma mais modesta. O consumo industrial subiu 1,4%, chegando a 16.905 gigawatts-hora. Mas dentro desse agregado havia movimento. De 37 setores monitorados pela EPE, 22 aumentaram consumo. Entre os dez mais intensivos em eletricidade, oito cresceram. A extração de minerais metálicos liderou com alta de 7,4%, adicionando 95 gigawatts-hora. A fabricação de alimentos cresceu 4,6%, somando 107 gigawatts-hora. Produtos de borracha e plástico subiram 3,4%, automóveis 2,8%, têxteis 2,3%, minerais não-metálicos 1,4%, metal 1,2% e química 0,4%. Apenas dois setores recuaram: metalurgia caiu 1,0% (perdendo 42 gigawatts-hora) e papel e celulose recuou 2,4% (perdendo 21 gigawatts-hora).

O mercado livre de energia continuava sua expansão. Esse segmento, onde grandes consumidores negociam diretamente com geradores, respondeu por 44,9% do consumo nacional total — 22.261 gigawatts-hora, crescimento de 4,5% ante abril de 2025. Mais importante: o número de consumidores nesse mercado cresceu 22,5% no período. O mercado regulado, operado pelas distribuidoras tradicionais, respondeu pelos 55,1% restantes, com 27.331 gigawatts-hora e crescimento de 3,1%, enquanto o número de consumidores cresceu apenas 1,7%.

Esse descompasso revelava uma transformação em curso. Desde janeiro de 2024, quando o mercado livre abriu para todos os consumidores do grupo A (alta tensão), mais de 47 mil consumidores migraram. A Agência Nacional de Energia Elétrica previa que outros 10 mil fariam o mesmo em 2026. O mercado de energia no Brasil estava se reorganizando, com consumidores maiores buscando autonomia nas suas compras de eletricidade enquanto o país como um todo consumia mais luz.

O desempenho pode ter sido influenciado pelas temperaturas mais elevadas em parte significativa do País e pela ocorrência de onda de calor, fatores que podem ter intensificado o uso de equipamentos de climatização
— Empresa de Pesquisa Energética (EPE)
O resultado reflete dados do desempenho da atividade econômica
— EPE, sobre o crescimento do setor comercial
Möchten Sie die ganze Geschichte? Das Original lesen bei Diario Do Grande Abc ↗
Kontakt FAQ