Consenso internacional redefine tratamento com Ozempic e Mounjaro: proteína e musculação em foco

Pacientes em risco de desnutrição, queda de cabelo, fadiga e aumento de risco de quedas e fraturas, especialmente idosos, se não mantiverem adequada ingestão proteica e exercício.
Pouco adianta reduzir a balança à custa de desnutrição e fraqueza
Especialista explica por que a qualidade da perda de peso importa mais que o número na balança.
Mark

Por que o consenso precisou destacar a musculação de forma tão específica? Não era óbvio que exercício faz bem?

Mimi

Não era óbvio que exercício faz bem, mas era óbvio que qualquer exercício servia. O consenso descobriu que quando você toma esses medicamentos, seu corpo perde músculo de forma acelerada. Cardio não vai impedir isso. Só força muscular preserva o que você está perdendo.

Mark

E a proteína? Por que não é suficiente apenas comer mais?

Mimi

Porque o medicamento reduz o apetite. Você tem menos fome justamente quando precisa comer mais proteína. É uma contradição biológica. Por isso o consenso precisou dar um número específico — para que o paciente não confie apenas no apetite.

Mark

Qual é o risco real de não seguir essas recomendações?

Mimi

Você emagrece, mas fica frágil. Queda de cabelo, cansaço constante, risco maior de quedas e fraturas. Em idosos, isso pode ser devastador. Você saiu do consultório mais leve, mas menos capaz de viver.

Mark

E quando o paciente decide parar? Isso é simples?

Mimi

Não. O consenso diz que precisa ser uma decisão compartilhada. Você pode parar porque atingiu o peso certo, ou porque o medicamento está causando problemas demais, ou porque já perdeu peso suficiente e mais perda deixa de fazer sentido. Mas existem sinais de alerta — se você está comendo menos de 800 calorias por dia, algo está errado.

Mark

Então o consenso está dizendo que emagrecer não é o único objetivo?

Mimi

Exatamente. Emagrecer é um meio, não um fim. O fim é estar saudável. Se você emagrece mas fica desnutrido e fraco, não ganhou nada.

  • Usuários de Ozempic e Mounjaro perdem massa muscular junto com gordura, criando um risco silencioso de fragilidade, fadiga e desnutrição, especialmente em idosos.
  • O apetite reduzido pelos medicamentos dificulta justamente o que mais importa nesse momento: consumir proteína suficiente para proteger os músculos.
  • Pela primeira vez, o treinamento de força deixa de ser recomendação secundária e passa a ser peça obrigatória do tratamento, ao lado da ingestão de 1 a 1,5g de proteína por quilo de peso ajustado.
  • O consenso estabelece sinais de alerta claros — náuseas persistentes, perda de peso acelerada e ingestão abaixo de 800 calorias por período prolongado — que exigem reavaliação imediata.
  • A decisão de pausar ou reduzir o tratamento passa a ser compartilhada entre médico e paciente, orientada não pelo número na balança, mas pela qualidade real da composição corporal e do bem-estar.

Em julho de 2026, um consenso internacional publicado no The Lancet Diabetes & Endocrinology redefiniu os parâmetros do tratamento com medicamentos como Ozempic e Mounjaro, reconhecendo que a balança nunca contou a história completa. O documento, elaborado por entidades europeias especializadas em obesidade, eleva proteína e musculação ao centro da estratégia terapêutica, respondendo a uma verdade incômoda: emagrecer sem preservar o músculo pode deixar o paciente mais leve, porém mais frágil. É uma virada filosófica no cuidado com o corpo — do peso como fim, para a saúde como destino.

Um consenso internacional publicado em julho na revista The Lancet Diabetes & Endocrinology está mudando a forma como médicos e pacientes devem encarar o tratamento com Ozempic, Wegovy e Mounjaro. Elaborado por três entidades europeias especializadas em obesidade, o documento traz uma virada fundamental: o sucesso do tratamento não pode mais ser medido apenas pelo número na balança.

O problema é concreto. Quem usa esses medicamentos para emagrecer perde não só gordura, mas também massa muscular — o que significa que uma pessoa pode terminar o tratamento mais leve, porém mais fraca e nutricionalmente comprometida. Diante disso, o consenso eleva dois elementos ao centro da estratégia: proteína e musculação.

A recomendação proteica é específica: entre 1 e 1,5 grama por quilo de peso ajustado, com mínimo de 60 gramas diárias. O desafio é que os medicamentos reduzem o apetite justamente quando a ingestão proteica é mais crítica, acelerando a perda muscular em quem come menos sem perceber. Suplementos podem ser necessários, sempre com avaliação individual.

A musculação aparece, pela primeira vez, não como atividade complementar, mas como parte obrigatória do plano. Rodrigo Lamounier, diretor da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade, resume o risco de ignorar esse cuidado: pouco adianta reduzir o peso à custa de cansaço, queda de cabelo e, nos mais vulneráveis, aumento do risco de quedas e fraturas.

O consenso também orienta sobre quando reavaliar ou pausar o tratamento — decisão que deve ser compartilhada entre médico e paciente. Sinais de alerta incluem náuseas persistentes, perda de peso muito rápida e ingestão abaixo de 800 calorias por período prolongado. O recado central é claro: o objetivo não é apenas ficar mais leve, mas ficar melhor — e isso exige que proteína, musculação e acompanhamento médico caminhem juntos.

Um consenso internacional publicado em julho na revista The Lancet Diabetes & Endocrinology está redefinindo como médicos e pacientes devem pensar sobre o tratamento com medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro. O documento, elaborado por três entidades europeias especializadas em obesidade, traz uma mudança fundamental: o sucesso do tratamento não pode mais ser medido apenas pelo número na balança.

O problema que motivou essa reavaliação é bem concreto. Quando alguém usa esses agonistas de GLP-1 para emagrecer, perde não apenas gordura, mas também massa muscular. Parte significativa do peso eliminado corresponde a essa perda de tecido magro, o que significa que uma pessoa pode sair do tratamento mais leve, mas também mais fraca e nutricionalmente comprometida. Essa realidade levou o consenso a elevar dois elementos — proteína e musculação — de recomendações secundárias para o centro da estratégia terapêutica.

A recomendação sobre proteína é específica: entre 1 e 1,5 grama por quilo de peso ajustado, com um mínimo de 60 gramas distribuídas ao longo do dia. Quando a alimentação não consegue atingir essa meta, suplementos podem ser necessários, sempre após avaliação individual. O desafio prático é que esses medicamentos reduzem o apetite justamente no momento em que a ingestão proteica é mais crítica. Com menos fome, muitos pacientes naturalmente consomem menos proteína, acelerando a perda muscular.

A musculação, pela primeira vez, aparece não como uma atividade complementar, mas como peça central do tratamento. O consenso é preciso: não se trata de qualquer atividade física, mas especificamente de exercícios de força que estimulem a produção muscular. Isso não impede que o paciente combine diferentes tipos de exercício, mas garante que o treinamento de força seja parte obrigatória do plano. Rodrigo Lamounier, diretor da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica, explica que o objetivo é que o paciente perca peso mantendo a qualidade da composição corporal — o que realmente garante saúde. Ele ressalta que a perda muscular, especialmente em idosos, pode ter consequências graves: "Pouco adianta reduzir o número na balança à custa de uma piora nutricional, de cansaço, de queda de cabelo intensa ou da incapacidade de se exercitar e viver bem — e, nos mais vulneráveis, do aumento do risco de quedas e fraturas."

O consenso também enfrenta uma pergunta que muitos pacientes fazem: quando parar? A resposta é que a decisão deve ser compartilhada entre médico e paciente, pesando benefícios e riscos. O documento lista sinais que exigem reavaliação: náuseas e vômitos persistentes, dificuldade em manter boa hidratação, perda de peso muito rápida, incapacidade de ingerir nutrientes suficientes e indícios de desnutrição. Um cenário merece atenção especial: quando a ingestão alimentar fica abaixo de 800 calorias por dia por um período prolongado.

A pausa ou redução pode ser apropriada em várias situações. Um paciente pode ter atingido uma meta de peso adequada. Outro pode estar com tolerância tão prejudicada que a adesão ao tratamento está comprometida — nesse caso, reduzir a dose ajuda a manter o tratamento funcionando. Há também decisões de bom senso, como no caso de um idoso cuja perda de peso já alcançou um patamar razoável e para quem emagrecer mais deixa de ser desejável ou seguro. O que o consenso deixa claro é que o objetivo não é apenas ficar mais leve, mas ficar melhor — e isso exige que proteína, musculação e acompanhamento médico caminhem juntos.

Pouco adianta reduzir o número na balança à custa de uma piora nutricional, de cansaço, de queda de cabelo intensa ou da incapacidade de se exercitar e viver bem — e, nos mais vulneráveis, do aumento do risco de quedas e fraturas
— Rodrigo Lamounier, diretor da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica
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