No futebol brasileiro, onde cada lance carregado de emoção pode se tornar um símbolo de injustiça ou de acerto, a CBF escolheu abrir a sala do VAR ao público — um gesto raro de transparência institucional. O jogo entre Flamengo e Santos, disputado no Maracanã, deixou uma ferida aberta: um pênalti não marcado que o Santos carregou como bandeira de protesto. Ao divulgar o áudio dos árbitros, a confederação tentou explicar o inexplicável para quem já havia decidido o que acreditar — e, ao suspender os mesmos árbitros que justificou, revelou que a própria instituição não estava inteiramente conven
CBF divulga áudio do VAR que justifica não marcação de pênalti em Flamengo x Santos
Sem impacto nenhum, lance normal
Por que a CBF decidiu divulgar o áudio se a análise do VAR parecia tão clara?
Porque a pressão do Santos foi imensa. O time saiu do campo reclamando, e a torcida questionava a decisão. Divulgar o áudio é uma forma de transparência, de mostrar o raciocínio por trás da escolha.
Mas aqui está o problema: a CBF divulga o áudio E depois afasta os árbitros. Isso significa que a análise técnica deles estava errada, ou que a confederação discorda da interpretação?
Ótima pergunta. O que o PADA significa na prática?
É basicamente um afastamento. Os árbitros saem das escalações por um tempo, recebem treinamento, análise de desempenho. Depois podem voltar.
Mas ninguém da CBF explicou publicamente por que afastou os árbitros se o áudio mostra que eles analisaram a jogada metodicamente. Há uma contradição aí que o leitor fica sem entender.
Então o lance era pênalti ou não era?
Segundo o VAR, não era. Segundo a CBF, pelo menos, havia algo errado na condução do jogo.
E aí está: não sabemos se a CBF discorda da análise técnica ou se discorda de como o árbitro de campo conduziu a partida como um todo. O áudio não resolve isso.
Der Puls
- Um lance aos 48 minutos do primeiro tempo — com o placar zerado e o jogo em aberto — tornou-se o epicentro de uma noite de protestos do Santos contra a arbitragem.
- O Flamengo aproveitou o contra-ataque seguinte para abrir o placar, transformando a decisão não tomada em um ponto de virada que o time visitante nunca aceitou.
- A CBF divulgou o áudio do VAR mostrando árbitros analisando frame a frame e concluindo que houve apenas um tropeço sem força — mas a explicação técnica não silenciou a polêmica.
- Horas depois da divulgação, a própria confederação suspendeu o árbitro de campo e o VAR, incluindo-os no programa interno de acompanhamento de desempenho, contradizendo implicitamente a narrativa de que tudo havia sido conduzido corretamente.
No futebol brasileiro, onde cada lance carregado de emoção pode se tornar um símbolo de injustiça ou de acerto, a CBF escolheu abrir a sala do VAR ao público — um gesto raro de transparência institucional. O jogo entre Flamengo e Santos, disputado no Maracanã, deixou uma ferida aberta: um pênalti não marcado que o Santos carregou como bandeira de protesto. Ao divulgar o áudio dos árbitros, a confederação tentou explicar o inexplicável para quem já havia decidido o que acreditar — e, ao suspender os mesmos árbitros que justificou, revelou que a própria instituição não estava inteiramente convencida.
Na manhã de quarta-feira, a CBF deu um passo incomum: tornou público o áudio da sala do VAR referente à partida entre Flamengo e Santos, disputada na véspera no Maracanã. O Rubro-Negro havia vencido por 3 a 2, mas o resultado ficou ensombrecido por um lance do primeiro tempo que o Santos transformou em símbolo de revolta.
Aos 48 minutos, com o placar ainda zerado, Matheuzinho e Camacho se chocaram dentro da área. O árbitro André Luiz de Freitas Castro não marcou nada. No contra-ataque seguinte, Pedro abriu o placar para o Flamengo — e o Santos passou o resto da noite protestando.
O áudio revelou o diálogo entre o VAR Adriano Milczvski e seu assistente Luciano Roggenbaum. Os dois revisaram o lance quadro a quadro e concluíram que o pé de Matheuzinho estava parado e que Camacho simplesmente tropeçou, sem impacto real. 'Lance normal', disse Milczvski. Roggenbaum ainda observou que o árbitro de campo estava bem posicionado para acompanhar a jogada.
Mas a divulgação do áudio não fechou o capítulo. Na madrugada seguinte, a CBF anunciou a suspensão de ambos os árbitros, incluindo-os no Programa de Assistência ao Desempenho do Árbitro — o PADA —, um afastamento temporário com acompanhamento institucional. A decisão, tomada após análise da condução geral da partida, deixou no ar uma contradição incômoda: a confederação explicou e, ao mesmo tempo, puniu.
A CBF divulgou na manhã de quarta-feira o áudio da sala do VAR referente ao jogo entre Flamengo e Santos, disputado na noite anterior no Maracanã. O Rubro-Negro venceu por 3 a 2, mas a partida deixou uma controvérsia que ecoaria além do apito final: um possível pênalti não marcado no primeiro tempo que alimentaria as reclamações do Santos durante toda a noite.
Aos 48 minutos do primeiro tempo, com o placar ainda zerado, Matheuzinho e Camacho se envolveram em um lance que o time visitante considerava claro: uma penalidade. O árbitro de campo André Luiz de Freitas Castro não sinalizou falta. Na sequência do contra-ataque, Pedro abriu o placar para o Flamengo. O Santos deixaria o Maracanã protestando contra a decisão arbitral.
O áudio divulgado pela confederação revela a conversa entre Adriano Milczvski, o VAR da partida, e Luciano Roggenbaum, seu assistente. Os dois analisaram o contato frame a frame e chegaram a uma conclusão: não havia impacto suficiente para justificar a marcação. Milczvski descreveu o que via: o pé de Matheuzinho estava parado, e Camacho simplesmente tropeçou nele. Sem força. Sem consequência. Um lance normal de futebol.
No diálogo registrado, Roggenbaum pergunta se o contato era "sem impacto algum". Milczvski confirma: "Sem impacto nenhum". Mais adiante, ao revisar novamente a jogada, o VAR reafirma: "Não vejo impacto nenhum aqui. A perna já está parada. Tem um contato ali... Para mim, lance normal". Roggenbaum ainda menciona que o árbitro de campo estava bem posicionado e acompanhava a ação de perto.
A divulgação do áudio, porém, não encerrou a questão. Na madrugada de quarta-feira, a CBF anunciou que havia suspendido tanto André Luiz de Freitas Castro quanto Adriano Milczvski. Ambos foram incluídos no Programa de Assistência ao Desempenho do Árbitro, conhecido internamente como PADA — uma espécie de afastamento temporário onde árbitros recebem acompanhamento antes de retornar às escalações. A decisão da confederação, tomada após análise da atuação de ambos durante o jogo, sinalizava que a instituição havia identificado problemas na condução da partida, independentemente da justificativa técnica oferecida pelo VAR.
Bemerkenswerte Zitate
A perna já está parada. O pé para do lado e ele tropeça no pé. Sem impacto nenhum.— Adriano Milczvski, VAR da partida
Para mim, lance normal— Adriano Milczvski, VAR da partida