Cinco crianças desenhistas compartilham dicas para quem quer começar a rabiscar

Qualquer um pode desenhar. É só começar.
Hikmat, aos 12 anos, oferece o conselho mais fundamental para quem quer começar a desenhar.
Mark

O que essas cinco crianças têm em comum, além de desenhar?

Mimi

Todas começaram cedo — a maioria entre 4 e 5 anos — e nenhuma parou. Mas o mais importante é que cada uma encontrou um caminho próprio. Hikmat com quadrinhos, Bernardo com mangá, Eduardo com futebol. Não há um único jeito certo.

Luke

Mas quanto tempo elas realmente dedicam? O texto diz que desenham "todo dia" ou "bastante", mas não há números. Quanto é bastante para uma criança de 6 anos?

Mimi

Boa pergunta. O que sabemos é que é consistente — não é uma atividade ocasional. Gianluigi deixa bem claro: desenha todo dia, mesmo quando a ideia não dá certo no final.

Mark

E o papel do feedback? Parece importante para algumas delas.

Mimi

Muito. Teresa adora quando alguém elogia. Bernardo valoriza críticas construtivas. Mas Gianluigi fica tímido com elogios. Então o feedback importa, mas de formas diferentes para cada um.

Luke

Nenhuma delas menciona ter tido aulas formais, exceto Hikmat com o curso de desenho e Gianluigi com o curso de pintura. Como sabemos se essas aulas fizeram diferença real?

Mimi

Gianluigi é bem claro: "Eu fiquei anos me dedicando" depois do curso. Mas você está certo — o texto não compara antes e depois. Sabemos que ele mudou de ideia sobre pintar, mas não sabemos quanto o curso contribuiu.

Mark

Qual é o conselho mais prático que sai daqui?

Mimi

Provavelmente o de Teresa: comece com lápis grafite para poder apagar. E o de Bernardo: pratique partes específicas — olhos, mãos — porque são as mais difíceis. Mas Gianluigi talvez tenha o mais importante: não existe fórmula. Só dedicação.

Luke

E quanto aos materiais? Eles mencionam lápis, caneta, canetinha, lápis de cor. Nenhum deles usa tablet ou desenha digitalmente?

Mimi

Não. Todos trabalham com papel e materiais tradicionais. Isso é interessante — a barreira de entrada continua sendo a mais baixa possível.

  • A maior barreira para desenhar não é a falta de habilidade, mas a crença de que é preciso algo especial para começar — e cinco crianças derrubam esse mito com lápis e papel.
  • Cada jovem artista carrega uma obsessão diferente: Hikmat vive dentro das HQs, Bernardo mergulha no universo do mangá, Eduardo celebra o futebol, Teresa inventa criaturas híbridas e Gianluigi desenha tudo que os olhos alcançam.
  • O erro é parte do processo: Teresa recomenda o lápis grafite justamente porque permite apagar; Bernardo alerta que olhos e mãos são 'as maiores desgraças' do desenho, mas insiste que enfrentá-los melhora a proporção.
  • O olhar do outro importa — elogios geram orgulho, críticas construtivas afinam a técnica — mas a motivação mais duradoura, como Gianluigi resume, é simplesmente a dedicação acumulada ao longo dos anos.

Em algum lugar entre a distração e a intenção, cinco crianças entre 6 e 12 anos descobriram que desenhar é um ato ao alcance de qualquer um — basta um lápis, um papel e a disposição de começar. Cada uma delas construiu, à sua maneira, um vocabulário visual próprio: quadrinhos, mangá, futebol, animais, super-heróis. O que une esses jovens artistas não é talento inato, mas a prática cotidiana e a coragem de errar no papel antes de acertar.

Tudo que você precisa para começar a desenhar provavelmente já está na sua casa. Cinco crianças entre 6 e 12 anos provam isso todos os dias — ou quase todos os dias — com lápis, canetas e folhas de papel. Cada uma delas desenvolveu um caminho próprio, uma obsessão, uma forma de ver o mundo através do traço.

Hikmat, 12 anos, vive dentro das histórias em quadrinhos e rabisca os cantos dos cadernos da escola quase sem perceber. Admira Leonardo da Vinci, Michelangelo e Frida Kahlo, mas raramente colore. Sua dica é direta: desenhe bastante e lembre-se de que qualquer um pode desenhar.

Teresa, 9 anos, criou o Gatoburguer — um hambúrguer com orelhinhas e rabo de gato — e se inspira no amigo Benjamin, que inventa monstros com dentes compridos. Ela aconselha começar sempre com lápis grafite: errou, apagou. Só depois de satisfeita é hora de pintar.

Bernardo, 10 anos, consome e produz mangá, especialmente rostos a partir dos quais constrói histórias inteiras. Influenciado por autores japoneses, ele desenha todos os dias — com ideia ou sem. Seu aviso mais honesto: olhos e mãos são os maiores desafios do desenho, mas enfrentá-los é o que melhora a proporção.

Eduardo, 6 anos, desenha desde antes dos dois e seu tema favorito é futebol. Prefere canetinha e segue uma ordem quase arquitetônica: cabeça grande, pescoço, ombro, braços, corpo, perna, pé.

Gianluigi, 12 anos, desenha tudo que vê — animes, jogos, filmes, gatinhos, super-heróis. Não gostava de pintar, mas um curso mudou isso. Depois de anos de dedicação, sua conclusão é a mais honesta de todas: não existe fórmula para ensinar alguém a desenhar. O que faz diferença é se dedicar muito.

Tudo que você precisa para começar a desenhar está provavelmente já na sua casa: um lápis, uma caneta, uma folha de papel. Não há barreira de entrada, não há equipamento caro, não há permissão que você precise pedir. Cinco crianças entre 6 e 12 anos sabem disso na prática. Elas desenham todos os dias, ou quase todos os dias, e cada uma desenvolveu um caminho próprio — um estilo, uma obsessão, uma forma de ver o mundo através do traço. Conversamos com elas sobre como começaram, o que as move agora, e o que diriam a alguém que quer soltar a criatividade no papel.

Hikmat tem 12 anos e vive dentro das histórias em quadrinhos. Ele guarda dezenas delas, todas com um humor que é só dele. "Desenvolvi um estilo que seria meu", explica, "e também estou aprendendo realismo em um curso de desenho." Mas nem sempre ele senta com a intenção de criar algo. Quando está distraído e tem papel à mão, rabisca. Seus cadernos da escola estão repletos de desenhos nos cantos, aleatórios, feitos enquanto pensava em outra coisa. Seus heróis artísticos são Leonardo da Vinci, Michelangelo e Frida Kahlo — nomes pesados —, mas ao contrário deles, Hikmat raramente colore. Quando o faz, usa lápis de cor ou caneta. Sua dica é simples: desenhe bastante e nunca esqueça que qualquer um pode desenhar. É só começar.

Teresa tem 9 anos e criou um hambúrguer com orelhinhas e rabo de gato chamado Gatoburguer. Desenha desde os 4 anos. Seus temas preferidos são animais, comidas e meninas — ela gosta de criar looks e personagens para elas. Diferente de Hikmat, Teresa valoriza muito a opinião das pessoas sobre seu trabalho, especialmente ideias para completar seus desenhos. Fica orgulhosa quando alguém elogia uma de suas obras. Seu artista favorito não é um mestre renascentista: é Benjamin, seu amigo, que desenha monstros e peixes grandes com dentes compridos usando a imaginação. Assim como ele, Teresa se inspira em livros e gibis. Seu conselho é prático: desenhe primeiro com lápis grafite, porque se errar pode apagar. Só quando ficar feliz com o resultado é hora de partir para a pintura.

Bernardo tem 10 anos e consome mangá — aquele livro japonês que se lê ao contrário. Desenha muito mangá também, principalmente rostos. "Eu crio minhas histórias com base nesses rostos", diz. Suas influências vêm da cultura asiática: Hiroyuki Takei, Koyoharu Gotouge, Gege Akutami e Haruichi Furudate. Mas isso não o limita. Desenha todos os dias, seja porque tem uma ideia, seja porque está sem ideias e só quer rabiscar. "Eu desenho porque eu gosto." As críticas construtivas das pessoas importam para ele, especialmente quando vêm de alguém melhor em proporção. Tem um amigo que desenha de forma menos realista, mais básica, e Bernardo às vezes faz assim também porque é legal desenhar de vários jeitos. Quando o elogiam, fica com vergonha mas muito feliz. Sua dica é desenhar todo dia, mesmo nos fins de semana, quando tiver tempo vago. Desenhe uma coisa por dia — a cabeça, a orelha. "Olho e mão são as maiores desgraças para desenhar!", avisa, "mas isso ajuda muito na proporção."

Eduardo tem 6 anos e seu forte é futebol. Desenha desde antes de completar dois anos. Mandou à Folhinha um desenho com a seleção de futebol da Espanha, campeã da última edição da Copa do Mundo. Faz a maioria de seus desenhos na escola e gosta de mostrar para os amigos. Fica muito feliz quando alguém elogia seu traço. Prefere canetinha. Seu artista favorito é Don Wood, o ilustrador americano que fez os desenhos de "O Ratinho, o Morango Vermelho Maduro e o Grande Urso Esfomeado" — histórias cheias de cores, como os desenhos de Eduardo. Sua dica é estrutural: primeiro a cabeça bem grande, depois o pescoço, depois o ombro, depois os braços, depois o corpo, depois a perna, depois o pé.

Gianluigi tem 12 anos e desenha desde os 4 ou 5 anos. Desenha todo dia. "Quando me dá uma ideia já vou pegando o papel, mesmo que não dê certo no final." Surgem bichinhos como gatinhos e super-heróis coloridos. "Não tem uma só coisa que eu goste de desenhar, eu desenho tudo que eu vejo. Curto desenhar anime, jogos que eu gosto, filmes, séries, tudo." Quando gosta de algo, mostra para as outras pessoas, mas não sabe lidar muito bem com elogios — fala só um "obrigado" meio tímido. Antigamente não gostava de pintar, mas depois de um curso passou a usar cores. "Eu fiquei anos me dedicando", diz. Sua dica final é a mais honesta: não existe uma fórmula para ensinar as pessoas a desenhar. Mas tem uma coisa que faz diferença: se dedicar muito.

Eu desenho porque eu gosto
— Bernardo, 10 anos
Não existe uma fórmula para ensinar as pessoas a desenhar. Mas tem uma coisa que vai fazer diferença, que é se dedicar muito
— Gianluigi, 12 anos
Envie de l'histoire complète ? Lire l'original sur Folha de S.Paulo ↗
Nous contacter FAQ