Comercialização da soja 26/27 atinge 29,1% com mercado aquecido e preços atraentes

Aproveitar os preços, depois dar uma pausa para observar
Estratégia recomendada pelos analistas para equilibrar vendas antecipadas com cautela sobre o desenvolvimento das lavouras.
Mark

Por que os produtores estão vendendo tão rápido agora? Isso é normal?

Mimi

Não é normal, não. Normalmente vendem mais devagar. Mas os preços estão bons — a Bolsa de Chicago subiu bastante — e os custos de produção também subiram muito. Então o produtor quer travar o preço enquanto pode.

Luke

Mas quanto disso é realmente "bom preço" e quanto é apenas melhor do que estava? Os contratos de novembro fecharam em US$ 12,93. Qual era a média histórica?

Mimi

Boa pergunta. O texto não diz a média histórica em dólares. Mas o analista da Safras & Mercado sugere que pode chegar a R$ 170,00 por saca nos portos — e terminou a semana em R$ 150,00. Então há espaço para subir.

Mark

E por que o Sul está vendendo menos? Eles não querem aproveitar os preços também?

Mimi

Eles têm medo da chuva, basicamente. O Sul sempre sofre com incertezas climáticas. Então preferem esperar a lavoura crescer, ver como fica o tempo, antes de vender.

Luke

Faz sentido, mas o texto não diz se houve chuva recentemente no Sul ou se há previsão de seca. É só uma cautela histórica, não uma resposta a algo específico que está acontecendo agora.

Mimi

Exato. É comportamento, não reação a um evento.

Mark

E a safra velha, a 2025/26? Por que está vendendo tão rápido também?

Mimi

Porque os produtores aproveitaram as janelas de preço. Já colheram, têm o grão na mão, e quando o preço sobe, vendem. Simples assim.

Luke

Mas 88,7% em setembro — isso é cedo ou tarde? O texto diz que supera a média de cinco anos, que era 86,4%. Então é um pouco mais rápido, mas não dramaticamente mais rápido.

Mimi

Verdade. É uma aceleração, mas não uma ruptura. O mercado está aquecido, mas não em pânico de venda.

Mark

E se os preços caírem? Os produtores que já venderam estão protegidos, mas os que ainda não venderam vão sofrer.

Luke

Especialmente no Rio Grande do Sul, onde só 69% foi vendido. Eles estão apostando que os preços vão subir mais. Se caírem, vão se arrepender.

  • 29,1% da safra 2026/27 comercializada até 4 de setembro — 52,42 milhões de toneladas de 180,08 milhões esperados
  • Mato Grosso com 41% vendido, Tocantins com 42%, Rio Grande do Sul com apenas 15%
  • Safra 2025/26 com 88,7% comercializada — 158,16 milhões de toneladas de 178,34 milhões
  • Contrato de novembro na Bolsa de Chicago fechou em US$ 12,93, com alta semanal de 1,6%

Produtores brasileiros já comprometeram 52,42 milhões de toneladas de uma safra esperada de 180,08 milhões, ritmo mais acelerado que safras anteriores. Centro-Oeste e Matopiba lideram antecipação, com Mato Grosso em 41% e Tocantins em 42%, enquanto Sul mantém cautela histórica com Rio Grande do Sul em apenas 15%.

Brasil comercializa 29,1% da safra de soja 2026/27 até 4 de setembro, superando a média histórica de 22,7% impulsionado por preços altos nas bolsas internacionais e cenários geopolíticos de alerta.

Os produtores de soja brasileiros estão vendendo sua colheita futura com uma velocidade que não se via há anos. Até o dia 4 de setembro, o Brasil já havia comercializado 29,1% da safra 2026/27 — o equivalente a 52,42 milhões de toneladas de uma produção esperada de 180,08 milhões. É um ritmo que supera tanto o período equivalente da safra anterior, quando apenas 20,2% havia sido negociado, quanto a média histórica dos últimos cinco anos, fixada em 22,7%. O que explica essa pressa? Preços atraentes nas bolsas internacionais, uma Bolsa de Chicago aquecida e um cenário geopolítico que mantém os mercados em alerta.

O movimento não é uniforme pelo país. O Centro-Oeste e a região do Matopiba — que abrange Maranhão, Tocantins e Piauí — são os grandes motores dessa antecipação. Mato Grosso, maior produtor de soja do Brasil, já comprometeu 41% de sua safra futura, o que representa mais de 20,5 milhões de toneladas negociadas antes mesmo do plantio ganhar força total. Tocantins lidera a corrida nacional com 42% comercializado, seguido pelo Piauí com 36% e Maranhão com 35%. Esses números refletem uma estratégia clara: os produtores da fronteira agrícola estão travando preços enquanto as cotações permanecem favoráveis.

O Sul do Brasil, porém, mantém uma postura mais cautelosa — um comportamento histórico. Rio Grande do Sul apresenta apenas 15% de sua safra de mais de 21 milhões de toneladas comprometida, enquanto Santa Catarina registra 16%. Os produtores sulistas preferem aguardar o desenvolvimento das lavouras antes de avançar com maior agressividade nas vendas, uma precaução compreensível diante das incertezas climáticas que frequentemente afetam a região.

Rafael Silveira, analista da Safras & Mercado, explica que os produtores estão adotando uma postura mais estratégica. Com os custos de produção em alta, fechar esses custos através de vendas antecipadas tornou-se essencial. Mas há um limite: os agricultores não podem comprometer demais sua produção sem saber como será o potencial produtivo no final do ciclo. O timing atual é interessante pelos preços, mas depois disso, a recomendação é fazer uma "pausa tática" para observar como as lavouras se desenvolvem. Silveira não descarta que, com uma oferta mais apertada e dependendo do impacto do El Niño, os portos possam chegar a R$ 170,00 por saca — um patamar bem acima dos R$ 150,00 onde a soja encerrou a semana.

Na sexta-feira 4 de setembro, os futuros de soja caíram na Bolsa de Chicago, mas o acumulado semanal permaneceu positivo. O contrato de novembro subiu 1,6% e fechou em US$ 12,93, enquanto o de março avançou 1,8% para US$ 13,30. Esse movimento, combinado com o câmbio favorável, sustentou os preços nos portos brasileiros acima de R$ 150,00 por saca.

A safra anterior também segue em ritmo acelerado. A colheita 2025/26 já tem 88,7% de sua produção comercializada — 158,16 milhões de toneladas de um total estimado em 178,34 milhões. Esse percentual supera tanto o índice do mesmo período do ano anterior (84,1%) quanto a média histórica de cinco anos (86,4%). No Centro-Norte, a safra velha está praticamente "vendida": Tocantins e Piauí lideram com 98% negociados, seguidos por Maranhão com 97% e Bahia com 96%. Mato Grosso também registra 96%, o que significa que 47,85 milhões de toneladas já saíram das mãos dos produtores. No Sul, o Paraná comercializou 83%, Santa Catarina 80%, e Rio Grande do Sul apresenta o menor índice do país com 69% — cerca de 13,96 milhões de toneladas ainda retidas pelos produtores gaúchos à espera de melhores oportunidades no mercado físico.

O que emerge desse quadro é um mercado em movimento, com produtores brasileiros aproveitando uma janela de preços favoráveis enquanto mantêm, ao menos em algumas regiões, uma vigilância cautelosa sobre o que virá. A próxima safra americana e o desenvolvimento das lavouras sul-americanas serão os fatores que determinarão se essa otimismo inicial se sustenta ou se os preços recuam.

Os movimentos de preços da safra nova são bem interessantes. Já é muito melhor do que o da safra passada. A tendência é que tenhamos preços melhores, a questão vai ficar sobre a produção e, mais especificamente, a produtividade.
— Rafael Silveira, analista da Safras & Mercado
O produtor está adotando uma postura mais estratégica. Com os custos de produção em alta, fechar esses custos é essencial. Depois, é preciso dar uma pausa para observar o desenvolvimento da safra e não comprometer demais a produção.
— Rafael Silveira, analista da Safras & Mercado
Contact Us FAQ