Cartões de criptomoedas avançam no Brasil sem IOF, mas enfrentam nova regulação

A partir de novembro, o Banco Central começará a fiscalizar de maneira muito mais rigorosa
Especialista alerta consumidores sobre a intensificação da supervisão regulatória do setor de criptomoedas.
Mark

Por que exatamente esses cartões crescem tão rápido agora? O que mudou?

Mimi

Duas coisas convergiram. Primeiro, as stablecoins se tornaram confiáveis o suficiente para uso cotidiano — não oscilam como Bitcoin. Segundo, e talvez mais importante, eles permitem contornar o IOF em pagamentos internacionais. Para alguém que já tem dólares digitais, é simplesmente mais prático.

Mark

Mas o Banco Central está regulamentando isso. Isso não deveria frear o crescimento?

Mimi

Deveria, mas ainda não freou. As autorizações não foram concedidas, as empresas ainda estão operando em uma zona cinzenta. Alguns consumidores veem a regulação como positiva — mais segurança. Outros estão com pressa de usar antes que as regras apertem ou a tributação chegue.

Mark

A tributação é inevitável, então?

Mimi

Ninguém sabe. Há uma proposta de IOF de 3,5%, mas os líderes das plataformas argumentam que stablecoins não são moeda estrangeira, são ativos virtuais. É uma discussão que ainda está aberta, mas o governo claramente quer receita desse mercado.

Mark

E se uma empresa não se adequar às novas regras? O que acontece com o dinheiro do usuário?

Mimi

Aí está o risco real. O consumidor pode perder acesso aos fundos ou ter a empresa fechada. Por isso os especialistas alertam: a partir de novembro, quando a fiscalização intensificar, você precisa saber se a empresa onde você tem saldo está regularizada. Não é paranoia, é proteção.

Mark

Então o crescimento que vemos agora pode ser temporário?

Mimi

Pode ser. Ou pode ser que o mercado se consolide com as empresas que conseguem se adequar. O que é certo é que novembro é um ponto de inflexão. Depois disso, o mercado será muito diferente.

  • O mercado de cartões cripto no Brasil cresceu 48,6% em 2026, ultrapassando US$ 747 milhões em movimentações só em maio — um sinal de que a fronteira entre finanças digitais e consumo cotidiano está sendo cruzada em ritmo acelerado.
  • A isenção de IOF sobre pagamentos internacionais com stablecoins funciona como combustível para a expansão, mas a proposta de tributação de 3,5% paira sobre o setor como uma ameaça capaz de mudar o cálculo de milhares de usuários.
  • Desde fevereiro de 2026, o Banco Central exige capital mínimo, segregação patrimonial e supervisão rigorosa das plataformas — mas as autorizações formais ainda não foram concedidas, deixando o mercado em zona de incerteza regulatória.
  • Novembro se aproxima como prazo-limite: a partir daí, a fiscalização será intensificada, e plataformas que não se adequarem poderão deixar consumidores expostos a perdas em operações irregulares.
  • O debate sobre como classificar stablecoins — ativo virtual ou moeda estrangeira — não é apenas técnico; é a disputa que definirá se esse mercado continuará crescendo ou enfrentará uma barreira fiscal decisiva.

No Brasil, os cartões de criptomoedas emergem como uma nova fronteira entre o patrimônio digital e a vida cotidiana, movimentando quase US$ 750 milhões em um único mês e crescendo quase 50% ao ano. Impulsionados pelas stablecoins e pela ausência temporária do IOF em transações internacionais, esses instrumentos transformam reservas de valor em moeda de uso diário. O Banco Central, porém, avança com regulamentação que pode redesenhar as regras desse mercado antes que ele consolide sua forma definitiva.

Os cartões de criptomoedas estão conquistando espaço no Brasil com uma proposta simples: transformar patrimônio digital em poder de compra cotidiano, sem resgates manuais e, por enquanto, sem o IOF que incide sobre operações financeiras internacionais. O mercado de criptoativos movimentou R$ 505,5 bilhões em 2025, com as stablecoins respondendo por mais de R$ 360 bilhões. Em maio de 2026, os cartões cripto sozinhos ultrapassaram US$ 747 milhões em transações, acumulando crescimento de 48,6% no ano.

As stablecoins dominam esse universo por uma razão prática: sua estabilidade reduz a volatilidade que afasta consumidores e permite que comerciantes recebam em moeda local sem lidar com conversão de criptomoedas. No Brasil, Binance, Kast, Onda Finance e OKX oferecem soluções distintas — débito em USDC, pré-pagos em múltiplos ativos, conversão automática no momento da compra. As taxas variam entre 0,9% e 2,9%, além de spreads cambiais.

O crescimento, porém, ocorre sob pressão regulatória crescente. Desde fevereiro de 2026, o Banco Central regulamenta as prestadoras de serviços de ativos virtuais, impondo exigências de capital mínimo e supervisão rigorosa. A classificação das stablecoins como operações de câmbio abriu caminho para propostas de IOF de 3,5% — tributação que ainda não existe, mas que o setor acompanha com apreensão. Executivos das plataformas argumentam que dólares digitais são ativos virtuais, não moeda estrangeira, e não deveriam ser tributados dessa forma.

O ponto mais delicado é que as autorizações formais de funcionamento ainda não foram concedidas. Novembro é o prazo-limite estabelecido pelo Banco Central para adequação das empresas. A partir daí, a fiscalização será muito mais rigorosa. Consumidores com saldos em cartões cripto precisam verificar se as plataformas que utilizam estão operando dentro das exigências regulatórias — uma empresa irregular pode deixar usuários vulneráveis a perdas significativas. Os próximos meses definirão quais plataformas sobreviverão e como a tributação moldará esse mercado em formação.

Os cartões de criptomoedas estão ganhando espaço no Brasil, impulsionados por uma combinação de praticidade e vantagem fiscal. Ao permitir que usuários façam pagamentos com ativos digitais — particularmente stablecoins, criptomoedas atreladas ao dólar ou ao real — esses cartões oferecem um caminho para contornar o IOF, o imposto que incide sobre operações financeiras internacionais. O resultado é um mercado em expansão acelerada, mas também em transformação regulatória que pode mudar as regras do jogo.

Os números refletem o crescimento. Em 2025, o mercado de criptoativos movimentou R$ 505,5 bilhões, com as stablecoins respondendo por mais de R$ 360 bilhões desse total. Os cartões cripto, especificamente, ultrapassaram a marca de US$ 747 milhões em movimentações em maio de 2026, acumulando um crescimento de 48,6% apenas naquele ano. Esses cartões funcionam de duas maneiras principais: como débito ou pré-pagos, onde o saldo é debitado diretamente das compras, ou de forma similar ao crédito, permitindo que o usuário pague a fatura ao final do mês com criptomoedas ou dinheiro tradicional.

O apelo é direto. Pessoas que já possuem patrimônio em criptomoedas podem agora utilizá-lo no dia a dia sem precisar fazer resgates manuais constantes. Um cartão permite transformar ativos que eram vistos principalmente como reserva de valor ou investimento em recursos para despesas cotidianas — desde compras em sites internacionais até manutenção de parte do patrimônio em dólar. No Brasil, empresas como Binance, Kast, Onda Finance e OKX oferecem essas soluções, cada uma com suas próprias características. A Kast funciona como débito em USDC; a OKX é pré-paga em USDG, USDC ou USDT; a Onda Finance permite carregamento com criptoativos ou moeda fiduciária; o Binance Card converte ativos no momento da compra.

A escolha por stablecoins domina o mercado. Segundo executivos das principais operadoras de cartão, a estabilidade é o fator decisivo — esses ativos se comportam de forma similar às moedas tradicionais, reduzindo a volatilidade que assusta consumidores. Além disso, o modelo permite que comerciantes recebam em moeda local sem precisar lidar com conversão de criptomoedas, simplificando a operação para todos os envolvidos. Os custos variam conforme a empresa: taxas de conversão oscilam entre 0,9% e 2,9%, além de spreads cambiais.

Mas o crescimento ocorre sob pressão regulatória crescente. Desde fevereiro de 2026, o Banco Central passou a regulamentar as prestadoras de serviços de ativos virtuais, impondo exigências de capital mínimo, segregação patrimonial e supervisão rigorosa. A mudança enquadrou operações com stablecoins no mercado de câmbio — uma classificação que alimentou propostas de cobrança de IOF de 3,5% sobre essas operações. Hoje, não há essa tributação, mas a possibilidade paira sobre o setor.

Os executivos das plataformas reconhecem que as novas regras elevam o padrão do mercado e podem atrair investidores institucionais, mas discordam sobre a tributação. Para líderes como o CEO da OKX no Brasil, dólares digitais devem ser classificados como ativos virtuais, não como moeda estrangeira, e portanto não deveriam sofrer IOF. Especialistas em mercados regulados, por sua vez, veem as exigências como positivas para a segurança do consumidor — desde que as empresas realmente as cumpram.

Aqui está o ponto crítico: as autorizações para funcionamento ainda não foram concedidas. O Banco Central estabeleceu novembro como data-limite para que as empresas se adequem. A partir de então, a fiscalização será muito mais rigorosa. Consumidores que mantêm saldos em cartões cripto precisam acompanhar se a empresa com a qual trabalham está operando dentro das exigências regulatórias. Uma empresa operando irregularmente pode deixar usuários vulneráveis a perdas significativas. O mercado está em fase de adaptação, e os próximos meses determinarão quais plataformas sobreviverão e como a tributação evoluirá.

O principal perfil de uso dos cartões é de pessoas que já têm patrimônio em criptomoedas e querem utilizá-lo no dia a dia sem precisar fazer resgates manuais
— Israel Buzaym, gerente da Kast no Brasil
A partir de novembro, que é a data-limite, o Banco Central efetivamente começará a fiscalizar o mercado de maneira mais rigorosa. O consumidor precisa ficar atento para não ser prejudicado por uma empresa que esteja operando de maneira irregular
— Carlos Akira Sato, cofundador da Syscapital
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