Coaf revela que Vorcaro recebeu US$ 26 milhões no exterior antes de ser preso

Daniel Vorcaro permanece detido desde sua segunda prisão em março de 2026, enfrentando investigações por atividades financeiras suspeitas.
Prestes a fugir para Dubai com US$ 26 milhões recém-recebidos
Como autoridades estrangeiras descreveram o momento da prisão de Vorcaro no aeroporto de São Paulo.
Mark

Por que esse relatório do Coaf é importante agora, meses depois da prisão?

Mimi

Porque mostra o padrão de movimentação de dinheiro que as autoridades estrangeiras viram como suspeito. Não é só que ele recebeu dinheiro — é quando, de onde, e como foi feito.

Luke

Mas o relatório realmente prova que o dinheiro era ilícito? Ou apenas que parecia suspeito?

Mimi

Apenas que parecia suspeito. O próprio Coaf diz que não conseguem verificar se era legítimo ou não.

Mark

E a Mosaic Financial, a empresa que recebeu o dinheiro nas Bahamas — o que sabemos sobre ela?

Mimi

Que é registrada como corretora de valores e presta serviços de administração de fundos. Mas o relatório não detalha quem a controla ou qual era sua relação com Vorcaro.

Luke

Então temos uma empresa nas Bahamas, outra nos Emirados Árabes Unidos, e contas que recebem dinheiro em padrões redondos. Isso é suspeito, mas não é prova de crime.

Mimi

Correto. É por isso que está sendo investigado. O relatório é um dos elementos que as autoridades estão usando para entender o que acontecia.

Mark

Vorcaro continua preso enquanto isso tudo é investigado?

Mimi

Sim, desde março. Preso novamente depois da primeira prisão em novembro.

Luke

E não sabemos em qual país fica a conta que recebeu os outros US$ 22,6 milhões?

Mimi

O relatório não identifica. Isso também está sob investigação.

  • Daniel Vorcaro recebeu US$ 26 milhões entre setembro e novembro de 2025
  • Transferências vieram da Royal Capital PSC, com sede nos Emirados Árabes Unidos
  • Vorcaro foi preso em 17 de novembro de 2025 no aeroporto de São Paulo
  • Preso novamente em março de 2026 e permanece detido
  • Autoridades não conseguem verificar se os fundos eram legítimos

Vorcaro recebeu US$ 26 milhões de empresa com sede nos Emirados Árabes Unidos entre setembro e novembro de 2025, período em que já estava sob investigação brasileira. Autoridades estrangeiras compartilharam informações via Rede de Egmont, apontando que transferências em valores redondos ocorreram próximo à liquidação do Banco Master S.A.

O Coaf divulgou relatório mostrando que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro recebeu US$ 26 milhões no exterior na véspera de sua primeira prisão em novembro de 2025, com autoridades estrangeiras apontando suspeita de movimentação para evitar apreensão de bens.

Um relatório de inteligência financeira divulgado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras revelou que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro recebeu US$ 26 milhões em contas no exterior entre setembro e novembro de 2025, justamente no período que antecedeu sua primeira prisão. O documento, elaborado em 30 de abril deste ano com base em informações compartilhadas por autoridades estrangeiras através da Rede de Egmont — uma parceria internacional de unidades de inteligência financeira — foi tornado público por decisão do Supremo Tribunal Federal.

As transferências chegaram em quatro depósitos, sendo US$ 25 milhões deles enviados para uma empresa chamada Mosaic Financial Ltd., registrada nas Bahamas como corretora de valores mobiliários e prestadora de serviços de administração de fundos. Os pagamentos vieram da Royal Capital PSC, uma empresa com sede nos Emirados Árabes Unidos. O padrão das transferências chamou atenção: grandes quantias redondas de US$ 5 milhões e US$ 10 milhões, com referências nos detalhes de pagamento ao código "Vorcaro 1097042A".

O timing da movimentação é o que despertou suspeita entre as autoridades internacionais. Vorcaro já estava sob investigação das autoridades brasileiras quando recebeu o dinheiro. A Polícia Federal havia iniciado uma investigação sobre as atividades do Banco Master S.A. a pedido de procuradores federais, e o banco foi posteriormente liquidado. O relatório do Coaf aponta que as transferências ocorreram próximo ao momento dessa liquidação, levantando a possibilidade de que os fundos tivessem sido movimentados numa tentativa de evitar apreensão de bens pelas autoridades.

Vorcaro foi preso em 17 de novembro de 2025 no aeroporto internacional de São Paulo enquanto estava em seu jato particular, conforme registrado no relatório. As autoridades estrangeiras descreveram a situação como ele estando "prestes a fugir do Brasil para Dubai", logo após receber a grande quantia em fundos. Ele foi preso novamente em março de 2026 e permanece detido desde então.

O relatório também registra que entre janeiro de 2024 e outubro de 2025, Vorcaro teria enviado 15 transferências eletrônicas adicionais totalizando US$ 22,6 milhões para uma conta bancária cuja localização não é identificada no documento. Essas transações foram comunicadas pelo The Bank of New York Mellon a uma autoridade de inteligência financeira de outro país, que depois encaminhou o material ao Coaf.

O ponto crítico do relatório é a conclusão das autoridades estrangeiras: não conseguem excluir a possibilidade de que os fundos tenham sido derivados de um esquema fraudulento. Portanto, a origem dos recursos e a finalidade das transações não podem ser verificadas como legítimas. O documento deixa em aberto se Vorcaro movimentava recursos ilícitos ou se estava tentando proteger ativos antes de uma ação das autoridades brasileiras — ou ambas as coisas. O que está claro é que um ex-banqueiro sob investigação recebeu dezenas de milhões de dólares do exterior em um padrão que autoridades de múltiplos países consideraram digno de compartilhamento e escrutínio.

A origem dos fundos e a finalidade das transações não podem ser verificadas como legítimas
— Relatório do Coaf, citando conclusão de autoridades estrangeiras
Vorcaro foi preso no aeroporto internacional de São Paulo enquanto estava em seu jato particular prestes a fugir do Brasil para Dubai
— Autoridades estrangeiras, conforme registrado no relatório do Coaf
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