No centro de um debate que mistura ambição tecnológica e prudência existencial, Jack Clark, cofundador da Anthropic, defende que governos exijam das empresas de inteligência artificial um mecanismo de desligamento verificável por terceiros — não como gesto simbólico, mas como salvaguarda real. Sua voz ecoa num momento em que os próprios arquitetos da IA admitem não compreender completamente o que estão construindo, enquanto legisladores nos EUA e no Reino Unido hesitam entre regular e acelerar. A questão que paira não é técnica, mas filosófica: quem deve ter a última palavra sobre uma tecnolog
Cofundador da Anthropic defende 'botão de desligamento' obrigatório para IA
Estamos jogando dados com riscos imensos
Por que um cofundador da Anthropic está pedindo regulação? Não seria melhor para os negócios dele manter as coisas livres?
Clark está argumentando que a falta de regulação é mais arriscada para todos — incluindo a indústria. Se algo der errado em grande escala, a reação será muito mais severa. É melhor ter regras claras agora.
Mas ele também deixa claro que qualquer regulação não deve "sacrificar a vantagem comercial". Então não é exatamente um apelo desinteressado por segurança.
Esse "botão de desligamento" — como funcionaria na prática?
A ideia é que as empresas tivessem um mecanismo para desativar completamente um sistema de IA se ele começasse a se comportar de forma perigosa. E que terceiros pudessem verificar se esse mecanismo realmente existe e funciona.
O problema é que ninguém sabe ao certo o que significa "desativar completamente" um sistema de IA moderno. Se o sistema está distribuído em milhares de servidores, como você o desliga? Clark não responde isso.
Geoffrey Hinton disse que 10% de chance de extinção é "não irrazoável". Isso é assustador.
É. E vindo de alguém que ajudou a criar o campo da IA, tem peso. Mas note que Hinton é um crítico agora — ele deixou o Google porque ficou preocupado.
Sim, mas 10% é uma estimativa de um homem. Não há consenso científico sobre isso. Evan Hubinger fez a mesma estimativa, mas muitos outros pesquisadores discordam completamente.
Trump disse que tudo isso é uma "farsa". Ele tem um ponto?
Ele está argumentando que desacelerar a IA prejudicaria os EUA em relação à China. É uma visão geopolítica diferente — prioriza competição sobre precaução.
Mas Trump também chamou de "conspiração doentia" as preocupações com segurança. Isso não é um argumento; é rejeição. E ele está no poder, então sua posição importa muito para o que acontece nos EUA.
O Reino Unido rejeitou o "botão de desligamento". Por quê?
Disseram que um interruptor obrigatório no Reino Unido não impediria que a IA fosse desenvolvida ou usada indevidamente em outros lugares. É um argumento de ação coletiva — sem coordenação global, regulação local é inútil.
É um argumento válido, mas também é conveniente. Permite que o Reino Unido não faça nada enquanto culpa a falta de coordenação internacional.
Alguns líderes de IA estão dizendo que o medo é exagerado. Quem está certo?
Provavelmente a verdade está no meio. Sim, há risco real. Mas também há incentivo para as empresas menores amplificarem o medo para parecerem mais importantes, e para as maiores usarem o medo para justificar suas avaliações astronômicas.
E ninguém realmente sabe. Isso é o mais honesto que podemos ser. Os modelos de IA estão mudando tão rápido que as previsões de cinco anos atrás já estão erradas.
Der Puls
- Executivos da própria indústria de IA estimam em até 10% a probabilidade de a tecnologia exterminar a humanidade na próxima década — e pesquisadores renomados consideram esse número razoável.
- Clark rompe com a lógica de autorregulação ao argumentar que confiar apenas nas empresas para manter seus próprios botões de desligamento é insuficiente e perigoso.
- Nos EUA, o 'Kill Switch Act' propõe exatamente o que Clark defende, mas Trump descartou qualquer freio à IA como 'FARSA', enquanto o Reino Unido também recusou um interruptor obrigatório.
- Vozes dissidentes na indústria acusam os alertas existenciais de serem exagerados ou de servirem para justificar avaliações de mercado e planos de negócios.
- A tensão central se cristaliza na fala do próprio CEO da Anthropic, que pede desaceleração — mas 'sem sacrificar a vantagem comercial', revelando o impasse entre segurança e competição.
- O debate sobre o botão de desligamento tornou-se o símbolo de uma pergunta mais ampla: a regulação deve chegar antes ou depois de uma crise irreversível?
No centro de um debate que mistura ambição tecnológica e prudência existencial, Jack Clark, cofundador da Anthropic, defende que governos exijam das empresas de inteligência artificial um mecanismo de desligamento verificável por terceiros — não como gesto simbólico, mas como salvaguarda real. Sua voz ecoa num momento em que os próprios arquitetos da IA admitem não compreender completamente o que estão construindo, enquanto legisladores nos EUA e no Reino Unido hesitam entre regular e acelerar. A questão que paira não é técnica, mas filosófica: quem deve ter a última palavra sobre uma tecnologia que seus criadores descrevem como potencialmente fatal?
Jack Clark, um dos fundadores da Anthropic, está defendendo publicamente que empresas de inteligência artificial sejam obrigadas por lei a manter um mecanismo de desligamento real — verificável por terceiros independentes. Em conversa com a BBC, ele questionou se a sociedade não deveria exigir exatamente isso: um botão que funcione de verdade e que não fique apenas sob controle das próprias empresas.
A proposta surge num contexto de alertas crescentes. Evan Hubinger, cientista que trabalhou na Anthropic, estimou em 10% a chance de a IA exterminar a humanidade na próxima década. Geoffrey Hinton, o 'Pai da IA', descreveu essa estimativa como 'não irrazoável'. Enquanto isso, a Anthropic continua lançando modelos cada vez mais poderosos, e seu CEO Dario Amodei pede desaceleração — mas sem abrir mão da vantagem competitiva.
Nos Estados Unidos, o 'Kill Switch Act' já foi apresentado no Congresso com exatamente essa proposta. Mas Donald Trump rejeitou qualquer freio à IA, chamando as preocupações de 'FARSA'. O Reino Unido também recusou um interruptor obrigatório, argumentando que isso não impediria o desenvolvimento da tecnologia em outros países.
Nem todos na indústria compartilham o tom de urgência. Líderes de empresas como Hugging Face e Grindr questionam se os medos existenciais não estariam sendo inflados para beneficiar avaliações de mercado. Clark, por sua vez, recusa-se a trabalhar com estatísticas de risco, mas é direto: deixar a IA como uma indústria totalmente desregulamentada é apostar demais. 'Estamos jogando dados com riscos imensos', disse ele. O botão de desligamento, no fundo, é apenas o símbolo de uma pergunta que ninguém ainda sabe responder: como controlar aquilo que nem seus criadores compreendem por completo.
Jack Clark, um dos sete fundadores da Anthropic, está defendendo a ideia de que empresas de inteligência artificial sejam obrigadas a manter um "botão de desligamento" que funcione de verdade — e que possa ser verificado por terceiros. Ele conversou com a BBC sobre essa questão em meio a um debate cada vez mais intenso sobre como controlar uma tecnologia que está se desenvolvendo em ritmo acelerado.
A proposta de Clark é simples em aparência, mas carregada de implicações. Ele sugere que legisladores talvez precisem impor a existência de um mecanismo capaz de desativar completamente os sistemas de IA caso eles se tornem perigosos demais. A Anthropic, como a maioria dos laboratórios de IA, já possui maneiras internas de fazer isso. Mas Clark argumenta que deixar isso apenas nas mãos das empresas não é suficiente. "Deveríamos exigir que as empresas tivessem um botão de desligamento automático? Esse botão de desligamento automático pode ser verificado por terceiros?", perguntou ele à BBC. "Acho que esse é o tipo de coisa que a sociedade vai querer saber e que, eventualmente, regulamentar."
Essa defesa ganha peso em um contexto onde executivos de empresas de IA têm feito alertas públicos sobre riscos existenciais. Evan Hubinger, cientista que trabalhou na Anthropic, estimou em 10% a probabilidade de a inteligência artificial exterminar a humanidade na próxima década — uma avaliação que Geoffrey Hinton, o renomado pesquisador conhecido como o "Pai da IA", descreveu como "não irrazoável". Esses números circulam enquanto a indústria continua expandindo rapidamente, com a Anthropic lançando modelos cada vez mais capazes ao longo de 2026.
O próprio Dario Amodei, diretor-executivo da Anthropic, pediu recentemente que o ritmo de desenvolvimento da IA seja desacelerado e monitorado mais de perto. Mas ele também deixou claro que qualquer ação nesse sentido deve ser feita "sem sacrificar a vantagem comercial" — uma ressalva que revela as tensões entre segurança e competição que permeiam a indústria.
Nos Estados Unidos, legisladores já apresentaram um projeto de lei chamado "Kill Switch Act" que exigiria exatamente o que Clark está propondo: que as empresas tivessem uma forma de desativar ferramentas de IA problemáticas, e que agências governamentais pudessem exigir que uma ferramenta fosse desativada ou limitada. Mas o presidente Donald Trump rejeitou a ideia de qualquer desaceleração da IA, chamando as preocupações de "FARSA" nas redes sociais e alertando que "quem vencer na IA, vence".
No Reino Unido, o governo também recusou a ideia de criar um interruptor de segurança obrigatório, argumentando que isso "não impediria que fossem desenvolvidos ou usados indevidamente em outros lugares". Enquanto isso, alguns líderes da indústria questionam se os receios sobre extinção não estariam sendo exagerados. Clement Delangue, da plataforma Hugging Face, afirmou que tais alegações carecem de "perspectiva". George Arison, líder do Grindr, sugeriu que as empresas estão usando esses medos para justificar suas avaliações e planos de negócios.
Clark, quando questionado sobre probabilidades específicas de morte em massa causada por IA, recusou-se a trabalhar com números. "Não acho que essas estatísticas sejam muito úteis", disse ele. Mas sua posição é clara: permitir que a IA continue como uma "indústria totalmente desregulamentada" é arriscado demais. "Estamos jogando dados com riscos imensos", afirmou. "E a questão é que precisamos mudar o rumo desta indústria."
O que Clark está propondo — e o que está sendo debatido em capitais do mundo — é se a regulação deve vir antes ou depois de uma crise. O "botão de desligamento" é apenas um símbolo dessa questão maior: como a sociedade quer controlar uma tecnologia que seus próprios criadores dizem que não entendem completamente.
Bemerkenswerte Zitate
Deveríamos exigir que as empresas tivessem um botão de desligamento automático? Esse botão de desligamento automático pode ser verificado por terceiros? Acho que esse é o tipo de coisa que a sociedade vai querer saber e que, eventualmente, regulamentar.— Jack Clark, cofundador da Anthropic
Estamos jogando dados com riscos imensos. E a questão é que precisamos mudar o rumo desta indústria.— Jack Clark