No futebol, como na vida, as decisões tomadas em frações de segundo carregam o peso de interpretações que podem durar semanas. A CBF divulgou os áudios do VAR referentes aos dois gols de Arrascaeta na vitória do Flamengo sobre o Atlético-MG por 2 a 0, no Maracanã, em 13 de julho, buscando encerrar a controvérsia levantada pelo clube mineiro. O primeiro gol foi sustentado por uma classificação técnica de contato incidental; o segundo, pela impossibilidade de refutar o que os olhos humanos já haviam decidido em campo. A transparência, aqui, não apaga a dúvida — ela apenas lhe dá uma forma oficia
CBF divulga áudios do VAR e esclarece polêmica nos gols do Flamengo
Mão de referência, não faltosa. Segue decisão de campo, gol legal.
Por que a CBF esperou quase uma semana para divulgar esses áudios? Isso não alimenta a sensação de que algo estava sendo escondido?
Não necessariamente. A CBF provavelmente aguardou o fim da rodada e o repouso do fim de semana para fazer uma divulgação mais formal. Mas você tem razão em notar que o timing deixa espaço para especulação.
O que realmente importa é: os áudios confirmam ou refutam as reclamações do Atlético? No primeiro gol, temos uma classificação clara — "mão de referência". No segundo, porém, "inconclusivo" é exatamente o tipo de palavra que não resolve nada. Se o VAR não conseguiu ver, como sabemos que o gol foi legítimo?
Porque as regras dizem que se o VAR não consegue refutar a decisão de campo, ela se mantém. Não é perfeito, mas é o protocolo.
E o primeiro gol? "Mão de referência" é um termo que nem todos os torcedores entendem. Isso não deixa espaço para debate?
Deixa, sim. Mas o áudio mostra que o VAR conversou com o árbitro de campo e chegou a um consenso. Não é uma decisão unilateral. A questão é se esse consenso foi correto — e aí entramos em território de opinião, não de fato.
Exatamente. Os áudios mostram o processo, não necessariamente validam o resultado. Quem acha que foi falta vai continuar achando; quem acha que foi legal vai continuar achando.
Então a divulgação dos áudios não resolve nada?
Resolve uma coisa: mostra que houve deliberação, não negligência. Mas a polêmica, provavelmente, não morre aqui.
O Pulso
- O Atlético-MG recusou-se a aceitar a derrota em silêncio, contestando publicamente a validade dos dois gols de Arrascaeta que eliminaram o clube da Copa do Brasil.
- A pressão atleticana forçou a CBF a tomar uma medida incomum: tornar públicos os áudios internos do VAR, expondo o raciocínio dos árbitros ao escrutínio de todos.
- No primeiro gol, o VAR classificou o toque de mão de Pedro como 'mão de referência, não faltosa' — um critério técnico que distingue disputa natural de infração intencional.
- No segundo gol, a tecnologia falhou em oferecer certeza: as imagens eram inconclusivas sobre se a bola cruzou a linha, e a dúvida beneficiou a decisão já tomada em campo.
- A divulgação dos áudios encerra o debate institucional, mas deixa o Atlético-MG com a sensação de que as regras, aplicadas corretamente, ainda podem parecer injustas.
No futebol, como na vida, as decisões tomadas em frações de segundo carregam o peso de interpretações que podem durar semanas. A CBF divulgou os áudios do VAR referentes aos dois gols de Arrascaeta na vitória do Flamengo sobre o Atlético-MG por 2 a 0, no Maracanã, em 13 de julho, buscando encerrar a controvérsia levantada pelo clube mineiro. O primeiro gol foi sustentado por uma classificação técnica de contato incidental; o segundo, pela impossibilidade de refutar o que os olhos humanos já haviam decidido em campo. A transparência, aqui, não apaga a dúvida — ela apenas lhe dá uma forma oficial.
O Flamengo garantiu vaga nas quartas de final da Copa do Brasil ao vencer o Atlético-MG por 2 a 0 no Maracanã, em 13 de julho, com dois gols de Arrascaeta. Quase uma semana depois, porém, o resultado ainda era contestado pelo clube mineiro, que questionava a validade de ambas as marcações. Na segunda-feira seguinte, a Comissão de Arbitragem da CBF respondeu tornando públicos os áudios do VAR.
No primeiro gol, o atacante Pedro tocou a cabeça do volante Allan com a mão durante a jogada que precedeu o gol. Os jogadores atleticanos pediram falta, mas o árbitro Wilton Pereira Sampaio deixou o jogo seguir. O VAR confirmou a decisão: o revisor Pablo Ramon Goncalves Pinheiro classificou o contato como 'mão de referência, não faltosa' — um toque incidental, sem golpe intencional. 'Segue decisão de campo, gol legal', concluiu o áudio.
O segundo gol gerou ainda mais polêmica. Arrascaeta cabeceou em direção ao gol de Everson, mas não havia clareza nas imagens se a bola havia cruzado a linha. Diante da inconclusividade, os árbitros mantiveram a decisão do árbitro de campo, que havia validado o gol — protocolo padrão quando a tecnologia não oferece prova suficiente para reverter o lance.
A CBF apresentou os áudios como um gesto de transparência e encerramento da controvérsia. Para o Flamengo, a classificação estava confirmada e legitimada. Para o Atlético-MG, restava o registro de que as decisões, por mais dolorosas que fossem, haviam seguido os limites do que as regras permitem.
O Flamengo avançou para as quartas de final da Copa do Brasil na quarta-feira, dia 13 de julho, derrotando o Atlético-MG por 2 a 0 no Maracanã. Os dois gols foram marcados por Arrascaeta. Quase uma semana depois, porém, o resultado ainda alimentava discussão — o time mineiro contestava a validade de ambas as marcações, questionando decisões que poderiam ter anulado a vitória rubro-negra. Na segunda-feira seguinte, a Comissão de Arbitragem da CBF respondeu tornando públicos os áudios do VAR, oferecendo ao menos uma versão oficial do que os árbitros viram e pensaram em cada lance.
No primeiro gol, o atacante Pedro tocou a cabeça de Allan, volante do Atlético-MG, com a mão durante a jogada que precedeu o gol de Arrascaeta. Os jogadores mineiros pediram falta no momento, mas o árbitro Wilton Pereira Sampaio deixou o jogo prosseguir. Quando consultado, o VAR confirmou essa decisão. Segundo o áudio divulgado, o revisor de vídeo Pablo Ramon Goncalves Pinheiro descreveu o contato como "mão de referência, não faltosa" — uma classificação técnica que significa o toque foi incidental, parte natural da disputa pelo espaço, sem empurrão ou golpe intencional. "Mão de referência, não tem golpe", registrou o áudio. "Segue decisão de campo, gol legal", concluiu Pinheiro.
O segundo gol gerou mais controvérsia. Arrascaeta cabeceou em direção ao gol de Everson, goleiro do Atlético-MG, mas não ficou claro nos vídeos disponíveis se a bola havia de fato ultrapassado a linha de gol. Os dirigentes atleticanos se revoltaram com a marcação e exigiram ouvir os áudios do VAR para entender como o gol havia sido validado. A resposta foi que o lance era inconclusivo — os árbitros não conseguiam confirmar com certeza se a bola havia entrado ou não. Diante dessa incerteza, mantiveram a decisão que o árbitro de campo havia tomado no momento, que foi validar o gol.
A divulgação dos áudios representava um esforço da CBF para encerrar a polêmica e reafirmar que as decisões, embora contestadas, seguiram os protocolos estabelecidos. O primeiro gol se apoiava em uma interpretação técnica do contato de mão; o segundo, na impossibilidade de refutar a decisão de campo quando as imagens não ofereciam prova conclusiva. Para o Flamengo, a classificação estava confirmada. Para o Atlético-MG, restava apenas o registro de que ambas as decisões haviam sido tomadas conforme as regras permitiam.
Citações Notáveis
Mão de referência, não tem golpe. Segue decisão de campo, gol legal.— Pablo Ramon Goncalves Pinheiro, árbitro de vídeo, sobre o primeiro gol