No futebol, como na vida, as decisões tomadas em frações de segundo carregam o peso de interpretações que raramente satisfazem a todos. No Maracanã, numa noite de outubro, Flamengo e Santos dividiram uma vitória e uma derrota permeadas por lances que a tecnologia registrou, mas não conseguiu pacificar. A CBF, ao divulgar o áudio do VAR, tentou oferecer transparência — mas revelou, sobretudo, que a verdade arbitral e a verdade das torcidas raramente habitam o mesmo campo.
CBF divulga áudio do VAR; pênalti em Cebolinha não foi revisado em Flamengo x Santos
A confederação divulgou um áudio, mas manteve o outro em sigilo
Por que a CBF divulgou o áudio de um lance e não do outro? Parece haver uma assimetria aí.
A confederação publicou a análise do VAR sobre o lance de Camacho, que era a reclamação do Santos. Mas não divulgou a análise — ou a falta dela — sobre Cebolinha, que era a reclamação do Flamengo. É uma escolha editorial que levanta questões.
Mas espera: o áudio mostra que o VAR realmente analisou o lance de Camacho. A pergunta é se analisou Cebolinha. O áudio não prova que não analisou; apenas não foi divulgado. São coisas diferentes.
Verdade. O que sabemos é que o lance de Cebolinha não foi revisado — isso está confirmado. Mas não temos o áudio da cabine para entender por quê.
E quanto à decisão de suspender os árbitros? Isso significa que a CBF concordou que algo saiu errado?
A suspensão no PADA é um programa de assistência ao desempenho. Não é necessariamente uma admissão de erro; pode ser protocolo após partidas polêmicas. Não sabemos os critérios exatos.
Mas o timing é significativo. Suspenderam no dia seguinte, enquanto o Santos já tinha enviado sua denúncia. A confederação estava sob pressão.
O Santos chamou de "criminoso". Isso não é linguagem comum em reclamações de arbitragem.
Não é. Mostra o nível de frustração. Eles acreditam que houve má conduta deliberada, não apenas erro técnico.
Mas "criminoso" é uma caracterização do Santos, não um fato verificado. É importante manter essa distinção clara.
Le Pouls
- A partida terminou 3 a 2 para o Flamengo, mas o placar ficou em segundo plano diante da guerra de interpretações sobre dois lances que nenhum dos clubes aceitou em silêncio.
- O Santos acusou a arbitragem de 'tendenciosa' e até 'criminosa' por não marcar pênalti em Camacho, enquanto o Flamengo se irritou com a ausência de revisão do VAR num carrinho sobre Cebolinha.
- A CBF divulgou o áudio do VAR para o lance de Matheuzinho e Camacho, mas manteve em sigilo a análise — ou a falta dela — sobre o possível pênalti em Cebolinha, alimentando a desconfiança de ambos os lados.
- Os árbitros André Luiz Freitas Castro e Adriano Milczvski foram suspensos e encaminhados ao programa PADA, sinal de que a própria confederação reconheceu falhas no desempenho da dupla.
- Sem previsão de retorno às escalações, os árbitros pagam o preço institucional de uma noite em que nenhuma de suas decisões saiu ilesa do escrutínio público.
No futebol, como na vida, as decisões tomadas em frações de segundo carregam o peso de interpretações que raramente satisfazem a todos. No Maracanã, numa noite de outubro, Flamengo e Santos dividiram uma vitória e uma derrota permeadas por lances que a tecnologia registrou, mas não conseguiu pacificar. A CBF, ao divulgar o áudio do VAR, tentou oferecer transparência — mas revelou, sobretudo, que a verdade arbitral e a verdade das torcidas raramente habitam o mesmo campo.
Na noite de 25 de outubro, Flamengo e Santos se enfrentaram no Maracanã pelo Brasileirão numa partida que terminou 3 a 2 para os cariocas — mas cujas feridas arbitrais se estenderam até o dia seguinte. Na quarta-feira, a CBF divulgou o áudio do VAR referente ao lance mais contestado pelo Santos: a disputa entre Matheuzinho e Camacho que precedeu o primeiro gol flamenguista.
No áudio, o árbitro de campo André Luiz Freitas Castro e o VAR Adriano Milczvski concluíram que não houve falta. A justificativa foi técnica: a perna do lateral já estava parada quando Camacho tropeçou, sem impacto relevante. Castro, posicionado perto do lance, concordou com a leitura. O jogo seguiu, e foi o próprio Matheuzinho quem assistiu Pedro para abrir o placar.
Do lado rubro-negro, a insatisfação tinha outro endereço. Dentro da área santista, o zagueiro Eduardo Bauermann derrubou Cebolinha com um carrinho — mas o VAR não revisou o lance, e a penalidade não foi marcada. A ausência de análise nesse momento ampliou o desconforto flamenguista com a arbitragem da noite.
A CBF respondeu com uma medida concreta: suspendeu os dois árbitros e os incluiu no Programa de Assistência ao Desempenho do Árbitro (PADA), afastamento preventivo sem prazo definido para retorno. O Santos, por sua vez, foi além das reclamações verbais e enviou nota oficial à confederação, classificando a condução da partida como 'arbitragem tendenciosa' e chegando a usar o termo 'criminoso' para descrever o ocorrido. A transparência do áudio, ao fim, não apaziguou ninguém — apenas tornou o impasse mais audível.
Na noite de terça-feira, 25 de outubro, Flamengo e Santos se enfrentaram no Maracanã pelo Brasileirão em uma partida que terminaria 3 a 2 para o time carioca, mas deixaria feridas abertas em ambos os lados quanto às decisões arbitrais. A CBF divulgou nesta quarta-feira o áudio do VAR relativo a um dos lances mais contestados da noite — a disputa entre Matheuzinho e Camacho que originou o primeiro gol do Flamengo — mas manteve em sigilo a análise sobre o possível pênalti em Cebolinha que deixou os rubro-negros insatisfeitos.
No lance que gerou a reclamação santista, Matheuzinho e Camacho disputaram a bola na área. Segundo a conversa entre o árbitro de campo André Luiz Freitas Castro e o VAR Adriano Milczvski, registrada no áudio divulgado, o lateral flamenguista não teria cometido falta. O VAR argumentou que a perna do defensor já estava parada quando Camacho tropeçou nela, caracterizando um contato sem impacto relevante. André Luiz Freitas Castro, que estava posicionado próximo à jogada, concordou com a avaliação. Após a decisão de deixar o jogo seguir, foi o próprio Matheuzinho quem deu o passe para Pedro abrir o placar pouco depois.
Do lado flamenguista, a insatisfação recaiu sobre um lance envolvendo Cebolinha. Dentro da área santista, o zagueiro Eduardo Bauermann fez um carrinho nas pernas do atacante rubro-negro, derrubando-o. Diferentemente do lance de Camacho, este não foi revisado pelo árbitro de vídeo, e a partida prosseguiu sem que a penalidade fosse marcada. A ausência de análise do VAR nesta situação amplificou o incômodo flamenguista com a condução da arbitragem.
Na quarta-feira, 26 de outubro, a CBF tomou uma decisão que sinalizava preocupação com o desempenho dos árbitros envolvidos. André Luiz Freitas Castro e Adriano Milczvski foram suspensos e incluídos no Programa de Assistência ao Desempenho do Árbitro (PADA), uma espécie de afastamento preventivo da confederação. Não há previsão de quando os dois profissionais retornarão às escalações de jogos.
O Santos, por sua vez, não aceitou a decisão em silêncio. O clube paulista emitiu uma nota oficial à CBF expressando sua insatisfação com a condução da partida, acusando os árbitros de "arbitragem tendenciosa" e chegando a caracterizar o ocorrido como "criminoso". A reclamação santista focava especialmente na não marcação do pênalti em Camacho, que segundo o clube deveria ter sido assinalado e revisado com maior cuidado.
Citations marquantes
Não vejo impacto nenhum aqui. A perna está parada. Para mim, lance normal.— Adriano Milczvski, VAR, sobre o lance de Camacho
O Santos denunciou à CBF arbitragem 'tendenciosa' e caracterizou o que aconteceu no Maracanã como 'criminoso'— Comunicado oficial do Santos