Há décadas, a gripe escapa às vacinas convencionais pela simples razão de que o vírus muda mais depressa do que a ciência consegue acompanhar. Investigadores norte-americanos da Universidade de Michigan apresentaram agora uma abordagem diferente: nanopartículas revestidas com uma proteína viral mais estável, capaz de proteger ratos contra três estirpes distintas do vírus. É um passo modesto, mas filosoficamente significativo — em vez de perseguir a mudança, a ciência tentou ancorar-se naquilo que permanece.
Cientistas desenvolvem vacina de nanopartículas que protege contra três estirpes da gripe
Uma vacina que não exija uma injeção todos os anos
Porque é que a proteína M2 muda mais lentamente do que a hemaglutinina?
A hemaglutinina está exposta na superfície do vírus e é o alvo principal do sistema imunitário. Quando o vírus muta nessa proteína, consegue escapar aos anticorpos que desenvolvemos. A M2 é menos visível e menos pressionada pela seleção natural, por isso evolui mais devagar.
Mas se a M2 muda mais lentamente, o vírus não poderia simplesmente mudar outras partes para compensar?
É possível, mas a M2 tem um papel estrutural crítico no vírus. Mudanças drásticas nela podem prejudicar a capacidade do vírus se replicar. Há um equilíbrio entre escapar ao sistema imunitário e manter-se viável.
Porque é que ninguém tinha pensado nisto antes?
Pensaram, mas a dificuldade era produzir a proteína M2 em quantidade suficiente. O fermento geneticamente modificado resolveu esse problema. Agora conseguem fazer em um mês o que antes levaria muito mais tempo.
Os ratos ficaram completamente protegidos?
A vacina protegeu-os contra três estirpes, o que é notável. Mas ainda não sabemos se a proteção é total ou parcial, e quanto tempo dura. Essas respostas virão nos próximos testes.
Quando podemos esperar uma vacina assim para humanos?
Isto ainda está numa fase muito inicial. Primeiro precisam de confirmar a duração da imunidade nos ratos, depois fazer testes de segurança e eficácia em humanos. Provavelmente ainda faltam vários anos.
Le Pouls
- As vacinas atuais contra a gripe têm eficácia entre 30% e 60% e obrigam milhões de pessoas a revacinar-se todos os anos — um ciclo que a ciência quer quebrar.
- A equipa liderada por Fei Wen apostou na proteína M2, muito mais estável do que a hemaglutinina visada pelas vacinas convencionais, construindo nanopartículas com a forma e o tamanho dos vírus reais.
- O processo de produção recorre a fermento de padeiro geneticamente modificado, permitindo obter grandes quantidades da proteína em apenas um mês — uma velocidade que pode ser decisiva em futuras emergências sanitárias.
- Os testes em ratos demonstraram proteção contra três estirpes virais, mas a duração dessa imunidade ainda está por determinar antes de qualquer avanço para ensaios em humanos.
Há décadas, a gripe escapa às vacinas convencionais pela simples razão de que o vírus muda mais depressa do que a ciência consegue acompanhar. Investigadores norte-americanos da Universidade de Michigan apresentaram agora uma abordagem diferente: nanopartículas revestidas com uma proteína viral mais estável, capaz de proteger ratos contra três estirpes distintas do vírus. É um passo modesto, mas filosoficamente significativo — em vez de perseguir a mudança, a ciência tentou ancorar-se naquilo que permanece.
Investigadores norte-americanos desenvolveram uma vacina de nanopartículas que protegeu ratos contra três variantes do vírus da gripe, num avanço apresentado numa conferência da Sociedade Americana de Química. O trabalho sugere um caminho possível para uma vacina humana mais eficaz e duradoura do que as que existem atualmente.
O problema das vacinas convencionais é persistente: o vírus da gripe muta constantemente, o que limita a eficácia das vacinas atuais a entre 30% e 60% e obriga a vacinação anual. A equipa liderada por Fei Wen, da Universidade de Michigan, optou por uma estratégia diferente — em vez de tentar acompanhar as mutações, focou-se na proteína M2, muito mais estável do que a hemaglutinina que a maioria das vacinas visa. Construíram nanopartículas microscópicas com a forma e o tamanho dos vírus reais, mas revestidas com esta proteína mais conservada.
Igualmente relevante é o método de produção: em vez dos tradicionais ovos para cultivar vírus, a equipa utilizou fermento de padeiro geneticamente modificado, obtendo grandes quantidades da proteína em apenas um mês. Esta rapidez pode ser determinante quando surge uma nova ameaça viral.
Os resultados em ratos são promissores, mas o próximo passo é avaliar quanto tempo dura a imunidade antes de avançar para testes em humanos. O objetivo final permanece ambicioso: uma vacina contra a gripe verdadeiramente duradoura, eficaz contra múltiplas variantes e que dispense a injeção anual.
Investigadores norte-americanos conseguiram desenvolver uma vacina feita de nanopartículas que protegeu ratos contra três variantes diferentes do vírus da gripe — um avanço que pode transformar a forma como nos vacinamos contra a doença. O trabalho, apresentado numa conferência da Sociedade Americana de Química, sugere um caminho possível para uma vacina humana muito mais eficaz do que as que usamos atualmente.
O problema com as vacinas de gripe convencionais é simples mas persistente: o vírus muda constantemente. As vacinas que temos hoje incluem uma mistura de três ou quatro variantes virais apenas para alcançar o mesmo nível de proteção que esta nova vacina conseguiu sozinha. Mesmo assim, a sua eficácia oscila entre 30% e 60%, e porque o vírus continua a evoluir, a imunidade que proporcionam não dura mais de um ano. Isto significa que milhões de pessoas precisam de se revacinar anualmente, um ciclo que os cientistas gostariam de quebrar.
A estratégia da equipa, liderada por Fei Wen da Universidade de Michigan, foi elegante: em vez de tentar acompanhar as mutações do vírus, focaram-se numa proteína que muda muito mais lentamente. A maioria das vacinas atuais visa a hemaglutinina, uma proteína que cobre 80% da superfície do vírus e é extremamente propensa a mutações genéticas. Os investigadores escolheram a proteína M2, que é muito mais estável. Construíram nanopartículas microscópicas com aproximadamente o mesmo tamanho e forma dos vírus da gripe reais, mas revestidas com esta proteína M2 mais conservada.
O que torna este trabalho particularmente notável é como conseguiram produzir a vacina. Em vez de usarem ovos — o método tradicional para cultivar vírus de gripe — utilizaram fermento de padeiro geneticamente modificado. Este processo permitiu-lhes obter grandes quantidades da proteína M2 num prazo de apenas um mês. A velocidade de produção é significativa: uma vacina que pode ser fabricada rapidamente é uma vacina que pode chegar aos doentes mais depressa quando surge uma nova ameaça.
Os testes em ratos mostraram que a vacina funcionou contra três estirpes do vírus, um resultado promissor que abre a porta a investigação futura. Mas há ainda muitas perguntas por responder. O próximo passo é determinar quanto tempo os ratos permanecem imunes após a vacinação — se a proteção durar meses ou anos fará uma diferença enorme na viabilidade clínica da abordagem. Depois virão os testes em humanos, um processo que levará tempo.
O objetivo final é claro: uma vacina contra a gripe que seja verdadeiramente duradoura, que proteja contra múltiplas variantes e que não exija uma injeção todos os anos. Se este trabalho conseguir traduzir-se em resultados humanos, poderia mudar significativamente a forma como lidamos com uma das doenças virais mais comuns do planeta.
Citations marquantes
O nosso objetivo é desenvolver uma vacina para a gripe mais eficaz e largamente protetora, para que uma pessoa não tenha que se vacinar todos os anos— Fei Wen, autora do estudo