No futebol, como na vida, as decisões tomadas em frações de segundo carregam o peso de interpretações que nenhuma tecnologia consegue tornar absolutamente neutras. A CBF divulgou, na segunda-feira seguinte ao clássico de 19 de outubro, os áudios do VAR da vitória do Flamengo sobre o Palmeiras por 3 a 2 pelo Campeonato Brasileiro — um gesto inédito que revela tanto o esforço por transparência quanto a profundidade do desconforto gerado. Os áudios confirmam as decisões arbitrais contestadas pelo Palmeiras, mas a controvérsia, longe de se encerrar, migra agora para os tribunais institucionais do
CBF divulga áudio do VAR: decisões em Flamengo 3x2 Palmeiras geram polêmica
Essa mão aqui é só uma mão de referência, não tem impacto
Por que a CBF decidiu divulgar esses áudios agora? Isso é uma prática comum?
Não é. A CBF mudou seu protocolo justamente porque houve pressão após polêmicas anteriores com o Palmeiras. Antes, essas conversas entre árbitro e VAR permaneciam privadas. A divulgação é uma tentativa de transparência.
Mas transparência de quê, exatamente? Os áudios mostram o raciocínio dos árbitros, mas não provam que estão certos. Mostram apenas como eles interpretaram as regras.
Então o Palmeiras tem razão em reclamar?
Abel Ferreira tem uma interpretação diferente, especialmente sobre o segundo lance. Ele vê uma falta de ataque de Pedro que deveria ter sido marcada antes do encontrão com Fuchs.
Mas os árbitros analisaram isso e decidiram que Danilo cometeu a falta antes da fase de ataque começar. São interpretações legítimas de regras que não são absolutas.
Gustavo Gómez disse que o árbitro tem "algo contra o Palmeiras". Isso é crível?
Gómez está frustrado. Ele está há oito anos no Brasil e vê um padrão. Mas uma acusação de viés é difícil de provar com dois lances de uma partida.
Exatamente. Gómez oferece uma impressão, não uma evidência. Para sustentar uma acusação de viés, você precisaria de um padrão sistemático ao longo de várias partidas, não de uma única noite.
O que acontece agora?
O Palmeiras deve formalizar reclamações à Comissão de Arbitragem. É o próximo passo institucional.
E é importante notar que isso não vai mudar o resultado da partida. A questão real é se haverá alguma consequência para Wilton Sampaio ou se a CBF considerará o assunto encerrado com a divulgação dos áudios.
Il Polso
- A CBF quebrou seu próprio protocolo de sigilo ao tornar públicos os áudios do VAR, pressionada por uma sequência de polêmicas arbitrais que envolveram o Palmeiras.
- Dois lances concentram a indignação palmeirense: um contato de Jorginho em Gómez ignorado no primeiro tempo e o pênalti sobre Pedro que originou o segundo gol rubro-negro após três minutos de análise.
- O técnico Abel Ferreira e o capitão Gómez foram além das reclamações técnicas — Ferreira comparou a jogada ao basquete, enquanto Gómez acusou o árbitro Wilton de animosidade e de desligar o microfone para proferir 'besteiras' aos jogadores.
- Dois palmeirenses foram expulsos após o apito final — o lateral Piquerez e o auxiliar João Martins —, ampliando o clima de tensão e indignação do clube.
- O Palmeiras deve formalizar reclamações à Comissão de Arbitragem da CBF, sinalizando que a batalha sairá dos gramados e entrará nos corredores institucionais.
No futebol, como na vida, as decisões tomadas em frações de segundo carregam o peso de interpretações que nenhuma tecnologia consegue tornar absolutamente neutras. A CBF divulgou, na segunda-feira seguinte ao clássico de 19 de outubro, os áudios do VAR da vitória do Flamengo sobre o Palmeiras por 3 a 2 pelo Campeonato Brasileiro — um gesto inédito que revela tanto o esforço por transparência quanto a profundidade do desconforto gerado. Os áudios confirmam as decisões arbitrais contestadas pelo Palmeiras, mas a controvérsia, longe de se encerrar, migra agora para os tribunais institucionais do futebol brasileiro.
A CBF divulgou nesta segunda-feira os áudios do VAR do clássico entre Flamengo e Palmeiras, encerrado no domingo com vitória rubro-negra por 3 a 2 pelo Campeonato Brasileiro. A decisão representa uma mudança de postura da entidade, que até então mantinha essas conversas em sigilo — mudança motivada, em grande parte, pela pressão acumulada por polêmicas arbitrais anteriores envolvendo o Palmeiras.
Dois lances concentravam as contestações palmeirenses. No primeiro, ainda com o placar zerado, o árbitro de vídeo Caio Max Augusto Vieira classificou o contato de Jorginho em Gustavo Gómez como uma simples 'mão de referência, sem impacto', recomendando que o jogo prosseguisse sem penalidade. No segundo, que originou o segundo gol do Flamengo, a cabine do VAR consumiu cerca de três minutos analisando o contato entre Pedro e Bruno Fuchs. Os árbitros concluíram que o defensor palmeirense buscava o atacante na jogada e que, ao final, Fuchs pisou no pé de Pedro dentro da área — confirmando o pênalti.
A interpretação não convenceu o técnico Abel Ferreira, que em coletiva argumentou que a falta deveria ter sido marcada sobre Fuchs, não sobre Pedro, comparando a situação a uma falta de ataque no basquete. Gómez foi mais contundente: chamou o árbitro Wilton Pereira Sampaio de 'soberbo', acusou-o de desligar o microfone para dirigir palavras inadequadas aos jogadores e afirmou acreditar em alguma animosidade do árbitro contra o clube — embora reconhecesse suas qualidades profissionais.
O clima pós-jogo se agravou com as expulsões de Piquerez e do auxiliar técnico João Martins, ambos por reclamação após o apito final. A divulgação dos áudios, embora busque oferecer transparência, não encerrou a controvérsia. O Palmeiras deve formalizar suas reclamações à Comissão de Arbitragem da CBF, levando o debate dos gramados para os canais institucionais do futebol brasileiro.
A Confederação Brasileira de Futebol divulgou nesta segunda-feira os áudios do VAR referentes ao clássico entre Flamengo e Palmeiras, encerrado com vitória rubro-negra por 3 a 2 no domingo, 19 de outubro, pelo Campeonato Brasileiro. A decisão de tornar públicas as conversas entre o árbitro de campo Wilton Pereira Sampaio e o responsável pela cabine de vídeo, Caio Max Augusto Vieira, marca uma mudança de protocolo da CBF, que até então mantinha essas checagens em sigilo. A entidade alterou sua postura após pressões geradas por polêmicas arbitrais em confrontos anteriores envolvendo o Palmeiras.
Os palmeirenses contestavam dois lances específicos da partida. O primeiro ocorreu ainda no primeiro tempo, com o placar zerado: um contato entre Jorginho e Gustavo Gómez que a arbitragem não marcou como pênalti. Ao analisar a jogada, Caio Max classificou o gesto de Jorginho como uma simples "mão de apoio" ou "mão de referência", sem força ou impacto que caracterizasse infração. "Para mim, essa mão aqui é só uma mão de referência, não tem impacto. Wilton, pode seguir. Os dois braços dele estão estendidos e não fazem a flexão com impacto para o empurrão", afirmou o árbitro do vídeo, recomendando que o jogo prosseguisse.
O segundo lance polêmico originou o segundo gol do Flamengo e consumiu aproximadamente três minutos de análise na cabine do VAR. A jogada envolvia Pedro, atacante rubro-negro, e Bruno Fuchs, zagueiro palmeirense. Antes de confirmar a penalidade, os árbitros de vídeo examinaram duas possíveis infrações: uma falta de Pedro sobre Fuchs e outra de Danilo sobre Vitor Roque. Chegaram à conclusão de que o contato entre Pedro e Fuchs constituía apenas um "encontrão", interpretando que o defensor palmeirense é quem buscava o atacante flamenguista na jogada. Quanto à ação de Danilo, entenderam que ocorria antes do início efetivo do ataque, portanto fora do escopo de revisão.
Caio Max confirmou o pênalti com uma explicação detalhada: o defensor se posiciona à frente do atacante, que tenta se desvencilhar, ambos colidem, e o jogador palmeirense cai. Posteriormente, Fuchs comete a infração ao pisar no pé de Pedro dentro da área. "O pênalti está confirmado", concluiu o árbitro de vídeo. A interpretação da arbitragem divergiu significativamente da visão do técnico Abel Ferreira. Em coletiva de imprensa, o treinador palmeirense argumentou que deveria ter sido marcada falta sobre Fuchs, não sobre Pedro. Ferreira comparou a situação ao basquete, onde seria considerada falta de ataque, e apontou que Pedro teria dado um empurrão antes de ganhar vantagem. Ele também mencionou a falta não revisada sobre Vitor Roque, mas reconheceu que a decisão final cabe ao árbitro.
Além das duas jogadas centrais à polêmica, Wilton Pereira Sampaio expulsou dois integrantes do Palmeiras após o término da partida: o lateral Piquerez e o auxiliar técnico João Martins, ambos por reclamação. Gustavo Gómez, capitão palmeirense e envolvido no primeiro lance contestado, foi além das críticas técnicas. Chamou o árbitro de "soberbo" e acusou Wilton de desligar o microfone para dirigir-se aos jogadores palmeirenses com "besteiras". Gómez, que está no Brasil há quase oito anos, afirmou acreditar que Wilton possui alguma animosidade contra o Palmeiras e seu sucesso, embora reconheça suas qualidades como árbitro.
A tendência, segundo informações divulgadas, é que o Palmeiras formalize suas reclamações junto à Comissão de Arbitragem da CBF. A divulgação dos áudios, embora tenha o propósito de esclarecer as decisões tomadas, não parece ter encerrado a controvérsia. A questão agora se desloca para os canais institucionais, onde o clube buscará questionar não apenas os lances específicos, mas também a conduta geral do árbitro durante o confronto.
Citazioni salienti
Para mim, essa mão aqui é só uma mão de referência, não tem impacto. Wilton, pode seguir.— Caio Max Augusto Vieira, árbitro do VAR
No pênalti, o Bruno Fuchs poderia evitar a falta, mas temos de ver o que aconteceu antes. Se fosse basquete, era falta de ataque.— Abel Ferreira, técnico do Palmeiras