Antes que a vida sexual comece, há uma janela de proteção que a ciência tornou possível e a medicina recomenda com urgência. O oncologista André Bouzas, do Mater Dei, lembra que o HPV é responsável por quase a totalidade dos casos de câncer de colo de útero — e que a vacina, aplicada entre os 9 e os 14 anos, pode fechar essa porta com eficácia de 98 a 99%. Em 2026, o Ministério da Saúde ampliou essa oportunidade para jovens de até 19 anos, reconhecendo que nem todos chegaram à imunização no momento ideal — e que homens, igualmente expostos ao vírus, também precisam ser incluídos nessa proteção
Cirurgião oncológico recomenda vacinação contra HPV antes da primeira relação sexual
O vírus não respeita gênero — ambos precisam ser vacinados
Por que o HPV é tão responsável pelo câncer de colo de útero? É sempre assim?
Praticamente sempre. Entre 98% e 99% dos casos vêm dessa infecção. É uma relação tão forte que a vacinação se torna uma ferramenta de prevenção extraordinariamente eficaz.
E por que a idade de 9 a 14 anos é tão crítica?
Porque é antes da vida sexual começar. Uma vez que alguém é exposto ao vírus, a vacina perde efetividade. Então você quer proteger antes do risco existir.
Mas nem todo adolescente é vacinado nessa idade. O que acontece com eles?
Ficam em risco. Por isso o Ministério da Saúde abriu uma brecha este ano — jovens até 19 anos ainda podem ser vacinados. É uma segunda chance para quem escapou.
E os homens? Por que eles também precisam?
Porque transmitem o vírus. Se apenas as mulheres forem vacinadas, os homens desprotegidos continuam sendo vetores. É preciso vacinar ambos para realmente interromper a circulação.
O câncer de pênis é tão comum quanto o de colo de útero?
Não, é muito mais raro. Mas ainda é uma realidade. E mais importante: quando você protege os homens, você protege também as mulheres ao seu redor.
Então essa é uma questão de saúde coletiva, não individual?
Exatamente. Quanto mais pessoas vacinadas, menos o vírus circula. É um benefício que vai além de quem recebe a agulha.
O Pulso
- Quase todos os casos de câncer de colo de útero têm uma causa evitável: o HPV, vírus sexualmente transmissível para o qual existe vacina eficaz.
- Milhões de adolescentes que não foram vacinados na faixa ideal de 9 a 14 anos chegaram à vida adulta desprotegidos, carregando um risco silencioso.
- O Ministério da Saúde abriu uma segunda chance em 2026, estendendo a vacinação gratuita para jovens de 15 a 19 anos até o fim do ano — uma janela que se fechará.
- Homens são parte do problema e da solução: transmitem o vírus, podem desenvolver câncer de pênis e, quando vacinados, ajudam a interromper a cadeia de contágio.
- O desafio agora é de alcance: garantir que a informação chegue às famílias e que nenhum jovem perca essa oportunidade por desconhecimento ou falta de acesso.
Antes que a vida sexual comece, há uma janela de proteção que a ciência tornou possível e a medicina recomenda com urgência. O oncologista André Bouzas, do Mater Dei, lembra que o HPV é responsável por quase a totalidade dos casos de câncer de colo de útero — e que a vacina, aplicada entre os 9 e os 14 anos, pode fechar essa porta com eficácia de 98 a 99%. Em 2026, o Ministério da Saúde ampliou essa oportunidade para jovens de até 19 anos, reconhecendo que nem todos chegaram à imunização no momento ideal — e que homens, igualmente expostos ao vírus, também precisam ser incluídos nessa proteção coletiva.
O cirurgião oncológico André Bouzas tem uma mensagem direta para pais e responsáveis: a melhor defesa contra o câncer de colo de útero precisa começar antes da primeira relação sexual. Em entrevista ao Metrópole Saúde, ele explicou que entre 98% e 99% dos casos dessa doença são causados pelo HPV — uma infecção sexualmente transmissível amplamente prevenível pela vacinação.
A faixa etária ideal para imunização, segundo o Ministério da Saúde, vai dos 9 aos 14 anos. A lógica é clara: vacinar antes do início da vida sexual garante proteção máxima. Mas nem todos os adolescentes chegaram a essa janela a tempo. Por isso, em 2026, o ministério ampliou o acesso, permitindo que jovens de 15 a 19 anos também sejam vacinados até o fim do ano — uma segunda chance para quem ficou para trás.
Bouzas também destacou um ponto frequentemente ignorado: a vacinação não é responsabilidade exclusiva das mulheres. O HPV não respeita gênero — pode ser transmitido em qualquer direção, e homens são tanto portadores quanto transmissores. Embora o câncer de pênis seja menos comum que o de colo de útero, o oncologista alertou que é uma realidade que merece atenção.
Quando ambos os sexos são vacinados, a proteção coletiva cresce de forma significativa, reduzindo a circulação do vírus na população. O desafio agora é de comunicação e acesso: garantir que as famílias saibam dessa oportunidade — e que ela não se perca antes de chegar a quem mais precisa.
O cirurgião oncológico André Bouzas tem uma mensagem clara para pais e responsáveis: a melhor defesa contra o câncer de colo de útero começa antes da primeira relação sexual. Em entrevista concedida segunda-feira ao Metropole Saúde, ele explicou que entre 98% e 99% dos casos dessa doença são causados pelo HPV, uma infecção sexualmente transmissível que pode ser prevenida através da vacinação.
A recomendação de Bouzas segue a orientação do Ministério da Saúde, que estabeleceu a faixa etária de 9 a 14 anos como o período ideal para a imunização. A lógica é simples: vacinar antes do início da vida sexual oferece proteção máxima. No entanto, nem todos os adolescentes recebem a vacina na idade recomendada. Por isso, este ano o ministério ampliou o acesso, permitindo que jovens de 15 a 19 anos também sejam vacinados até o final de 2026, capturando aqueles que escaparam da janela ideal de imunização.
O que muitos desconhecem, segundo o oncologista, é que a vacinação não é responsabilidade apenas das mulheres. Os homens também precisam ser vacinados. O vírus não respeita gênero — ele pode ser transmitido nos dois sentidos, e ambos os sexos podem ser portadores e transmissores. Embora o câncer de pênis seja muito menos frequente que o de colo de útero, Bouzas alertou que também é uma possibilidade real que merece atenção.
Essa expansão da recomendação vacinal para homens representa uma mudança importante na estratégia de saúde pública. Não se trata apenas de proteger as mulheres, mas de interromper a cadeia de transmissão do vírus na população como um todo. Quando ambos os sexos são vacinados, a proteção coletiva aumenta significativamente, reduzindo as chances de que o vírus circule e encontre pessoas desprotegidas.
O desafio agora é garantir que essa informação chegue às famílias e que a vacinação seja acessível. Com a extensão até os 19 anos, há uma segunda chance para adolescentes que não foram vacinados na idade ideal — uma oportunidade que o sistema de saúde está oferecendo este ano, mas que não durará indefinidamente.
Citações Notáveis
O ideal é que as crianças sejam vacinadas antes da primeira relação sexual, por isso essa faixa etária de 9 a 14 anos é a alvo— André Bouzas, cirurgião oncológico
Não é só as mulheres que devem se vacinar — o homem também deve, pois ainda pode transmitir a infecção— André Bouzas, cirurgião oncológico