Chef Eudes Assis muda Taioba para praia da Barra do Sahy no litoral norte

Aprendi que é maravilhoso morar aqui e desfrutar das coisas que vêm daqui
Assis fala sobre sua transformação de menino estigmatizado a chef que celebra a herança caiçara com orgulho.
Mark

Por que um chef que já tem um restaurante consolidado desde 2015 decide se mudar agora?

Mimi

Assis diz que a proximidade ainda maior com o mar traz possibilidades concretas — aperitivos frescos, uma churrasqueira que o espaço anterior não tinha. Mas é também sobre aprofundar uma missão que ele já vinha fazendo: valorizar a culinária caiçara.

Luke

Entendo, mas "possibilidades" é vago. Quais pratos especificamente ele não conseguia fazer antes que agora vai conseguir?

Mimi

Peixes assados. A churrasqueira é o equipamento que faltava. E aperitivos frescos — ingredientes que chegam mais rápido do mar.

Luke

Certo. Mas a distância entre Camburi e Barra do Sahy é pequena, como o texto diz. Quanto tempo a menos leva para um peixe chegar fresco?

Mimi

O texto não especifica isso. Assis afirma que a proximidade trará possibilidades, mas não quantifica o ganho.

Mark

E quanto à capacidade? O novo espaço muda o tamanho do restaurante?

Mimi

Sim. Terá 60 lugares e um jardim com mesas ao ar livre. Ele espera receber cerca de 300 pessoas por dia na alta temporada.

Luke

Espera receber — isso é uma projeção dele, não um número confirmado. E não sabemos qual era a capacidade anterior.

Mark

Faz sentido. E essa história de 2023, quando ele cozinhou 10 mil marmitas — como isso se conecta com a mudança agora?

Mimi

Não se conecta diretamente. É mais contexto sobre quem ele é como pessoa e chef. Mostrou liderança comunitária em um momento de crise.

Luke

Exato. É um detalhe que humaniza o personagem, mas não explica a mudança de endereço. São duas histórias diferentes.

Mark

Entendi. Então a mudança é principalmente operacional — mais espaço, melhor equipamento, ingredientes mais frescos — e também simbólica, porque reforça o compromisso dele com a cultura caiçara?

Mimi

Isso. E o novo lugar, na praia, talvez reforce ainda mais essa conexão com o mar e a comunidade local.

  • Após onze anos no sertão de Camburi, o Taioba Gastronomia se muda para a Barra do Sahy, uma transição pequena em distância, mas carregada de significado para o chef e sua comunidade.
  • A nova churrasqueira e a proximidade com o mar abrem possibilidades que o espaço anterior não permitia — peixes assados, aperitivos frescos e um cardápio ainda mais enraizado na sazonalidade local.
  • O novo espaço com 60 lugares e jardim ao ar livre precisa absorver até 300 pessoas por dia na alta temporada, testando a capacidade do restaurante de crescer sem perder sua essência artesanal.
  • Assis mantém sua rede de produtores locais e móveis feitos por artesãos caiçaras, transformando cada refeição em um ato de resistência cultural e redistribuição econômica.
  • A mudança chega três anos após as enchentes de 2023, quando o chef cozinhou 10 mil marmitas para vítimas mesmo com seu próprio restaurante tomado pela lama — um gesto que define quem ele é além do fogão.

Em São Sebastião, no litoral norte de São Paulo, o chef Eudes Assis encerra onze anos em uma cozinha para abrir um novo capítulo mais perto do mar. A mudança do Taioba Gastronomia para a praia da Barra do Sahy, prevista para o fim de outubro, não é apenas logística — é a continuação de uma vida inteira dedicada a transformar herança em orgulho, e ingredientes humildes em identidade. Filho caçula de uma família caiçara, Assis carrega na cozinha a memória de um povo historicamente marginalizado e a convicção de que valorizar a própria cultura é o caminho mais verdadeiro para a gastronomia.

Eudes Assis está deixando a cozinha que ocupou por onze anos. Desde 2015, o Taioba Gastronomia funcionava no sertão de Camburi, em São Sebastião. No fim de outubro, a casa se muda para a praia da Barra do Sahy — uma distância pequena, mas que o chef enxerga como decisiva. Mais perto do mar significa mais possibilidades: aperitivos frescos e peixes assados em uma churrasqueira que o espaço anterior não comportava.

Caçula de 14 filhos, nascido e criado no litoral paulista, Assis aprendeu desde criança a transformar o que o mar e a mata atlântica ofereciam em comida. Quando era menino, ser caiçara era estigma. Hoje, ele fala com orgulho sobre essa herança. No Taioba, isso se traduz em um cardápio que honra peixes menos valorizados — manjubinha, sororoca, mariscos — e ingredientes não convencionais como a taioba, planta da mata atlântica que deu nome ao restaurante. O bolinho de peixe seco com chutney de banana, preparado com sororoca curada ao sol, e o arroz lambe-lambe com mariscos são marcas da casa.

O novo espaço terá 60 lugares e jardim com mesas ao ar livre. Assis espera receber cerca de 300 pessoas por dia na alta temporada. Mas a mudança vai além da estrutura: a nova churrasqueira abre caminho para pratos que antes não eram possíveis, e a proximidade com o mar permite variar o cardápio com ingredientes ainda mais frescos e sazonais.

O restaurante também é um projeto comunitário. Os insumos vêm de produtores locais; os móveis e a decoração foram feitos por pessoas que vivem a cultura caiçara. Essa filosofia ficou evidente em 2023, quando as enchentes devastaram São Sebastião. Mesmo com o próprio restaurante tomado pela lama, Assis liderou uma mobilização e cozinhou cerca de 10 mil marmitas para as famílias afetadas.

Na Barra do Sahy, ele continua a mesma missão. "Tendência para mim é valorizar sua cultura, sua identidade, a cozinha do seu povo", afirma. A mudança de endereço é mais um passo em uma direção que nunca mudou.

Eudes Assis está deixando a cozinha que ocupou por onze anos. Desde 2015, seu restaurante Taioba Gastronomia funcionava no sertão de Camburi, em São Sebastião, no litoral norte de São Paulo. No fim de outubro, a casa se muda para a praia da Barra do Sahy — uma distância pequena, mas que o chef vê como decisiva. Mais perto do mar significa mais possibilidades no cardápio: aperitivos frescos, peixes assados em uma churrasqueira que o espaço anterior não permitia.

Assis é uma figura central na cozinha caiçara contemporânea, aquela que resgata técnicas e ingredientes que moldaram a vida no litoral paulista. Caçula de 14 filhos, nascido e criado nessa região, ele aprendeu desde criança com a mãe como transformar o que o mar e a mata atlântica ofereciam em comida. Quando era menino, ser caiçara era sinônimo de estigma — o garoto que cheirava a peixe. Hoje, Assis fala com orgulho e consciência de classe sobre essa herança. "Aprendi que é maravilhoso morar aqui e desfrutar das coisas que vêm daqui. Compartilho isso com todo mundo", diz ele.

No Taioba, isso se traduz em um cardápio que honra peixes menos valorizados mas abundantes na região: manjubinha, sororoca, mariscos do litoral norte. O prato que deu nome ao restaurante e projetou o chef é o bolinho de taioba, feito com a planta alimentícia não convencional que cresce na mata atlântica. Há também o bolinho de peixe seco com chutney de banana, preparado com sororoca curada ao sol no varal, como manda a tradição. Entre os pratos principais, o arroz lambe-lambe com mariscos — grãos cozidos em caldo de peixe com mexilhões, cebola e alho-poró. Para sobremesa, o Manezinho Araújo combina doce de banana, creme de baunilha, merengue italiano e confit de casca de laranja.

O novo espaço terá 60 lugares e um jardim com mesas ao ar livre. Assis espera receber cerca de 300 pessoas por dia durante a alta temporada. O horário de funcionamento — quinta a segunda, das 12h30 às 22h — será mantido. Mas a mudança vai além da estrutura física. A nova churrasqueira abre caminho para peixes assados que antes não eram possíveis. A proximidade ainda maior com o mar permite variar o cardápio com ingredientes mais frescos e sazonais.

O restaurante também é um projeto de valorização comunitária. Assis compra insumos de produtores locais. Os móveis e itens de decoração foram feitos por pessoas que vivem a cultura caiçara. Essa abordagem reflete uma filosofia que vai além da gastronomia: resgatar e celebrar a identidade de um povo que historicamente foi marginalizado.

O chef começou a trabalhar em cozinha aos 15 anos. Passou por restaurantes na Europa e em São Paulo antes de ser eleito chef revelação pela revista Prazeres da Mesa em 2010, quando comandava o Seu Sebastião em Maresias. Inaugurou o Taioba em 2015. Ganhou visibilidade adicional em 2023, quando São Sebastião foi atingida por fortes chuvas e enchentes. Mesmo com seu próprio restaurante invadido pela lama, Assis liderou uma mobilização para ajudar as famílias afetadas e cozinhou cerca de 10 mil marmitas para as vítimas.

Agora, na Barra do Sahy, ele continua a mesma missão: valorizar a cultura e a identidade caiçara, mostrar as riquezas do litoral e da mata atlântica através da comida. "Tendência para mim é valorizar sua cultura, sua identidade, a cozinha do seu povo", afirma. A mudança de endereço é um passo nessa direção contínua.

Quando eu era criança, o caiçara era visto de forma pejorativa, era o menino que cheirava a peixe. Hoje eu tenho orgulho e consciência de classe.
— Chef Eudes Assis
Tendência para mim é valorizar sua cultura, sua identidade, a cozinha do seu povo. Mostrar as riquezas do nosso litoral e da nossa mata atlântica.
— Chef Eudes Assis
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