A vacina está disponível para todos desde maio, é gratuita e continua sendo a principal forma de prevenir casos graves
Em Dourados, mais de 56 mil doses da vacina contra influenza foram distribuídas desde maio, mas apenas 43% dos grupos mais vulneráveis — crianças, gestantes e idosos — aceitaram a proteção. Enquanto isso, 100 casos graves de síndrome respiratória aguda e 23 mortes, concentradas nos extremos da vida, revelam que o obstáculo não é a escassez do imunizante, mas a distância entre a oferta e a disposição humana de recebê-la. É uma tensão antiga da saúde pública: a ferramenta existe, o acesso está aberto, e ainda assim a vulnerabilidade persiste.
- Com 100 casos confirmados de SRAG e 23 mortes — a maioria entre idosos acima de 70 anos — a influenza já cobra um preço alto em Dourados.
- Crianças de 1 a 4 anos lideram as hospitalizações com 142 notificações, enquanto os óbitos se concentram em quem tem 80 anos ou mais, expondo os dois extremos mais frágeis da população.
- Apesar de 56 mil doses aplicadas e vacinação gratuita disponível desde maio, apenas 43% dos grupos prioritários foram imunizados — bem abaixo da meta esperada pela Secretaria de Saúde.
- A prefeitura ampliou horários em unidades de saúde, realizou um Dia D com 115 doses aplicadas em um único sábado e estendeu o atendimento até as 22h em algumas unidades, inclusive em feriados.
- O desafio agora é transformar disponibilidade em adesão: a vacina está no posto, mas o braço ainda precisa chegar até ela.
Dourados enfrenta uma epidemia silenciosa de influenza grave — não por falta de vacina, mas por falta de quem a tome. Desde o início da campanha, a Secretaria Municipal de Saúde distribuiu mais de 56 mil doses, abertas gratuitamente a toda a população desde maio. Mesmo assim, entre os grupos prioritários — crianças, gestantes e idosos —, a cobertura chegou a apenas 43%, número que preocupa os gestores e fica bem aquém da meta esperada.
Os dados de adoecimento tornam a urgência concreta. Crianças de 1 a 4 anos acumulam 142 notificações de síndrome respiratória aguda grave, seguidas por bebês menores de 1 ano e crianças de 5 a 9 anos. Entre os idosos, dezenas foram hospitalizados, e as mortes se concentram justamente nos mais velhos: 12 óbitos entre pessoas com 80 anos ou mais e 11 entre aquelas de 70 a 79 anos — 23 mortes no total, todas por influenza.
Jéssica Andrade, gerente do Núcleo de Imunização, reconhece a dificuldade de mobilizar a população mesmo diante desses números. A prefeitura tem tentado encurtar a distância entre a oferta e a demanda: realizou um Dia D na UBS da Seleta, com 115 doses aplicadas em um sábado, e diversificou os horários de atendimento. Algumas unidades funcionam até as 22h, inclusive em feriados e fins de semana; outras operam sem pausa no almoço até as 19h.
O vazio entre a vacina disponível e os braços que ainda não chegaram até ela continua sendo preenchido pelos casos graves. A Secretaria reforça que imunizar-se é seguro, gratuito e permanece a forma mais eficaz de proteger quem mais precisa.
Cem casos de síndrome respiratória aguda grave causados por influenza já foram registrados em Dourados, e a cidade enfrenta um problema que não é a falta de vacina — é a falta de pessoas dispostas a tomá-la. A Prefeitura, através da Secretaria Municipal de Saúde, já distribuiu mais de 56 mil doses do imunizante desde o início da campanha, mas entre os grupos mais vulneráveis — crianças, gestantes e idosos — apenas 43% receberam a proteção. É um número que preocupa os gestores de saúde, que esperavam cobertura bem mais alta.
Jéssica Andrade, gerente do Núcleo de Imunização, reconhece a dificuldade em mobilizar a população. A vacina está disponível gratuitamente desde maio para todos, mas a procura permanece morna mesmo diante dos números crescentes de doentes graves. "Precisamos que a população aproveite essa oportunidade e mantenha a vacinação em dia", disse ela, reforçando que a imunização continua sendo a ferramenta mais eficaz para evitar internações e mortes por gripe.
Os dados de quem está adoecendo revelam por que a urgência é real. Crianças de 1 a 4 anos lideraram as notificações de SRAG com 142 casos, seguidas por menores de 1 ano com 85 casos e crianças de 5 a 9 anos com 64 casos. Entre os idosos, 45 pessoas na faixa de 70 a 79 anos foram hospitalizadas com a síndrome, e 43 com 80 anos ou mais. As mortes concentram-se justamente nos extremos da vida: 12 óbitos entre pessoas com 80 anos ou mais e 11 entre idosos de 70 a 79 anos, totalizando 23 mortes.
A prefeitura tem tentado ampliar o acesso. No último sábado, realizou um Dia D de Vacinação na Unidade Básica de Saúde da Seleta, com horário estendido, e conseguiu aplicar 115 doses naquele dia. Agora, a rede de saúde funciona em horários variados: as unidades básicas abrem das 7h às 11h e das 13h às 17h durante a semana. A Seleta e Santo André oferecem atendimento até as 22h, inclusive em feriados e finais de semana a partir do meio-dia. Outras unidades como Ildefonso Pedroso, Maracanã, Jóquei Clube e Parque do Lago II funcionam até as 19h sem parar no horário de almoço. O PAM abre cedo, das 6h às 12h.
O desafio agora é converter essa disponibilidade em braços vacinados. A Secretaria Municipal de Saúde reforça que a vacina é segura, gratuita e permanece como a forma mais eficaz de reduzir a circulação do vírus e proteger especialmente crianças, gestantes, idosos e pessoas com doenças crônicas. Mas entre a oferta e a demanda há um vazio que os números de SRAG continuam preenchendo.
Notable Quotes
A vacina está disponível para todos desde o início de maio, é gratuita e continua sendo a principal forma de prevenir casos graves, internações e óbitos causados pela influenza.— Jéssica Andrade, gerente do Núcleo de Imunização
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que você acha que as pessoas não estão indo se vacinar, mesmo com 100 casos de SRAG na cidade?
Acho que é aquela coisa de risco invisível. A gripe não parece tão perigosa quando você está saudável. Mas os números mostram que crianças pequenas e idosos estão internando, e 23 pessoas já morreram.
E a prefeitura está fazendo o suficiente para alcançar essas pessoas?
Estão tentando. Ampliaram os horários, fizeram um Dia D no fim de semana, deixaram a vacina gratuita desde maio. Mas parece que informação e acesso não são o mesmo que convencimento.
Qual é o risco real de não vacinar, olhando para esses dados?
Olha só: 142 crianças de 1 a 4 anos com SRAG. Isso é muito. E entre idosos acima de 80, já são 12 mortes. Se a cobertura vacinal fosse de 80% em vez de 43%, provavelmente esses números seriam bem menores.
Então é um problema de comunicação ou de confiança?
Talvez os dois. Mas também é inércia. As pessoas não vão se mexer para algo que não sentem como ameaça imediata, mesmo que os dados digam o contrário.