Nas redes sociais, duas mulheres cultivavam imagens de inspiração e leveza — uma ensinava beleza, a outra compartilhava danças. Fora das telas, a Polícia Civil da Bahia as investigava como peças de um esquema que recrutava adolescentes para roubar canetas emagrecedoras em farmácias. A Operação Mirakel, em sua segunda fase, mobilizou trezentos policiais e revelou como a visibilidade digital pode coexistir, e até servir de cobertura, com atividades criminosas estruturadas.
Coach de beleza e influenciadora com 100 mil seguidores são presas em operação contra roubo de canetas
Adolescentes recrutados para roubar medicamentos em farmácias
Como é que duas pessoas com presença digital tão grande acabam envolvidas em roubo de medicamentos? Parece desconectado.
Não é tão desconectado assim. A Claudiana usava sua credibilidade como coach para recrutar e coordenar os adolescentes. A Laís, com cem mil seguidores, tinha a estrutura para vender o que era roubado. A internet dava legitimidade.
Mas espera — a gente sabe mesmo que ela encomendava os roubos? Ou a gente sabe que adolescentes que foram presos disseram isso?
Os adolescentes apreendidos relataram a participação dela. É o que a polícia diz.
Certo. Então é baseado em depoimento de menores, não em evidência direta contra ela.
E quanto à Laís? Qual era exatamente o papel dela?
Receptação — receber e vender os produtos roubados. Mas a gente não tem detalhes de como isso funcionava.
Exato. A reportagem diz que ela é "suspeita de receptação", mas não explica o que foi encontrado, se havia estoque, se havia transações rastreadas.
A defesa da Claudiana já se movimentou?
Sim, questionando a legalidade da prisão e negando participação.
E ninguém conseguiu falar com a defesa da Laís ainda. Então temos uma história de um lado só, por enquanto.
O Pulso
- Adolescentes eram selecionados e coordenados para atacar farmácias e subtrair medicamentos de alto valor, formando a base operacional de um esquema ilegal de comércio de canetas emagrecedoras.
- Claudiana Rocha, que prometia ensinar mulheres a construir 'negócios lucrativos', é investigada por encomendar os roubos diretamente com os menores — uma acusação que levou à remoção de sua bio no Instagram após a prisão.
- Laís Santiago, com mais de cem mil seguidores, é suspeita de receptação dos produtos roubados, conectando o consumo digital à cadeia criminosa.
- A segunda fase da operação mobilizou cerca de trezentos policiais e resultou em seis mandados de prisão, incluindo duas pessoas que já cumpriam pena em presídio.
- A defesa de Claudiana nega participação e contesta a legalidade da prisão, enquanto os relatos dos próprios adolescentes apreendidos seguem como principal fio condutor da investigação.
Nas redes sociais, duas mulheres cultivavam imagens de inspiração e leveza — uma ensinava beleza, a outra compartilhava danças. Fora das telas, a Polícia Civil da Bahia as investigava como peças de um esquema que recrutava adolescentes para roubar canetas emagrecedoras em farmácias. A Operação Mirakel, em sua segunda fase, mobilizou trezentos policiais e revelou como a visibilidade digital pode coexistir, e até servir de cobertura, com atividades criminosas estruturadas.
Claudiana Rocha se apresentava nas redes sociais como coach de beleza e mentora de profissionais do setor. Laís Santiago publicava rotinas e danças para mais de cem mil seguidores. Quando a segunda fase da Operação Mirakel foi deflagrada na Bahia, as duas foram capturadas com mandados de prisão em aberto — ambas consideradas foragidas da Justiça.
A investigação expôs um esquema organizado em torno do roubo e comércio ilegal de canetas emagrecedoras. Adolescentes eram recrutados e coordenados para atacar farmácias e subtrair os medicamentos. Foram justamente os relatos desses menores que levaram os investigadores até Claudiana Rocha, apontada como a pessoa que encomendava os roubos diretamente com eles. Laís Santiago, por sua vez, é suspeita de receptar os produtos subtraídos.
A operação mobilizou aproximadamente trezentos policiais das polícias Civil, Militar e Técnica, além do Sistema de Inteligência da Secretaria da Segurança Pública da Bahia. Seis pessoas foram alvo de mandados de prisão e busca e apreensão — duas delas já estavam recolhidas em presídio.
A primeira fase da Mirakel havia ocorrido em junho do ano anterior, quando dois suspeitos de liderar o esquema foram presos. Um coordenava os adolescentes; o outro executava os roubos. Na ocasião, foram apreendidos itens usados nas ações — uma bag de entrega por aplicativos, capas de chuva e um casaco identificados em câmeras de segurança — além de celulares e documentos.
A defesa de Claudiana Rocha classificou a prisão como 'injusta e desnecessária' e prometeu comprovar sua inocência. A bio que prometia ajudar mulheres 'do zero ou no aperfeiçoamento, com método, prática e visão de negócio lucrativo' foi removida do Instagram após sua detenção. A defesa de Laís Santiago não se manifestou até o momento.
Claudiana Rocha e Laís Santiago construíram presença considerável nas redes sociais — uma com sete mil seguidores, a outra com mais de cem mil — e agora ambas estão presas. A primeira, que se apresentava como coach de beleza e mentora de profissionais do setor, é investigada por ter encomendado roubos diretamente com adolescentes. A segunda, criadora de conteúdo que publicava rotinas e danças, é suspeita de receptação dos produtos roubados. Ambas tinham mandados de prisão em aberto e eram consideradas foragidas da Justiça quando foram capturadas na segunda fase da Operação Mirakel.
A investigação revelou um esquema estruturado em torno do roubo e comércio ilegal de canetas emagrecedoras. Segundo a Polícia Civil, adolescentes eram selecionados e coordenados para atacar farmácias e subtrair medicamentos. Foi através dos relatos desses menores que a participação de Claudiana Rocha no esquema foi identificada. Sua bio no Instagram prometia ajudar mulheres "do zero ou no aperfeiçoamento, com método, prática e visão de negócio lucrativo" — descrição que foi removida após sua prisão.
A operação de segunda fase mobilizou aproximadamente trezentos policiais das polícias Civil, Militar e Técnica, além do Sistema de Inteligência da Secretaria da Segurança Pública da Bahia. Seis pessoas foram alvo de mandados de prisão e busca e apreensão. Duas delas já cumpriam pena em presídio da cidade. Os nomes dos demais alvos não foram divulgados.
Para entender o tamanho da rede, é necessário voltar à primeira fase da operação, realizada em junho do ano anterior. Naquela ocasião, dois suspeitos de chefiar o esquema foram presos. Um deles era responsável por selecionar os adolescentes e coordenar os ataques. O outro executava os roubos propriamente ditos. Naquele momento, os policiais apreenderam uma bag de entrega por aplicativos, uma capa de chuva e um casaco utilizados nos roubos e identificados em imagens de câmeras de segurança, além de produtos de higiene pessoal com suspeita de subtração. Celulares e documentos também foram recolhidos.
Diversos adolescentes foram apreendidos durante as investigações e respondem por ato infracional análogo a roubo. Seus relatos forneceram a pista que levou até Claudiana Rocha. A defesa da coach de beleza afirmou que a prisão é "injusta e desnecessária, por não atender aos requisitos legais" e negou sua participação nos crimes, prometendo comprovar inocência. Até o momento, não foi possível contato com a defesa de Laís Santiago para comentários.
Citações Notáveis
Ajudar mulheres do zero ou no aperfeiçoamento, com método, prática e visão de negócio lucrativo— Descrição na bio do Instagram de Claudiana Rocha, removida após prisão
A prisão é injusta e desnecessária, por não atender aos requisitos legais— Defesa de Claudiana Rocha