No início de setembro, o Teatro Vivo em São Paulo tornou-se palco de um diálogo raro: vozes da ciência, da arte, da educação e dos povos originários reunidas para interrogar, juntas, o destino do planeta e o lugar da tecnologia na vida humana. O encontro, curado pela Mandalah, não se propôs a lamentar o que se perde, mas a imaginar o que ainda pode ser construído. É um sinal de que a conversa sobre sustentabilidade começa a escapar dos círculos especializados para alcançar a textura mais ampla da cultura.
Cientistas e pensadores debatem futuro do planeta em São Paulo
Repensar o planeta não é tarefa de uma disciplina só
O que exatamente diferencia esse encontro de outros eventos sobre sustentabilidade que acontecem o tempo todo?
A mistura de vozes. Você tem cientistas, sim, mas também artistas e lideranças indígenas. Não é um seminário acadêmico. É mais como uma conversa onde cada pessoa traz um jeito diferente de entender o problema.
Mas a gente sabe o que foi dito? O material que temos é basicamente a lista de quem estava lá e os temas gerais. Não há nenhuma citação específica, nenhum argumento que foi levantado.
Verdade. O evento foi transmitido ao vivo, então quem quiser saber o que realmente foi discutido pode assistir. Mas o ponto aqui é que a iniciativa em si — reunir essas pessoas — já é um sinal.
Um sinal de quê?
De que a conversa sobre o futuro do planeta não é mais só coisa de ambientalista ou cientista. É coisa de artista, de educador, de quem pensa sobre tecnologia.
Mas a gente não sabe se isso vai resultar em algo concreto. O texto diz que foi "propositivo", mas propositivo como? Saíram propostas? Houve compromissos?
Não está claro no material. O que se sabe é que houve intenção de mobilizar a sociedade civil. A transmissão ao vivo foi parte disso.
E a questão da tecnologia — como as telas e dispositivos digitais — isso foi tratado como problema ou como ferramenta?
Parece que como ambos. A ideia era repensar a relação das pessoas com a tecnologia, não necessariamente rejeitá-la. Afinal, Miguel Nicolelis trabalha com interfaces cérebro-máquina. Não é alguém que quer desligar tudo.
Mas novamente, não sabemos qual foi o tom da discussão. "Repensar a relação" é vago. Pode significar qualquer coisa.
The Pulse
- A urgência climática e o impacto das telas na percepção humana do mundo chegaram ao mesmo palco, exigindo respostas que nenhuma disciplina isolada consegue oferecer.
- A reunião de um neurocientista, uma liderança indígena, uma escritora e uma especialista em cenários futuros criou uma tensão produtiva entre saberes que raramente se encontram.
- O evento recusou o tom de catástrofe e apostou numa postura deliberadamente propositiva, buscando caminhos concretos em vez de diagnósticos paralisantes.
- A transmissão ao vivo pelo portal Terra e pelo YouTube abriu o diálogo para além do teatro, convidando a sociedade civil a participar de uma conversa historicamente reservada a especialistas.
- O encontro sinaliza uma inflexão no debate público: preservação ambiental, tecnologia e educação passam a ser tratadas como questões inseparáveis, não como agendas paralelas.
No início de setembro, o Teatro Vivo em São Paulo tornou-se palco de um diálogo raro: vozes da ciência, da arte, da educação e dos povos originários reunidas para interrogar, juntas, o destino do planeta e o lugar da tecnologia na vida humana. O encontro, curado pela Mandalah, não se propôs a lamentar o que se perde, mas a imaginar o que ainda pode ser construído. É um sinal de que a conversa sobre sustentabilidade começa a escapar dos círculos especializados para alcançar a textura mais ampla da cultura.
No dia 1º de setembro, o Teatro Vivo em São Paulo recebeu um encontro fora do comum. Artistas, cientistas, educadores, lideranças indígenas e representantes da sociedade civil se reuniram para debater dois temas ao mesmo tempo urgentes e entrelaçados: como preservar o planeta e como repensar a relação das pessoas com a tecnologia que estrutura suas vidas.
A curadoria da Mandalah reuniu nomes de campos distintos. Nora Bateson, referência em sistemas complexos, dividiu espaço com a escritora Conceição Evaristo. O neurocientista Miguel Nicolelis esteve ao lado de Gaya Herrington, especialista em cenários futuros. Completaram o encontro o escritor Milton Hatoum, a liderança indígena Raquel Tupinambá e a atriz Denise Fraga.
A intenção declarada era ser corajosa e propositiva. A preservação da Terra foi tratada não como abstração distante, mas como questão que atravessa o cotidiano. A tecnologia, por sua vez, não foi colocada no banco dos réus: o debate girou em torno de como telas e dispositivos digitais redefinem as formas de nos relacionarmos com o mundo e entre nós.
A presença simultânea de um neurocientista e de uma liderança indígena, de uma romancista e de uma analista de futuros, sinalizava que o caminho adiante não será traçado por uma única perspectiva. O evento foi transmitido ao vivo, ampliando o alcance para além do teatro e convidando a sociedade civil a participar de um diálogo que, por muito tempo, ficou restrito a círculos acadêmicos e ativistas. O que emergiu foi menos um conjunto de respostas e mais um convite coletivo a repensar como vivemos, como criamos sentido e como transmitimos valores às gerações que virão.
Na terça-feira, dia 1º de setembro, o Teatro Vivo em São Paulo recebeu um encontro incomum: artistas, cientistas, educadores, lideranças indígenas e representantes da sociedade civil reunidos sob um mesmo teto para falar sobre o que importa. O tema era duplo e urgente — como preservar o planeta e, ao mesmo tempo, repensar a relação que as pessoas mantêm com as telas e a tecnologia que as cerca.
O evento, curado pela Mandalah, trouxe nomes de peso em seus respectivos campos. Nora Bateson, conhecida por seu trabalho em sistemas complexos e ecologia da mente, dividiu espaço com a escritora Conceição Evaristo, cuja obra toca questões de identidade e memória. O neurocientista Miguel Nicolelis, pesquisador de interfaces cérebro-máquina, estava lá. Também compareceram Gaya Herrington, especialista em sustentabilidade e cenários futuros, o escritor Milton Hatoum, a liderança indígena Raquel Tupinambá e a atriz Denise Fraga.
A proposta não era apenas diagnosticar problemas. O encontro se posicionou de forma deliberada como corajosa e propositiva — isto é, não se tratava de lamentação, mas de busca por caminhos. A preservação da Terra, tema central, foi abordada não como abstração, mas como questão que toca a vida cotidiana das pessoas. E a relação com a tecnologia, longe de ser tratada como vilã, foi colocada em perspectiva: como as telas e os dispositivos digitais redefinem a forma como nos relacionamos com o mundo e uns com os outros.
O encontro refletiu uma mudança no tom do debate público sobre sustentabilidade e futuro. Não se trata apenas de cientistas falando para cientistas, ou ativistas pregando para convertidos. A presença de artistas e educadores sinalizava que a conversa sobre o planeta é, fundamentalmente, uma conversa sobre como vivemos, como criamos significado e como transmitimos valores às próximas gerações.
O evento foi transmitido ao vivo pelo portal Terra e pelo YouTube de Terra Brasil, ampliando o alcance para além das paredes do teatro. Essa escolha de formato aberto sugeriu uma intenção de mobilizar não apenas especialistas, mas a sociedade civil em geral — convidando pessoas comuns a participar, ainda que virtualmente, de um diálogo que historicamente ficou restrito a círculos acadêmicos ou ativistas.
O que emergiu desse encontro, portanto, foi menos um conjunto de respostas prontas e mais um convite: o de repensar a relação entre preservação ambiental, tecnologia e educação como questões entrelaçadas. A presença simultânea de um neurocientista e de uma liderança indígena, de uma escritora e de uma especialista em cenários futuros, sugeria que o caminho adiante não será traçado por uma única disciplina ou perspectiva, mas pela convergência de saberes diversos.