Ceará completa um ano sem sarampo e alcança status de território livre da doença

Uma das doenças mais contagiosas que existe e está presente em vários países
Médica especialista alerta sobre o potencial transmissível do sarampo, mesmo com um ano sem casos no Ceará.
Mark

Como é possível o Ceará estar livre do sarampo se o vírus ainda circula em outros estados brasileiros?

Mimi

Livre significa que não há transmissão local no momento. Mas a doença pode ser importada por viajantes. É por isso que os técnicos não descartam a reintrodução. A vigilância precisa continuar constante.

Mark

A queda na vacinação durante a pandemia é realmente tão grave assim?

Mimi

Muito. Caiu de 103% em 2019 para 90% em 2020. Abaixo da meta de 95%. Quando as pessoas têm medo de sair de casa, até os serviços essenciais sofrem. E o sarampo é altamente contagioso.

Mark

Se não há casos há um ano, por que a preocupação com vacinação é tão urgente?

Mimi

Porque a imunidade coletiva depende de cobertura alta. Com 90%, há brechas. Um viajante infectado encontraria pessoas desprotegidas. Um surto poderia reaparecer rapidamente.

Mark

O que diferencia o sarampo de outras doenças em termos de transmissão?

Mimi

É uma das mais contagiosas que existem. Espalha-se rápido. O surto de 2013 a 2015 atingiu 38 municípios. Sem vacinação em massa, o controle fica impossível.

Mark

Existe tratamento para quem pega sarampo?

Mimi

Não há tratamento específico. Cada caso precisa de acompanhamento médico individual. O médico prescreve medicação conforme a necessidade de cada paciente. Por isso a prevenção é tudo.

Mark

Como o Ceará conseguiu sair do surto de 2013-2015?

Mimi

Através de vacinação em massa. Conseguiram quebrar a cadeia de transmissão em 2016. Mas o vírus voltou em 2019, mostrando que a vigilância nunca pode relaxar.

  • O Ceará não registra nenhum caso confirmado de sarampo desde abril de 2020, mas o vírus segue ativo no Amapá, no Pará e em São Paulo, mantendo a ameaça de reintrodução por viajantes.
  • A cobertura vacinal despencou para 90% em 2020, rompendo quatro anos consecutivos acima da meta de 95% e deixando uma parcela crescente da população desprotegida.
  • A pandemia de Covid-19 afasta as pessoas dos postos de saúde por medo de contágio, mesmo com os serviços de vacinação funcionando normalmente — um efeito colateral silencioso da crise sanitária.
  • Sem tratamento específico para o sarampo, a vacina tríplice viral é a única barreira eficaz, e autoridades alertam que a vigilância epidemiológica não pode ser relaxada enquanto outras doenças dominam a atenção pública.

O Ceará completa um ano sem sarampo e conquista o reconhecimento de território livre da doença — uma vitória construída sobre décadas de vigilância e campanhas de vacinação. Mas a ausência de casos não significa ausência de risco: o vírus ainda circula em outros estados brasileiros, e a pandemia de Covid-19 reduziu a cobertura vacinal cearense para abaixo da meta pela primeira vez em cinco anos. A saúde pública, como toda conquista humana, exige manutenção constante — e o silêncio do vírus pode ser tão enganoso quanto o seu retorno é veloz.

O Ceará chegou a abril de 2021 com um marco raro na saúde pública: um ano inteiro sem nenhum caso confirmado de sarampo. O último registro havia ocorrido na semana epidemiológica 13 de 2020, e desde então o estado conquistou oficialmente o status de território livre da doença. A conquista, porém, é frágil. O vírus continua circulando ativamente em outros estados — o Amapá registrou 224 casos só no primeiro trimestre de 2021 —, e qualquer viajante infectado pode desfazer um ano inteiro de contenção.

A trajetória do Ceará com o sarampo é marcada por ciclos de crise e recuperação. Entre 2013 e 2015, um surto atingiu mais de mil pessoas em 38 municípios. A transmissão foi interrompida em 2016, e os dois anos seguintes ficaram sem nenhum caso. Em 2019, a doença reapareceu com 19 confirmações; em 2020, foram sete. Agora, apenas uma notificação suspeita segue sob investigação.

Enquanto o estado celebra a ausência de casos, um sinal de alerta acende nos dados de vacinação. A cobertura caiu para 90% em 2020 — abaixo da meta de 95% do Ministério da Saúde pela primeira vez desde 2016, quando havia atingido 119%. A causa é direta: o medo gerado pela pandemia de Covid-19 afastou as famílias dos serviços de saúde, mesmo com a vacinação funcionando normalmente. Técnicos da Secretaria Estadual da Saúde alertam que esse impacto preocupa constantemente os gestores.

A vacina tríplice viral — que protege também contra caxumba e rubéola — é a única forma de prevenção. Sem ela, a população fica exposta a uma das doenças mais contagiosas do mundo, para a qual não existe tratamento específico. O desafio agora é duplo: manter a vigilância epidemiológica ativa enquanto a pandemia continua desviando atenção e reduzindo a procura pela vacinação. Se a cobertura não se recuperar, o status de território livre conquistado com tanto esforço pode ser perdido rapidamente.

O Ceará marca um ano inteiro sem um único caso confirmado de sarampo. A última infecção registrada no estado ocorreu em abril de 2020, na semana epidemiológica número 13. Com esse marco, a região conquistou oficialmente o status de território livre da doença — uma conquista que, à primeira vista, parece sólida e definitiva. Mas os técnicos de saúde que acompanham esses números sabem que a vitória é frágil. O vírus continua circulando ativamente em outras partes do Brasil. Amapá registrou 224 casos no primeiro trimestre de 2021. Pará teve 6. São Paulo, 5. Qualquer viajante infectado que chegue ao Ceará pode reintroduzir a doença no estado, desfazendo um ano inteiro de contenção.

O caminho até aqui foi longo e marcado por altos e baixos. Entre 2013 e 2015, o Ceará enfrentou um surto devastador: 1.052 pessoas diagnosticadas em 38 municípios diferentes. A maioria evoluiu para cura clínica, e 77% dos pacientes apresentaram apenas sintomas leves, mas a doença se espalhou rapidamente. A transmissão foi finalmente interrompida em 2016, após mais de um ano sem novos registros. Nos dois anos seguintes, 2017 e 2018, nenhum caso foi confirmado. Então, em agosto de 2019, o sarampo reapareceu: 19 confirmações naquele ano. Em 2020, o número caiu para sete. E agora, em 2021, apenas uma notificação suspeita foi registrada e continua sob investigação.

Mas enquanto o estado celebra a ausência de casos, um indicador preocupante aponta para uma vulnerabilidade crescente. A cobertura vacinal caiu para 90% em 2020, quebrando uma sequência positiva de quatro anos consecutivos. Em 2016, a taxa havia atingido 119%. Em 2017, 100,69%. Em 2018, 111,46%. Em 2019, 103,02%. Todos acima da meta de 95% estabelecida pelo Ministério da Saúde. Agora, pela primeira vez desde 2016, o Ceará ficou abaixo do alvo. A razão é clara: a pandemia de Covid-19 afastou as pessoas dos serviços de vacinação. Nayara Jereissati, técnica da Célula de Imunização da Secretaria Estadual da Saúde, explica que durante a crise sanitária, muitos têm medo de procurar as unidades de saúde, mesmo que os serviços de vacinação continuem funcionando normalmente. Esse impacto na cobertura vacinal é algo que preocupa constantemente os gestores.

A vacina tríplice viral é a única forma de prevenção contra o sarampo. Ela também protege contra caxumba e rubéola. Deve ser administrada em duas doses: a primeira aos 12 meses de idade e a segunda entre 15 e 24 meses. Sem essa proteção, a população fica exposta a uma das doenças mais contagiosas que existem. Izabel Cavalcante, doutora em Biotecnologia em Saúde, reforça que não existe tratamento específico para o sarampo. Cada caso deve ser acompanhado por um médico, que prescreverá a medicação adequada para cada paciente. Os sintomas incluem manchas vermelhas e borbulhas na pele, febre, tosse, mal-estar e irritação nos olhos e nariz. O diagnóstico é feito por exame sorológico, a partir de uma amostra de sangue.

Aline Albuquerque, assessora técnica da Coordenadoria de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Estadual da Saúde, alerta que a atenção aos sintomas do sarampo não pode diminuir, apesar de um ano sem casos. Durante a pandemia de Covid-19, muitas pessoas concentraram toda a sua preocupação na prevenção ao novo coronavírus, esquecendo outras doenças que também representam risco à saúde. É natural que haja esse cuidado maior em relação à Covid, mas em nenhum momento a prevenção às outras patologias pode ser ignorada. O desafio agora é duplo: manter a vigilância contra o sarampo enquanto a pandemia continua reduzindo a procura pela vacinação. Se a cobertura vacinal não se recuperar, o estado pode perder rapidamente o status de território livre da doença que conquistou com tanto esforço.

Mesmo sem a circulação do vírus aqui, ele pode ser importado através de viajantes, uma vez que ainda temos registros em outras regiões do país
— Aline Albuquerque, assessora técnica da Coordenadoria de Vigilância Epidemiológica da Sesa
Durante a pandemia, as pessoas estão com medo de procurar o serviço, e isso tem causado um impacto muito grande na cobertura vacinal
— Nayara Jereissati, técnica da Célula de Imunização da Sesa
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