Na Arena Fonte Nova, Rogério Ceni deparou-se com uma das tensões mais antigas do esporte: a distância entre o que acontece dentro de campo e o que o placar registra. O árbitro Ramon Abatti Abel anulou um dos três gols do Bahia contra o Corinthians, e para o técnico tricolor, aquela decisão não foi apenas uma interpretação das regras — foi uma ruptura no processo que sua equipe vinha construindo com paciência e identidade tática. O futebol, como a vida, nem sempre recompensa quem trabalha melhor; e é nessa lacuna entre mérito e resultado que as grandes perguntas sobre justiça e controle se inst
Ceni critica árbitro por anular gol: "Estragou o jogo" em Bahia x Corinthians
Estragou o jogo, mas a gente consegue manter controle mesmo assim
Por que Ceni insistiu tanto em falar sobre a posse de bola se o resultado foi o que importava?
Porque para ele, a posse de bola não é um detalhe estatístico — é a prova de que o time fez o trabalho certo. Se você controla o jogo e ainda assim perde ou empata por causa de uma decisão arbitral, a frustração não é só sobre o placar. É sobre ter feito tudo certo e ter sido roubado.
E quanto aos jogadores que não eram os titulares? Por que mencionar isso?
Porque reforça o argumento. Se o Bahia conseguisse manter aquele controle com Caio, Everton e Jean Lucas, seria esperado. Mas conseguir com Nico, Erick e Nestor? Isso mostra que não é sorte, é sistema. É processo.
O gramado ruim é desculpa ou contexto legítimo?
Para Ceni, é contexto. Ele não está dizendo que perdeu por causa do gramado. Está dizendo que mesmo com o gramado ruim, conseguiu fazer o que planejava. Se tivesse um campo melhor, teria feito ainda melhor.
A anulação do gol realmente "estragou" o jogo ou Ceni está dramatizando?
Dramatizando um pouco, talvez. Mas há verdade ali. Quando um árbitro anula um gol polêmico, muda a dinâmica emocional da partida. O time que marcou perde confiança. O outro ganha esperança. Não é só sobre o placar — é sobre como a decisão altera tudo que vem depois.
Qual é o risco de um técnico criticar a arbitragem assim?
Ceni corre o risco de parecer que está procurando desculpas. Mas ele foi inteligente — não disse que perdeu por causa do árbitro. Disse que seu time foi superior e merecia vencer. A crítica à arbitragem é secundária ao argumento tático.
The Pulse
- Ceni afirma que o Bahia foi superior ao Corinthians em posse de bola e criação de jogadas, mas saiu sem a vitória que acredita ter merecido.
- A anulação de um dos três gols marcados pelo Bahia pelo árbitro Ramon Abatti Abel é apontada pelo técnico como a principal responsável pelo resultado injusto.
- O gramado irregular da Arena Fonte Nova e uma escalação repleta de substitutos tornavam o desafio ainda maior — e o controle tático mantido pelo time, ainda mais significativo para Ceni.
- O técnico destaca a evolução individual de jogadores como Ronaldo e a solidez de um sistema que se mantém mesmo quando as peças titulares estão ausentes.
- A crítica à arbitragem reacende o debate sobre a qualidade das decisões no futebol brasileiro e o peso que elas têm sobre resultados e processos táticos.
Na Arena Fonte Nova, Rogério Ceni deparou-se com uma das tensões mais antigas do esporte: a distância entre o que acontece dentro de campo e o que o placar registra. O árbitro Ramon Abatti Abel anulou um dos três gols do Bahia contra o Corinthians, e para o técnico tricolor, aquela decisão não foi apenas uma interpretação das regras — foi uma ruptura no processo que sua equipe vinha construindo com paciência e identidade tática. O futebol, como a vida, nem sempre recompensa quem trabalha melhor; e é nessa lacuna entre mérito e resultado que as grandes perguntas sobre justiça e controle se instalam.
Rogério Ceni deixou a Arena Fonte Nova com a convicção de que seu time havia feito o suficiente para vencer — e com a frustração de que uma decisão arbitral havia impedido que o placar refletisse isso. O árbitro Ramon Abatti Abel anulou um dos três gols marcados pelo Bahia contra o Corinthians, e para o técnico, aquele gesto resumiu-se em três palavras: "Estragou o jogo".
O que tornava a situação ainda mais incômoda era o contexto em que o Bahia havia construído aquele desempenho. O gramado da Arena Fonte Nova estava longe do ideal, e a escalação era repleta de substitutos — Nico no lugar de Caio, Erick no de Everton, Nestor onde normalmente atuava Jean Lucas. Eram adaptações que exigiam ajustes técnicos e comportamentais. E ainda assim, o Bahia havia controlado a posse de bola durante a maior parte do confronto, mantendo o Corinthians sob pressão.
Para Ceni, esse controle não era apenas um dado estatístico — era a prova de uma identidade tática em construção. Ele falava sobre a evolução de Ronaldo com os pés, sobre a importância de um time que busca a posse como ferramenta de domínio, sobre um processo que resiste mesmo quando as peças originais não estão disponíveis. Vencer era o objetivo principal, mas manter aquele ritmo e aquela estrutura era o segundo objetivo, quase tão valioso quanto.
A crítica à arbitragem, portanto, ia além da frustração imediata. Era a constatação de que uma decisão externa havia interrompido algo que estava sendo construído com cuidado. O Bahia havia criado, havia marcado, havia controlado — e o resultado não havia correspondido ao que aconteceu dentro de campo. No futebol brasileiro, Ceni sabia, essas situações são recorrentes. Mas isso não tornava a sensação de injustiça menos real.
Rogério Ceni saiu do banco de técnico na Arena Fonte Nova com uma frustração clara: seu time havia jogado melhor, havia marcado gols, e ainda assim o resultado não refletia o que havia acontecido dentro de campo. O árbitro Ramon Abatti Abel havia anulado um dos três tentos do Bahia contra o Corinthians, e para Ceni, aquela decisão não era apenas uma questão de interpretação das regras — era uma interferência que havia prejudicado o espetáculo.
"Estragou o jogo", disse o técnico, resumindo em três palavras a sensação de que algo havia sido tirado da partida por uma caneta vermelha. Ceni não estava reclamando apenas por reclamar. Ele tinha argumentos táticos para sustentar sua posição. O Bahia havia controlado a posse de bola durante a maior parte do confronto, mantendo o Corinthians sob pressão e construindo o jogo a partir de trás, exatamente como ele gostava de trabalhar.
O que tornava aquele controle ainda mais notável era a forma como o Bahia havia conseguido mantê-lo apesar das limitações impostas. O gramado da Arena Fonte Nova não era dos melhores — Ceni não hesitou em apontar isso. Se o campo oferecesse as mesmas condições de um estádio de Copa do Mundo, argumentou, os passes seriam mais precisos, os erros diminuiriam, e o futebol seria mais fluido. Mas mesmo com aquele piso irregular, seu time havia mantido a estrutura.
A escalação também não era a ideal. Ceni tinha à disposição jogadores como Caio, Everton e Jean Lucas — peças fundamentais em seu sistema. Mas naquele dia, precisou improvisar. Nico ocupava a posição de Caio. Erick jogava no lugar de Everton. Nestor estava onde normalmente ficava Jean Lucas. Eram mudanças que alteravam as características técnicas do time, que exigiam adaptações. E ainda assim, o Bahia havia conseguido manter o controle do jogo. Para Ceni, isso era motivo de orgulho — não porque tivesse vencido, mas porque demonstrava um processo, uma identidade tática que resistia mesmo quando as peças não eram as originais.
O técnico falava sobre Ronaldo, que havia melhorado com os pés. Falava sobre a importância de ter um time que construísse o jogo, que buscasse a posse de bola como ferramenta de controle. Seu objetivo principal era sempre vencer — isso era inegociável. Mas o segundo objetivo, quase tão importante quanto, era manter aquele domínio tático, aquela capacidade de ditar o ritmo da partida.
A crítica à arbitragem, portanto, não era apenas uma explosão emocional de um técnico frustrado. Era a constatação de que uma decisão havia interrompido aquele processo que ele vinha construindo. O Bahia havia marcado três gols. Um deles havia sido anulado. A diferença entre um resultado que validaria sua estratégia e um que deixaria a sensação de injustiça havia sido determinada não pelo que acontecia dentro de campo, mas pela interpretação de um árbitro.
Ceni sabia que no futebol brasileiro essas situações eram comuns. Mas isso não tornava menos frustrante o fato de que seu time havia feito o trabalho — havia jogado melhor, havia controlado, havia criado — e ainda assim não havia colhido o resultado que merecia.
Notable Quotes
O Bahia foi superior ao Corinthians e merecia vencer a partida— Rogério Ceni, técnico do Bahia
Ter um time que constrói jogo e mantém controle mesmo com jogadores alternativos mostra processo— Rogério Ceni