Comércio com ASEAN pode superar EUA e UE em futuro próximo, diz Mauro Vieira

O comércio pode superar o dos EUA e da União Europeia em futuro próximo
Projeção do ministro Mauro Vieira sobre o crescimento acelerado das trocas comerciais com a ASEAN.
Mark

Por que essa visita é tão importante agora, neste momento específico?

Mimi

Porque o Brasil está sendo pressionado pelas tarifas americanas e precisa urgentemente de alternativas. A ASEAN representa uma região dinâmica, em crescimento, com mercados abertos. É menos sobre amizade e mais sobre sobrevivência econômica.

Mark

Mas o Brasil já faz comércio com a ASEAN há tempos. O que mudou?

Mimi

O ritmo mudou. Antes era crescimento normal. Agora é 15% ao ano — muito mais rápido que com parceiros tradicionais. E o Brasil quer mais: quer elevar seu status, quer ser visto como um parceiro estratégico de verdade, não apenas um fornecedor.

Mark

Quando Vieira diz que o comércio pode superar o dos EUA e da UE, ele está sendo realista ou apenas otimista?

Mimi

Ele está projetando uma tendência. Se o crescimento continuar nesse ritmo e os EUA mantiverem as tarifas, é matematicamente possível. Mas também é uma mensagem: o Brasil está sinalizando que tem opções, que não depende só do Ocidente.

Mark

E a ASEAN, o que quer do Brasil?

Mimi

Acesso a commodities, alimentos, energia. O Brasil tem tudo isso em abundância. Mas também quer um parceiro que respeite multilateralismo e regras — alguém que não seja os EUA ou a China. O Brasil oferece isso.

Mark

Timor-Leste entrou na ASEAN recentemente. Por que isso importa para o Brasil?

Mimi

Porque é lusófono. Cria uma ponte cultural e linguística. O Brasil vê ali uma oportunidade de influência que não tinha antes. É um pé na porta para relações mais profundas.

  • Primeira visita de um secretário-geral da ASEAN ao Brasil, de 17 a 21 de agosto de 2026
  • Comércio bilateral atingiu US$ 38,4 bilhões em 2025, com crescimento médio de 15% ao ano desde 2020
  • ASEAN é o quinto maior parceiro comercial do Brasil, com superávit de US$ 10,3 bilhões em 2025
  • Brasil aspira elevar seu status de Parceiro de Diálogo Setorial para Parceiro de Diálogo pleno da ASEAN

ASEAN é o quinto maior parceiro comercial do Brasil com US$ 38,4 bilhões em 2025 e crescimento médio de 15% ao ano desde 2020. Visita ocorre em contexto de tarifas unilaterais dos EUA, levando Brasil a buscar mercados alternativos para fortalecer setores afetados.

Visita histórica do secretário-geral da ASEAN ao Brasil marca aprofundamento das relações comerciais. Ministro Mauro Vieira projeta que comércio com o bloco pode superar trocas com EUA e União Europeia em futuro próximo.

No Palácio Itamaraty, em Brasília, o ministro das Relações Exteriores Mauro Vieira recebeu na terça-feira o secretário-geral da Associação de Nações do Sudeste Asiático, Kao Kim Hourn, em um encontro que marca a primeira visita de um líder máximo da organização ao Brasil. A agenda de trabalho, que se estende de 17 a 21 de agosto, coloca em foco os temas que definem o futuro das relações entre o país e os onze membros do bloco asiático: comércio, investimentos, energia, segurança alimentar, biodiversidade e cooperação para o desenvolvimento.

Hourn segue para encontros com ministérios estratégicos — Minas e Energia, Esporte, Ciência e Tecnologia, Desenvolvimento e Comércio — além de lideranças da Agência Brasileira de Promoção de Exportações, do Supremo Tribunal Federal e da Embrapa. A sequência de visitas de altos funcionários asiáticos ao Brasil, incluindo a secretária de Relações Exteriores das Filipinas recebida dias antes, revela um movimento coordenado de aproximação em um momento em que Washington impõe tarifas unilaterais sobre diversos países. No Palácio do Planalto, onde as negociações com os Estados Unidos estagnam, a avaliação é clara: mercados alternativos são agora essenciais para proteger setores da economia brasileira mais vulneráveis ao protecionismo americano.

A ASEAN reúne Brunei, Camboja, Indonésia, Laos, Malásia, Mianmar, Filipinas, Cingapura, Tailândia, Timor-Leste e Vietnã — uma das regiões economicamente mais dinâmicas do planeta. Em 2025, o comércio bilateral atingiu US$ 38,4 bilhões, posicionando o bloco como o quinto maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas de China, União Europeia, Estados Unidos e Mercosul. O superávit comercial foi de US$ 10,3 bilhões, respondendo por 15% do saldo positivo total do país. Mais significativo ainda: desde 2020, o intercâmbio cresce em média 15% ao ano — um ritmo que deixa para trás os parceiros tradicionais.

Ao falar à imprensa no Itamaraty, Vieira chamou a visita de Hourn de um "marco" nas relações Brasil-ASEAN. Descreveu o momento como "particularmente propício" e enquadrou a aproximação como parte da estratégia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de diversificar as parcerias externas. O ministro foi além: identificou a ASEAN como "um epicentro do crescimento global e do desenvolvimento científico e tecnológico" e projetou que, mantido o ritmo atual de expansão comercial, o volume de trocas com o bloco poderá superar o das transações com os Estados Unidos e a União Europeia em um futuro próximo. Vieira também expressou satisfação com a entrada de Timor-Leste — país lusófono — na organização, e declarou a aspiração brasileira de elevar seu status de Parceiro de Diálogo Setorial para Parceiro de Diálogo pleno.

Por sua vez, Hourn ressaltou o caráter "histórico" da visita do presidente Lula à cúpula da ASEAN em outubro de 2025. Descreveu ASEAN e Brasil como "parceiros naturais", destacando o dinamismo econômico e a riqueza de biodiversidade de ambos. Identificou áreas tangíveis de cooperação — comércio, investimento, transformação digital, segurança alimentar e sustentabilidade — com potencial para aprofundar a parceria. Também enfatizou a necessidade de expandir turismo e intercâmbios acadêmicos, e reafirmou o compromisso compartilhado com o multilateralismo e uma ordem internacional baseada em regras, ressaltando a importância do respeito à soberania nacional.

O que emerge desses encontros é uma reorientação estratégica clara: enquanto as portas de Washington permanecem fechadas ao diálogo, o Brasil busca consolidar sua presença no Sul Global através de uma região que representa uma das maiores oportunidades econômicas do século. A trajetória de crescimento do comércio bilateral, a diversidade de setores em pauta e a ambição explícita de superar parceiros ocidentais tradicionais sugerem que essa aproximação não é tática, mas estrutural — uma aposta de longo prazo na reconfiguração das alianças comerciais globais.

A ASEAN é um epicentro do crescimento global e do desenvolvimento científico e tecnológico
— Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores
ASEAN e Brasil são parceiros naturais
— Kao Kim Hourn, secretário-geral da ASEAN
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