O surto de Carolina do Sul foi contido após 42 dias sem novos casos, com 997 infectados principalmente crianças não vacinadas e 21 hospitalizações. Taxas de vacinação abaixo de 95% em escolas de Spartanburg permitiram disseminação, mas campanhas de vacinação durante a crise ajudaram a conter o avanço.
Carolina do Sul encerra surto de sarampo, mas novos focos explodem nos EUA
O risco persiste, mesmo após a vitória
Como um estado consegue conter um surto de quase mil casos em seis meses?
Velocidade e transparência. Quando as autoridades identificam um caso, rastreiam rapidamente todos os contatos, isolam os expostos e oferecem vacinação. Na Carolina do Sul, o vírus nunca saiu da região noroeste porque fizeram isso bem.
Mas por que Spartanburg tinha taxas de vacinação tão baixas?
Não está claro no registro, mas sabemos que bolsões de comunidades com baixa vacinação existem em todo o país. Às vezes é hesitação, às vezes é acesso. O que importa é que quando as famílias viram vizinhos realmente doentes, mudaram de ideia.
Essa amnésia imunológica soa aterradora. É comum?
Não é rara. O sarampo destrói células de memória imunológica, deixando crianças vulneráveis a outras infecções por anos. E há um risco ainda pior: doença neurológica degenerativa que aparece anos depois. É por isso que pediatras insistem tanto na vacinação.
Se a Carolina do Sul venceu o surto, por que você parece preocupado?
Porque 20 novos focos eclodiram em 2024 enquanto falávamos. Texas, Flórida e Utah têm epidemias grandes. As taxas nacionais de vacinação caíram. E se os números continuarem subindo, os EUA perdem o status de país livre da doença.
Isso importa além do nome?
Importa muito. Significa que o vírus está circulando novamente em cadeia contínua. Significa que crianças em todo o país estão em risco. Significa que duas décadas de progresso podem desaparecer.
The Pulse
- 997 pessoas infectadas no surto de Carolina do Sul entre outubro e abril
- 21 hospitalizações com complicações graves
- 2.288 casos em 2023, 1.792 em 2024 — maior número desde 2000
- Mais de 20 novos focos em 2024 em outros estados americanos
- Taxas de vacinação pré-escolar nacional em 2024-2025: 92,5%
O surto de Carolina do Sul foi contido após 42 dias sem novos casos, com 997 infectados principalmente crianças não vacinadas e 21 hospitalizações. Taxas de vacinação abaixo de 95% em escolas de Spartanburg permitiram disseminação, mas campanhas de vacinação durante a crise ajudaram a conter o avanço.
Carolina do Sul declarou fim do maior surto de sarampo dos EUA desde 1991 após 997 infecções, mas mais de 20 novos focos eclodem em outros estados, ameaçando o status de país livre da doença.
Na segunda-feira, autoridades de saúde da Carolina do Sul anunciaram o encerramento do maior surto de sarampo registrado nos Estados Unidos desde 1991. O estado havia completado 42 dias sem qualquer novo caso confirmado até o domingo anterior. Durante seis meses, começando em outubro do ano passado, 997 pessoas contraíram a doença — a maioria delas crianças que não haviam sido vacinadas. Pelo menos 21 dessas pessoas precisaram de internação hospitalar para tratar complicações graves.
O controle da epidemia resultou de um trabalho sistemático de rastreamento rápido, identificação de pessoas expostas ao vírus e isolamento voluntário, conforme explicou Edward Simmer, diretor interino do Departamento de Saúde Pública estadual. Simmer descreveu a resposta como exemplar. O vírus permaneceu geograficamente contido na região noroeste do estado, nunca alcançando outras áreas da Carolina do Sul.
O Condado de Spartanburg foi o coração do surto. A maioria das escolas locais tinha taxas de vacinação contra sarampo abaixo dos 95% necessários para impedir a propagação da doença. Brannon Traxler, epidemiologista do departamento estadual, observou que o aumento nas vacinações durante a crise foi fundamental para deter o avanço. Mesmo assim, ele alertou que bolsões de população sem proteção imunológica continuam existindo. O risco, segundo Traxler, persiste.
A mudança de atitude das famílias foi gradual mas real. Martha Edwards, presidente da filial da Carolina do Sul da Academia Americana de Pediatria, relata que pediatras começaram a receber mais solicitações de vacinação após vizinhos vivenciarem pessoalmente a gravidade da doença. Famílias que tiveram membros infectados espalharam a notícia de que o sarampo não era uma enfermidade trivial — era difícil, assustador, e deixava os pais profundamente preocupados.
O sarampo pode evoluir para pneumonia, encefalite e, raramente, morte. Uma das complicações mais alarmantes é a amnésia imunológica, um fenômeno no qual o vírus danifica partes do sistema imunológico, deixando crianças vulneráveis a outras infecções durante anos. Crianças infectadas antes dos dois anos de idade correm risco particular de desenvolver uma doença neurológica degenerativa fatal, que geralmente surge entre sete e dez anos após a infecção inicial. Três pessoas morreram de sarampo em 2023, incluindo duas crianças em idade escolar no Texas.
Mas enquanto a Carolina do Sul comemorava o fim de seu surto, o quadro nacional se deteriorava. Mais de 20 novos focos foram relatados em 2024 em outros estados. Texas, Flórida e Utah enfrentam grandes epidemias, cada um com mais de 100 casos confirmados. Os dados do CDC mostram que 92,5% das crianças em idade pré-escolar receberam a vacina contra sarampo no ano letivo 2024-2025, mas em muitas comunidades esses números são significativamente menores, criando as condições perfeitas para disseminação rápida.
O ano passado registrou 2.288 casos de sarampo — o maior número desde 2000, quando a doença foi oficialmente declarada eliminada nos Estados Unidos. Essa designação técnica reconhece países que completaram um ano inteiro sem transmissão contínua. Até agora em 2024, o CDC confirmou 1.792 casos. Se a tendência continuar, os Estados Unidos podem perder a designação de país livre da doença, revertendo ganhos epidemiológicos conquistados ao longo de duas décadas. Especialistas afirmam que basta uma faísca para iniciar o problema novamente.
Notable Quotes
Esta foi uma resposta exemplar— Edward Simmer, diretor interino do Departamento de Saúde Pública da Carolina do Sul
As famílias que tiveram sarampo espalharam a notícia de que não era uma doença fácil. Era muito difícil, elas ficavam muito preocupadas— Martha Edwards, presidente da filial da Carolina do Sul da Academia Americana de Pediatria