Relógios nucleares medem tempo monitorando interações de laser com núcleos de tório-229, oferecendo precisão potencialmente superior aos relógios atômicos atuais. As duas equipes independentes usaram abordagens experimentais diferentes, demonstrando que o conceito é robusto e não depende de implementação técnica específica.
Cientistas criam primeiros relógios nucleares operacionais em Viena e Pequim
Abre as portas para um universo físico totalmente novo
Por que isso importa? Já temos relógios atômicos que funcionam perfeitamente bem.
Os relógios atômicos são incrivelmente precisos, mas há um limite físico para o que você consegue fazer monitorando elétrons. Os núcleos atômicos são muito menores, então em teoria você pode medir com mais precisão ainda.
Em teoria. Mas o texto diz claramente que esses relógios nucleares ainda não superam os melhores relógios atômicos convencionais. Então quando é que vão?
Ainda não. Schumm admite que estão longe do desempenho almejado. Mas o ponto é que conseguiram fazer a coisa funcionar, e de duas formas diferentes.
Duas formas diferentes — isso é importante?
Muito. Mostra que o conceito não depende de um truque técnico específico. Se duas equipes independentes conseguem fazer funcionar com abordagens distintas, significa que o caminho é sólido.
Mas ainda não sabemos se vai ser melhor na prática. Os relógios atômicos já perdem um segundo em bilhões de anos. Qual é o ganho real?
Navegação por satélite, sincronização de dados, e — isso é fascinante — a busca por matéria escura. Eles usaram o relógio de Viena para tentar detectá-la.
E detectaram?
Não. Mas o relógio funcionou bem o suficiente para fazer o experimento.
Então ainda é promessa. Tecnologia que funciona, mas cujas aplicações práticas ainda estão por vir.
Sim, mas é uma promessa baseada em algo que agora é real, não apenas teórico.
El Pulso
- Dois primeiros relógios nucleares operacionais criados em Viena e Pequim em outubro de 2026
- Baseados em tório-229 aprisionado em cristais de fluoreto de cálcio
- Ainda não superam relógios atômicos convencionais, mas têm potencial para fazê-lo
- Equipes usaram abordagens experimentais diferentes, demonstrando robustez do conceito
Relógios nucleares medem tempo monitorando interações de laser com núcleos de tório-229, oferecendo precisão potencialmente superior aos relógios atômicos atuais. As duas equipes independentes usaram abordagens experimentais diferentes, demonstrando que o conceito é robusto e não depende de implementação técnica específica.
Equipes em Viena e Pequim desenvolveram os dois primeiros relógios nucleares operacionais, representando avanço significativo na medição de tempo com potencial para superar relógios atômicos convencionais.
Em laboratórios separados por milhares de quilômetros, dois grupos de cientistas chegaram simultaneamente a um marco que a comunidade científica perseguia há quase meio século. Na Universidade Técnica de Viena e na Universidade de Tsinghua, em Pequim, pesquisadores construíram e colocaram em funcionamento os primeiros relógios nucleares operacionais do mundo. Os resultados, divulgados nesta quarta-feira em artigos publicados na revista Nature, representam um salto significativo na tecnologia de medição de tempo — não porque os dispositivos já superem os melhores relógios atômicos convencionais, mas porque demonstram que é possível fazer algo que até recentemente existia apenas na teoria.
O nome "relógio nuclear" pode induzir ao erro. Não se trata de máquinas movidas a fusão ou fissão, mas de instrumentos que medem o tempo monitorando como um laser de alta potência interage com o núcleo de um átomo. Ambos os relógios funcionam com tório-229, um isótopo do elemento tório aprisionado em cristais sólidos de fluoreto de cálcio. Quando o laser atinge o núcleo, faz com que prótons e nêutrons pulem de um nível de energia para outro. Rastreando essas transições nucleares, os cientistas conseguem medir o tempo com uma precisão potencialmente maior do que a alcançada pelos relógios atômicos convencionais, que monitoram elétrons em vez de núcleos.
O que torna essa conquista particularmente significativa é que as duas equipes chegaram lá por caminhos diferentes. Thorsten Schumm, da TU Wien, liderou o esforço em Viena, onde sua equipe trabalha no projeto desde 2008. Shiqian Ding, da Universidade de Tsinghua, coordenou o trabalho em Pequim. Apesar de abordagens experimentais distintas, ambas conseguiram fazer seus relógios nucleares funcionarem. "Acho isso muito encorajador, pois mostra que o conceito é robusto e não depende de uma implementação técnica específica", afirmou Ding. Para Schumm, a realização marca o fim de uma longa jornada: "A criação de um relógio nuclear era algo com que os físicos sonhavam há quase 50 anos".
Os relógios atômicos convencionais, criados pela primeira vez em 1949, já oferecem uma precisão extraordinária — os melhores podem funcionar por bilhões de anos perdendo ou ganhando apenas um segundo. Essa ultraprecisão tornou possível tecnologias que hoje são fundamentais: sistemas globais de navegação por satélite, comunicações pela internet, celular e fibra óptica. Mas os relógios nucleares prometem ir além. A razão é física: um núcleo atômico é muito menor do que a camada de elétrons que o circunda, o que significa que monitorar transições nucleares pode atingir níveis de precisão ainda maiores.
Ainda há trabalho considerável pela frente. Schumm admite que o relógio de Viena está "longe de seu desempenho almejado". Mas há motivo para otimismo. O relógio de Viena possui cristais de tório com maior concentração e melhores propriedades ópticas, enquanto a equipe de Pequim desenvolveu um laser mais potente. "Apenas reunindo esses componentes, já podemos construir um relógio significativamente melhor", observou Schumm. As aplicações práticas que os pesquisadores vislumbram incluem navegação por satélite aprimorada, sincronização de transferência de dados, topografia e metrologia — o estudo da medição e suas aplicações práticas.
Além das aplicações tecnológicas imediatas, os relógios nucleares abrem portas para investigações em física fundamental. A equipe de Viena usou seu relógio para tentar detectar matéria escura, o componente misterioso que compõe grande parte do universo e que até agora escapou à observação direta. O experimento não encontrou matéria escura, mas o relógio nuclear funcionou com desempenho comparável ao dos melhores relógios atômicos. "Isso abre as portas para um universo físico totalmente novo", disse Schumm. O que começou como um sonho de físicos há décadas agora é realidade — ainda imperfeita, ainda em desenvolvimento, mas real.
Citas Notables
A criação de um relógio nuclear era algo com que os físicos sonhavam há quase 50 anos. Na minha equipe, temos trabalhado nesse objetivo desde 2008.— Thorsten Schumm, TU Wien
As duas equipes trabalharam de forma independente e conseguiram colocar em funcionamento relógios nucleares de tório-229 ao mesmo tempo, utilizando abordagens experimentais diferentes. Acho isso muito encorajador, pois mostra que o conceito é robusto.— Shiqian Ding, Universidade de Tsinghua