No futebol, como na vida, a linha entre o erro e a convicção raramente é visível a olho nu. Na noite de terça-feira, no Maracanã, uma decisão de árbitros sobre um lance de pênalti não marcado entre Flamengo e Santos tornou-se o centro de uma disputa que vai além do placar — tocando questões de autoridade, tecnologia e a falibilidade humana diante da pressão. A CBF, ao divulgar o áudio do VAR e suspender os árbitros envolvidos, reconheceu publicamente que algo saiu do lugar, mesmo que os responsáveis pela decisão acreditassem, naquele momento, estar agindo com correção.
CBF divulga áudio do VAR sobre pênalti não marcado em Fla x Santos
Sem impacto nenhum, conclui o VAR ao analisar o lance
Por que a CBF decidiu divulgar esse áudio? Normalmente esses registros ficam privados.
Acho que foi uma tentativa de transparência depois que o Santos reclamou tanto. Mostrar o que foi conversado, deixar claro qual foi o raciocínio.
Mas o áudio realmente resolve a questão? Os árbitros dizem que não havia impacto, mas o Santos discorda. É uma opinião contra outra.
Verdade. O áudio mostra o que eles pensavam naquele momento, não necessariamente que estavam certos.
E por que suspender os árbitros se eles estavam convencidos de que a decisão era correta?
Talvez a CBF tenha achado que, independentemente da convicção deles, o resultado final — não marcar o pênalti — foi errado. É uma forma de dizer que houve falha.
Mas aí a gente não sabe se a CBF acha que o lance era pênalti ou se acha que os árbitros não analisaram bem. O áudio não deixa isso claro.
O que muda agora com o PADA? Eles voltam a arbitrar?
Teoricamente sim, depois de passar por reavaliação. Mas é um sinal de que a confiança foi abalada.
E o Flamengo? Eles ganham o jogo de qualquer forma, então não há risco de perder pontos.
Exato. O Santos é quem fica com a sensação de injustiça, e a CBF suspendendo os árbitros é uma forma de reconhecer que algo deu errado.
Le Pouls
- O Santos saiu do Maracanã furioso após uma derrota por 3 a 2 que, para o clube, começou com um pênalti não marcado em Camacho aos 48 minutos do primeiro tempo.
- O gol de Pedro, marcado logo após o lance polêmico, abriu o placar e moldou o rumo de toda a partida — tornando a decisão arbitral ainda mais carregada de consequências.
- O áudio do VAR revelou árbitros convictos: Milczvski e Roggenbaum analisaram o lance repetidamente e concluíram que não havia impacto suficiente para marcar penalidade.
- A CBF, ao divulgar o áudio na madrugada de quarta-feira, não apenas expôs o processo interno da arbitragem — ela também anunciou a suspensão dos árbitros envolvidos, enviando-os ao programa PADA.
- A decisão institucional criou uma contradição incômoda: os árbitros foram afastados por uma conclusão que, segundo o próprio áudio, foi tomada com análise e deliberação.
No futebol, como na vida, a linha entre o erro e a convicção raramente é visível a olho nu. Na noite de terça-feira, no Maracanã, uma decisão de árbitros sobre um lance de pênalti não marcado entre Flamengo e Santos tornou-se o centro de uma disputa que vai além do placar — tocando questões de autoridade, tecnologia e a falibilidade humana diante da pressão. A CBF, ao divulgar o áudio do VAR e suspender os árbitros envolvidos, reconheceu publicamente que algo saiu do lugar, mesmo que os responsáveis pela decisão acreditassem, naquele momento, estar agindo com correção.
Na manhã de quarta-feira, a CBF tornou público o áudio do VAR da partida entre Flamengo e Santos, disputada na véspera no Maracanã e vencida pelo time carioca por 3 a 2 pelo Campeonato Brasileiro. O jogo ficou marcado não pelo resultado, mas por um lance no minuto 48 do primeiro tempo: uma suposta falta de Matheuzinho sobre Camacho na área do Flamengo, ignorada pelo árbitro André Luiz de Freitas Castro. Na sequência imediata, Pedro abriu o placar para o Flamengo, e o Santos passou o restante da partida protestando contra a arbitragem.
O áudio divulgado registra a conversa entre o árbitro de vídeo Adriano Milczvski e seu assistente Luciano Roggenbaum. Os dois revisaram o lance diversas vezes e chegaram à mesma conclusão: o pé do defensor estava parado, o contato existiu, mas não havia impacto suficiente para caracterizar penalidade. Milczvski descreveu que o atacante, ao girar, colidiria com o defensor de qualquer forma. Roggenbaum acrescentou que o árbitro de campo estava bem posicionado. Ambos concordaram: lance normal.
Apesar da aparente segurança demonstrada no áudio, a CBF optou por suspender os árbitros envolvidos, incluindo-os no Programa de Assistência ao Desempenho do Árbitro — o PADA —, uma espécie de afastamento temporário para reavaliação. A medida criou uma tensão difícil de ignorar: a confederação puniu profissionais que, segundo o próprio material que ela divulgou, agiram com análise e deliberação. O episódio deixou em aberto uma pergunta que o futebol brasileiro raramente consegue responder com clareza — onde termina o erro técnico e começa a responsabilidade institucional.
Na manhã de quarta-feira, 26 de outubro, a Confederação Brasileira de Futebol tornou público o áudio do sistema de videoarbitragem referente ao jogo entre Flamengo e Santos disputado na noite anterior no Maracanã. O Flamengo venceu por 3 a 2, em partida válida pelo Campeonato Brasileiro, mas o resultado foi ofuscado por uma decisão arbitral que deixou o time visitante furioso ao deixar o campo.
No minuto 48 do primeiro tempo, com o placar ainda zerado, Matheuzinho cometeu uma falta sobre Camacho na área rubro-negra. O árbitro de campo André Luiz de Freitas Castro não marcou a penalidade. Na sequência do lance, Pedro abriu o placar para o Flamengo. O Santos protestou veementemente contra a decisão, questionando a atuação do árbitro durante toda a partida.
O áudio divulgado pela CBF registra a conversa entre Adriano Milczvski, responsável pelo VAR, e Luciano Roggenbaum, assistente do sistema. Os dois analisam as imagens do lance repetidas vezes. Milczvski observa que o pé do defensor fica parado enquanto o atacante tropeça nele. Roggenbaum pergunta se há impacto algum no contato. A resposta é categórica: não há. Milczvski reafirma que não vê impacto nenhum. Roggenbaum concorda. Ambos concluem que se trata de um lance normal de jogo.
No diálogo, é possível ouvir Milczvski descrevendo a sequência: a perna já está parada, há um contato, mas quando o atacante vira para o lado, ele vai colidir com o defensor de qualquer forma. Para o VAR, não há falta a ser marcada. Roggenbaum reforça que o árbitro de campo, André, estava bem posicionado e acompanhava a jogada de perto.
A divulgação do áudio ocorreu na madrugada de quarta-feira, acompanhada de uma decisão da CBF: suspender os árbitros envolvidos. André Luiz Freitas Castro e Adriano Milczvski foram incluídos no Programa de Assistência ao Desempenho do Árbitro, conhecido como PADA — uma medida que funciona como afastamento temporário para reavaliação. A decisão institucional reconheceu que algo não funcionou como deveria naquela noite no Maracanã, mesmo que o áudio sugira que os árbitros acreditassem estar certos em suas conclusões.
Citations marquantes
Sem impacto nenhum— Adriano Milczvski, VAR da partida
Lance normal— Adriano Milczvski, sobre sua conclusão final