Durante quase duas décadas, o capital de risco tem operado silenciosamente como um multiplicador da economia portuguesa — e agora os números confirmam o que muitos intuíam. Um estudo pioneiro da Nova SBE e da Investors Portugal revela que cada 100 milhões de euros investidos em fundos de risco geram crescimento mensurável no PIB, nas exportações e nos salários ao longo de dez anos. A questão que se coloca aos decisores políticos não é se estes instrumentos funcionam, mas se Portugal terá a determinação de os consolidar antes que outros países o façam primeiro.
Capital de risco aumenta PIB em 1,01% e exportações em 1,33 pontos percentuais
O custo inicial é temporário, mas os efeitos são permanentes
Então este estudo está a dizer que cada 100 milhões de euros em capital de risco gera 1,01% de crescimento no PIB. Isso é muito ou pouco?
Depende da perspectiva. Para uma economia como a portuguesa, é um multiplicador significativo. Mas o que é mais importante é que o estudo mostra que isto não é um ganho de curto prazo — é duradouro.
Espera, preciso de clarificar: esse 1,01% é medido ao longo de dez anos, certo? Não é anual?
Exatamente. É o impacto acumulado durante uma década. E o estudo cobriu dados de 2006 a 2024, portanto tem uma base empírica sólida.
E quanto aos empregos? O estudo diz que o capital de risco mais que duplica os postos de trabalho.
Sim, nas empresas que recebem financiamento. Mas há mais: essas empresas também pagam melhores salários e tornam-se mais produtivas. É um efeito em cascata.
Mas isto é apenas nas empresas investidas, certo? Não sabemos o efeito líquido na economia inteira — se há destruição de emprego noutros setores.
Verdade. O estudo foca-se no impacto direto. Mas a análise macroeconómica sugere que o efeito global é positivo, especialmente nas exportações.
Fala-me do SIFIDE. Parece ser a chave disto tudo.
O SIFIDE é um mecanismo fiscal que permite ao Estado dar incentivos para investimento em capital de risco. O estudo mostra que estes incentivos são determinantes — sem eles, muito menos capital privado seria canalizado para estes fundos.
E o custo para o Estado? Porque o estudo diz que o custo inicial é temporário, mas os efeitos são permanentes.
Exatamente. No primeiro ano, as receitas de impostos geradas já superam o custo do incentivo. É um investimento que se paga a si próprio.
Então a recomendação é expandir isto?
Sim. O estudo pede aos decisores políticos que consolidem e ampliem estes instrumentos para que Portugal se posicione ao nível dos grandes polos de inovação europeus.
Il Polso
- Portugal dispõe agora da primeira evidência independente e quantificada de que o capital de risco transforma estruturalmente empresas, empregos e a própria economia nacional.
- Empresas financiadas por capital de risco duplicam postos de trabalho e volume de negócios, e triplicam a rentabilidade — um diferencial que coloca em causa a neutralidade de não apoiar este ecossistema.
- Os incentivos fiscais como o SIFIDE geram retorno fiscal positivo já no primeiro ano, derrubando o argumento de que representam um custo líquido para o Estado.
- A Investors Portugal, que agrega todo o espectro do investimento de risco em Portugal, usa o estudo como alavanca para pressionar por uma política fiscal mais ambiciosa e estável.
- Sem consolidação e expansão destes mecanismos, Portugal arrisca ficar à margem dos grandes polos de inovação europeus num momento em que a corrida pelo talento e pelo capital se intensifica.
Durante quase duas décadas, o capital de risco tem operado silenciosamente como um multiplicador da economia portuguesa — e agora os números confirmam o que muitos intuíam. Um estudo pioneiro da Nova SBE e da Investors Portugal revela que cada 100 milhões de euros investidos em fundos de risco geram crescimento mensurável no PIB, nas exportações e nos salários ao longo de dez anos. A questão que se coloca aos decisores políticos não é se estes instrumentos funcionam, mas se Portugal terá a determinação de os consolidar antes que outros países o façam primeiro.
Um estudo conduzido pela Nova School of Business & Economics em parceria com a Investors Portugal analisou quase vinte anos de dados para responder a uma pergunta simples: o que faz o capital de risco à economia portuguesa? A resposta é inequívoca — por cada 100 milhões de euros investidos em fundos de risco, o PIB cresce 1,01% e as exportações aumentam 1,33 pontos percentuais ao longo de uma década.
As empresas que recebem este tipo de financiamento não crescem apenas mais depressa. Contratam mais, pagam salários superiores e tornam-se mais produtivas. O estudo quantifica o impacto: o capital de risco mais que duplica os postos de trabalho e o volume de negócios nas empresas investidas, e mais que triplica a rentabilidade. Nas empresas apoiadas especificamente por fundos SIFIDE — instrumentos fiscais que canalizam investimento privado para empresas em fase inicial — o emprego cresce entre 50% e 60%, o investimento em ativos intangíveis mais que duplica, e os lucros acompanham essa trajetória.
Para os decisores políticos, o argumento mais poderoso pode ser o da relação custo-benefício. O custo fiscal dos incentivos é temporário; os efeitos económicos são permanentes. Logo no primeiro ano, as receitas adicionais de IVA, IRS, contribuições sociais e IRC superam o custo do incentivo — tornando o investimento público em capital de risco uma aposta com retorno garantido.
João Duarte, professor da Nova SBE e autor do estudo, sublinha que o impacto é estrutural: as empresas investidas vendem mais, incluindo para mercados internacionais, e geram retornos fiscais que ultrapassam largamente o custo inicial. A Investors Portugal, que representa Business Angels, fundos de venture capital, aceleradoras e plataformas de crowdfunding, usa agora este estudo para apelar a uma política fiscal mais ambiciosa — estender os benefícios a todos os fundos de capital de risco e garantir a previsibilidade dos mecanismos de incentivo. O objetivo declarado é posicionar Portugal ao nível dos grandes polos de inovação europeus, antes que a janela de oportunidade se feche.
Um estudo realizado pela Nova School of Business & Economics em parceria com a Investors Portugal analisou quase duas décadas de dados — de 2006 a 2024 — para medir o que o capital de risco realmente faz à economia portuguesa. Os números são claros: para cada 100 milhões de euros investidos em fundos de capital de risco, o PIB cresce 1,01% e as exportações aumentam 1,33 pontos percentuais ao longo de dez anos.
O trabalho, apresentado pela Investors Portugal sob liderança de Lurdes Gramaxo, é descrito como o primeiro estudo independente em Portugal capaz de demonstrar de forma inequívoca a importância do capital de risco para o país. A análise examinou tanto os fundos de capital de risco convencionais quanto os fundos SIFIDE — instrumentos fiscais que canalizam investimento privado para empresas em fase inicial.
As empresas que recebem financiamento de capital de risco não apenas crescem mais depressa do que as demais. Elas contratam significativamente mais trabalhadores, oferecem salários superiores e tornam-se mais produtivas. O estudo quantifica isto: o capital de risco mais que duplica os postos de trabalho e o volume de negócios nas empresas investidas, e mais que triplica a rentabilidade. Nas empresas financiadas especificamente através de fundos SIFIDE, o emprego cresce entre 50% e 60%, o investimento em ativos tangíveis sobe 60%, e o investimento em ativos intangíveis mais que duplica. O volume de negócios e os lucros crescem mais do dobro.
O que torna este estudo particularmente relevante para os decisores políticos é a análise da relação custo-benefício dos incentivos fiscais. O Estado português investe em deduções fiscais para atrair capital privado para fundos de risco, mas o custo inicial é temporário enquanto os efeitos económicos são permanentes. No primeiro ano já, as receitas adicionais de IVA, IRS, contribuições sociais e IRC superam o custo do incentivo fiscal. O impacto positivo em emprego, receita fiscal e crescimento económico ultrapassa largamente a despesa inicial.
João Duarte, autor do estudo e professor associado com agregação da Nova SBE, frisa que o capital de risco tem um impacto estrutural na economia portuguesa. As empresas investidas contratam mais, pagam melhores salários, tornam-se mais produtivas e vendem mais — incluindo para mercados internacionais. Através do SIFIDE, conseguem atrair investidores para financiar inovação e investigação e desenvolvimento, gerando retornos fiscais que superam largamente o custo do incentivo.
A Investors Portugal, que agrega Business Angels, fundos de venture capital, corporate VCs, aceleradoras, incubadoras e plataformas de crowdfunding, utiliza este estudo para reforçar um apelo aos decisores políticos: consolidar e ampliar os instrumentos fiscais que suportam o capital de risco. O relatório sublinha que estender benefícios semelhantes a todos os fundos de capital de risco e garantir previsibilidade dos mecanismos de incentivo é crucial para consolidar e ampliar o impacto no ecossistema empreendedor português. Se Portugal pretende posicionar-se ao nível dos grandes polos de inovação europeus, é essencial reforçar, expandir e estabilizar estes mecanismos de forma duradoura.
Citazioni salienti
Este estudo é o primeiro em Portugal, realizado por uma entidade independente, que permite demonstrar de forma clara e incontornável a criticidade e relevância do capital de risco no nosso país— Lurdes Gramaxo, presidente da Investors Portugal
O capital de risco tem um impacto estrutural na economia portuguesa: as empresas investidas contratam mais, pagam melhores salários, tornam-se mais produtivas e vendem mais, incluindo para o exterior— João Duarte, autor do estudo e professor da Nova SBE