China anuncia cortes históricos de emissões e confronta negacionismo climático dos EUA

deixar que a China se torne o único eletro-Estado poderoso
Analista americano sobre as consequências da posição de Trump em relação à energia limpa.
Mark

Por que o anúncio da China é considerado histórico se a redução de 7% a 10% parece modesta?

Mimi

Porque é a primeira vez que a China anuncia um plano concreto de redução de emissões em relação ao seu pico. Antes, o país havia se comprometido apenas a não aumentar mais suas emissões. Além disso, a multiplicação por seis da capacidade de energia solar e eólica é um investimento massivo que muda a estrutura energética do país.

Luke

Mas precisamos ser claros: 7% a 10% de redução até 2035 ainda deixa a China como o maior emissor absoluto do mundo. E a meta de 30% de fontes não fósseis, embora significativa, ainda significa que 70% da energia virá de combustíveis fósseis.

Mark

E qual é o significado político do discurso de Trump na ONU?

Mimi

Trump negou a ciência climática e anunciou a segunda retirada dos EUA do Acordo de Paris. Isso cria um vácuo de liderança que a China pode preencher, especialmente em tecnologias limpas e investimentos em energia renovável.

Luke

Verdade, mas também é importante notar que Trump criticou explicitamente a China e a União Europeia por suas escolhas energéticas. Isso não é apenas negacionismo — é uma aposta deliberada em combustíveis fósseis como estratégia econômica.

Mark

O Brasil está fazendo o suficiente com sua meta de 59% a 67%?

Mimi

O Brasil está entre os países mais ambiciosos em termos de redução percentual. Lula também enfatizou o combate ao desmatamento, que é crucial para a credibilidade climática do país. Mas a pressão está aumentando porque a COP30 será no Brasil em novembro.

Luke

A questão é se essas metas serão alcançadas na prática. O Brasil tem histórico de anunciar compromissos ambiciosos e depois enfrentar dificuldades na implementação. E Guterres foi claro: mesmo esses novos compromissos ainda estão aquém do que a ciência diz ser necessário para 1,5°C.

  • Trump negou publicamente a ciência climática na ONU, chamou cientistas de 'estúpidos' e anunciou a segunda retirada americana do Acordo de Paris, aprofundando o vácuo de liderança climática ocidental.
  • A China respondeu com seu compromisso mais concreto até hoje: cortar emissões entre 7% e 10% até 2035 e multiplicar por seis sua capacidade solar e eólica, posicionando-se como potência da economia verde global.
  • Analistas alertam que a postura americana equivale a entregar à China o domínio da economia pós-carbono, revertendo décadas de influência geopolítica dos EUA no setor energético.
  • Lula cobrou maior ambição das potências na mesma cúpula, enquanto o Brasil prometeu cortes de até 67% — muito acima do compromisso chinês —, e Guterres advertiu que as metas globais ainda ficam aquém do necessário para conter o aquecimento a 1,5°C.
  • A COP30, marcada para novembro no Brasil, emerge como o próximo campo de disputa entre ambição climática real e promessas insuficientes diante de uma crise que não aguarda calendários políticos.

Em Nova York, à margem da Assembleia Geral da ONU, a China deu um passo histórico ao anunciar seu primeiro plano concreto de corte de emissões, enquanto os Estados Unidos, sob Donald Trump, reafirmavam sua aliança com os combustíveis fósseis. O gesto de Xi Jinping — reduzir entre 7% e 10% das emissões até 2035 e sextuplicar a capacidade renovável — ecoa como resposta silenciosa a um mundo que busca liderança onde quer que ela apareça. A humanidade, mais uma vez, se vê diante da tensão entre o que é urgente e o que é politicamente conveniente, com a COP30 no Brasil como próximo teste de sua seriedade coletiva.

Na quarta-feira, durante a Cúpula de Líderes pelo Clima às margens da Assembleia Geral da ONU em Nova York, Xi Jinping anunciou por vídeo o primeiro plano concreto da China para reduzir emissões de gases de efeito estufa: entre 7% e 10% até 2035, medidos a partir do pico nacional. O país também prometeu multiplicar por seis sua capacidade instalada de energia solar e eólica em relação a 2020, elevando fontes não fósseis a mais de 30% do consumo energético doméstico.

O anúncio chegou um dia após Donald Trump negar a ciência climática no mesmo palco, chamar cientistas de 'estúpidos' e confirmar a segunda retirada americana do Acordo de Paris. Xi não citou os EUA diretamente, mas afirmou que 'a transformação verde e de baixo carbono é a tendência do nosso tempo', pedindo 'confiança e ação inabaláveis' mesmo diante de países que caminham na direção contrária.

Especialistas como Ian Bremmer, do Belfer Center, interpretaram a postura de Trump como uma concessão estratégica à China. 'Deixar que a China se torne o único eletro-Estado poderoso do mundo é o oposto de tornar a América grande novamente', afirmou. Já Li Shuo, da Asia Society, reconheceu que o compromisso chinês, embora histórico, foi cauteloso diante do potencial real de sua economia verde.

Na mesma cúpula, Lula cobrou maior ambição das potências e apresentou o compromisso brasileiro de reduzir emissões entre 59% e 67% até 2035. 'O negacionismo pode de fato vencer', alertou. A União Europeia prometeu cortes de até 72%, a Austrália de até 70%, e Palau, em nome dos pequenos Estados insulares, comprometeu-se com 44%. Guterres reconheceu avanços desde 2015, mas advertiu que as metas ainda ficam aquém do necessário para limitar o aquecimento a 1,5°C — deixando a COP30, em novembro no Brasil, como o próximo e urgente teste da seriedade global.

Na quarta-feira, durante a Cúpula de Líderes pelo Clima realizada à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York, a China anunciou seu primeiro plano concreto de redução de emissões de gases de efeito estufa. O presidente Xi Jinping, falando por vídeo de Pequim, comprometeu-se a reduzir as emissões entre 7% e 10% até 2035, medida em relação ao pico de emissões do país. O anúncio marca uma mudança significativa na política climática chinesa e foi acompanhado por promessas de expansão massiva em energia renovável: a China planeja multiplicar por seis sua capacidade instalada de energia solar e eólica em comparação com 2020, elevando a participação de fontes não fósseis para mais de 30% do consumo energético doméstico na próxima década.

O discurso de Xi funcionou como resposta indireta aos Estados Unidos. Um dia antes, no mesmo palco da ONU, o presidente Donald Trump havia negado a ciência climática, chamando-a de "conversa fiada" e acusando cientistas de serem "estúpidos". Trump anunciou uma segunda retirada dos EUA do Acordo de Paris, assinado em 2015, e criticou tanto a União Europeia quanto a China por adotarem tecnologias limpas, reafirmando o compromisso de Washington com combustíveis fósseis. Na sua fala, Xi enfatizou que "a transformação verde e de baixo carbono é a tendência do nosso tempo" e pediu que a comunidade internacional mantivesse "confiança inabalável, ação inabalável e esforços inabaláveis" apesar de alguns países irem contra essa tendência.

Especialistas veem na posição americana uma abertura para que a China assuma protagonismo global no setor de energia limpa. Ian Bremmer, cientista político do Belfer Center, argumentou que a postura de Trump equivale a ceder à China o domínio da economia pós-carbono. "Trump quer combustíveis fósseis e os Estados Unidos são de fato um petro-Estado poderoso. Mas deixar que a China se torne o único eletro-Estado poderoso do mundo é o oposto de tornar a América grande novamente", afirmou Bremmer.

Porém, analistas também apontam que o compromisso chinês, embora histórico, foi cauteloso frente ao potencial de sua economia verde. Li Shuo, diretor do China Climate Hub da Asia Society, destacou que Pequim manteve sua tradição de decisões cuidadosas, mas ressaltou que sua liderança em energias renováveis pode impulsionar um papel mais ativo no cenário internacional. "O compromisso de Pequim representa um movimento cauteloso que estende uma tradição política de priorizar decisões estáveis e previsíveis, mas também esconde uma realidade econômica mais significativa", afirmou Li.

Na mesma cúpula, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou maior ambição das potências globais. O Brasil se comprometeu a reduzir emissões entre 59% e 67% até 2035 e a intensificar o combate ao desmatamento. Lula alertou que "a sociedade vai deixar de acreditar em seus líderes. E todos nós perderemos, porque o negacionismo pode de fato vencer". O secretário-geral da ONU, António Guterres, reconheceu avanços desde o Acordo de Paris, mas advertiu que as novas metas ainda estão aquém do necessário para limitar o aquecimento global a 1,5°C.

Outros países também anunciaram compromissos durante a cúpula. A União Europeia pretende reduzir emissões entre 66% e 72% até 2035, a Austrália anunciou cortes de 62% a 70% em relação a 2005, e Palau, em nome da Aliança dos Pequenos Estados Insulares, prometeu reduzir 44% em relação a 2015. Os anúncios reforçam a pressão para a COP30, que será realizada em novembro no Brasil, mas também revelam a distância entre as promessas e o que a ciência indica como necessário para evitar os piores cenários de mudança climática.

A transformação verde e de baixo carbono é a tendência do nosso tempo. Apesar de alguns países irem contra essa tendência, a comunidade internacional deve permanecer no caminho certo
— Xi Jinping, presidente da China
A sociedade vai deixar de acreditar em seus líderes. E todos nós perderemos, porque o negacionismo pode de fato vencer
— Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil
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