Conheça as formas de prevenção contra as hepatites virais

Aproximadamente 1,3 milhão de pessoas morrem anualmente por hepatite viral no mundo, com cerca de 3.500 óbitos diários causados por hepatite B e C.
Infecções silenciosas que avançam sem avisar
A maioria das hepatites virais não apresenta sintomas no início, permitindo que a doença prograda desapercebida.

A cada 28 de julho, o mundo é convidado a olhar para um inimigo silencioso: as hepatites virais, cinco formas de infecção que inflamam o fígado e, com o tempo, comprometem o coração e a vida inteira de quem as carrega sem saber. A Organização Mundial da Saúde contabiliza 1,3 milhão de mortes anuais por essa causa — número comparável ao da tuberculose —, e a maioria dessas vidas se perde sem que o portador tenha recebido sequer um aviso do próprio corpo. Neste dia instituído em homenagem ao Nobel Baruch Blumberg, a mensagem que persiste é ao mesmo tempo sombria e esperançosa: a doença é evitável, a vacina é gratuita, e o conhecimento, quando circula, salva.

  • Cerca de 3.500 pessoas morrem todos os dias por hepatite B e C — infecções que, na maioria dos casos, avançam sem qualquer sintoma perceptível.
  • A inflamação crônica causada pelas hepatites não fica restrita ao fígado: ela endurece artérias, aumenta o risco de AVC e infarto, transformando uma doença 'hepática' em uma ameaça cardiovascular.
  • O silêncio da doença é sua arma mais perigosa — milhões de pessoas transmitem o vírus sem saber que o carregam, enquanto o dano interno se acumula por anos.
  • No Brasil, a vacinação gratuita contra hepatite A e B pelo SUS existe, mas ainda não alcança todos que precisam — a lacuna entre o recurso disponível e o seu uso é onde vidas se perdem.
  • Especialistas apontam que higiene, uso de preservativos e cuidado com instrumentos que tocam sangue são barreiras simples capazes de interromper cadeias inteiras de transmissão.

Todo ano, no dia 28 de julho, o mundo para — ou deveria parar — para encarar as hepatites virais. A data foi escolhida pela OMS em 2010 para homenagear o nascimento do Dr. Baruch Blumberg, Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1976, cujas pesquisas lançaram luz sobre essas infecções que ainda hoje matam 1,3 milhão de pessoas por ano — tanto quanto a tuberculose.

As hepatites existem em cinco tipos (A, B, C, D e E) e todas atacam o fígado. Mas o cardiologista Dr. Rizzieri Gomes alerta que o dano vai além: a inflamação crônica endurece as artérias num processo chamado aterosclerose, elevando drasticamente o risco de AVC e infarto. A doença remodela o corpo inteiro, não apenas o fígado.

O que torna a situação ainda mais grave é o silêncio. Na maioria dos casos, as hepatites virais não apresentam sintomas no início. Quando surgem — mal-estar, cansaço, urina escura, amarelamento dos olhos —, a infecção já avançou. Enquanto isso, o portador pode ter transmitido o vírus a outros sem saber. Das mortes anuais, 83% são causadas pela hepatite B e 17% pela C, somando cerca de 3.500 óbitos diários.

A boa notícia é que a prevenção está ao alcance. No Brasil, a vacinação contra hepatite A e B é gratuita no SUS. Beber água filtrada, lavar bem os alimentos, usar preservativos e higienizar corretamente alicates de cutícula e outros instrumentos que podem ter contato com sangue são medidas simples e eficazes. O desafio, agora, é garantir que esse conhecimento chegue a quem ainda não o tem — e que ninguém morra de uma doença tão evitável.

Nesta segunda-feira, 28 de julho, marca-se mais um Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais — uma data instituída em 2010 pela Organização Mundial da Saúde para ampliar a consciência sobre doenças que permanecem, em grande medida, invisíveis. A escolha do dia homenageia o nascimento do Dr. Baruch Blumberg, cientista e microbiologista americano que, em 1976, recebeu o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina por suas contribuições ao entendimento dessas infecções.

As hepatites virais existem em cinco formas — A, B, C, D e E — e todas atacam o fígado, causando inflamações crônicas que podem se estender muito além desse órgão. O que muitos desconhecem é que essas inflamações prolongadas danificam também o coração. Segundo o cardiologista Dr. Rizzieri Gomes, o órgão sofre com o endurecimento das artérias, processo chamado aterosclerose, que reduz o fluxo sanguíneo e aumenta significativamente o risco de acidente vascular cerebral ou infarto agudo do miocárdio. A doença, portanto, não é apenas uma questão hepática — ela remodela o corpo inteiro.

Os números globais são alarmantes. A Organização Mundial da Saúde registra 1,3 milhão de mortes anuais causadas por hepatites virais, colocando essas infecções no mesmo patamar da tuberculose como uma das principais causas infecciosas de morte no mundo. Desse total devastador, 83% das mortes vêm da hepatite B e 17% da hepatite C. Diariamente, aproximadamente 3.500 pessoas morrem em decorrência dessas duas infecções especificamente. O que torna a situação ainda mais grave é que, na maioria dos casos, as hepatites virais não apresentam sintomas no início — são infecções silenciosas que avançam sem avisar.

Quando os sintomas aparecem, eles incluem mal-estar, cansaço, enjoos, vômitos, tontura, febre e dor abdominal. Sinais mais específicos surgem com a progressão: urina escura, fezes claras e amarelamento dos olhos. Mas muitas pessoas nunca experimentam esses avisos. Vivem com o vírus sem saber, transmitindo-o a outros, enquanto a inflamação trabalha silenciosamente dentro delas.

A prevenção, felizmente, é acessível. Dr. Rizzieri Gomes aponta que a vacinação contra hepatite A e B é gratuita no Sistema Único de Saúde brasileiro — um recurso que deveria ser amplamente utilizado. Além da vacinação, a proteção passa por hábitos simples: beber água filtrada, lavar bem as mãos e os alimentos, usar preservativos durante relações sexuais (a hepatite B transmite-se dessa forma), e ter cuidado extremo ao lidar com materiais de higiene pessoal. Alicates de cutícula e outros instrumentos que podem ter contato com sangue precisam ser higienizados corretamente — são vetores potenciais para a hepatite C.

No Brasil, os tipos mais comuns são A, B e C. A hepatite D é mais frequente na América do Norte, enquanto a hepatite E concentra-se na África e Ásia. A Organização Mundial da Saúde aponta que aumentar a vacinação infantil contra hepatite B, prevenir a transmissão de mãe para filho, garantir a segurança de injeções, reduzir danos, ampliar testes e diagnóstico, e oferecer tratamento adequado são caminhos para a erradicação. O desafio agora é transformar esse conhecimento em ação — garantir que as vacinas cheguem a quem precisa, que a informação sobre prevenção circule, e que ninguém morra de uma doença tão evitável.

Como as hepatites são inflamações crônicas, o organismo passa por uma série de inflamações em diferentes órgãos. O coração, por exemplo, sofre com o endurecimento das artérias, dificultando o fluxo sanguíneo e acarretando aumento das chances de AVC ou infarto agudo do miocárdio.
— Dr. Rizzieri Gomes, cardiologista
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que uma data específica para as hepatites virais? Parecem doenças que não recebem tanta atenção quanto outras infecções.

Model

Exatamente por isso. As hepatites são silenciosas — a maioria das pessoas não sente nada no início. Escolher um dia para falar sobre elas é uma forma de quebrar esse silêncio, de lembrar que 1,3 milhão de pessoas morrem todo ano por causa delas.

Inventor

E por que escolheram justamente 28 de julho?

Model

É o aniversário do Dr. Baruch Blumberg, um cientista que ganhou o Prêmio Nobel por seu trabalho com hepatites. A data homenageia tanto o homem quanto a importância da pesquisa científica nessa área.

Inventor

Você mencionou que as hepatites afetam o coração. Como isso funciona?

Model

A inflamação crônica causada pelo vírus danifica as artérias, endurecendo-as — é a aterosclerose. Quando as artérias endurecem, o sangue não flui bem, e aí aumenta o risco de AVC ou infarto. A doença não fica confinada ao fígado.

Inventor

Se a maioria não tem sintomas, como as pessoas descobrem que têm hepatite?

Model

Muitas não descobrem até tarde. Por isso a vacinação é tão importante — é prevenção antes do problema começar. E para quem não foi vacinado, testes regulares podem detectar a infecção cedo.

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A vacinação está realmente acessível no Brasil?

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Sim. Hepatite A e B têm vacinas gratuitas no SUS. O desafio agora é garantir que as pessoas saibam disso e que as vacinas cheguem a todos os cantos do país.

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