No Distrito Federal, dois projetos políticos distintos se preparam para o confronto final em 25 de outubro: Celina Leão, com quase metade dos votos válidos já em mãos, e Leandro Grass, apoiado pelo presidente da República, buscam agora o que nenhuma coligação original pode garantir — a confiança dos eleitores que ficaram pelo caminho. O segundo turno, como sempre, é menos sobre quem chegou à frente e mais sobre quem sabe construir pontes.
Celina Leão e Leandro Grass buscam novos aliados para segundo turno no DF
Celina e Ibaneis de novo, não. No segundo turno, votarei em Leandro Grass
Por que Celina Leão conseguiu angariar apoios tão rapidamente depois do primeiro turno?
Ela começou com uma vantagem: já tinha uma coligação grande e estruturada. Quando Arruda saiu, o PSD inteiro se moveu para ela. Depois ela foi atrás dos candidatos derrotados, especialmente Kiko Caputo, que tinha uma votação respeitável. Caputo aceitou porque disse que havia concordância ideológica, apesar das críticas que havia feito.
Mas é importante notar que Arruda, o próprio ex-governador do PSD, não acompanhou a decisão do partido. Isso sugere que mesmo dentro de alianças que parecem fechadas, há fraturas.
E Leandro Grass? Ele começou com menos votos, então como está conseguindo se mover?
Ele tem o apoio do presidente Lula, que é significativo nacionalmente. E ganhou o PSB inteiro quando Cappelli, que era candidato, declarou voto nele. Grass também está consolidando a esquerda — os parlamentares eleitos pelo PT e PSOL já estão trabalhando para ele.
Verdade, mas é preciso ser claro: Grass tem 34% no primeiro turno contra 49% de Celina. Mesmo que consiga todos os votos dos candidatos derrotados, a matemática é desafiadora. Os apoios que ele está recebendo são reais, mas ainda não sabemos se vão se converter em votos suficientes.
Qual é o padrão que você vê nessas alianças?
Os candidatos estão tentando ir além de suas coligações originais. Celina está buscando legitimidade ideológica com Caputo e experiência com Abadia. Grass está consolidando a esquerda e tentando incorporar propostas de candidatos que saíram.
O que ainda não sabemos é como os eleitores que votaram em candidatos derrotados vão se comportar. Apoio de liderança não é garantia de voto. E há também a questão de quem não se posicionou ainda — há espaço para movimentos de última hora.
Le Pouls
- Celina Leão terminou o primeiro turno com 49,93% dos votos válidos, mas a proximidade do limiar de 50% torna o segundo turno uma corrida real, não uma formalidade.
- Leandro Grass recebeu o apoio público do presidente Lula e caminhou ao lado dele em Ceilândia, transformando a disputa local em um teste nacional para o campo petista.
- Kiko Caputo e Maria de Lourdes Abadia migraram para o campo de Celina com condições explícitas — cartas de compromisso que amarram a candidata a pautas de transparência e responsabilidade fiscal.
- O PSB de Ricardo Cappelli fechou com Grass, que prometeu incorporar propostas voltadas a trabalhadores de aplicativos, sinalizando uma esquerda tentando se unificar sob pressão.
- Parlamentares distritais e federais já se posicionam publicamente, tornando visível a disputa por narrativa e por votos nos redutos que definiram o primeiro turno.
No Distrito Federal, dois projetos políticos distintos se preparam para o confronto final em 25 de outubro: Celina Leão, com quase metade dos votos válidos já em mãos, e Leandro Grass, apoiado pelo presidente da República, buscam agora o que nenhuma coligação original pode garantir — a confiança dos eleitores que ficaram pelo caminho. O segundo turno, como sempre, é menos sobre quem chegou à frente e mais sobre quem sabe construir pontes.
O segundo turno das eleições para o governo do Distrito Federal está marcado para 25 de outubro, e os dois finalistas já trabalham para ampliar suas bases muito além das coligações que os trouxeram até aqui. Celina Leão, do Progressistas, terminou na frente com 825.530 votos — 49,93% dos válidos. Leandro Grass, do PT, ficou em segundo com 569.930 votos, ou 34,47%. A diferença é expressiva, mas o segundo turno reescreve as regras.
Celina chegou ao segundo turno com uma coligação ampla — Republicanos, MDB, Podemos, PL e outros — e logo absorveu o PSD após a desistência de José Roberto Arruda como pré-candidato, embora o próprio Arruda tenha optado por não seguir a legenda. Na semana que antecede o segundo turno, vieram novos apoios: Kiko Caputo, do Novo, anunciou suporte com uma carta de compromissos que inclui responsabilidade fiscal, transparência e critérios técnicos para a formação de equipes. No dia seguinte, a ex-governadora Maria de Lourdes Abadia, do PSD, declarou apoio citando compromissos de Celina com saúde e políticas para idosos.
Do outro lado, Grass tem como maior trunfo a presença de Lula, que participou de ato no DF durante o primeiro turno e caminhou ao lado do candidato em Ceilândia dias antes do segundo. Ricardo Cappelli, do PSB, anunciou seu voto em Grass logo após o primeiro turno, e o partido oficializou o apoio na quinta-feira. Em troca, Grass sinalizou que incorporaria ao seu programa propostas de Cappelli voltadas a trabalhadores e entregadores de aplicativos.
Deputados distritais e federais de esquerda — do PT, PSOL e PSB — já se posicionaram publicamente ao lado de Grass. O que está em jogo agora é a capacidade de cada candidato de ir além de sua base original e convencer eleitores que votaram em outros nomes. Os dias até 25 de outubro dirão se as alianças construídas se traduzem em votos reais.
O segundo turno das eleições para o governo do Distrito Federal está marcado para 25 de outubro, e os dois candidatos que avançaram já estão em movimento para ampliar suas bases políticas. Celina Leão, do Progressistas, terminou o primeiro turno na frente com 825.530 votos, representando 49,93% dos votos válidos. Leandro Grass, do Partido dos Trabalhadores, ficou em segundo lugar com 569.930 votos, ou 34,47%. A diferença é significativa, mas o segundo turno reescreve as regras do jogo — e ambos os candidatos sabem que precisam conquistar apoios além das coligações que os levaram até aqui.
Celina Leão já construiu uma base sólida no primeiro turno. Sua coligação original, chamada Propósito e Ação, reunia Republicanos, MDB, Podemos, PL, DC, Mobiliza, Democrata e duas federações partidárias. Mas ela não parou por aí. Quando José Roberto Arruda, que era pré-candidato pelo PSD, deixou a disputa, o partido inteiro se moveu em sua direção. Arruda pessoalmente, porém, optou por não acompanhar a decisão da legenda — um sinal de que nem tudo está consolidado mesmo dentro de alianças aparentemente fechadas.
Na semana anterior ao segundo turno, Celina começou a colher os frutos de suas negociações com candidatos derrotados. Kiko Caputo, que terminou em quarto lugar no primeiro turno pela legenda Novo, anunciou seu apoio na quarta-feira. Caputo havia feito críticas severas ao governo durante a campanha, mas justificou a mudança pela proximidade ideológica com Celina. O apoio veio com condições: uma carta de compromissos que inclui responsabilidade fiscal, transparência, combate ao desperdício, critérios técnicos para escolha de equipes e combate à corrupção. No dia seguinte, a ex-governadora Maria de Lourdes Abadia, também do PSD, declarou seu apoio, citando os compromissos de Celina com projetos de saúde e políticas para a população idosa.
Do outro lado, Leandro Grass também conquistou reforços importantes. Sua coligação original, chamada DF do Povo, era formada pela Federação Brasil da Esperança, PDT e Federação PSOL Rede. O apoio mais visível vem de cima: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou de um ato no Distrito Federal durante o primeiro turno pedindo votos para Grass e prometendo dedicação à eleição do candidato petista. Na sexta-feira anterior ao segundo turno, os dois caminharam juntos em Ceilândia. Ricardo Cappelli, que havia concorrido pelo PSB, anunciou seu voto em Grass logo após o resultado do primeiro turno, com uma mensagem clara nas redes sociais: "Celina e Ibaneis de novo, não. No 2º turno, votarei em Leandro Grass". Na quinta-feira, o PSB oficializou seu apoio à candidatura petista, e Grass sinalizou que incorporaria propostas de Cappelli ao seu programa de governo, incluindo medidas para trabalhadores e entregadores de aplicativos.
Os parlamentares eleitos também começam a se posicionar. Deputados distritais da esquerda já declararam apoio a Grass, entre eles Gabriel Magno, Chico Vigilante e Ricardo Vale, todos do PT; Max Maciel e Keka Bagno, do PSOL; e Dayse Amarilio e Múcio Botelho, do PSB. Na Câmara dos Deputados, Fábio Felix, do PSOL, e Agnelo Queiroz, do PT, também estão na campanha de Grass.
O que está em jogo agora é a capacidade de cada candidato de ir além de suas bases originais. Celina Leão começa com vantagem numérica clara, mas precisa convencer eleitores que votaram em outros candidatos a confiar nela. Leandro Grass tem menos votos no primeiro turno, mas está tentando consolidar a esquerda e conquistar votos de candidatos que saíram da disputa. Os próximos dias até 25 de outubro serão decisivos para ver se essas alianças se traduzem em votos reais.
Citations marquantes
Apesar de termos severas críticas à forma da condução do governo, nós temos uma concordância ideológica que nos impõe estar com ela agora— Kiko Caputo, ao justificar apoio a Celina Leão
Celina e Ibaneis de novo, não. No 2º turno, votarei em Leandro Grass— Ricardo Cappelli, em rede social após primeiro turno